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Música alimento da alma

MADA (logo) // foto divulgação: OS BONNIES
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Yuno Silva · Natal, RN
30/4/2006 · 144 · 4
 

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Há quase uma década, ‘pop-rock-quicamente’ falando, Natal não passava de belas lembranças de férias, praias e passeio de buggy nas dunas. Estrategicamente posicionada: longe do eixo Rio-São Paulo, porém o ponto das Américas mais próximo dos continentes africano e europeu, a alimentação básica da cidade ainda era a música cover e o que o resto do Brasil conhecia mesmo era a “pulga e o percevejo” do Gilliard e “a Feiticeira” de Carlos Alexandre. Mesmo a meteórica passagem dos norte-americanos pela cidade (durante a Segunda Guerra Mundial), que deixou o nativo sem lenço nem documento e roqueiro, não foi suficiente para tornar o RN um estado exportador de talentos desse tal de ‘roquenrou’.

Claro que muita coisa rolou, ótimas bandas foram formadas e desfeitas ao longo dos anos; a música instrumental já tinha atravessado o Atlântico na carona de nomes como o do pianista Hianto de Almeida (um dos pais da Bossa Nova) e do clarinetista K-Ximbinho, fera do samba, do choro e do jazz brasileiro nos anos 1940 — a dupla prova que o RN é um celeiro de bons instrumentistas até, e principalmente, nos dias de hoje.

Depois dos primórdios

Essa história começou a mudar nos fim dos anos 1990, quando em 1998 o Festival Música Alimento da Alma (MADA) deu as caras pela primeira vez. Acanhado em baixo de uma lona de circo, com entrada franca e programação Frankenstein, o Festival Mada promoveu o mais importante: a interação. Não que o evento seja o salvador da pátria, longe disso, ia acontecer de qualquer jeito, mas era a primeira vez que a mídia especializada nacional nos dava atenção.

“No começo ainda não tínhamos um formato, atirei para todos os lados: de música regional à hardcore, tudo no mesmo palco”, lembra Jomardo Jomas, idealizador do festival. Na época o circo era armado no largo da rua Chile, Ribeira, bairro histórico da cidade na zona portuária. Chegando em sua oitava edição (Jomas só pulou 2000, “por motivos pessoais”), a quinta com patrocínio e seu conseqüente upgrade na programação e na estrutura de som e luz, e a terceira longe da Ribeira, mas devidamente inserido no circuito como um dos festivais de música independente do Brasil: já passaram pelo Mada, antes da fama vamos dizer assim, os Detonautas (RJ), Cabruêra (PB), Sonic Jr. (AL), Eddie (PE) e recentemente a Pitty (BA), que este ano volta como atração principal ao lado de Nando Reis, Cachorro Grande, O Rappa, Pavilhão 9 e Biquíni Cavadão.

Bons contatos e quem sabe ser 'descoberto'

A intensa maratona de 31 shows (contando os seis principais), com bandas independentes de todo o País, mais tenda eletrônica com 18 DJs, irá sacudir a arena do Imirá na Via Costeira — avenida beira mar onde se concentram os principais hotéis da cidade — nos próximos 4, 5 e 6 de maio. “Não é o lugar ideal, aquele que sempre sonhei para o Mada. Perdemos um pouco em identidade, mas ganhamos espaço. A rua Chile não comportava mais o evento”, garante. “Meu sonho era fazer numa fazenda, uma espécie de Woodstock organizado”, diverte-se.

Este ano as atrações foram escolhidas a dedo: foram mais de 700 inscrições, muitos escolhidos outros convidados; um apanhado significativo do pop-rock nacional que ainda luta por um lugarzinho ao sol — tem banda das bandas do Pará, Acre, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, sem falar nas natalenses. No Rio de Janeiro, seletivas locais peneiraram dois grupos no meios de 150. “Sem dúvida pensamos em expandir para outros lugares, fazer do Mada um evento nacional”, aposta Jomardo, que também atua como executivo da revista Laboratório Pop — por isso a ligação com o Rio.

Entre as escaladas para 2006 estão as cariocas Moptop, Cabaret e Tantra, Cansei de ser Sexy, Daniel Belezza e Banzé! de São Paulo, Coletivo Rádio Cipó de Belém do Pará, Macaco Bong do Mato Grosso, Volver de Pernambuco e Los Porongas do Acre. Os potiguares d’Os Bonnies, DuSouto, SeuZé e Agregados repetem a dose e figuram no pelotão principal. O MC Neguedmundo, com trabalho sólido na cena em outros grupos, promete surpreender no lançamento de sua carreira solo. The Automatics e Revolver lançam CD no festival, Montgomery marca presença pela primeira vez com seu britpop anos 1980 e o Zero8Quatro também volta a atacar com uma sua pegada rock.

Com a faca e o queijo na mão, resta ao público saborear o cardápio. As bandas também não tem do reclamar: tremenda estrutura e um pelotão de jornalistas e olheiros ávidos por novidades.

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Natacha Maranhão
 

No próximo ano, divulguem mais o festival aqui no Piauí, temos bandas excelentes! Anotem os nomes de Anno Zero, Kafila, Lado 2 Estéreo, Ostiga Jr., Gramophone, Roraima, Acesso, Karranka, Teófilo, Roque Moreira... To correndo o risco de ser injusta, mas essas foram as que eu lembrei agora. Todas com músicas próprias que já estão na boca do povo por aqui.
bjo yuno!

Natacha Maranhão · Teresina, PI 1/5/2006 16:34
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Yuno Silva
 

Natacha, todos esses já foram citados aqui pela turma. Inclusive o Lado 2 já tocou aqui e tudo. Relamente aqueles dois (Josh e Julliano) fazem um tremendo som. Em dezembro passado também passaram por aqui com o Chico Correa da Eletronic Band.

Yuno Silva · Natal, RN 2/5/2006 00:43
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
ALDEEJAY
 

muito legal, ...e com certeza tendência é só crescer e divulguem mais aqui para o sul (SC, PR..), que também tem ótimos talentos.

ALDEEJAY · Jaraguá do Sul, SC 4/9/2006 18:52
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Teatro Vila Velha
 

E a Bahia?

Teatro Vila Velha · Salvador, BA 1/11/2006 17:04
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