A musicoterapia vem sendo aceita como recurso para a saúde. O tratamento para pacientes com problemas neurológicos e emocionais já utilizam essa técnica
Na musicoterapia o som de pandeiros, chocalhos, palmas e outros "barulhos" feitos com o próprio corpo auxiliam na recuperação do indivíduo para que ele alcance melhor qualidade de vida. No Brasil há mais de 30 anos, a técnica terapêutica utiliza sons, música e movimento como forma de tratamento de diversas patologias, mas ainda é pouco difundida por aqui.
São muitos os campos de ação para a musicoterapia. Cada vez mais se percebe a importância da contribuição de tratamentos não medicamentosos e interdisciplinares na reabilitação de idosos, deficientes e portadores de outras doenças crônicas.
Essa terapia é uma alternativa indicada em casos de transtornos alimentares, distúrbio de comportamento e de linguagem. Estas práticas servem para promover o autoconhecimento, recuperação de auto-estima, deficiências mentais como Síndrome de Down, recuperação de dependência química, gestação e pós-parto.
Os autistas e os portadores de Alzheimer, doença caracterizada pela perda constante da memória, não são curados por esse tipo de terapia. Porém, o tratamento ajuda a retardar ou atenuar os sintomas mais alarmantes. O processo musicoterapêutico auxilia na qualidade de vida do paciente, pois atua em aspectos como memória, expressão, comunicação e sociabilidade.
Os efeitos fisiológicos dos elementos sonoro-rítmicos-musicais podem ocorrer como reações sensoriais, hormonais e fisiomotoras, e como efeitos psíquicos podem desencadear descargas emocionais em graus variáveis, dependendo do indivíduo, levando-o a se expressar perante os sons e músicas apresentados ou executados que podem alterar seu comportamento e modos de interação com o mundo que o cerca.
De acordo com a musicoterapeuta Mary Elly Alves, “a música como recurso terapêutico pode ser empregada nos diversos tipos de Distúrbios de Conduta Infantil e Adolescente (tais como hiperatividade, timidez, distúrbios alimentares, do sono e sexuais, dentre outros), na saúde mental (tais como stress, autismo, esquizofrenia, fobias, síndrome do pânico) e nas deficiências físicas, mentais, visuais e auditivas”.
A música como função cerebral continua sendo pesquisada por neurobiólogos, musicoterapeutas, psicólogos, musicólogos e outros profissionais, os quais já começam a obter resultados que comprovam os benefícios do estudo da música e do prazer em fazer ou ouvir música.
Segundo ela, a aplicação da musicoterapia teve início na área psiquiátrica, principalmente no tratamento de pessoas com autismo. “A experiência musical evoca lembranças e também produz reações fisiológicas, as quais parecem depender do conteúdo emocional,” afirma a musicoterapeuta.
No campo empresarial surgem oportunidades para a aplicação da musicoterapia como prevenção do estresse no ambiente de trabalho. A atuação dessa terapia contribui para o relacionamento profissional e pessoal entre os funcionários. Com isso, o rendimento empresarial cresce.
A música também é uma ótima maneira de regular o humor, tanto antes como durante as atividades físicas. Muitos atletas se apegam à música como se fosse uma droga lícita, utilizando-a como estimulante ou sedativo. A excitação também pode se reduzir no caso de se ouvir uma canção mais lenta.
Ainda em processo de regulamentação como profissão, a musicoterapia é uma das poucas formas prazerosas de aliviar sintomas como estresse, ajudar crianças com problemas de aprendizagem e até mesmo a amenizar os sintomas de doenças incuráveis como o Alzheimer. Tudo isso por meio de conhecimentos de medicina, artes, psicologia e filosofia.
Na maioria das faculdades, os vestibulandos passam por provas específicas de habilidades musicais, em que devem demonstrar o domínio de um instrumento e noções básicas de musicalização. A exceção são as duas faculdades paulistas, que não têm prova específica de música no vestibular.
O curso traz na grade curricular disciplinas como teoria musical, história da música e percepção são algumas disciplinas básicas dos cursos, que duram quatro anos. Além de envolver conhecimentos da área médica, especialmente neurologia e psiquiatria, de psicologia, a interação com outras terapias, como a terapia ocupacional e, naturalmente, de música.
Como surgiu
A arte de fazer música é uma prática muito antiga, tanto quanto a agricultura. Há mais de 35 mil anos já existiam instrumentos de percussão, flautas e harpas. A música, assim como a linguagem, sempre fez parte de todas as culturas.
Uma das hipóteses lançada para explicar a importância social da música é que ela garante a coesão social e a "sincronização" do humor. Há pesquisadores de diversas áreas que acreditam que a música ajuda na organização da vida comunitária e no estabelecimento de relações. Todos podem se beneficiar da musicoterapia, não sendo necessário que esteja familiarizado com os instrumentos musicais e nem que saibam tocá-los.
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