Dezembro de 2006. Rodoviária de Belo Horizonte. Milhares de passageiros passam apressados rumo aos guichês das empresas de ônibus ou ao terminal de embarque. No meio do caminho, uma orquestra. No meio da orquestra, uma moça. Ela não parece regente, mas os músicos seguem seus comandos. Ela está se divertindo, o público também. Ela não é regente. Ia viajar, estava na rodoviária, foi convidada a participar, topou e adorou. O público também se divertiu.
Essa é uma das experiências musicais que o Encontro Musical promove. Coordenado pela Orquestra Uirapuru, o projeto tem como objetivo principal levar a música erudita onde o povo está. “Poucas pessoas conhecem, entendem e gostam da música erudita. Quando mostramos o que é, como funciona, o público perde o medo e aproxima-se da gente, procurar assistir às apresentações, valoriza o nosso trabalho”, destaca a violinista que também é regente da orquestra.
O projeto Encontro Musical foi criado há cerca de um ano por meio da Lei Municipal de Incentivo a Cultura. Nesse período, foram realizadas três apresentações, sempre com grande público. Restam três concertos que Marisa pretende realizar em, preferencialmente, em igrejas e escolas. Ela acredita que esses espaços favorece a interação, pois, o formato difere dos tradicionais. “São feitas execuções separadas, com apenas um tipo de instrumento, esclarecemos o que está acontecendo, a função de cada instrumento, depois juntamos tudo para que percebam o resultado”, conta a regente.
As apresentações didáticas têm espaço também para perguntas do público e duram enquanto existirem dúvidas. “Queremos promover a percepção diferenciada da música erudita, muitas vezes classificada como chata por puro desconhecimento”, destaca a regente.
Patrocínio
Para a próxima fase do projeto, Marisa Moraes sonha em ampliar as apresentações para cidades próximas de Belo Horizonte, contudo, depende de patrocinadores. Encontro Musical 2, também já aprovado pela lei municipal, não conseguiu prospectar a verba necessária. “Dos R$ 42 mil previstos, faltam ainda R$ 19 mil. Por se tratar de incentivo do município, nosso campo de ação fica muito restrito”, destaca a regente que, ainda neste ano, quer inscrever o projeto na Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Bichinho feio
Fundada em 2003, a Orquestra Uirapuru tem como objetivo principal ser um “palco” para os músicos mineiros. A professora de violino Marisa Moraes vivia a procura de uma orquestra para que seus alunos pudessem praticar, contudo, as únicas opções de Belo Horizonte eram a Orquestra Jovem do Palácio das Artes, que não está sempre em atividade, e a da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), restrita aos alunos da universidade.
Por incentivo do maestro Sérgio Magnani – morto há quatro anos -, de quem foi aluna de regência, Marisa Moraes encarou o desafio de montar uma orquestra. Esvaziou o quarto onde dormia, passando a ocupar um muito menor, e transformou o cômodo da própria casa numa sala para ensaios. Até hoje, é lá que os músicos se reúnem para treinar e decidirem o futuro do grupo. “Criei a orquestra mas não mando nela. Decidimos tudo em conjunto”, conta a regente.
Foi lá que decidiram batizar a orquestra com o nome do pássaro brasileiro, por sugestão de Marisa Moraes. “Nunca tinha ouvido o canto o Uirapuru. Assisti a uma reportagem sobre ele e encantei-me ao ouvi-lo cantar. O bichinho é feio, parece um pardal, mas executa uma frase longa inteira, com princípio, meio e fim. Parece um instrumento musical imitando um passarinho. Tem tudo a ver com a nossa orquestra. Somos feinhos, quem nos vê não dá nada por nós, mas quem nos ouve se encanta”, relembra emocionada a regente.
É lá também que decidem como resolver impasses comuns na rotina dos músicos, por exemplo, como apresentar-se sem determinados instrumentos ou estantes. "Nossa luta é grande, mas é gratificante. Quando o problema parece sem solução, surge uma saída", destaca Marisa Moraes.
Recentemente, o grupo vivia uma dessas situações "sem saída". Precisava de um Xelofone de Tubo para executar "Dança do Sabre", de Gayné, contudo faltavam recursos para a aquisição do instrumento. A saída veio por meio de uma empresa local que não só comprou o Xelofone como equipou toda a orquestra por meio de doação. "E assim vamos sobrevivendo e divulgando a música erudita. Meu sonho é montar um repertório só com música erudita brasileira, pois temos peças lindíssimas que são pouco conhecidas", finaliza Marisa Moraes.
bacana. nunca tinha ouvido falar da orquestra uirapuru. e parece que muita gente também não, já que quase não há informações sobre ela na internet. não deixe de divulgar os próximos shows da orquestra na agenda do Overmundo!
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 18/7/2007 17:15
Nalu,
Você pode confirmar se a Orquestra Uirapuru estará em Vassouras, RJ no Festival do Vale do Café?
Abraço!
Fantástica a idéia. Adorei. A matéria está ótima. parabéns!
Roberta Tum · Palmas, TO 18/7/2007 19:10
Sou antenado em música. Gosto muito de ir em apresentações e eventos de arte em BH e nunca tinha ouvido falar da UIAPURU. Valeu o toque. Buscarei mais informações.
Wadson Fernandes · Belo Horizonte, MG 19/7/2007 18:05
Postei um choro-samba-jazz na fila de edição, quem tiver interesse...escuta lá...chama-se choro para o maestro...e viva a música na praça...
Mansur · Rio de Janeiro, RJ 20/7/2007 14:07
Nalu,
A Orquestra Uirapuru agradece por este artigo que mostra fiel e poéticamente a nossa história.
Nosso próximo concerto foi marcado para o dia 19 de agosto para a inauguração do auditório do Centro Cultural Vila Marçola/Serra, às 16 horas.
Na ocasião, estrearemos o nosso já famoso xilofone de tubos com a Dança do Sabre. A obra de Kachaturian foi adaptada para um número menor de naipes de sopros mas será apresentada integralmente.
Estão todos convidados.
Mais uma vez, agradecemos.
Já prestigiei algumas apresentações da Orquestra Jovem Uirapuru e confesso que fiquei maravilhada. Para os fãs da música erudita, uma oportunidade de conhecer um projeto encantador. E para aqueles que não conhecem, uma excelente chance de ampliar seus conceitos...o trabalho da Orquestra é maravihoso!
Vi Righi · Belo Horizonte, MG 23/7/2007 23:54Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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