Nação Zumbi: de graça e na praia!

Divulgação
Nação, Tim Festival 2005. Estética Ok, pouco improviso: terremoto subliminar.
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André Dib · Recife, PE
13/9/2006 · 79 · 2
 

Moro em Pernambuco faz oito anos, e ainda não tinha visto um show de Nação Zumbi na praia. Tive a oportunidade agora há pouco (10/09), quando fui com uma amiga pro Pólo Pina, um pontal perto de Boa Viagem. Só não foi melhor porque perdi minhas chaves na areia...

Só fui pra ver Nação, em show da turnê Futura, também inédito pra mim. Logo de cara, Jorge Du Peixe soltou: "é muito legal um evento assim, de graça, pra todo mundo. Tem que ter também quando não rola eleição". Ponto pra Nação.

O evento, Recife ConVida, foi promovido pela Cia. de Eventos (da qual nunca havia ouvido falar até então) e Prefeitura do Recife. Tinha também Jorge Ben Jor, Mombojó e outros na programação.

Tinha muita gente na praia, muita gente mesmo. Uma ou outra bandeira do PT também. Mas nada que fizesse concorrência com uma enorme bandeira negra dizendo: VOTE NULO! Ponto pro povo.

É incrível o poder de convocação que a Nação tem, mesmo sem tocar em rádio, entre as periferias e a burguesia local, ambas bem representadas na ocasião. Vez ou outra, perigava uma roda de pogo mais destruidora, logo contida pelos "da paz" e os músicos, sempre ligados na galera. Mas foi só a banda tocar os primeiros acordes de Quando a Maré Encher que o bicho pegou. Muitos dos que estavam lá vieram das favelas ao redor (principalmente do Coque) pra assistir seus ídolos e, claro, reverenciar o ícone que Chico Science se tornou, ao lado de Raul, Che e Bob Marley. Outros, que não dançavam nunca, vieram pra dar porrada mesmo.

Finda a canção, tranqüilamente, Lúcio Maia reverte a situação: "peraí moçada, ó esse espaço vazio aí, todo mundo quer curtir o show. Fica só homem aí se batendo, e tá cheio de menina bonita em volta, cês tão batendo nelas, tão marcando bobeira!", disse o guitarrista, entre palmas e risadas. E o bate bate acabou na hora. Nada como um diálogo em vez do cassetete. Mais adiante, o guitarrista soltou: "Se você tem amigo racista, tá na hora de acabar essa falsa amizade". Ponto pra Lúcio.

Foi muito bom ver a Nação tocar às vésperas dos 10 anos de morte de Chico (ele morreu num acidente de carro, em fevereiro de 1997). Os caras nem querem falar no assunto, preferem comemorar - com razão - o dia do nascimento do artista. O fato é que praticamente tudo mudou. As músicas antigas estão muito diferentes (Praieira virou ragga, Manguetownficou bem mais lenta). Será que isso é só no Recife, pra não instigar demais a moçada da pancadaria?

Acho difícil. De uns anos pra cá, os shows da Nação estão meticulosamente ensaiados, do solo de guitarra até o último spotde luz. Resultado de um conceito muito bem pensado antes de cair na estrada. Hoje, cada músico tem seu espaço definido (Toca Ogan continua fazendo duas músicas, Lúcio Maia canta uma, só faltou Gilmar Bola Oito, que desta vez não pegou no microfone). A prova disso é que o elemento surpresa veio de fora no show da praia. Lá pelas tantas, um caboclo de lança (de flor na boca e tudo) insistiu tanto, que subiu ao palco e dançou a clássica Salustiano Song!

Com exceção deste momento, foi tudo bem diferente do que rolava dez anos antes, quando Chico Science improvisava e fazia transbordar tudo e todos. Ninguém sabia o que iria acontecer no momento seguinte. A Nação um dia foi anarquista, celebrava Dionisío; Hoje, como tudo o que vive, muda e experimenta: está mais pra Apolo. Continua uma das melhores bandas do mundo.

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Bruno Nogueira
 

Acho que o mais legal do Recife Convida foi a localização. O palco ficou de costas para o mar, o q significa que não estava separando nenhum bairro. Pelo contrário, servia de intersecção entre o bairro mais rico e dois dos mais pobres da cidade.

O que achei ruim foi a divulgação da programação. Devagar, como praticamente tudo que acontece nessa cidade. Só foram falar da programação quando já era muito em cima. Resultado: um monte de gente acabou se programando antes para viajar no feriadão e perdeu os shows!

Bruno Nogueira · Recife, PE 13/9/2006 07:46
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André Dib
 

Sem falar que boa parte da moçada que curte a Nação foi pra abertura da Semana de Artes Visuais. Outro "conselho" que ouvi muito dos amigos foi que o show seria uma muvuca, um perigo por causa da proximidade com o Coque, etc. Pode?

André Dib · Recife, PE 13/9/2006 14:08
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