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Não me informo. Não me comunico. Não me importo.

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Bruna Célia · Goiânia, GO
5/5/2007 · 119 · 10
 

As pessoas estão estranhas. Hoje em dia não se vê ninguém lendo dentro dos ônibus, nas praças, nos bosques – nem aqui na universidade. A única coisa que se vê é gente jogando lixo no chão e reclamando que nada funciona direito. Seja através da janela da condução, seja andando na rua, o lixo lá está. E a desinformação também. Crianças já não sabem mais quão horrível é poluir a cidade. Mas a culpa não é delas, é de seus pais que não lêem mais.
A falta de tempo é a única desculpa que se ouve. Dois empregos, escola, faculdade, limpeza da casa. Contudo, o famoso tempo para assistir televisão nunca é esquecido. De novelas a telejornais mal produzidos a população está farta e incrivelmente acha que saber o que passou na rede “a gente se vê por aqui” é estar bem informado. Se está bem informado por que é que joga lixo no chão? Por que é que não sabe de quase nada que se passa a seu lado?
Aqui na Universidade não se vêem movimentos em prol de mudanças. Só um restrito grupo se une em busca de algo, que além de não ser bem esclarecido a nós, universitários, fica restrito a poucas pessoas. A única coisa que se ouve é reclamação. “Só um aparelho de DVD para a Universidade toda? Que absurdo!”.
Os bebedouros da universidade parecem estar com a água contaminada por coliformes fecais – deu no jornal - e nada foi informado a nós. Quem não acha um desperdício usar copos descartáveis em excesso? Não tenho idéia da quantidade, mas sei que diariamente centenas de copos são descartados. Por que não se instala bebedouros que não exijam o uso de copos? Ou por que não trazemos copos de casa - como fizeram os acadêmicos do curso de Engenharia Ambiental, que produziram alguns copos de alumínio - para sanar esse problema? A água está mesmo contaminada? Por que ninguém faz nada para nos informar? As perguntas são muitas e a comunicação é quase inexistente.
Nós não lemos, não nos comunicamos, não nos preocupamos com o meio-ambiente. Que diferença faz saber se a água está contaminada, ou se uso seis copos por dia? Alguém vai limpar, reciclar, sei lá. Hoje presenciamos um profundo abandono das causas importantes. Estamos tão acomodados, que pensar sobre a qualidade da água, ou a poluição do meio-ambiente, fica por conta dos realmente interessados. Paro de beber água e pronto, assim não corro o risco de me contaminar e ainda economizo copos.
Não leio, não me informo, não me comunico. Acontece uma exposição no bloco da reitoria e só fico sabendo se alguém que trabalha lá informa a algum amigo meu, que depois de findada a exposição vem e comenta: “nossa, muito interessante aquela exposição de árvores de natal, ótimas peças, você viu?”. Não, não vi. Aliás, quase ninguém viu. Onde está a comunicação, meu Deus? Que profissionais esta universidade vai formar?
A união resolveria todo o problema. Os interessados em melhorias reais, deveriam se unir. Deveriam se mostrar, abrir a boca. Parar de achar que só a própria vida importa. Se várias crianças - cujos pais não lêem e não ensinam que jogar lixo no chão é feio- atiram papel de balinha pela janela do ônibus, em algum tempo as boca-de-lobo ficarão entupidas, logo você poderá estragar seu carro num dia de chuva, só porque a rua estará inundada. Simples. Querendo ou não, essas e outras tantas atitudes poderão um dia te afetar. E por que não fazer algo agora? Eu quero ser uma profissional de sucesso. Quero servir à comunidade, quero ser uma comunicadora social. E você?

Informe-se. Comunique-se.

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Nivaldo Lemos
 

Fahrenheit 451

Bruna,

é um alento seu grito justo de indignação e perplexidade com a realidade do mundo em que vivemos – reflexo da política de desconstrução de valores humanos imposta à sociedade por sucessivos governos. E não só por governos, mas pelos (de)formadores de opinião (como a Rede Globo e congêneres) que, longe de informar e instigar uma refelxão crítica, cada vez mais impõe esta atonia moral, ética e intelectual a que você se refere. É triste, mas extremamente revelador, que a universidade – supostos centros de educação e informação para a cidadania e a transformação social – seja hoje apenas mais um local de reprodução da desinformação e alienação que nos condena a esta apatia geral, como você bem notou.

O quadro que você descreveu lembra muito o de um antigo filme dirigido por François Truffaut, Fahrenheit 451. O filme – cujo título é uma referência à temperatura em que os livros eram queimados e que, convertida para Celsius, equivaleria a 233 graus – fala de um futuro em que os bombeiros, convencidos de que a literatura e a informação propagam a infelicidade, têm por função queimar todo tipo de material impresso. Até que um dia um dos bombeiros, ao ver uma mulher preferir ser queimada viva com sua biblioteca a sobreviver sem ela, começa a questionar os motivos que fazem com que ele e seus colegas queimem livros e revistas. É um belo filme, o qual lhe recomendo. Na internet pode ser comprado em DVD. Um forte abraço. E parabéns pela coragem e indignação.


Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2007 11:56
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Bruna Célia
 

Obrigada pelo apoio, me fez lembrar dos meus pais. Quando digo alguma coisa pertinente, são eles e meu namorado que mais me apóiam. São pessoas que enxergam luz no fim do túnel... Quanto ao filme, garanto que vou procurá-lo, pois adorei sua sinopse!
E quanto a realidade na minha faculdade, incrivelmente - ou não - continua a mesma desde quando escrevi tal texto, há ums bons meses... Valeu por ter lido...!

Bruna Célia · Goiânia, GO 2/5/2007 13:23
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Nivaldo Lemos
 

Valeu, Bruna.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2007 14:35
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Agnez Pietsch
 

Mi, vivo essa realidade junto com você e por isso acredito entender tamanha indignação. Todos os dias nos deparamos com situações que para nós são inaceitáveis, mas que para a sociedade em geral vem se tornando momentos corriqueiros e por isso, irrelevantes.
O que fazer? Como mudar? Ou melhor, como incentivar a mudança no outro? Em todos? Pelo menos o fato de nos indignarmos, já pode ser o começo...

Agnez Pietsch · Palmas, TO 4/5/2007 21:29
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Renata Rocha
 

Cara Bruna,
acho nobre sua causa, mas, em primeiro lugar, leitura não é a redenção do mundo e nem a TV é perdição. Existem péssimos livros (que, aliás lotam as listas de mais vendidos) e ótimos programas de televisão. Tem que saber procurar.
Quanto à união para mudar o mundo, sim, ela é bastante necessária, mas nos cabe também perguntar o que temos feito para mudar, tanto individualmente, como coletivamente. Não sejamos ingênuos... Só escrever texto no Overmundo não basta. Você usa, seguindo o exemplo do pessoal de engenharia ambiental, um copo de aluminio para beber água na faculdade? Você recusa todas aquelas toneladas de sacolas no mercado? Leva sua sacola para o mercado? Você, como comunicadora social, participa de campanhas de conscientização? Chama atenção de alguém quando joga lixo no chão? Procura se informar sobre o que está acontecendo?
Se a resposta for positiva para pelo menos metade das perguntas, ótimo. Se não, comece a colocar em prática essa sua indignação (que pode até ser um começo, mas sem atitude não serve de nada).
E, uma última coisa, ler em ônibus faz mal pra vista e dá enjôo ;)
Um abraço.

Renata Rocha · Salvador, BA 5/5/2007 20:53
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Bruna Célia
 

SObre os livros, concordo. Existem milhares que só devem servir como calço de mesa manca. Quanto às perguntas que me fizeste, realmente não disse sim a todas. Sou totalmente desncantada e mole. Política não me agrada, o poder não me atiça. Direto vejo pessoas jogando papel no chão, comida pela janela da condução e imagina o que faço? Fico me matando por dentro. É!! Eu não consigo falar nada! Fico quieta, me remoendo toda. De arrependimento. Arrependimento por não ter ideais de transformação. Na verdade, é tê-los e não colocá-los em prática. Escrevo. Escrevo para calar minhas indignações. Um dia, que sabe, saio por aí dando lição de boas maneiras a quem não tem as mínimas noções de boa conduta. Enquanto isso fico aqui com os bolsos das calças, com minhas mochilas que levo para a universidade, todas cheias de papel, plástico ou tudo que eu consuma durante o dia e não tenha coragem de jogar no chão.
às vezes tenho vergonha de ser dessa geração de Pamonhas. Um povo amorfo, sem voz. É claro que sem generalizar, mas os locais onde tenho acesso, sinto-me uma intrusa ou uma a mais.

Quanto a ler dentro do ônibus, ainda bem que no meu caso não me causa enjôo. Mas concordo, realmente conheço pessoas que não podem ler de jeito nenhum. Mas a leitura é um hábito que mesmo fora dos ônibus, não se vê ou se vê raramente. Muuuuuuuito raramente.

COm o tempo vou tentar ser mais ativa, viu? Talvez seja questão de amadurecimento!

Abraços e valeu pelo comentário.

Bruna Célia · Goiânia, GO 5/5/2007 21:50
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Pepê Mattos
 

Ultimamente andei comentando um pouco sobre isso. Isso de ficar reclamando e nada de prático surgir. Indignar-se é um ponto. Ponto. Daí que quando penso que muitos se indignam e nada de concreto sai é porque o inútil ali se fez. Fico pensando se muitos de nós nos indignarmos, a ponto de não mais suportarmos a indignação por si só, algo vai sair. Os mesmos problemas citados por você (a deseducação, a não informação - e não a má informação - o desrespeito, o desamparo, assim tudo enfiado no outro, como irmãos siameses) observo aqui na minha cidade. E, com certeza, milhares de nós, ao redor do planeta vê esses absurdos todo dia - e haja indignação! Também vejo com tristeza - e preocupação - esse povo que não lê. Minha biblioteca é objeto estranho para minhas próprias filhas. Queria tanto surpreendê-las qualquer dia desses se perdendo entre meus humildes livros. Qual nada!!! Tudo bem... E pensar que no meu tempo quando não havia livros em casa lia tudo (absolutamente tudo) que me caía nas mãos... Bom ,deixa pra lá. Um forte abraço e conte comigo na sua indignação. Como fazer esse povo ler?

Pepê Mattos · Macapá, AP 8/5/2007 17:30
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muriloy
 

Como a maioiria do pessoal que escreveu acima, o que adianta se indignar e não fazer nada?Ou então fazer sozinha?Todos dizem que cada um tem que fazer sua parte, e com isso concordo, mas para cada um fazer sua parte antes temos que definir, com muitas pessoas, para então a coisa ter algum efeito visível, caso contrário não irá adiantar nada.Mas enfim, só de estar aqui falando isso já é alguma coisa, Parabéns!
ps: eu também me morro por dentro quando as pessoas jogam lixo na rua ou pela janela do ônibus
Um abraço

muriloy · São Paulo, SP 22/6/2007 01:17
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Tânia Brito
 

É, mas a ação começa com a indignação. Muitos, a grande massa, nem tem essa consciência que a Bruna tem. Acha que isso é papo de "filósofo", que não leva a nada! Que não é isso que vai salvar o planeta... Que isso é uma utopia!
Bruna, gostei do texto. Parabéns e quem dera todos parassem um pouco para pensar em todas essas questões e conseguir refletir nas conseqüências de como por exemplo se jogar um papel no chão!
Abs

Tânia Brito · Campo Grande, MS 22/6/2007 22:50
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Pedro Márcio
 

Essa geração de hoje precisava era passar por uma ditadura. Acredito que, dessa forma, tomariam atitudes.
E, Renata, seu comentário foi indiscutivelmente pertinente. Como namorado da Bruna fico revoltado por ela se revoltar e não falar nada. Barata morta!
Suuuper, por acaso você imprimiu esse texto e colocou no mural da universidade?
Isso já seria uma ação!
Mas, temos um problema, esses jovens de hoje não se empolgam com nada. Estão mortos, sem alma.
Se você procura reuini-los em prol de algum ato ou de alguma discussão, eles não se interessam. Você fala, esperneia etc., mas eles não estão nem aí. Mas isso não é motivo para parar e acomodar-se, é motivo para agir mais. Mas que isso é totalmente desmotivador, isso é.

Pedro Márcio · Palmas, TO 13/7/2007 11:26
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