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NAPALMA

Bruno Miranda
1
Ana Murta · Vitória, ES
13/4/2006 · 165 · 8
 

“A liberdade consiste em não usar relógio”. Em não precisar de van, de roadie, nem de uma mesa com no mínimo 20 canais. Foi com esse conceito que surgiu a banda NAPALMA. Independência e viabilidade de se apresentar em qualquer lugar.

Os caras só queriam tocar. Cid Travaglia, Rafael Jabah e Cyro Elias, integrantes do grupo Pé do Lixo, estavam de saco cheio das inúmeras necessidades técnicas pra realização de um show. Então, tiveram a idéia de criar um projeto paralelo, o Na Palma do Pé, inicialmente pensado como uma espécie de bloco carnavalesco.

O ano era 2004, e de repente no meio do Tô Bebo, bloco tradicional do carnaval de Vitória, surgem uns caras com uns djembés, quebrando tudo. E a rapazeada adorou. Venderam logo algumas apresentações, e num belo dia, em uma boate, um DJ soltou umas bases e eles acharam ótimo. Logo entrava na banda o Alex Cepille, mandando nas programações. E no show seguinte, entrava o moçambicano Ivo Maia, nos vocais.

O Alex mudou-se pra São Paulo, e no seu lugar entrou o Paulinho Bolzan, roqueiro de formação que tava aprendendo a programar. Cidinho, Cyro e Jabah aprendendo a tocar o djembé. E o Ivo cantando pedaços de cantigas de rituais africanos. Era uma pregação experimental. Todo mundo se convertendo à espontaneidade.

E essa coisa de estar todo mundo aprendendo, e se formando junto com a banda foi a pedra fundamental pro som que fazem hoje. A liberdade de experimentar e de interagir com quem quiser entrar são os alicerces do NAPALMA, que desrespeita as regras do rock, as normas do reggae e as convenções da música eletrônica.

Mas não por rebeldia, e sim por desapego. Desapego que você também sente quando olha pro Ivo pulando em transe enquanto profere palavras que geralmente você não entende, e nem precisa entender. No show dessa banda não tem espectador, o público tá lá fazendo uma participação. São todos figurantes absolutamente essenciais pro espetáculo acontecer.

E como a receptividade tava muito boa, e o show não pode parar, veio a necessidade de se aprimorar. De começar a arranjar, a ensaiar, a fechar as composições, e se conscientizar de que a coisa podia dar certo. Não perderam a naturalidade, mas começaram a levar o trabalho a sério.

Se apresentaram em locais tão diversos quanto as influências da banda. Tocaram em festas de aniversário, desfiles de moda e praças, por exemplo. Até que veio a idéia da semana de assalto. Por sete dias seguidos, fizeram apresentações-surpresa em locais públicos. Feiras livres, ruas do centro, sebos, restaurante universitário, bares e o público absolutamente eclético que garantiu o sucesso da empreitada.

E a experiência transformou a sensação em certeza de liberdade. E pela estrada afora eles foram sozinhos. No Rio, abriram pro Pedro Luís e a Parede no Circo Voador. Em Bragança, tocaram numa Cachaçaria. Em Sampa, na Galeria de Arte Casa da Xiclet, nossa conterrânea. E no verão de 2005, em Trancoso, na Bahia, foram fazer um show e ficar dois dias.

Voltaram um mês depois, com 21 shows realizados, um ano de vida, e um integrante a menos, o percussionista carioca Cyro que voltou pro Rio de Janeiro pra trabalhar. As apresentações em Vitória continuavam, no sul da Bahia também. E foi lá, em contato com os gringos que eles perceberam que agradavam os estrangeiros. Juntou a fome com a vontade de comer. Os meninos querendo se jogar, e aquele público potencial se formando.

Foi quando o Ivo teve que ir a Moçambique pra renovar o visto. Resolveu a papelada, visitou a família, mas também foi na função. Aproveitou pra fazer uns contatos fortes com gente disposta a levá-los pra lá. E meses depois, mais precisamente no meio de dezembro de 2005, chegaram as passagens, e a moçada se mandou.

De novo, foram pra ficar um mês, e ficaram dois. Foram fazer cinco shows e fizeram 20. Em Inhambane, um paraíso à beira do Índico, tocaram no reveillon pra mais de 10 mil pessoas. Tocaram também em Maputo, na Coconuts, uma das maiores casa noturnas da África Austral. Na África do Sul, país vizinho, se apresentaram em Pretoria, e em Durban, num restaurante freqüentado só por operários.

Na bagagem trouxeram as lembranças do safári, do nascer do sol em Mocambique, do mercado de peixe onde se come bem pra caramba. Da segregação racial na África do Sul, da molecada praticando esporte à beça, das figuras que eles conheceram e da Drum Café, a maior loja de percussão do mundo.

Mal chegaram no Brasil e foram tocar em Trancoso, no projeto Para-Raio Sambatrônico, onde também se apresentaram DJ Patife e Elba Ramalho, entre outros. Acabaram de voltar pra Vitória. Estão lavando as roupas, arrumando as casas, e agendando shows, mas só pros próximos dois meses.

Porque eles já estão com as passagens compradas. Em maio, vão assaltar a Europa. De lá, provavelmente voltam pra África do Sul, mais ou menos em agosto, setembro, que é quando acontecem alguns festivais para os quais já foram contactados. E como apenas quatro horas separam os dois países, Moçambique deve entrar na fita de novo, na seqüência.

Essa banda, nascida na rua, revisita e recicla os sons tribais, enquanto as programações interferem, ativando alguma outra parte do seu cérebro. NAPALMA é percussão, eletrônico e o vocal cheio de sotaque moçambicano do Ivo Maia. Une-se a essa base o trompete do Aurenir Dias, que ajuda a dificultar a definição do som que eles fazem. Um “percutrônico” talvez.

O que importa é que é lindo vê-los pulando, suando, as mãos dos moços sangrando, a pele do djembé estourando, e o público lá, dançando. E viva a liberdade! De tardinha, de manhãzinha, de noitinha, em qualquer época do ano e em qualquer lugar onde eles possam tocar.

Pra se iniciar :
www.napalma.com.br
www.napalmatour.blogspot.com

Pra contatar :
contato@napalma.com.br
telefones (27) 9962-0308 / 3322-9947 / 8115-9035

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Pedro Rocha
 

caramba, muito bom, muito bom.

Fiquei curioso com o porquê da saída do Cyro e com a posturas dos caras ante essa agenda lotada ai. Dá pra fazer os shows surpresas ainda e tal? Qual a estrutura dos caras agora?

Pedro Rocha · Fortaleza, CE 11/4/2006 11:56
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Ana Murta
 

Pedro,

O Cyro saiu pra trampar. É carioca, e voltou pro Rio.
Valeu pelo comentário, até modifiquei o texto.
Tuas outras perguntas vou pedir aos próprios caras pra responder.
E que bom que você achou maneiro, mas ao vivo é muito melhor.
Ana

Ana Murta · Vitória, ES 11/4/2006 15:29
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Andre Amparo
 

Tá tudo ótimo, mas cadê as borboletas?

Andre Amparo · Rio de Janeiro, RJ 14/4/2006 14:04
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Jabah
 

Gostaria de parabenizar o a galera do Over Mundo. Muito boa a concepção....Valeu.

Jabah · Vitória, ES 16/4/2006 23:43
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carol veiga.
 

O fato de se apresentar em qq lugar é sem dúvida, uma evolução! Beijos aos rapazes, saudades de mais um show!

carol veiga. · Vitória, ES 6/9/2006 14:47
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Ana Murta
 

muita saudade...
mas parece que em novembro eles tão de volta.

Ana Murta · Vitória, ES 6/9/2006 15:35
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oViNA.
 

Bom de mais!1

Galera que estiver em curitiba e quiser aproveitar o show do Napalma entra no site http://www.bemparana.com.br/promocao/?&cod_promo=8
e se cadastrem pra ganhar 2 pares de ingressos e 2 cds do grupo.

bem facil,

boa sorte e abraço

oViNA. · Curitiba, PR 19/2/2008 14:37
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Marta Rodrigues
 

muito bom. g

Marta Rodrigues · São Paulo, SP 26/9/2008 17:57
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