PERFIL TOCANTINENSE
Numa entrevista descontraída, Glês Nascimento, jornalista, conversou comigo através do MSN Messenger por vários minutos. Foram momentos preciosos nos quais apreendi muita informação preciosa. Afinal, o prazer em ser jornalista está presente em todas as palavras desta jovem profissional. Um bom exemplo para quem almeja esta tão sonhada profissão dos deuses.
Bruna Célia - Por que escolheu cursar jornalismo?
Glês Nascimento - Difícil responder essa pergunta. É como se você me perguntasse por que gosto de homens (sou hetero desde que nasci). Assim funciona com o Jornalismo para mim. Já era jornalista antes, mas não sabia. Não escolhi esta profissão, ela me escolheu. Não seria outra coisa na vida, se bem que tentei. Até os 15 anos eu queria ser médica. Depois fiz teatro, mas é no Jornalismo que me encontro.
Bruna Célia - Como foi estudar na Unitins (hoje UFT)? Quando se formou e desde quando trabalha na área?
Glês Nascimento - Como foi estudar na Unitintas? Entramos ainda pagando mensalidade. Acho que vivi um dos momentos mais importantes para a Unitins/UFT. Era um processo de transição e que só aconteceu graças à nossa mobilização. Fiz parte do S.O. S Unitins não como cabeça, mas estava engajada no movimento. Aquele período foi muito interessante do ponto de vista político, social e econômico. Os estudantes conquistaram a UFT e o direito de não pagar mais. Formei-me em 2002, lá se vão quatro anos, e estou na área desde o segundo período de Comunicação. Ou seja, mais ou menos sete anos.
Bruna Célia - Qual sua experiência com jornalismo desde então?
GLês Nascimente - Nossa. Vamos lá: comecei sendo estagiária de produção na TV Anhangüera no segundo período de faculdade, creio que foi no segundo semestre de 1998. Trabalhei lá por dois anos e meio, entre reportagem e produção, depois sai em fiz a campanha do Marcelo Miranda como produtora, por três meses. Em novembro de 2002 comecei a trabalhar no Jornal do Tocantins. Lá fui secretária executiva de redação – espécie de coordenadora -, editora de Brasil Mundo, Economia até chegar em Arte e Vida. Fiz reportagens e editei o caderno de cultura por cerca de um ano. Sai de lá há nove meses e estou na Secretaria da Comunicação por este tempo. Quando entrei na Secom – Secretaria de Comunicação do Estado - como repórter logo viajei para Paris, para cobrir o Ano do Brasil na França. Lá produzi documentário, matérias para TV e ainda gravei áudio para rádios daqui e reportagens para o site da Secom e jornais impressos.
Bruna Célia - Onde faz pós-graduação? Em qual área deseja se especializar?
GLês Nascimento - Faço na Unitins em Educação, Comunicação e Novas Tecnologias. Ainda não sei. Sinceramente, desejo ser uma jornalista completa: que saiba TV, rádio, impresso, Internet e ainda arranhe um violão (risos). Projeto minha carreira para ser uma multi-profissional. Não penso especificamente qual seria minha especialidade, penso em ser completa. Mesmo sem fazer planos, creio que aos 40 anos estarei dando aulas, na UFT ou em outra universidade, quero concluir minha carreira dando aulas, produzindo e escrevendo artigos e textos leves.
Bruna Célia - Como é ser jornalista no Tocantins? O que lhe atrai nessa profissão?
Glês Nascimento - Tenho uma visão muito particular a respeito desse assunto. Penso que o Tocantins é um local de oportunidades para a nossa profissão. Aqui, por falta de profissionais, há mais chances de crescimento. Mas é preciso saber aproveitá-la (a chance). Eu mesma tive muitas oportunidades, em outro local jamais seria coordenadora de Jornalismo de uma Secretaria de Comunicação do Governo aos 25 anos, como sou hoje. Mas o profissional de comunicação precisa ter os pés no chão e entender que o fato de ser indicado a um cargo não significa que ele seja totalmente competente para tal. Muitas vezes somos indicados e assumimos uma função porque não há mais ninguém para fazê-lo.
Discordo que o ambiente de trabalho aqui seja hostil. Vejo que na época da faculdade muitos comentam (mal) dos veículos, órgãos e outros meios de comunicação do Tocantins. Penso que fora daqui há ainda mais competitividade e meios escusos de se obter informação. Muitos colegas saíram e não quiseram permanecer em mercados maiores. Ainda não temos tantos vícios por aqui, temos limitações, é claro. Mas minha visão é bem otimista desse mercado.
O que me atrai? Absolutamente tudo: o fato de saber das coisas antes de todos; o fato de poder contar histórias; o fato de fazer parte da história enquanto relato-a. O Jornalismo é encantador.
* Bruna Célia - Quais são suas expectativas quanto ao seu futuro profissional?
Glês Nascimento - Quero continuar produzindo, trabalhando com o Jornalismo sempre. A vida é uma incógnita. Prefiro não fazer planos. Quero apenas escrever e viver bem. Mas penso que o jornalismo de redação funciona até os 40 anos, se não obtiver sucesso serei mais leve, darei aulas e fugirei um pouco das tensões cotidianas de uma redação.
Bruna Célia - E a censura quanto ao que vai ser publicado? Você acha que aqui no Tocantins é mais forte do que em outros Estados? Você já teve algo de sua autoria censurado?
Glês Nascimento - Não acho que seja mais forte. Acho que é uma coisa de linha editorial. Você está em um veículo e sabe que a linha é X, isso precisa ficar claro para o profissional, para evitar transtornos. Todos os veículos, em qualquer parte do país, possuem suas linhas e delimitam o que sai e o que não sai a partir disso e também a partir de conveniências, não é privilégio do Tocantins esse tipo de ação. É sim, uma prática comum nas redações e empresas. Já tive sim, algo que fiz e que não saiu.
Bruna Célia - Como é trabalhar com comunicação num órgão público?
Glês Nascimento - É diferente. Não fazemos jornalismo e sim assessoria de imprensa, o que muda bastante o modo de interpretarmos as situações e a forma que vamos relatá-las. Mas é um trabalho interessante do ponto de vista de crescimento profissional. Cresci muito a partir do momento que estou vendo o outro lado da notícia, sentindo de perto como se processam algumas informações oficiais.
Bruna Célia - O que acha da discussão que visa exigir o diploma de jornalista aos profissionais que atuam na área?
Glês Nascimento - Sou a favor do diploma. Não penso que um pedaço de papel vá certificar que é um bom profissional, competente e etc.; também penso que nossa profissão é plural e não se restringe a quatro anos de universidade. Mas é preciso respeito aos que fizeram faculdade. É preciso respeito ao que se determinou na década de 50 quando se criou o curso de Comunicação Social. É preciso saber que, como do Direito, a Medicina, o Jornalismo pode destruir a vida de uma pessoa e é preciso se regulamentar essa profissão. O diploma é o começo.
Bruna Célia - O que você indicaria aos futuros profissionais que querem trabalhar com jornalismo aqui no Tocantins? Como conseguir um bom emprego e por onde começar?
Glês Nascimento - O começo é gostar de ler. Sem ler não se escreve bem. É preciso ter sensibilidade, apesar de que acho que não sou uma super star para aqui ficar dando dicas. Criar um blog, um fanzine pode ser uma alternativa. Penso que nós temos que procurar alternativas para o mercado. Quem foi que disse que temos que trabalhar em redações? A Internet é um grande caminho que está sendo desvendado.
É preciso criar. Buscar novos caminhos, produzir o que se gosta e fazer bem feito. Mas para quem quer trabalhar em redação, comece assinando os jornais. Conheça o que é produzido aqui e proponha mudanças, melhorias, crie! O estudante pode colaborar com artigos, crônicas e textos, mas usa pouco essa possibilidade. Não é preciso esperar se formar para atuar. Basta ter iniciativa. É preciso se mexer. Como diria Maiakovisky: "O tempo é escasso, mãos à obra: primeiro é preciso transformar a vida para cantá-la em seguida".
Bruna Célia - E como foi trazer o Sarau Moderno - Overmundo aqui para Palmas?
GLês Nascimento - Foi uma experiência fantástica. Pensei que não teríamos tanto público, mas é possível ver que o Tocantins é sedento de arte. O melhor foi saber que não tínhamos atrações nacionais e colocamos gente no espaço. As pessoas gostaram e a repercussão foi positiva, estamos planejando um evento para o ano que vem e, quem sabe, manteremos o Overmundo no calendário palmense? É uma idéia. Os projetos começam assim: com idéias.
Bruna Célia - Quer ser jornalista para sempre?
Glês Nascimento - O que você acha? Pensa que eu seria outra coisa na vida? Jamais! Nasci jornalista e morrerei como tal.
Gostei da escolha das perguntas e das respostas também. Fora isso, achei bacana entrevistar uma pessoa conhecida no site e que trabalha com jornalismo...já que o Overmundo também possui esse enfoque.
apple · Juiz de Fora, MG 6/5/2007 19:59
A Glês foi um amor de pessoa comigo. Adorei fazer a entrevista e saber que o mercado de trabalho aqui em Palmas não é tão ruim como se pensa...
Ops, tô logada no perfil do meu namorado! Mas é a Bruna que tá falando! eheheh
Bruna, entrevista muito boa essa daí; descontraída e bem aproveitada. Legal saber da história de jornalistas de outras partes do país, eu que sou estudante de jornalismo. Um abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 9/5/2007 09:14
A frase do título não poderia ser mais verdadeira. Tenho quase 30 anos de profissão e uma herança maldita do jornalismo: LER. As mãos doem, o braço esquerdo dói e eu só lamento mesmo a dor quando ela me impede de escrever os textos que teimam em provocar toró de idéias na minha cabeça e que não registro no papel por causa da dor. Minha paixão por jornalismo ainda é a mesma de 1977, quando entrei para a faculdade na Universidade Federal de Goiás.
Gosto tanto qua passei a paixão para meu irmão caçula que é jornalista também e trabalha, sabe onde? em Palmas.
Nossa, que legal, Tacilda!
Eu vivo essa paixão também... mas há muito menos tempo que você e a Glês. Estou no quinto período do meu curso de jornalismo. Deixei Goiânia, minha terra querida, para explorar esse novo pedaço de chão que fica logo abaixo do sol. Aqui tenho descoberto muitas coisas e pessoas interessantes. Inclusive, além de ser fão do jornalismo, estou apaixonadíssima pelo jornalismo literário. Não sei se conhece (deve conhecer, sim!), mas tenho horror ao tal lide a que somos submetidos, então tenho me enveredado por esses cantos....
Somos eternamente apaixonadas poelo nosso jornalismo!!!
Bruna, que surpresa boa! Você realmente postou aqui? Que legal.....bom, não esperava mesmo, mas agora gostei de ver o resultado. Bom, hoje tenho 26 anos e sou diretora de Jornalismo...acho que ao longo do tempo a entrevista será sempre atualizada.
Tacilda, conheço seu irmão, o Melck, trabalhamos juntos em duas oportunidades..maravilha!
É sempre bom ouvirmos as nossas vozes (do Tocantins), neste caso, lermos; ainda mais discorrendo sobre o jornalismo que realmente provoca amor ou ódio em quem se encontra com ele.
Gostei muito da entrevista e como jornalista q/ sou apóio solenemente os que se interessam pelo jornalismo literário..., viu Bruna?!!
Parabéns às duas, estrevistadora e entrevistada.
Obrigada duplamente!! Por mim e pela Glês!!!
Abraçossssssss
Legal encontrar o Tocantins por aqui!
Deni Ferreira · São Salvador do Tocantins, TO 13/5/2007 09:06
Tá importante, heim Glês. De repórter a entrevistada.... uma coisa meio Marília Gabriela. Ficou bom!
Beijos.
O que é mais legal de ler na entrevista da minha amiga Glês, é que eu daria estas respostas.
É incrível constatar que as pessoas que incorporam de fato este "ser jornalista" extrapolam o conceito de "profissão". É genético, é religioso é um modo de vida.
Destaco a frase: "Muitas vezes somos indicados e assumimos uma função porque não há mais ninguém para fazê-lo". Nada mais corajoso par se reconhecer, nada mais verdadeiro no nosso mercado de trabalho.
Beijos Glês!
Valeu Bruna!!!!
Amei a entrevista! Parabéns pelo enfoque neste profissão de amor!
Adriana Leal · Pesqueira, PE 27/6/2008 14:44Adorei a entrevista, sou estudante de letras, mas pretendo me especializar em jornalismo, estou dando passos pequenos na aréa, mas é sempre bom ver que existem pessoas que são apaixonadas pelo que fazem.
Nanda Matos · Salvador, BA 1/12/2008 15:26Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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