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Natal: o amor, o ódio e a indiferença.

foto:arquivo da família
Natal no final dos anos 70: eu sou aquela de franjinha e vestido rosa bicolor.
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tita blister · Curitiba, PR
21/12/2006 · 97 · 4
 

Primeira Parte

Desde que me conheço por gente minha família, que é grande, se reúne para a confraternização. Somos em 7 (irmão e irmãs), juntando cunhados, cunhadas, sobrinhos, sobrinhos netos, namorados e namoradas dos sobrinhos e mais outras pessoas que aparecem por saber que aqui em casa é tradição. Dá umas 30 pessoas no mínimo.
Meus pais, que já são falecidos, é que faziam questão de reunir todos, minha mãe tomava conta dos quitutes com minhas irmãs mais velhas, meus irmãos e meu pai cuidavam das bebidas e das “carnes”, bem como do tradicional jogo de truco, que muitas vezes, acabava em briga.
À noite, meu pai ou meu tio se vestia de Papai Noel (eu já desconfiava quando tinha uns cinco anos...) e entrava com um saco cheio de brinquedos e presentes para todos. Depois todos se deliciavam naquela mesa farta, as gostosuras que minha mãe preparava e em especial o peru. Ah! O peru que D. Alzira preparava... Sempre tinha um que bebia demais, alguém insistia em nascer no dia (meu sobrinho Alexandre nasceu no dia 25!), alguém que queria uma coxa do peru também (o pobre peru teria que ter umas 13 coxas!)
Todo mundo caprichava no visual: nos anos 70 minhas irmãs faziam escova “para cima” e usavam vestidos esvoaçantes, os homens aquelas golas pontudas e calça meio agarradinha. Bigodes, sim havia bigodes na cara de todos os homens. Minha mãe com seus bobs no cabelo correndo pela casa de meia calça para cuidar do peru que estava no forno, o “pinheirinho” que era prateado, com bolinhas metálicas que tanto me deixava sem fôlego quando chegava a hora de montá-lo.
A criançada tinha que passar pelo crivo de minha irmã mais velha e era o boletim escolar que definia se o Papai Noel vinha gordo.
Era sempre muito emocionante o Natal nessa época.

Nos anos 80 meu pai já tinha falecido mas a tradição continuava, nasceram mais crianças, eu já não era mais criancinha, mas ainda comia na “ mesa das crianças “. Já tinha que ajudar na cozinha lavando muitos pratos e meus presentes já eram livros e jogos.
Minha mãe já não era mais a mesma, sentia falta do meu pai e sempre sorria amarelado. Nunca mais foi a mesma. Mas nunca deixou a peteca cair. Casou-se de novo.
A festa foi se seguindo pelas décadas seguintes, já ninguém mais se vestia de Papai Noel porque as crianças já eram mais espertas.
As tentativas eras frustrantes, pois eles reconheciam o cheiro ou a voz de seus pais e tios. Ora essa!
Mas no finalzinho dessa década para mim o Natal tinha um gostinho especial: eu tinha conhecido meu grande amor e a gente começou a morar junto.

A partir de 2000 o Natal começou a ser diferente pra mim, minha mãe mudou-se da “casa da família” para uma casa menor e devido a seu estado de saúde (artrose e reumatismo) a minha irmã mais velha assumiu o controle das panelas para fazer o rango no Natal. A casa era “minha” e do meu marido, agora. A árvore de natal era imensa, caprichadona, todo ano comprava mais enfeites e a casa começou a ficar pequena pra tanta gente. A mesa da ceia imensa. Ah! A tradição da mesa das crianças ainda existia! Pessoas se divorciaram, casaram-se novamente, meu sobrinho agora era pai.
Mas infelizmente no início do novo século minha sogra e minha mãe faleceram. Falecimentos assim repentinos atordoaram a família toda.
Elas se foram em anos seguidos e no mesmo mês. Naquele ano imaginei que o natal seria um desastre, que agora a tradição iria para o beleléu. Foi de muita tristeza, apesar de tudo, as coisas aconteceram conforme o costume, crianças novas, baralho, árvore de natal, comilança, etc, mas os discursos antes da ceia eram mais emocionantes.
O medo de a tradição acabar pairou sobre todos. Mas “nada como um ano inteiro” para mudar a idéia: em agosto já estavam combinando o Natal do ano seguinte. E como a família era muito grande, decidiram fazer amigo secreto para todo mundo ganhar presente.
Em 2004 casei-me no civil, no dia 24 de dezembro e a festa de Natal pra mim tinha mais importância. Muito bom ter a família reunida num dos dias mais especiais da sua vida!


(continua...)

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Fernando Mafra
 

Muito legal. Hoje para mim o único significado do Natal é reunir a família, que é mais ou menos como a sua: 7 irmãos, no caso da geração da minha mãe. Os falecimentos ao longo dos anos, mesmo de uma tia, não afetaram em nada as festividades e sempre há bastante gente na festa.

O único presente acima dos 60 é minha vó, mas a família continua, uma nova geração de bebês já está acaminho, garantindo o futuro dos encontros.

Vale notar que já tive um pequeno debate com a matriarca sobre as recentes uniões não sacramentadas, no que ela concluiu que todos vamos pro inferno, já que no Natal não falamos sobre Jesus. Mas eu levei na esportiva, gosto muito dela.

Sempre gostei do Natal, porque faço ele à minha maneira, e é uma ótima maneira.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 21/12/2006 11:28
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
tita blister
 

Legal Fernando, gostei muito de saber que algumas pessoas se identificam com minha história de vida. feliz Natal pra vc e sua família!

tita blister · Curitiba, PR 21/12/2006 14:29
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Marcos André Carvalho Lins
 

o natal é sem dúvida uma data especial, ao final do ano afinal o que se pede é perdão para as dívidas e muitas dádivas. uma história como tantas outras a sua, mas peculiar como todos os natais.feliz natal!!!
abs.

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 21/12/2006 15:20
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
JuNiN
 

muito legal , e humorado seu texto tita , gostei pra caramba. abrçs

(vou ler continuação agora)

JuNiN · Ribeirão Preto, SP 22/12/2006 21:33
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