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Natal: o amor, o ódio e a indiferença. (II parte)

foto:tita blister
Papai Noel existe?
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tita blister · Curitiba, PR
22/12/2006 · 96 · 8
 

Segunda Parte


E o Natal na família continuou, mesmo com buracos, stress e a vida que vai ficando mais dura. Na verdade a vida sempre foi dura, a gente que amadurece e enxerga isso. Felizes são as crianças que brincam correndo em volta da casa (ou com o playstation), alheios a esse tipo de coisa.
Nos anos que se seguiram até agora decidimos criar um salão de festas na garagem; juntamos grana e mandamos fazer e esse ano ficou pronto. O lugar tem mesas grandes, banheiro privativo, piso cerâmico, pia, churrasqueira, muitas cadeiras etc.
Mudanças? Sim, há algum tempo não como carne vermelha e esse ano decidi abolir a carne de ave de vez. Então para mim uma das tradições vai ficar somente na memória: o Peru.
Minha mãe e meu pai? A saudade deles aqui é a mola mestra do Natal, é por eles que esse verdadeiro espírito de união permanece na família. Ninguém se reúne por causa dos presentes ou da comida. As pessoas sentem falta uma das outras e esse tempo é ótimo para definir laços, colocar assuntos em dia, chorar, rir, se encontrar. Essa é a idéia.

Eu fui punk no final dos anos 80, como fruto da minha rebeldia(?) adolescente. Mas era a mais hipócrita das criaturas, com cabelo arrepiado e cheio de alfinetes espetados nas roupas e coturno no pé, lá estava eu na festa de Natal, alegre junto com minha família, ganhando presente e atenção.
Meus amigos odiavam o Natal, mas era um ódio verdadeiro, o meu era bobagem e porque eu achava a musiquinha dos Garotos Podres engraçada. “Papai Noel velho batuta...”.
Conheci pessoas que tinham completo asco da época Natalina, pessoas que não foram criadas na mesma tradição que eu, iam dormir no horário em que outros comemoravam e até riscavam a data no calendário.
Mas quem está certo? Eu e minha tradição familiar de décadas ou pessoas como uma amiga que tem horror de tudo isso? A discussão (se há alguma) não vai poder partir do que é certo ou errado ou o que importa. Nem se a pessoa que a gente ama gosta ou não. Na verdade nem adianta muito saber o porquê de cada caso. Devo me concentrar no respeito pela individualidade, de gostar ou não, de sentir que é uma data miserável, ou que é especial. Com posicionamento político ou apenas como tradição familiar.
Ontem na MTV no programa “Tribunal das pequenas causas musicais”, o assunto era: Músicas Natalinas. Dois defendiam, dois metiam o pau, uma era indiferente (mas que parecia se importar mais que a que supostamente “gostava”) e uma juíza = Penélope Nova e seu cabelo ridículo de Playmobill. A MTV é ridícula.
Mudaria de canal na hora se o assunto fosse outro. Música de Natal é chata mesmo, mas não era esse enfoque que eles estavam debatendo, se perderam no meio da discussão e acabaram por julgar o Natal como festa capitalista. Nossa, que novidade...
Lembrei-me da minha adolescência. Ah, sim a MTV é canal de adolescente. Esqueci. Mas um bando de adolescente que odeia o Natal por questões políticas de capitalismo americano, deveriam odiar a MTV porque é obra de lá, ué. Odeie seu Ipod porque não é daqui, oras! Aproveita e se torna nacionalista, bairrista, nazista. Tenha ódio da sua calça jeans, do seu corte de cabelo copiado de alguma bandinha americana e sobretudo odeie a Internet.
É sim! Pregue a globalização e depois separe tudo por causa das questões “capitalistas dos EUA”. Então não tome mais refrigerante da marca líder, cuspa no prato que comeu, não use cotonete, não faça mais nada. Se mate, então! Os EUA nem estão mais com essa bola toda, nem são mais a grande potencia mundial. Esse status já era desde 11 de setembro, pô!

Poucas pessoas param pra pensar, avaliar o pensamento coletivo. As pessoas sequer imaginam que o verdadeiro espírito natalino é o amor, somente ele. Estar junto de quem a gente ama, mesmo que vc já tenha estado nos 364 dias.
Mas há, também, aqueles que são indiferentes ou que não se importam. Preferem dormir, ler um livro, ver tv, fuçar na internet...Não há como enfiar dentro da cabeça de uma pessoa assim que existe alguma importância na confraternização, na data, nas coisas relacionadas. A cabeça funciona de outra maneira, alheia a " bobagens" como festas natalinas, reunião de amigos, festas de aniversários, amigo-secreto, comunidades, etc. Assim como eu gosto de natal eles têm o direito de se lixar. A ausência de sentimento com relação a isso não pode ser discutida. O negócio é se conformar.

Pra mim, independente de conceitos, de posicionamento político, da roupa vermelha de Santa Claus, de neve que não existe aqui, de presentes, de peru/chester e qualquer outra coisa que venha a ludibriar minha cabeça contra a importância do Natal, tenho só algo a dizer: Amor. Gostaria de passar o Natal do lado das pessoas que amo e de meu amado mór. Quero me sentir feliz e mesmo que blá blá, blá nos 365 dias.

Feliz Natal!

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Viktor Chagas
 

Oi, Tita. Eu tinha lido o texto inteiro quando você postou a primeira parte na íntegra. Por que separou? Se foi só pra colocar a outra foto, a minha sugestão seria colocá-la em "múltiplas imagens". No mais, gostei muito de ambas... hehehe.

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 19/12/2006 16:32
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tita blister
 

Achei que ficou um pouco longo, por idéia de uma amiga, coloquei em duas partes. Assim cria um certo interesse também. Era essa intenção desde o começo. Obrigada por sugerir Viktor.

tita blister · Curitiba, PR 19/12/2006 16:39
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Viktor Chagas
 

Então blz. (Meu argumento seria que é mais fácil encontrar uma matéria na íntegra do que uma dividida em partes.) :) Achei bacana a sua visão pessoal do Natal. Quase me fez mudar de idéia... hehehe... mas, por enquanto, continuo preferindo o Ano Novo. :)

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 19/12/2006 16:49
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tita blister
 

legal, não quero que mude de opinião, apenas que conheça o outro lado. obrigada.

tita blister · Curitiba, PR 19/12/2006 16:52
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Saulo Frauches
 

Impossível não me identificar um pouco com seu relato. Lá em casa Natal sempre foi época de casa entupida de gente, muita farra e overdose de comida. Curti muito!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 19/12/2006 18:20
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Jenny Horta
 

É isso aí Tita!! O importante é o respeito à liberdade de opinião, até na hora de curtir ou não o Natal! Eu, particularmente, curto muito, mas respeito quem não gosta... apesar de achar que lhe deve faltar algo, talvez um pouco mais de emoção, pois mesmo se não gosta, podes fazer algo por quem gosta e nada tem... os famintos do Natal sem fome, por exemplo agradeceriam, né?

Jenny Horta · Niterói, RJ 22/12/2006 03:22
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Glês Nascimento
 

Tita, eu adoro no Natal. E tenho amigos que odeiam de verdade. Cada qual com seus problemas, seu texto está bacana e não tem nada de elogio exagerado à data, é um relato que faz a gente se identificar com ele.

Glês Nascimento · Palmas, TO 22/12/2006 10:59
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zepereiranoticias.blogspot.com
 

Adorei pra caramba! Que foto fantástica! Dá pano pra manga, viu?

zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 5/6/2007 17:55
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