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Nelson da Rabeca e o Segredo das Árvores
Marcelo Cabral · Maceió (AL) · 31/7/2008 23:16 · 174 votos · 14 comentários ·  
 
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overponto
Marcelo Cabral
Seu Nelson e Dona Benedita na casa sonhada
Imagens
Homenagem
As rabecas de Nelson
Capa do CD
Vídeo
Xote da Rabeca(6.5 Mb)
download de vídeo
Áudios
Forró Bem Pisado (improviso) - Nelson da Rabeca (2.4 Mb)
streaming de áudiodownload de áudio
Estava Num Campo de Areia - Nelson da Rabeca e Dona Benedita (3.6 Mb)
streaming de áudiodownload de áudio
“Vivi no canavial trabalhando pesado no corte da cana. Com 54 anos, vi um cidadão tocando violino na televisão e fui na mata, cortei a madeira, deixei secar, e quando secou fiz a rabeca, e acertei.” Esta é a história de Nelson dos Santos, o Seu Nelson da Rabeca, como ele é conhecido por todos. Músico e luthier autodidata de 80 anos, sorriso fácil e simplicidade que irradia uma mágica tão incrível quanto sua história com a música.

Em 2008, Nelson da Rabeca lançou seu terceiro CD “O Segredo das Árvores”, com apoio da Petrobras e Ministério da Cultura. São 21 composições da mais autêntica música rural. Neste mesmo ano, lançou também o primeiro DVD, onde o público pode captar toda a beleza e poesia do artista.

Quando Nelson foi apresentado ao público alagoano anos atrás, as pessoas ficaram encantadas com aquele senhor, tão carismático na alegria de tocar seu instrumento, e que vivia um drama enfrentado por tantos alagoanos, a falta de moradia. Em todas as entrevistas, Nelson falava do seu maior sonho “O que eu mais queria era ter uma casa pra receber meus amigos, todas as pessoas que me ajudam”.

Antes de dizer que queria uma casa pra morar, Seu Nelson queria uma casa para receber as pessoas, e conseguiu. Muitos produtores e músicos, entre eles Hermeto Pascoal, fizeram uma grande movimentação em Maceió, doaram seus cachês, promoveram eventos para arrecadar recursos e realizar o sonho da casa de Nelson e sua mulher Dona Benedita. E já vão 8 anos de “felizes para sempre” na nova morada.

Fui visitá-los em sua casa sonhada no centro histórico de Marechal Deodoro. Logo na entrada da cidade, uma grande estátua de Nelson dá as boas vindas aos visitantes. Encontrei o endereço com ajuda de indicações das pessoas nas ruas de Marechal, a rabeca sobre a porta anunciava o ilustre morador. Do lado de fora da casa verde com grandes janelas de madeira, escutei uma melodia, aquele inconfundível timbre do instrumento. “Seu Nelson! Ô de Casa!” gritei. A música parou.

Fui recebido por Dona Benedita, companheira de Nelson na vida e na música, ele toca, ela canta e os dois compõem canções singelas de beleza rara, coisa do amor mesmo. “Ah, por favor, entre, ele está tocando lá dentro, a gente estava ensaiando.” E entrou falando “Nelson, tem um rapaz aqui, ele é jornalista, mas é músico também, olha que bom” e me levou pra dentro, onde eles ensaiavam um xote que Nelson compôs na noite anterior. Escutei em primeira mão. Ele tocava a rabeca e ela o chocalho. Dona Benedita mostrou que é boa percussionista também e não perde o ritmo.

Terminada a música, Nelson olhou pra mim, sorriu e disse “esse é um xote que eu fiz ontem à noite, se chama ‘Da Rabeca’”, e começou a contar sua história.

Depois de construir (ou seria reinventar?) suas rabecas, Nelson começou a tocar. “Eu trabalhava na fazenda durante a semana e no fim de semana tocava pros turistas na Praia do Francês, onde eu ganhava dois tantos a mais que durante a semana, foi lá que comecei a ser divulgado, hoje tenho três discos gravados e já toquei no Brasil todo. Fortaleza, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, em todo canto. Hoje sou feliz com minha rabeca. Eu ouvia dizer que cavalo velho não aprende passada, mas aprende. Eu aprendi. Estou com 80 anos e não paro de criar, continuo fazendo música”.

Ele conta que já fez e vendeu mais de cinco mil rabecas “pelo meio do mundo”, e que gosta mais de tocar que de fazer o instrumento, “gosto também, mas tocar é como uma pessoa que dirige um carro. Vai pra onde quer”. Seu filho, Gilson, também começou a tocar e se apresenta na praia do Francês, seguindo os passos do pai.

Nelson participou de duas edições do Circuito Nacional de Música Sonora Brasil, fez algumas turnês, sempre acompanhado de Dona Benedita. A esposa sente saudades de viajar, “é bom demais, nem fale que dá vontade de ir embora de novo, conhecemos tantos lugares e pessoas tão legais”.

Durante a conversa, Nelson contou algumas histórias de suas andanças pelo Brasil afora. “Fui tocar em Porto Alegre com o Zé Gomes (rabequeiro gaúcho), e achei a tocada dele tão bonita que eu disse que se morasse ali ia pegar explicação com ele. Daí ele me disse que uma tocada que nem a minha eu que devia dar explicação. Já o Mestre Salustiano, de Pernambuco, me disse ‘Seu Nelson, se brincar o senhor toca mais que eu’ e olhe que ele toca bonito e com aquela animação toda.” E sorri contente pelo reconhecimento dos colegas.

Aliás, a carreira musical de Nelson é cheia de encontros musicais com figuras do calibre de Hermeto Pascoal, Antonio Nóbrega, o saxofonista norueguês Rolf-Erik Nystrom e o sanfoneiro alagoano Tião Marcolino. “Já teve gente de chorar quando me vê tocando, eu fico muito feliz”, disse Nelson com gratidão.

Durante a cerimônia de tombamento da cidade de Marechal Deodoro como patrimônio histórico nacional, Nelson fez um improviso com o ministro da cultura Gilberto Gil, sobre a experiência ele diz “foi bom que só conhecer ele, não conheço as músicas dele, mas ele é muito gente boa e nos fizemos um repente no palco”. Perguntei que tipo de música ele gosta de ouvir, Nelson disse que “foi música, eu gosto, nasci com isso. No começo, eu tocava Asa Branca do Luiz Gonzaga na praia, e todo mundo gostava, aí depois toquei essa mesma música no Programa do Jô. Na hora Deus me iluminou e eu toquei ela bem bonita”.

Discografia:

Caranguejo Danado

Para os Amigos

O Segredo das Árvores


Os CDs de Nelson podem ser encontrados a venda na Banca Zumbi dos Palmares, Centro de Maceió. Contato com a banca no (82) 9305-5311.

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Muito, muito bom, Marcelo. Baixei as músicas aqui e são uma delícia. Pena não ter mais. Valeu!
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 29/7/2008 18:05 
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Arrasou Marcelão. Acabamos de chegar do Enecom Rio, onde realizamos, na reunião do grupo de estudo e trabalho de Comunicação e Cultura Popular, uma audição do Seu Nelson, gravada numa visita há 3 semanas. Ele conversou sobre composição, sobre apoios, deu uma palhinha, enfim, falou que só, como sempre sorrindo. Estamos editando ainda o áudio, mas em breve a idéia é q ele esteja por aqui também.
Rafa Soriano · Maceió (AL) · 30/7/2008 16:08 
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Oi Rafa! Que beleza hein? Aguardamos sua colaboração por aqui com o material que vocês colheram!
Ilha, obrigado pelo comentário.
Abraços.
Marcelo Cabral · Maceió (AL) · 30/7/2008 20:25 
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É bom saber de fatos assim, onde o talento artístico pulsa naturalmente nas pessoas. No caso de Nelson da Rabeca, acredito que a musicalidade estava ali, guardada desde muito cedo, bastando um "estalo" pra ser aflorada. Ele ainda construiu seu instrumento musical! Ótimo postado Marcelo, não somente por nos fazer conhecedores deste artista, mas pela lição de vida que ele também representa. Abraços.
JACK CORREIA · Crato (CE) · 31/7/2008 12:18 
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Marcelo,
belíssima matéria. Seu Nelson da Rabeca é uma prova de que quando a arte é comprometida com a vida, confunde-se com ela própria e o talento se impõe até nas maiores adversidades. No caso dele, em dobro: luthier e músico - ambas as profissões aprendidas com a vida e exercidas com dignidade, talento, plenitude e uma simplicidade que só os verdadeiros gênios - como ele - têm. Meus parabéns por nos apresentar seu Nelson e sua cabeca, aliás as duas músicas que ilustram a matéria são lindas. Abraços.
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 17:24 
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Desculpe-me o erro de digitação. Evidentemente onde eu disse "Parabéns por nos apresentar seu Nelson e sua cabeca" leia-se "Parabéns por nos apresentar seu Nelson e sua rabeca", ainda que um cedilha no primeiro caso daria até mais sentido. Ô, cabeça maravilhosa a de seu Nelson!
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 17:31 
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Marcelo,

como Rafa falou, no ENECOM realizamos uma audição de seu Nelson e, a partir de algumas falas dele, discutimos conceitos de cultura popular, erudita, de massa e por aí vai... foi muito legal.

algo que não teve consenso foi com relação a possível analogia entre a invenção de seu Nelson (a rabeca) e o movimento armorial. queria pois saber sua opinião sobre isto: há alguma possibilidade de compararmos a invenção da rabeca com o movimento protagonizado por Ariano Suassuna?

abraços,
Luís Osete · Juazeiro (BA) · 1/8/2008 08:28 
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Jack, Nivaldo e Luís, obrigado pelos comentários.
Osete, realmente, não sei te responder se há possibilidade (ou necessidade) desta comparação.
Abraços.
Marcelo Cabral · Maceió (AL) · 1/8/2008 09:19 
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Denise A Souza Que maravilha de reportagem! Que lindo! Que grandeza, meu caminho tem sido difícil, mas são essas notícias de que o bem triunfa, de que a luz sempre brilha, é que me ajudam a prosseguir! E que clareza nas palavras, sem enrrolar sem falar difíci, quanta mensgem bonita pra vida! Alô pequena mídia educativa, façam um programa na tv e no rádio " 5 minutos pela Paz Mundial" e me chamem pra participar pois sou da Cultura da Paz desde que nasci! bjo no coração. Dê
Denise A Souza · Guaratinguetá (SP) · 1/8/2008 09:56 
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Belo texto! Seu Nelson é um grande artista inventor!
Sinva
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 1/8/2008 13:30 
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adorei!!!
obrigada pelo texto

Elaine Pauvolid · Rio de Janeiro (RJ) · 1/8/2008 17:18 
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Marcelo, você arrebentou mais uma vez.
Grande Nelson da Rabeca, mais um orgulho das Alagoas.
Belíssimo trabalho, parabéns!
Ana_e_Lauro_Alagoas · Maceió (AL) · 3/8/2008 00:46 
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O velho Nelson é uma figura fantástica e que tem um sorriso que ilumina tudo...

Marechal também é uma cidade muito bonita com seus casarões.

Muito legal o texto Marcelo, me senti visitando novamente o velho rabequeiro e sua simpatia assim como a sua esposa... É bom ver tuas colaborações sempre aqui no overmundo.

Só é uma pena que a estátua de Nelson está depredada e que a prefeitura local tenha feito tão poucas ações para a própria população de lá conhecer e valorizar o trabalho desse grande artista.

Lido, apreciado e votado!

Abraço,

Câmbio..

Thiago Paulino · Aracaju (SE) · 4/8/2008 09:42 
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Marcelo,
ótima matéria e a escolha do artista foi certeira.
abs.
MarcilioMedeiros · Aracaju (SE) · 5/8/2008 22:42 
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