Nelson Vicente Rosa - Mestre Nelson Rosa

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Sandra Sarquis · Maceió, AL
5/2/2011 · 6 · 1
 

Nelson Vicente Rosa - Mestre Nelson Rosa é Mestre de Coco de Roda, nascido em 18/12/1933, no Povoado Fernandes. Compõe o Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas, conforme Resolução nº 01/2005, Livro de Tombo nº 05, à folha 07 verso, a partir de 13 de maio de 2005. Coordena também, desde 1990, o grupo das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca, que reúne 10 senhoras cantadeiras. Já se apresentou em São Paulo no ano de 2007 e fez participações no CD Cantos de Trabalho, da Cia. Cabelo de Maria. http://www.cultura.al.gov.br/politicas-e-acoes/mapeamento-cultural-1/cultura-popular/mestres-dos-saberes/mestres-de-folguedos/nelson-vicente-rosa-mestre-nelson-rosa/, lido em 06/02/2011



Em setembro de 2010 conheci Mestre Nelson Rosa de pertinho. Mestre Nelson vive em Arapiraca, mas estava em Maceió só para um encontro com a gente, aprendizes de contadores de história. Mas o que é um mestre? Sempre me faço essa pergunta. O que torna uma pessoa um mestre? Conheço gente que sabe muito. Alguns conhecem muito sobre a prática da sua profissão, outros detêm os saberes teóricos dos doutores. Uns se tornam mestres, outros não. A Adriana (Millet) que orientava o encontro com o Mestre, ao tentar definir o que é um mestre, procurou sentimentos em palavras. Não conseguiu. Acrescentou gestos: um mestre é alguém que de tanto saber não cabe mais em si e tem que dividir com outras pessoas. As palavras foram acompanhadas dos braços abertos, num gesto amplo, generoso. O gesto e o brilho no olhar, mais do que as palavras, nos aproximou do que ela queria dizer. Do que ela estava sentindo naquela indefinição do que era um mestre.
Lembro dos meus mestres, daqueles que me fizeram sentir que são mestres. Uns usavam recursos para prender nossa atenção. Um, o mestre Mauricio Silva Santos, professor de geografia, desenhava de cabeça, com gizes coloridos, todos os mapas, todas as topografias, todos os rios desfiando memorias, tecendo relações, desafiando o pensar. Aprendi geografia de verdade ali, em um cursinho pré-vestibular. Conhecimento guardado para sempre, se não o conhecimento propriamente dito, mas o amor ao conhecimento, à pesquisa, à descoberta, abertura a novos conhecimentos. Aventura. Outros, me lembro bem, não usavam recurso nenhum, além da própria voz. Nem giz (que naquela época ainda não existiam os quadros brancos e seus respectivos pinceis). Apenas falavam e falavam no que poderia nos remeter a uma aula chatíssima. Nada disso. Mestre Teodoro era assim, professora Hermínia também: viagem na voz, qual os mapas do mestre Mauricio. Todos grandes contadores de historia, no caso da mestra Hermínia, duplamente contadora de história, professora de história que ainda deve ser.
Em um livro de pedagogia, de alguns anos atrás, não lembro mais o nome do autor, acho que Bordenave, li que o que distingue um mestre é o entusiasmo. Acho essa palavra fraca pra definir o que sinto em um mestre de verdade, daqueles que deixam sua marca na gente. Professores comuns não deixam marcas, ou se deixam são daquelas que não queremos lembrar. Mas chego a pensar que talvez seja mesmo o entusiasmo que distingue os mestres de verdade. Entusiasmo no sentido etimológico de ter deus em si, não no sentido religioso. Não é necessária uma religião para perceber essa qualidade luminosa de alguns mestres. Enquanto mestre Nelson estava sentado falando sobre sua vida e respondendo nossas perguntas, era um professor comum, meio fora do lugar, sem saber bem o que ia fazer. Na roda, em pé, nos ensinando as danças era, de repente, um gigante surgido de algum lugar misterioso. Não sei de onde veio tanto tamanho, tanto saber, tanta alegria que passava dele para nós. Um aprender e um ensinar quase continuo, onde o nosso aprender era a continuação do ensinar dele. De repente um mestre com toda aquela luminosidade do entusiasmo, contando historias e nos ensinando.
Conclusão nada científica: nem todo contador de história é um mestre mas todo mestre é um contador de história. Nelson Rosa é um mestre.


Sandra Sarquis

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juraci roberto
 

Muito boa esta concepção de Mestre. Para muito além da concepção acadêmica bancária. Mestre Nelson sabe o que todo Mestre deveria saber: ser Mestre.
Juraci, de Maceió.

juraci roberto · Maceió, AL 20/2/2011 07:19
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