Neon Night Riders! Ready? Go!

Marcelo Cabral
NNR ao vivo no evento InTR3Sessões Overmundo.
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Marcelo Cabral · Maceió, AL
9/9/2008 · 172 · 9
 

Um novo cenário de música autoral independente toma forma em Maceió. Depois de uma década de alguns acertos, muitos regionalismos forçados e umas tantas experimentações pretensiosas, surge uma geração que se propõe a tocar música simples e visceral, ou seja, rock!

Carregados de energia e juventude, os integrantes desta cena emergente já montaram um selo independente embrionário, o Popfuzz, e produzem o único festival anual de música independente na capital alagoana, o Maionese, que já está em sua quarta edição. Dentre as novidades musicais que eles trazem, uma das mais celebradas pelo público é o eletro-rock dos Neon Night Riders.

O som dos Neon Night Riders é pop e sofisticado, com guitarras enérgicas que são uma lapada no pé da orelha. Os vocais são chapadões e melódicos, algo de britânico, inclusive, o grupo compõe suas letras em inglês.

A banda é formada por Alcyr Vergetti (baixo), Hugo Estanislau (guitarra/voz/programações) e Bruno Gusmão (voz/sintetizador/programações). Conversei com eles sobre expectativas e planos do promissor trio e os caras soltaram o verbo, em bom português.

Marcelo Cabral – Curto e grosso. Porque em inglês? Pretensões internacionais, ou com a internet somos todos internacionais mesmo?

Neon Night Riders – Acho que o principal motivo é que a maioria das nossas influências são bandas que cantam em inglês, e o inglês se encaixa bem na estética do nosso som (para mim o inglês soa menos pretensioso que o português em nossas músicas). Quanto a pretensões internacionais não é algo que a gente chegue a pensar agora, mas sem duvida é muito mais fácil que nossa música seja ouvida e compreendida lá fora por compormos em inglês.

MC – Eu escuto o som de vocês e chamo de eletro-rock. E vocês, como chamam? Qual é a dos Night Riders? Ou ainda a velha pergunta: “Que estilo vocês tocam”?

NNR – Somos bem clichês mesmo, não gostamos de nos fixar a nenhum tipo de rótulo, mas acho que eletro-rock é a melhor definição. Os recursos eletrônicos passaram a ser usados primeiramente diante da nossa necessidade de encontrar um baterista disposto a fazer o som que a gente queria fazer. Daí, com a “escassez” de bateristas que topassem o nosso projeto, veio a idéia de utilizar bateria eletrônica. Depois fomos aprimorando essa idéia e buscando mais referências pra fazer o nosso som.

MC – Falem sobre o Popfuzz. Eu vejo algumas das bandas que representam uma renovação na cena local ligados ao selo, além de produzirem o único festival independente anual de Maceió, o Maionese. Quais as perspectivas que vocês visualizam pro selo e pro festival?

NNR – Bom, o selo surgiu no intuito de reunir algumas das bandas daqui de Maceió que não fazem parte de nenhum “movimento” em especial. A intenção era dar espaço para essas bandas e fazer com que elas fossem ouvidas, daí que surgiu o Festival Maionese. Junto ao selo as bandas encontram a possibilidade de fazer shows organizados pelo Popfuzz e de gravar as suas músicas (dentro de nossas limitações técnicas, tudo que gravamos é home made).

Bom, quanto ao festival, o que se espera é que siga crescendo, nós esperamos que isso estimule a produção de novas bandas aqui em Maceió, e que essas possam, por sua vez, ter mais espaço do que as bandas “atuais”.

MC – Como vocês avaliam a cena de música independente em Alagoas? Creio que o estado está isolado (ou isola-se) da região no que diz respeito ao fluxo de bandas indo e vindo tocar nas capitais e nos festivais, e até mesmo na troca de informações. O que pensam sobre isso? Vocês mantêm alguma conexão com bandas e produtores de outros estados do Nordeste?

NNR – A cena independente de Alagoas é MUITO fraca. Falta união, tanto das bandas como dos produtores. Mas o pessoal do Popfuzz vem tentando mudar isso, e aos poucos estamos conseguindo. Acho que esse “isolamento” acontece justamente pela falta de união que existe aqui.

Nós, junto com a Popfuzz estamos tentando estabelecer contato com os festivais que acontecem aqui no nordeste, enviando material das bandas do selo (inclusive do NNR), trocando idéias com organizadores e produtores de shows. Com isso, conseguimos contato com pessoal de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e com grande possibilidade de acontecer um “intercâmbio” musical.

Já com os NNR, também possuímos contatos com esses estados, e há um tempo atrás (algo em torno de 4 meses), recebemos uma proposta da Seven Music/Universal, que entrou em contato com a gente através do gerente artístico deles, o André Kostta. Infelizmente a proposta era meio que impossível para nós (eles queriam que fôssemos gravar no Rio de Janeiro, mas “rateando” os custos de gravação e divulgação).

MC – Nesta década em Maceió, vemos uma tendência geral ao regionalismo em todas as linguagens artísticas. Como você vê a receptividade do público ao som pop, eletrônico, semi-londrino dos Neon Night Riders?

NNR – Bem, o regionalismo é algo legal e necessário, mas não da forma como ocorre aqui em Maceió/Alagoas, não vou me alongar muito nesse assunto, porque pessoalmente é algo que me irrita bastante ver como o pessoal “regionalista” daqui tenta levar as coisas com um tipo de bairrismo muito idiota.

Sobre a receptividade do nosso som, está sendo até legal, além de nossas expectativas. Antes de “lançarmos” a banda e começarmos a fazer nossos shows, eu ouvia de várias pessoas do meio musical daqui que o tipo de som da NNR não tinha público na cidade. Mas aos poucos estamos fazendo nosso público que por enquanto é pequeno, mas fiel.

MC – CD OU SMD? Download ou streaming? Disponibilizar ou vender? Eis a questão.

NNR – Tanto o CD como o SMD são ótimos ”souvenirs”. Tanto o streaming quanto o download são ótimas formas de divulgar o seu trabalho na internet. Todas as músicas do NNR estão disponíveis em nosso myspace e no Banco de Cultura do Overmundo, achamos que isso não atrapalha tanto as vendas de CD/SMD.

MC –Neon Night Riders, o que vem por aí?

NNR – Então, estamos terminando de gravar mais cinco músicas que irão compor o nosso segundo EP. Esse é um processo um pouco complicado e feito na base de muito empirismo, pois gravamos tudo em casa mesmo, e os processos de mixagem e masterização são feitos por nós mesmo. Após terminarmos as gravações, vamos fazer alguns shows pra arrecadar dinheiro pra podermos lançar os nossos EPs fisicamente, e a preço de custo (se a produção do EP custar R$ 3,00 iremos vender o EP por R$ 3,00; nosso intuito por enquanto é tocar e divulgar o nosso som). Estamos também fechando algumas datas para shows aqui em Maceió e há possibilidade de tocarmos em alguns festivais fora do estado.

* Publicado originalmente no Ladonorte.

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Rodrigo Teixeira
 

Ow moçada do rock! Cada um canta na língua que bem entender não é mesmo? Eu nunca cantei inglês, mas basicamente por não dominar bem a língua.

Mas fiquei curioso com a questão do regionalismo que foi citado durante a matéria. Esta coisa do sagrado, do intocável é um besteira danada. Mesclar, depois de 22, virou palavra de ordem e até lugar comum.

Belo som rapaziada e parabéns Marcelão... continue revelando este canto do Brasil...

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 9/9/2008 11:24
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
clara arruda
 

Adorei a matéria e o som.Publicado carinhosamente.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 9/9/2008 14:39
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Ana_e_Lauro_Alagoas
 

Tivemos o prazer de conhecer o som do NNR no Intr3Sessões, II Encontro Overmundo Maceió! A galera manda bem sim!
Bela matéria Marcelo!
Abraços,
Ana e Lauro.

Ana_e_Lauro_Alagoas · Maceió, AL 9/9/2008 16:40
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Marcelo Cabral
 

Obrigado pelos comentários Ana, Lauro, Clara e Rodrigo.
Ana e Lauro, que bom que, além de exporem suas belas fotos no evento, vocês também conseguiram assistir aos shows e conheceram as bandas ao vivo. Nesta noite os Night Riders mandaram muito bem mesmo.
Rodrigo, outra conversa sobre este tema do regionalismo forçado, ou deveras óbvio, surgiu aqui nesta entrevista com o grande artista plástico alagoano Delson Uchôa.
Abraços!

Marcelo Cabral · Maceió, AL 9/9/2008 17:05
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Helena Aragão
 

Bacana a criação do selo e do festival independente, é assim que começa mesmo. Aos poucos vai se integrando com os independentes dos vizinhos e quando se vê a rede está formada. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/9/2008 13:17
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Jesuino André
 

ótima matéria do Marcelo.
aguardamos mais outras bandas e informações da nova cena rock alagoana.
abraços.

Jesuino André · João Pessoa, PB 10/9/2008 20:05
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Márcia Shoo.
 

entrevista muito legal com uma banda bem legal, Marcelão. :) eu que estou distante aí da terrinha curti muito saber da existência dos Neon Night Riders. qualidade musical que se os ingleses, os grandes criadores e difusores do eletro-rock, ouvissem, certamente ficariam impressionados quando soubessem que o trio vem de um lugar bem tropical.
beijão!

Márcia Shoo. · Rio de Janeiro, RJ 13/9/2008 14:54
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Marcelo Cabral
 

Valeu Shoo Shoo! Tem uma pá de novidade boa na música por aqui. Abraços Jesuino e Helena.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 13/9/2008 15:43
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vergetti
 

Grande Marcelo!
Agradeço em nome da NNR o apoio que você tem nos dado.

Valeu mesmo!

(:

vergetti · Maceió, AL 15/9/2008 15:00
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