Grita-se por socorro no Pelourinho, mais uma vez. Alguém aí, por favor, saberia me dizer o que está acontecendo com o Pelourinho? Esqueceram absolutamente daquele lugar. Nunca concordei plenamente com a forma em que a senhora Tânia Simões e o extinto Pelourinho Dia & Noite administravam a programação do Pelourinho, mas, o que está acontecendo agora é ainda mais preocupante.
Nunca tinha visto uma terça-feira sem a Benção no Pelô. Agora, junto com a Bênção também se foi o resto da programação e o novo Pelourinho Cultura e Arte até agora não disse pra quê veio.
Os comerciantes, sobretudo aqueles das praças Pedro Archanjo, Quincas Berro D’Água e Tereza Batista, estão simplesmente indignados em terem que assumir a programação cultural da noite no Pelourinho. O que acontece é que as praças estão sendo fechadas para cobrança de entrada e couvert artístico por estes comerciantes. A medida vem sendo tomada na tentativa de compensar a contratação das atrações pelos comerciantes destas praças, o que não estou certo de que seja a melhor solução. Contudo, certamente está servindo para gerar o debate. São taxistas, baianas de acarajé, restaurantes, lojistas e vendedores ambulantes, que estão condenados a conviver com os pedintes de esmola, as garotas de programa, ladrões e recuo da clientela.
Os visitantes do Pelourinho já tinham que tolerar o incomodo, a cada dez minutos, pelos vendedores de rua ou pedintes de esmola. Agora está difícil saber o que esperar ao optar o Pelourinho para se tomar um cravinho.
Os bares que estão fora das praças do Pelô também já contratam artistas para atrair mais clientes. E são bons artistas, diga-se de passagem, como é o triste caso de assistir a uma das melhores vozes da Bahia sendo desperdiçada em barzinho, como é a de Marcionílio. Um grande artista, cantor e compositor que, certamente, não se encontra em seu lugar adequado. Mas, o que acontece com Marcionílio, um dos grandes artistas do começo da Banda Eva (e o a axé music não é o seu lugar) é a mesma saga de tantos outros artistas que precisam sobreviver da música.
Cantina da Lua, Estação Pelô, Cravinho do Carlinhos, Samba do Mestiços, Sankofa (antigo Lugalegal), Bar do Reggae (Zitares), Colonial 17, The Dublinners Irish Pub, Escadaria de Santo Antônio (Gerônimo nas terças), Banda Didá e Swingue do Pelô (percussão), são alguns dos locais e atrações que ainda permanecem no Pelô. Lá estão ainda o Theatro XVIII, o Cine XIV-Sala de Arte, Museus, Galerias, Fundações, ONGs, o Olodum e outras sedes de cultura de Salvador. Muitas figuras também continuam por lá, como o próprio Jayme Figura, Romilda e sua máquina fotográfica, Menino Caldas e seus bonés coloridos, Selma a guardadora de carros do Maciel, a anã que só anda chapada, Iuri e sua bateria, os negros que procuram se dar de bem com as gringas (e vice-versa), só não vi mais o Michael Jackson da Bahia, que sumiu depois de dividir as atenções com Ivete Sangalo no Carnaval, de aparecer em “Ó Pai ó”, e depois que a fonte luminosa da Praça da Sé secou, não ascendeu mais e teve os seus autofalantes levados.
Depois de aglutinar boa parte dos ensaios do Carnaval deste ano, como do Olodum, Cortejo Afro, Vixe Mainha, Terra Samba, Motumbá, Tribazum, Cor de Mel, o Pelourinho pode ter o mesmo destino dramático do Aeroclube e ficar entregue à moscas, aos pedintes e à prostituição. Vamos aproveitar o embalo do filme “Ó pai ó” e lembrar que o Pelourinho não é mais aquele.
Menino, você me assustou. Amo o Pelourinho, é meu lugar especial. Acho que no mínimo a prefeitura de Salvador deve manter uma programação cultural semanal por aí. Ou a área de turismo do governo do Estado. O que não pode é abandonar este cartão postal, centro do turismo na cidade.
Abraço solidário de uma soteropolitana de coração.
É de lascar, depois de as Bandas do Carnaval arrebentarem o PELÔ e se entupirem de grana não investem nada no mesmo local são muito ingratos!
AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 10/5/2007 12:24
Não acredito!! Estive em Salvador em agosto de 2006. A-M-E-I o Pelourinho e tô triste com o teor do seu texto. Não é possível que esteja assim. Alguém me belisca, só posso estar sonhando! Um lugarl lindo, cheio de vida (fora os ambulantes!). Tenho a programação cultural que trouxe para casa. Um máximo... Chega dar saudade.
Fala que é mentira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ABS
me manda novidades quando tudo estiver melhor!
Numa mudança de governo tão radical, e ao meu ver necessária, podem acontecer coisas como essa até que a máquina volte a funcionar de novo. Não creio que essa situação vá durar tanto tempo. Salvador não pode perder um dos seus espaços mais democráticos tanto para o público quanto para os artístas.
Alexandre "Loro" · Salvador, BA 12/5/2007 10:19
É uma pena mesmo essa situação. Moro aqui em Salvador a alguns anos, e só passei a ter a sensação de estar na Bahia mesmo depois de frequentar o pelourinho. Faz algumas semanas fui num recital de poesia lá, depois de passar no Cravinho claro, e fiquei assustado como aquilo estava parado.
Nos resta ver o show de Gerônimo toda terça e esperar a coisa melhorar!
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