No rio da minha cidade não desliza barquinho nenhum. Não gosto de Bossa Nova, essa música composta pelas águas quem sabe belas da Zona Sul carioca. Digo “quem sabe” por que só conheço o Rio de Janeiro pelas telenovelas globais e pelo Jornal Nacional. Meu caro conterrâneo Luís Osete, perdoe-me pela minha burrice de não gostar de João Gilberto. É que para mim ele não canta nada, nada, nada. Prefiro Nélson Gonçalves.
Bem, como eu ia dizendo, o rio da minha cidade não tem barquinhos. Tem chumbo, fezes, mercúrio... Minha cidade não tem festa do sol, dias de luz ou coisa do gênero New Bossa. Tem os bêbados desempregados do Mercado da Farinha, um povo doente, uma educação defasada. Um monte de casas que não possuem aspecto nem moderno nem antigo, frutos da ignorância dos operários “neo-ricos” da Petrobrás nos anos 60. Como me dói dizer que João Gilberto não canta nada. Um barquinho a deslizar??? Desculpe, meu caríssimo Osete, mas daqui, por mais que eu apure os ouvidos, não consigo escutar o som que vem das águas de Ipanema.
Caríssimo Duborges,
se seus olhos não puderam ver, gostaria então de iniciar este comentário transcrevendo minhas primeiras linhas postadas neste overmundo: "O calor, em Juazeiro, sertão da Bahia, provoca muito mais do que arrepios. O clima semi-árido é um ensejo para um mergulho profundo nas águas do Rio da Integração Nacional – divisa natural entre as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE. Mas, no vai-e-vem da vida ribeirinha, poucas pessoas se aventuram a dividir o espaço aquático com coliformes fecais e metais como cádmio, mercúrio, zinco, chumbo etc., provenientes de esgotos domésticos e industriais lançados diariamente no rio. Assoreamento, desmatamento, erosão e poluição são problemas antigos enfrentados pela população do Vale do São Francisco".
Duborges, meu caro, por trazer a este espaço um texto sobre as relações de Juazeiro com João Gilberto e o estilo musical protagonizado por ele, Tom e Vinícius não significa de modo algum que estou cego aos problemas de minha cidade. por favor, não confunda as coisas. aqui também têm bêbados desempregados no mercado municipal, uma educação defasada, um monte de casas que não possuem aspecto nem moderno nem antigo, fruto de outro tipo de ignorância, e por aí vai... não vim aqui para romantizar Juazeiro, exaltar Petrolina, nem formar legião de fãs da bossa nova.
sei muito bem respeitar o gosta das pessoas. tanto assim que preferi nem comentar sua intervenção deixada num texto que escrevi sobre o Centro de Cultura João Gilberto: "Fico contente por existir um centro de cultura em Juazeiro. Fico triste por ele se chamar João Gilberto, um cara que não fez lá grande coisa na música. Participou da Bossa Nova, aquele negócio pra vagabundo da zona sul carioca ouvir". ademais, prefiro te perdoar por ter sido chamado de "vagabundo da zona sul carioca" do que pela sua "burrice de não gostar de João Gilberto". mas isto não vem ao caso.
eu também não consigo escutar o som que vem das águas de Ipanema não. mas a batida diferente de João sim. esta eu ouço e admiro. o que não me impede de um olhar crítico sobre os outros "barquinhos" que deslizam no rio de minha cidade.
por fim, só peço que você se lembre sempre que no peito dos desafinados também bate um coração. e o resto é mar, rio, chumbo, fezes e mercúrio. é tudo que eu não sei contar...
abraços,
Pra Ninguém
(Caetano Veloso)
Nana cantando "nesse mesmo lugar"
Tim Maia cantando "arrastão"
Bethânia cantando "a primeira manhã"
Djavan cantando "drão"
Chico cantando "exaltação à mangueira"
Paulinho, "sonho de um carnaval"
Gal cantando "candeias"
E Elis, "como nossos pais"
Elba cantando "de volta pra o aconchego"
Sílvio cantando "mulher"
E Elisete cantando "chega de mágoa"
Carmen cantando "adeus batucada"
Gilberto cantando "sobre todas as coisas"
Cauby cantando "camarim"
Orlando cantando "faixa de cetim"
Milton, "o que será?"
Roberto, "a madrasta"
Bosco, "rio de janeiro"
E Dalva, "poeira do chão":
Melhor do que isso só mesmo o silêncio
E melhor do que o silêncio só joão
Nara cantando "diz que fui por aí"
Marisa, "a menina dança"
Aracy cantando "a camisa amarela"
Amélia, "boêmio"
Max, "polícia"
Nora, "menino grande"
Dolores, "não se avexe não":
Melhor do que isso só mesmo o silêncio
Melhor do que o silêncio só joão.
Olá Duborges e Luís. Acompanhando este embate entre vocês lembrei da matéria com o próprio Nelson Goncalves em que rolou um papo que tem tudo a ver com a discussão:
RT - LOGO QUE SURGIU A BOSSA NOVA, VOCÊ FEZ AQUELE DISCO, "NÓS E A SERESTA", QUE TINHA UMA MÚSICA CHAMADA: "SERESTA MODERNA", QUE VOCË BRINCAVA COM O PESSOAL DA BOSSA NOVA. DEZ ANOS DEPOIS, VOCÊ GRAVOU TOM JOBIM. COM O TEMPO O SENHOR DEU MAIS VALOR AO PESSOAL DA BOSSA NOVA?
NG - Daquela época, me aponta um que ficou...
RT - JOÃO GILBERTO.
NG - Ele canta alguma coisa? Não canta nada. Tom Jobim foi um compositor excelente. Vinícius de Moraes excelente. Mas cantando, tchuntchuntchun...
kkkkkkkk quem quiser ler a entrevista (o título é a provocação de Nelson: "Me fala quem cantava na bossa nova?) clique AQUI!
Quem eh este tal senhor, Joao Gilberto? É um coronel? Um político? Falam tanto dele q tenho medo de conhece-lo. Ele eh o homem q acabou com a musica naum foi? Todod mundo tem medo dele... eu naum. tenho pavor de pintar na frente dele... Eu costumo naum gostar de gente chata, patife, q tem rei na barriga... Mandem um recado pra esse tal de "jão" eu canto o que quero, do jeito q quero e eh nois na fita!
Nic NIlson · Campinas, SP 13/7/2008 13:49
Du, é uma pena que vc não consiga ouvir o som que vem de Ipanema. Isso significa que seus ouvidos devem ter também dificuldades para ouvir o som que vem da índia, de Angola, do Japão, de tantos lugares distantes e sonoros. O que seus ouvidos podem captar, meu caro Du? Será que ouvem o som do seu próprio quintal?
abraços
Querido Du Borges:
Falta uma hora de votação e faltam 13 votos. Não digo que pe impssível a publicação em tempo hábil, mas sei que é bem provável que isto não aconteça. Você não me deu nenhum crédito, mas, modestamente, acho que apontei o caminho para a publicação do seu texto. Aliás mesmo estes 57 votos me surpreenderam. Se olharmos, no entanto, no perfil de seusw comentadores eu diria que vc perde de 6X1 ( se é q teve, não ficou claro para mim, 1 comentário favoravel)
Nem sei pq estou escrevendo isto. Acho que, apenas para deixar consinado que eu acho que o seu ego é masior, não do que o rio que banha a tua cidade, mas naior que o Rio Amazonas, que agora descobriram, é o maior do mundo.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
João Gilberto parou de cantar, encostou o violão num apoio.
Olhou para esquerda do palco.
Aproximou com o olhar a produção.
Surgiu uma senhora vestida de preto.
Ele disse qualquer coisa a ela, muito baixo, iaudível para a platéia.
Ela balançou a cabeça nervosa, em sinal de concordância.
Saiu andando um pouco de lado, cabeça baixa.
João gilberto pegou o violão, retomou a música que tocava e, antes de pôr a voz, pediu desculpas à platéia pela pessoa com quem falou estar atendendo o telefone celular à vista do público e, provavelmente, à uma altura de fala em que a voz da pessoa podia ser ouvida por ele, apenas por ele, que se dedicava a uma interpretação com muito carinho e técnica à musica e ao público.
foram 80 minutos ou mais de um show em que apenas voz e violão e boa música foram ouvidos.
Os aplausos ao final, de mais de duas mil pessoas no auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, duraram mais de cinco minutos, as pessoas em pé.
Não recordo se fez o bis.
Nem sei mesmo se isso aconteceu - embora eu estivesse lá - ou foi um sonho bom, porque eu gosto muito da música que João Gilberto faz.
O Guaíba é também um lago poluído em Porto Alegre, que tem mais de 200mil pessoas moradoras de favelas e cortiços.
Em vilas pobres, deve haver mais umas outras 800 mil, eu e minha mãe moramos numa delas.
Eu também acho que Nélson Gonçalves, que meu pai chamava de cavalo cantador, é um excelente cantor, assim como Jamelão. João Gilberto é um músicobrasileiro, um artista nosso de conceito internacional exigente para apresentar-se em público.
Quando trouxemos no ano anterior Martinho da Vila, as exigênicas dele enquanto artista não foram menores, embora distintas. Assim~, poderóiamos enfieirar virtudes de vários dos nossos artistas, mas não parece quecaibaaqui, nem que se deva,porque as pessoas reclamam para si e a a arte que apresentam o que avaliam que lhes devem.
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