Não me lembro de uma oportunidade na qual eu quis tanto ver um show. Bastou anunciar que MOTORHEAD fecharia a noite do rock pesado do Abril pro Rock deste ano, que se instalou uma certa ansiedade pela chegada da data. 17 de abril, o dia. Devidamente credenciado para cobrir o evento, tinha que acionar os amigos old school, afinal, era algo que não se pode perder, sabe-se lá quando teremos essa oportunidade novamente.
Antes de abrirem os portões conversava na entrada do Chevrolet Hall. Alguns amigos disseram que preferiam quando o festival era realizado no Centro de Convenções. Eu discordei, toda a estrutura do Chevrolet Hall privilegia o espectador, artistas e produtores. Ele foi pensado pra eventos desse quilate. Enfim, tudo muito tranquilo na entrada, sem empurra-empurra, chegava a ser engraçado, todos os “camisas pretas” com coturnos, caveiras, bandanas e garrafas e latas de bebidas, ali, ultra comportados, respeitando a fila e esperando calmamente abrirem os portões pra ver o MOTORHEAD. Ponto pra produção, acessibilidade e atendimento, excelente. Estava tão tranquilo que chegamos a comentar que tinha pouca gente e tal. Em parte, isso era verdade.
Quando abriram os portões, às 20h, não tinha tanta gente pra prestigiar a AMP, primeira banda a subir no palco do ABRIL PRO ROCK 2009. O fator público não influenciou, a banda fez um show ensandecido, com muita vontade o que contagiou o, ainda pequeno, público presente. O som estava bom, pesado, mas confesso que senti falta de definição no som das cordas, guitarras e baixo. Eu explico, é que existem muitos nuances nas frases de guitarras e na pegada do baixo no som stoner dos caras, que enriquece muito e que não estiveram tão presentes. Isso não chegou a prejudicar a apresentação deles. Pelo contrário, energia pura no palco. Bom show.
A seguir, Black Drawing Chalks. Em menos de um ano, essa é a quarta vez que assisto o show do caras. Sempre senti muita força no som, mas como anteriormente tinha visto em festivais em que estava tocando e muitas vezes não estava no papel de assistir pra escrever sobre o show, não tinha percebido o impacto que a banda causa. Todo mundo eletrizado no palco, com destaque para a dupla Douglas e Denis de Castro, baixo e batera, com uma pulsação que não tem como ficar inerte. Não dá pra não prestar atenção. A jornalista, advogada e blogueira Olga Costa tinha me chamado a atenção para a banda na última edição do Festival Aumenta que é Rock. Excelente show.
Atenção voltada para o Palco principal, MATANZA ! Essa hora a pista do Chevrolet Hall já estava lotada. Jimmy berra, “hoje vocês vinheram aqui pra ver a maior banda de roquenrou do mundo, mas antes vão escutar um pouquinho de MATANZA”. O público delira. A melhor maneira de definir o show deles é - pura diversão. Quem assiste um show dos caras, acho que esse é a terceira vez que vejo, sabe que é uma farra com uma graduação alcoólica alta. Destilaram todos os hits com um novo guitarrista, competente mas que faz sentir saudades da formação anterior. O som não estava bom para o público e chegou a dar uma pane total no meio do show, mas o aspecto diversão compensou a falha. Jimmy sabe como lidar com o público e provoca. É divertido de ver parece um grande bar lotado em meio a uma grande farra. O melhor ainda estava por vir.
O Decomposed God era a banda Old School da noite. Anos de estrada repassado para o público com experiência, atitude e uma batera insana. A apresentação deles pareceu um pouco extensa, já que o som segue os moldes do trash metal sem muitas novidades, masque foi executado com muita competência. O público prestigiou.
Uma observação. Achei o palco 2, onde tocaram AMP, Black Drawing Chalks e Decomposed God muito alto. Isso, na minha opinião, prejudicou um pouco a interação entre as bandas e o público. Ano passado tinham dois palcos, além do palco principal, que estavam no tamanho e altura ideal. Se tivesse que opinar, sugeriria algo semelhante para a próxima edição.
Aí era hora de entrar a sumidade maior do roquenrou. Lemmy Kilmister, Phill Campbell, Mikkey Dee, subiram ao palco detonando todos os tímpanos. Foi tudo perfeito. Os clássicos Iron Fist, Ace of Spades, Stay Clean, KIlled by Death algumas do último CD Motorizer, e até um bis com dois violões e Lemmy fazendo voz e gaita em WHOREHOUSE BLUES. Destaque para a massacrante OVERKILL pra acabar com qualquer tímpano que, por acaso, permanecesse intacto. O clima era de mãos levantadas, público completamente satisfeito e um grito uníssono de MOTORHEAD.
A produção do evento afirmou que esse foi o maior cachê já pago na história do festival e, em tempos de recuo dos patrocinadores oficiais, foi uma ousadia e também um sonho realizado, como afirmou em entrevista o próprio Paulo André. Especula-se em torno de cinco mil pessoas para vê-los. Espero sinceramente que tenha sido rentável pra produção, porque para o público, me incluo nessa, foi inesquecível. Foi uma excelente oportunidade pra ver uma lenda do rock pesado e pra rever os velhos amigos que não saem mais de casa para as farras, mas que estavam lá pra ver Lemmy e companhia. Celebração.
De saldo, da primeira noite do ABRIL PRO ROCK 2009, diversão, organização, profissionalismo e uma história para contar aos netos. Aos meus, contarei.
Uau! Que demais essa noite hein Nascimento? Ótima cobertura!
Fui ao show do Motorhead anos atrás em São Paulo, inesquecível! Inacreditável! Puro rock!!!
Parabéns ao Abril Pro Rock pela iniciativa de colocar o nordeste brasileiro no circuito das grandes bandas de rock do Planeta Terra.
Abraços.
Obg Marcelo. É verdade, já tivemos outras atrações circulando em turnê por aqui, IRON MAIDEN, HELLOWEN, etc, mas é um passo de cada vez, afinal os custos são sempre altos. Mas é só ter essa opção q o público comparece. Abrçs.
Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 23/4/2009 15:25
Ótimo que deixou o relato registrado aqui, assim, daqui a décadas, quando for relatar aos netos, bastará recorrer ao texto (se a memória já estiver vacilando). :)
Adorei a cobertura e te ver de volta por essas bandas, Edy! Abraço
Obg Helena.. ativei o blog, OVERPB, tb. Dá uma olhada lá. Abs
Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 23/4/2009 21:52Tá bem legal o texto, Edy. Li a entrevista com a Carol e o Rayan também. Abração.
Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 24/4/2009 03:08
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