No próximo sábado, dia 23, estréia o segundo vídeo clipe do álbum "Ascenção e Queda dos Irmãos Rocha!"(Monstro Discos) no programa MTVLab. A festa de lançamento acontecerá no Ocidente em Porto Alegre no dia seguinte a partir das 20h. A música "Uma Coisa Medonha" ganhou vida numa animação criativa, bem ao estilos dos Irmãos. Nessa entrevista com o diretor do clipe e baixista da banda, Bel, detalhes da realização e de como foram criados os personagens.
Quando compôs "Uma Coisa Medonha" você já tinha a idéia para o clipe?
Não, a idéia pro clipe veio bem depois da música já gravada e do CD pronto. Eu andava pensando em como não se faz mais clipe literal, que era uma prática comum nos primórdios do videoclipe. Saca aquele lance de mostrar EXATAMENTE o que a letra diz? É um conceito bem ultrapassado e, por isso mesmo, me atraiu. "Uma Coisa Medonha" pareceu ser a música mais propícia pra isso, já que conta uma história mesmo, com personagens, começo, meio e fim, além de ser no espaço, ter monstro. Parecia que podia ficar bacana.
Quando surgiu a possibilidade de realizá-lo em animação?
A história em si acabou criando essa "necessidade" de ser em animação, já que eu não queria cair naquela linguagem meio japonesa de gente fantasiada de monstro. Pensando nisso, eu desenhei o clipe todo, plano por plano e fui falar com esse amigo meu, o Gibran, que trabalha numa empresa de design e tem a manha de desenvolver personagens. Na minha cabeça era pra ser tipo um cordel-futurista, o que quer que isso signifique. Ele entendeu tri bem a idéia e, de cara, os personagens já ficaram muito mais legais do que eu tinha pensado.
Você fez o storyboard do clipe sem os personagens definidos - quero dizer, sem traços definidos - foi isso?
É, eu desenhei o clipe que eu tinha na cabeça. Só que com o meu talento para desenho, isso era um homem-palito contra uma ameba de olhos malignos. Foi em cima desses desenhos que o Gibran se guiou pra saber o que precisava pro clipe: as diferentes posições e expressões, os planetinhas pro fundo, essas coisas.
Daí é que eu me emocionei mesmo, dava pra ver que ia ficar massa! Não sosseguei até achar mais gente a fim de fazer a animação (o Gibran não faz essa parte). Depois de alguns percalços cheguei nos caras do Estúdio Makako. E acertei em cheio! Eles foram além da minha viagem inicial: animaram em 3D, coisa que eu nunca tinha pensado, mas mantendo elementos de 2D e as características do desenho do Gibran nas retículas. Achamos a linguagem do clipe juntos.
Foi preciso editar a sua idéia inicial ou você fez no tempo aproximado da música?
Como eu tinha pensado em um plano pra cada frase, o clipe já estava no tempo exato, os planos e cortes praticamente definidos. Mas nem tudo o que eu pensei funcionou na prática, algumas coisas tiveram que ser adaptadas. Ou modificadas totalmente, tipo o plano saindo da goela do monstro, que não tinha no meu desenho original e é, pra mim, das melhores coisas do clipe.
Qual a técnica usada para a execução do desenho? (quadro a quadro?)
E eu sei? A minha técnica foi pedir com jeitinho! Eu não sei lhufas da parte prática. Até onde eu sei, os caras do Estúdio Makako modelaram os desenhos do Gibran em 3D e a animação foi feita em cima disso.
A junção de imagem e música faz crer que os personagens já existiam no papel quando a música foi composta e não ao contrário...
Acho que esse é dos maiores elogios, porque esse clipe, na verdade, deu um trabalhão. Ainda tenho guardados alguns dos mails com observações que eu troquei com os caras do Estúdio Makako. Alguns chegavam a ter TRÊS PÁGINAS de pirações tipo "mais dois frames pra cá" ou "o plano do olho ainda não está certo", coisas que não interessam pra quem assiste. O grande desafio é que essa atenção ao detalhe não seja o que mais chama a atenção ao se assistir o clipe pronto. Eu quero que pareça simples, fácil, como se tivesse que ser do jeito que a gente está vendo. Se o clipe te deu essa impressão... bingo!
Desde quando você gosta de cartoons, animação, desenhos? Que tipo lhe agrada mais e por que?
Quando eu era piá curtia muito desenho animado. Horas e horas com as retinas mergulhadas nos tubos catódicos. E sempre gostei muito ler gibi também, especialmente terror, heróis, esse tipo de coisa. O Surfista Prateado era o meu herói preferido e é um bom exemplo: um cara que deu a vida pra salvar o seu planeta e a sua amada se vê preso na Terra, um planeta estranho e atrasado, onde ele está fadado a defender aqueleS que o atacam... isso sempre foi mais a minha praia que a Turma da Mônica.
E eu sigo lendo quadrinhos, acho um veículo genial, tem muito a ver com cinema, a divisão do tempo, os planos. Até por grana, eu nem tento acompanhar tudo, mas compro umas coisas de vez em quando. Acho que a última leva foi um pacotão de coisas do Crumb, uma edição bodosa do Watchmen, e alguma coisa do Will Eisner... Não "passei da fase" de ler quadrinhos.
Para quem curte animação, como eu, impossível não ficar mega-curioso para assistir ao clipe.
Rola de publicar no banco de culura do Overmundo?
Oi Saulo, legal saber disso! Acho que rola sim! Eu teria que mudar para o banco de cultura ou ficaria nos dois? Pergunto porque estou publicando pela primeira vez no Overmundo e não me familiarizei com todas as opções possíveis do site. Abs.
Olga Costa · Florianópolis, SC 22/9/2006 20:09Boa em Olga... Fiquei curioso pra ver o clip... ;)
João Melo · Aracaju, SE 23/9/2006 03:43
Legal a entrevista Olga, e ter o material por aqui seria uma boa mesmo...
valeu
O vídeo encontra-se disponível no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=AdJHr_9iGXY
Divirtam-se!
mas uma boa entrevista olga, ainda não conheço a banda, pois mtv é só pros ricos, hehehehehe. mas vou atras, pra ver "coé". Depois vejo o clip no "e o tubo?"
adriano franco · João Pessoa, PB 27/9/2006 01:03Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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