O Ataque à Choque Cultural e o Futuro do Pixo

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Caru Albuquerque · São Paulo, SP
15/9/2008 · 210 · 28
 

O que aconteceu na Galeria Choque Cultural na última semana acendeu debates e boatos, e também gerou dúvidas. A galeria sabia? Foi jogada de marketing dos pixadores, que vão lançar um filme no próximo ano? Independente dessas respostas, algumas considerações precisam ser feitas, pois o que à primeira vista foi um simples ataque às instituições (ou, se preferir, um showzinho de um bando de moleque querendo se provar) é na verdade a ponta do iceberg do problema da falta de uma indentidade nacional, da perda do patrimônio cultural imaterial e da inexistência de uma política (interna e pública) para este tipo de manifestação cultural do nosso povo.

A intenção aqui não é fazer uma matéria ou dar uma resposta, mas colocar os fatos e suas respectivas indagações:

1 - Dentro da pixação pouquíssimos pixadores têm uma visão política da coisa, apesar de indiretamente a pixação ser, sim um ato político. Raros pixadores fazem com outra intenção que não seja por “ibope”. Quantos fizeram o ataque por embalo? Excluindo os idealizadores, quantos na cena agem politicamente? Poucos...

2 – Apesar de a pixação ser coletiva, foi uma ação que não reflete a opinião de todos.

3 – Na galeria existe um monte de artista, inclusive os proprietários, que está correndo atrás do seu e que tem o maior direito de desenhar, pintar, vender e ficar milionário, mesmo porque a vida não é fácil pra ninguém – inclusive pra eles.

4 – Ok, tem muito grafiteiro por aí que "se acha"... que se acha superior ao resto das pessoas ou os outros artistas... porque faz sucesso na cena, porque dá entrevista, porque as menininhas pagam pau. Mas isso é a natureza pessoal ou é a sociedade que com essa moda criou um "monstrinho" na cabeça deles... Ou os dois. Ou seja, os grafiteiros são fruto de algo que está rolando. Apesar disso, ser escroto não tira o mérito do trabalho nem tira o direito de venderem suas coisas. Lembrando que "se achar" não é uma característica exclusiva da categoria grafiteiros. Tem também arquiteto, porteiro, músico, escritor, padeiro e pixador que se acham. E tem um monte de grafiteiro humilde também.

5 - A Choque Cultural não tem culpa do que o mundo faz ou quer. O interesse por graffiti/street art (ou arte urbana) é mundial. Isso se deu por vários motivos, entre eles dois que cito aqui. Primeiro: as pessoas estão sedentas por arte que fale com elas. O público quer um tipo de arte que ele entenda, que tenha um conteúdo com o qual se identifica ou que seja bonita, diferente da arte contemporânea que temos visto por aí... Segundo motivo, e que não existiria sem o primeiro: a Arte Urbana também faz sucesso porque a indústria assim o quer. A Arte Urbana é bola da vez em praticamente todos os segmentos da sociedade - cultura, artes plásticas, mídia, design, publicidade, comércio, indústria. A Choque Cultural manda em alguma multinacional? E nas empresas que depois pegaram carona nesta moda para dar estilo aos seus produtos e marcas?

6 - A Choque Cultural não inventou a indústria cultural nem a ida do graffiti para as galerias. O graffiti está nas galerias é reconhecido como arte há praticamente 30 anos. Se as pessoas compram é porque querem coisas do seu gosto enfeitando a sua casa, ainda que este querer seja em parte impulsionado pela mídia e a indústria. A Choque Cultural existe há 5 anos como um espaço para mostrar os trabalhos de alguns artistas, artistas estes, claro, que a galeria acha adequados dentro do critério dela...

7 - Sim, o preço das telas é um absurdo, apenas algumas pessoas podem comprar. O valor que colocam em uma obra de arte é sempre questionável – para mim, por exemplo, é um trabalho como outro qualquer, os artistas não são seres sobrenaturais que valem mais que os outros profissionais. Mas nesta sociedade com estas leis tudo vira produto e pode ser especulado. Bom para eles, que têm a chance de ganhar um grana com o que gostam. Mais uma vez, Choque Cultural não inventou os colecionadores e o valor para a arte. O mundo não é perfeito, é assim, e os pixadores não vão mudá-lo.

8 - A pixação não tem nada a ver com grafite (o feito no Brasil, e não o graffiti - estilo americano!) a não ser pelo suporte da cidade e o fato de que alguns grafiteiros começaram pixando (ou fazem as duas coisas). A pixação está dentro da Arte Urbana, mas é outra coisa. A cena, a motivação, a intenção e a própria maneira de fazer são completamente diferentes: os grafiteiros estão em busca do belo e querem ser admirados por isso; os pixadores querem ser admirados pela audácia, pela quantidade, por defender a arte das ruas ou pela forma perfeita das letras.

9 – A pixação é uma cultura urbana do povo, endêmica, eminentemente paulista. Um patrimônio cultural imaterial, com um modo de fazer específico que passa de geração para geração. É uma manifestação folclórica, que se dá pela oralidade e pelo modo peculiar de se fazer, e que só pôde surgir e crescer em uma cidade com a espacialidade e a conjuntura social, cultural, econômica e política como a nossa. Em outra cidade já não é mais a verdadeira pixação. É como o queijo de minas, o samba-de-roda bahiano, a capoeira, o frevo, o provolone italiano, o run cubano...

10 - Por ser tão peculiar do graffiti/grafite/street art, que já estão totalmente institucionalizados, os pixadores deveriam estar preocupados com o comércio e a cooptação da sua própria arte. Em 2006 aqui no Brasil foi lançado um livro sobre a pixação. Editora: Loja do Bispo, uma loja que mistura arte com decoração localizada nos Jardins e de propriedade da famosa artista plástica Pinky Wainer. O livro, que é simples no conteúdo mas tem formato daqueles "para colocar na mesa de centro" (afinal, foi feito para o público A, AA e AAA), custa 68 reais e traz imagens da cidade, das letras e das agendas junto com um sumário. Quantos pixadores têm esse livro? Os têm ganharam, pois não podem comprar. Os outros ficaram na vontade.

11 - A pixação precisa ser protegida? Em 2007, uns franceses (do graffiti!) lançaram um livro sobre pixo e estão ganhando uma puta grana com isso. Quando estive na Alemanha este ano, alemães me perguntavam sobre as letras da pixação pois queriam começar a fazê-las, e os donos das lojas de street art falavam que o livro sobre pixação (dos franceses) estava vendendo muito (no site deles está esgotado). Por conta do sucesso livro e da internet, já é possível ver algumas (tentativas de) imitações de letra de pixação pela Europa. Os tais franceses (que contam com o texto feito pelo do editor do New York Times no livro) vieram para cá e pegaram todas essas informações com pixadores e grafiteiros. Não sou eu, nem você, brasileiro, que está ganhando com uma cultura nossa – são os gringos... Que cabeça de colônia ainda temos. Vamos dar nossa riqueza mais uma vez para eles? Se é para alguém ganhar dinheiro com um patrimônio paulista, que sejam os brasileiros.

12 - Em 2009 o filho da mesma Pinky Wainer, João Wainer, lançará um documentário sobre o assunto. Sinal de que tá rendendo. Os idealizadores estão à procura de distribuição nacional. No mínimo o filme irá para vários festivais no exterior. E depois? Os debates posteriores e a própria pixação serão distorcidos com esse filme? Por ser uma cultura do povo, é preciso proteger a pixação? O que a pixação vai ganhar de positivo com isso eu ainda não consegui descobrir. Para mim fama, modinha e buxixo não passam de uma distorção. Talvez seja aqui é que a coisa desande de vez - e não vai mais ter retorno.

13- Os pixadores das antigas reclamam que a internet "estragou tudo". Pagação de pau, notoriedade e egocentrismo afloraram. Dá para segurar o que ainda não foi estragado?

14 - Há quem diga que quem havia comprado as telas antes do ataque e os que compraram depois pediram para que não fossem restauradas, o que é bem provável. A ação dos pixadores foi um tiro no pé. Por quanto será que essas telas serão vendidas no futuro? Indo mais longe, apenas para causar a reflexão, se a Choque resolvesse dar uma porcentagem dessas vendas para os pixadores, será que eles seriam tão contra assim?

15 - Há muita coisa importante, e também preocupante, rolando na cena da pixação. Por isso os pixadores precisam se unir e decidir sobre O QUE É DELES. Cada um pode fazer o que quiser? Pode ir para galeria? Pode vender informação pra gringo? Pode ter filme sobre pixo em circuito nacional, que por si só já transforma a pixação em produto de consumo e lucro exagerado? Pode publicar e vender livro sobre pixação em galeria refinada dos Jardins por um preço que nenhum pixador tem condições de pagar?


Diferente do graffiti/grafite/street arte, o futuro da pixação será definido por quem a faz. Dá para segurar? Só se quiserem. O que vai acontecer? Dependo que fizerem.



http://www.flickr.com/photos/_choquephotos_

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caracolis
 

Bacana, Caru. Tal como os artistas que expoem na Choque Cultural, os pixadores também queriam seu momento Basquiat. De que vale um protesto nessa sociedade midiática senão pelos 15 minutos de fama ?

caracolis · São Paulo, SP 12/9/2008 18:16
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fabio saldanha
 

pois é, protestos, 15 minutos de fama... todos têm o direito de se expressar. aliás, isso é uma das coisas boas da nossa sociedade. algumas formas de expressão são ofensivas e prejudicam os outros... para isso existe a justiça.
realmente, caru. ao invés das pessoas se fixarem a "picuinhas de alcova", invejinhas do sucesso alheio, coisa e tal, poderiam se liagr e tentarem se proteger desse grande bicho-papão, que é a desapropriação de patrimônios pela cultura de massa, principalmente a gringa. ávida por exotismos do terceiro mundo. se a galera não se ligar mesmo e não parar com a guerrinha de egos, um bigbrother virá para apaziguar a maré: levando tudo embora! se liga, gente!

fabio saldanha · São Paulo, SP 12/9/2008 18:48
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etetuba
 

Você fala como que de ataques de predadores, mas e a analise da galeria como a grande predadora. como é a predação da galeria?

etetuba · Belém, PA 15/9/2008 14:17
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Caru Albuquerque
 

Etetuba, eu não estou defendendo galeria nenhuma, mas o direito desses profissionais de poderem viver do que gostam, ou seja, de vender suas obrar para quem e por quanto quiserem. Como a Choque, existem inúmeras outras galerias e lojas que vendem Arte Urbana. Inclusive produtos referentes à pixação (há inúmeros DVDs, fanzines, bonés). O alerta é que os pixadores estão atacando o inimigo errado. Olhem para si e vejam o que a pixação está se tornando: a mesma coisa que vocês próprios criticam, por conta dos próprios integrantes.

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 15/9/2008 14:51
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Caru Albuquerque
 

Aliás, eu não falo de "ataque de predadores" em momento algum, mesmo proque para mim os pixadores não são predadores. Têm o direito total de se manisfestarem! Mas tentem ser coerentes...

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 15/9/2008 14:53
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etetuba
 

calma...
pra começar eu nunca fui pixador.
mas minha questão é quase como: se o circuito comercial absorve a forma... por que não absorver a revolta com o mesmo cinismo?

etetuba · Belém, PA 15/9/2008 14:58
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Ed Cruz Jr
 

Oi Caru. Pixador suja a cidade. Uns 20 anos atrás fizemos uma Crew lá na quebrada, para pararmos de sujar a cidade e fazer as imagens "saltarem" da parede ( depois que vimos uma grafiteiro Francês chamado Mod2) . Fiquei surpreso, que agora está em museu, rabiscos que o Basquiat fez uns quase 30 anos atrás...rss

Como vc disse os pixadores ( asssim como eu fui um ) tem o total direito de se manisfetarem. Mas se manifestam de uma forma errônea. Tanto é que vão ganhar uma grana deles, e eles só querem se aparecer pra"s menininhas ( com vc disse). Tem de haver uma organização dessa arte caótica que é pixar.rss . como organizar o Caos ?

O processo natural pra pixador é se tornar grafiteiro. Pois rabisco mesmo só do Basquiat, que se estivesse vivo hj estaria muito rico com a arte dele. beijos

Ed Cruz Jr · São Paulo, SP 15/9/2008 16:34
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Kuja
 

gonha mó breu!

Kuja · São Paulo, SP 15/9/2008 23:28
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Higor Assis
 

Olá, Caru!

Gostei do que escreveu e como deixou todas questões espostas.
Faz tempo que não acompanho a cena do grafite paulistano. Parei de fazer os meus em 2002. Fiz muito por ai e conheço muita gente que atualmente ganha dinheiro com isso.

Gostava da época que o grafite e a pixação eram apenas intervenções urbanas, quando você tinha de sair correndo da polícia, de qualquer forma era hostilizado, maltratado e até apanhava. Hoje em dia, há quem ganhe dinheiro demais com isso, errado ? Não sei!

Você mesma questionou outros tipo de se ganhar dinheiro com artes e é realmente o que vem acontecendo. Acredito que foi juntado ai - a vontade de comer com a fome, portanto, os dois lados andam ganhando.

Tenho algumas colaborações de graffites que fiz aqui, aqui e aqui.

Espero que essa rapaziada nova apenas acabe com toda esse envaidecimento e volte a escrever nas paredes de uma forma mais ativa como foi no meu tempo, coisa que atualmente não ando vendo.

Um abraço!

Higor Assis · São Paulo, SP 16/9/2008 13:50
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etetuba
 

o link de fotos nao está mais acessivel, tem outro link onde possamos ver?

etetuba · Belém, PA 16/9/2008 14:48
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Sergio Rosa
 

Tem algumas imagens aqui: http://rraurl.uol.com.br/cena/5673/Ataque_a_Choque_Cultural

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 16/9/2008 16:48
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etetuba
 

obrigado

etetuba · Belém, PA 16/9/2008 16:54
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Caru Albuquerque
 

Etetuba, O Choque tirou do ar, deve ser porque está vendendo... Vários jornais e revistas estão publicando. Uma menina que estava junto no rolê registou, mas tb tirou do flickr. Todos poderão ver as fotos quando os pixadores publicarem um livro com elas! hahah... Já nascemos e viramos produto. não tem volta, só se o mundo explodir e começar tudo de novo! E desculpe, não entendi o que é "absorver a revolta com o mesmo cinismo".
Ed, meu querido amigo, pixação é sujeira na opinião de quem o vê como sujeira e defende que o espaço público - o que está ao alcance dos nossos olhos - pode ter dono. Para mim os prédios-caixões envidraçados da Berrini são a coisa mais "lixorenta" que já vi. Já pixação é vida, uma cultra inventada pela periferia para se divertir, se expressar e concorrer.
Higor, que bom que existe gente rica para comprar, não? Se a gente não ver as coisas pelo lado positivo vamos parar agora e dar um tiro na cabeça. Um dia graffiti, grafite, pixação, stencil, tag e lambe-lambe já foram tudo a mesma coisa - tudo graffiti. Cada vez mais tomam rumos diferentes e têm turmas diferentes. Descobri que tocar o foda-se é a solução para não virar um ser totalmente nostálgico. Farol sem assalto, fanzine por carta, fitinha demo, bandas undregrounds, prédio sem grade e orelhão de ficha foram maravilhosos, mas vamos pensar no agora. É impossível parar a história do mundo. Enfim, não tiro o direito de ninguém de vender nem o de se manifestar. A atitude dos pixadores é reflexo da educação que este país dá. Mais coisas vão acontecer e estaremos aqui para ver. Daqui 20 anos, contamos para nossos filhos - mas sem nostalgia, hein?

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 16/9/2008 17:00
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Higor Assis
 

Antes era "PIXAR É ARTE, CORRER FAZ PARTE", melhor ainda na FIZ de 1998 (edição número 1), tinha a foto do graffiti do BROW com a frase (CORRE GAROTO) uma latinha na mão, mesmo fazendo graffiti. Atualmente é fazer graffiti e dinheiro no bolso.

Sendo em galerias, ou em portas de aço para ganhar uns trocados. Álias, que seja!

obs: Caru não é nostalgia, foi e será apenas um relato. Estamos em outro tempo e o tempo é hoje.

Higor Assis · São Paulo, SP 16/9/2008 17:47
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etetuba
 

e as paredes das cavernas de altamira e lascaux, é pixação?


etetuba · Belém, PA 16/9/2008 18:11
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Ed Cruz Jr
 

O que está acontecendo com o grafite, tag, grafiti, com a arte de rua em geral, é a mesma coisa que aconteceu com o Hip-Hop, com o samba, com a capoeira. Antes tudo era marginal, agora faz parte da realidade da Classe A, AA, AAA. Será que a revolução está dando certo ? . Parafraseando Nelson Rodrigues: " Toda unanimidade é burra ". O que há de revolucionário hj ? Hj todos tem um 5 minutos de fama. O que há de se fazer é entrar em acordo com as galerias, para os pixadores receberem uma grana pela arte deles. Os Grafiteiros das antigas ( digo, Binho, Speto, Gêmeos - Os Aerosóis - vixi das antiga ), eu duvido que não ganham uma grana com a arte deles. Acho mais que merecedor eles ganharem com isso, pois forem eles que difundiram tudo isso que tem hj. Se os pixadores estão descontentes, que façam o mesmo, né não. Criem Grafites, que causem tanta estranheza, e se transformará em arte, e vão para as galerias do mundo, ou Criem galerias de arte na periferia...

Ed Cruz Jr · São Paulo, SP 17/9/2008 11:00
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Sergio Rosa
 

Os Gêmeos participaram de uma edição especial de tênis da Nike. (foto)

Acho natural, até porque o tênis é um "suporte" que tem muito a ver com a cultura do graffiti, hiphop, etc.

Qualquer forma de arte que começar a atrair público e atenção da mídia (independente de qual vem primeiro) atrairá também dinheiro, patrocínios, investimentos, etc.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 17/9/2008 12:10
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DeConti
 

acho legal dar uma olhada nos links abaixo... sobre algo parecido que aconteceu em NY... lá o ataque às obras de grafiteiros não é novidade...
a discussão já rolou, rola e tem rolado... mas o que achei mais interessante é que o ataque lá tem manifesto, causa e "justificativa"...
muitas das razões se assemelham às dos pixadores que atacaram a galeria choque cultural... só que "um pouco" mais embasadas hehehe...
o Splasher se apoia em movimentos como o Dadaísta:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dada%C3%ADsmo
e apesar dos pedidos dos grafiteiros (vejam só hehe) para a mídia abafar os casos de vandalismo, esperando que sem a atenção que o splasher estava buscando, talvez ele desistisse...
mas perguntas levantadas pelo Splasher não puderam ser caladas...

http://gothamist.com/2007/01/23/against_streeta.php
http://gothamist.com/2007/06/26/the_splasher_sp.php
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Splasher
http://www.streetartblows.com/streetahht.htm

vale a pena dar uma olhada nos links...
abs

DeConti · São Paulo, SP 17/9/2008 16:16
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Caru Albuquerque
 

Bem lembrado o Splasher! Apesar de entendê-lo, assim como entendo os pixadores, eu não faria isso. Eu acho pura violência esse tipo de ato. Situacionistas e dadaístas protestavam de outra forma. É que nem um ataque terrorista: até é "entendível", mas não pode ser tolerado.
Eu não trabalharia para a Nike e não é porque osgemeos fizeram um trabalho para ela (vender muuuuito mais) que vou a chamá-los de ridículos e sair destruindo as coisas deles. Na Arte Urbana há quem se una a grandes empresas e há quem não arrede o pé das convicções anti-capitalistas. Mas vai saber: às vezes o que faz coisa com a Nike ajuda um monte de gente e o que não se vende é um puta mal exemplo de ser humano. Enfim, cada um faz suas escolhas.
Me falaram que as telas da Choque não foram vendidas. Todas tinham vidro na frente, menos uma do Speto. Olhaí a oportunidade para quem quiser comprar... hahah

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 18/9/2008 11:00
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valério cicqueira
 

Eu penso no DESLOCAMENTO DO ESPAÇO PÚBLICO, nas duas ações que ocorreu em São Paulo: belas artes & choque cultural. Por que? É natural que a pixação aconteça nas paredes aparentes da cidade; e quando ela vai para dentro dos espaços espositivos/instituição (da sociedade burguesa)? É um ato politico e ligitimo. É algo natural e pontual de quem acompanha "a super valorização da "arte urbana"; no caso "OS MENINOS DA PIXAÇÃO" (ve com olhar de fora/dentro), onde temos muitos trabalhos ruins sendo expostos em galerias pelo mundo afora.

Vale pontuar A DISPUTA PELA AUDIENCIA em nossa sociedade contemporânea: pós MODERNA, pós "ARTE POP", pós "CELEBRIDADES"... pós SHOW DA REALIDADE... Vivemos em um momento que chamo de "cobra cega", onde nunca sabemos de qual lado estamos: de um, instituições; de outro, individuos que exerce seu ato politico pixando.

Eu acompanho a pixação em Sp e Curitiba (cidade que vivo) e estou escrevendo sobre o assunto. A questão não é o "negocio" que a pixação esta gerendo em uma dinamica muito interessante, onde a pixação pontencializa o graffiti (que foi domesticado) e o graffiti ponticializa a pixação, se tornando o famoso ciclo vicioso na dinamica da cidade (como organismo vivo). Vivemos em um momento da "institunalização" de todas as repartições de nossa sociedade: educação e cultura principalmente, que o principal problema...

Acho que temos que pensar no fator social de nosso pais. Temos que refletir e pensar na constituição de 1988. Temos que rever as leis deste país. Isso é importante, não discutir se os "meninos"(pixadores) foram feliz ou infeliz nas suas ações.

Basta ver qualquer depoimento dos pixadores, eles sempre falam de corupção, lei e roubo. Porque? Porque vivemos em um pais de ladrão. E eles não estão roubando, estão sujando as paredes aparente da cidade. Estão acusando. Esta falando de tudo isso que vivemos e participamos: somos parte da cidade, estamos sujos também.

Aqui tem um discusão legal e de quem faz: graffiti e pixação:


[]´s

valério cicqueira · Curitiba, PR 19/9/2008 10:24
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Sergio Rosa
 

Só para deixar claro:

Não vejo problema nenhum no fato de os Gêmeos terem feito trabalhos para Nike. Não se envolver com a Nike ou outra empresa não garante a qualidade artística de ninguém. Se os Gêmeos chegaram lá é porque ralaram muito e merecem.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 19/9/2008 14:51
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DeConti
 

ahm...
e sobre o livro do joão wainer...
"O livro, que é simples no conteúdo mas tem formato daqueles "para colocar na mesa de centro" (afinal, foi feito para o público A, AA e AAA), custa 68 reais e traz imagens da cidade, das letras e das agendas junto com um sumário. Quantos pixadores têm esse livro? Os têm ganharam, pois não podem comprar. Os outros ficaram na vontade."

podem baixar de graça aqui:
nhttp://www.editoradobispo.com.br/site/areafile/download/arquivo/Boleta2.pdf
site da editora...
abs

DeConti · São Paulo, SP 19/9/2008 17:34
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etetuba
 

nao conegui baixar o arquivo do livro, link errado.

etetuba · Belém, PA 19/9/2008 18:49
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etetuba
 

encontrei por aqui
http://www.editoradobispo.com.br/site/download.php

etetuba · Belém, PA 19/9/2008 19:33
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Caru Albuquerque
 

O livro não é do João Wainer, mas do Boleta (org.).

Caru Albuquerque · São Paulo, SP 19/9/2008 20:47
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DeConti
 

http://www.editoradobispo.com.br/site/areafile/download/arquivo/Boleta2.pdf

as fotos são do jão wainer e do boleta...
é só tirar o n antes do http que vai...
vamo que vamo...

DeConti · São Paulo, SP 21/9/2008 08:08
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d-rota capao
 

Olha , sou do movimento pixação e não aprovo estes atos que estão acontecendo este ano . Esse gupo de pixadores a maioria estão apenas se promovendo no movimento com essas atitudes .
A industrialização da nossa caligrafia e estilo esta realmente acontecendo , e citado na europa esta mais ainda , soque como a maioriados pixadores não sei nforman,ate pelo estilo maloquiero , muitos fazem sem saber que sua imagem esta sendo explorada , e tudo isso na verdade nos prejudica , pois toda nossa descrição e anonimato esta vindo a tona .
A alguns que se consideram artistas , eu não vejo dessa forma , ainda , a ´pixação sera arte quando não existir mais , infelizmente a nossa desvalorização no brasil e em especial em são paulo e tremenda . E essas atitudes de invasões so virão a prejudicar os pixadores que tem formação e atitude .Uma pena , ainda mais que o Kassab foi reeleito , estou esperando uma lei municipal pesada ano que vem

d-rota capao · São Paulo, SP 29/10/2008 12:53
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fabiana menini
 

www.xarpiescritanoturna.blogspot.com

fabiana menini · Porto Alegre, RS 23/12/2008 15:01
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