O Balanço do FMI

Tati Magalhães
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Tati Magalhães · Maceió, AL
28/3/2006 · 230 · 21
 

No palco do FMI, a banda alagoana Living in the Shit. E tudo termina por onde começou

Living in the shit foi a última atração do I Festival da Música Independente, o vulgo FMI do Bem. Emblemático final. Apesar de tocar para poucos heróis da resistência na madrugada da última segunda-feira, no palco “geladeira” do Armazém Uzina, em Maceió, o show teve um peso simbólico muito forte: a banda, nos idos de 1990 e alguma coisa, foi o primeiro grupo independente de Alagoas a ganhar uma certa repercussão no cenário nacional. Eu era apenas uma adolescente começando a freqüentar shows estranhos com gente esquisita na sede da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA), sob influência do meu irmão. Hoje, ele (meu irmão) saiu dessa e prefere atrações mais radiofônicas. Já eu preferi acompanhar mais de perto essa história. Ainda bem, senão neste momento, como foi para muitos alagoanos e maceioenses, o FMI seria para mim apenas uma sigla de um organismo financeiro internacional e que, por acaso, foi ressignificado e estampou ônibus, panfletos e outdoors na capital alagoana.

Da aparição do Living até 2006, muita coisa mudou nessas bandas (o duplo sentido é proposital). E que se aumentem os pontos ao contar esse conto: sobre a Living, pode-se dizer que virou Bombalá, ainda sob o comando do Eduardo Quintella, e voltou a ser Living com uma nova composição. Não poderiam ficar de fora da festa. Foram a 24ª atração, depois de um dia em que teve a grata surpresa do experimental Projeto Cru (único “gringo” a receber o pedido de bis da platéia alagoana) e do já clássico Mopho (entre palmas e gritos, a platéia pedia mais uma pérola do psicodelismo nacional recente, mas ficou na vontade). Ser o primeiro ou o último pode ser uma tarefa ingrata, meio que bucha de canhão para a guerra a seguir ou o fim de feira, quando sobram os restos. Mas alguém tem que cumprir o papel e encerrar as coisas. Infelizmente, segunda é dia de branco, e àquela altura já tinham abandonado o barco a geração MTV, que pulava ao som dos Autoramas, os reggaeiros da classe média que vieram curtir o fenômeno local Vibrações Rasta e ainda os esgotados pelos dias anteriores. Sobrou para nós, poucos fiéis, pularmos ao som instigante da guitarra surtada do Eduardo músicas como “O Mundo Roda”. Poderia ter durado mais, não fosse o público maceioense tão misterioso.

O fato é que o Armazém Uzina é um espaço ideal para festivais, e comportava muito mais gente do que os que estavam dispostos a pagar. A questão não era, nem de longe, a programação, que trazia ícones locais e referências nacionais na cena independente. A seleção das atrações foi muito boa, comportando diversos gêneros e tribos. O xis da questão não estava aí. Algumas pessoas me falaram da data: pós-carnaval, fim de mês. Outras hipóteses vão sendo levantadas: Estado com poder aquisitivo baixo, a classe média paga R$ 100 para ver Maria Betânia e acha absurdo R$ 40 para assistir Tom Zé; desembolsa R$ 30 para ir pra uma arquibancada ver o vulto da Ana Carolina, mas não quer arriscar com o que não está na mídia e nas rádios comerciais. Vai entender...

Quem resolveu apostar saiu satisfeito. Quem já conhecia, mais ainda. A odisséia teve início na sexta, no pomposo Teatro Deodoro. A tarefa de começar tudo coube ao pifeiro alagoano Chau. Ou melhor, o Chau do Pife. Instrumental para estrangeiro nenhum botar defeito. Falando pouco, piadinhas de gente da terra, mostrando a que veio, diz que o público vai assistir depois dele a um dos maiores músicos do País e do mundo. E vem Tom Zé. Quando cheguei, vi que a minha pressa em comprar os ingressos dos amigos de Sergipe e Salvador eram ansiedade descontrolada ou uma aposta alta demais: sobraram lugares nos camarotes. Um desperdício. Fazendo estripulias no palco como uma criança danada, cantando como se não soubesse de nada, provocando como gente pensante (porque não basta ser grande). Misturou a opereta do “Segrega Mulher” a um pout-pourri de “Estudando o Samba” e umas pinceladas de “Com Defeito de Fabricação” e outras obras, lançando mão de clássicos como “Augusta, Angélica e Consolação” e “2001”. O teatro foi dele. A fila para cumprimentá-lo, comprar CDs, livros e DVDs foi enorme. Aliás, o show de Tom Zé é a propaganda mais eficiente que já vi.

Quem ficou, deu-se por satisfeito. E muita gente acabou indo embora, esquecendo que tinha mais por vir. Sobrou o público mais jovem para dançar ao som do Bonsucesso Samba Clube, o outro lado do Original Olinda Style. Nossos irmãos pernambucanos ajudaram competentemente o público a desenferrujar as pernas depois da imobilidade do teatro. Seguiu-se o forró-sem-vergonha do Tororó do Rojão. Ele, que é famoso por beber água e não achar, não se perdeu nos caminhos e foi sacudir o pessoal. Nessa altura, vi uns camaradas tentando dançar com a latinha de cerveja na cabeça e lembrei dos textos do Vlad, aqui no Overmundo. Será somente coincidência ou nosso colega overmano anda lançando moda através do seu jornalismo gonzo?

Com um gravador na mão, tratei de colher impressões, deixando claro que não eram depoimentos. Eu tinha avisado da preparação pessoal aqui na agenda do Overmundo (quando anunciei o evento), e não vou na linha do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Façam o que vocês quiserem, mas o que eu digo, eu faço: preparei os pés, a cabeça, a garganta (que, aliás, estão debilitados)... mas a memória, essa podia falhar. Então, tá aqui, e eu posso provar, mesmo que as falas estejam meio emboladas (era fim de festa): ou conversei com gente otimista demais, ou todo mundo teve a mesma impressão que eu. A iniciativa estava valendo, realmente, a pena.

Segundo dia: consolidando o festival

O sábado era o dia mais esperado: pela primeira vez em Maceió, Cidadão Instigado; e, de volta à cidade, a Wado e Realismo Fantástico. Mas a atração inicial do dia 25 foi mesmo bucha de canhão. O alagoano de Pão de Açúcar, Basílio Sé, mostrou sua MPB experimental para menos de um quarto do público da noite. Mas quem estava lá foi valorizado. Até mesmo pelo ambiente refrigerado (o que valeu o apelido de palco-geladeira. Não que o frio fosse tão grande, o calor de fora - o palco forno - é que estava grande).

Do Rio Grande do Norte, veio a Experiência Apyus. Já tinha um pouco mais de gente por lá, mas espalhada nos três ambientes. Na parte da alimentação/bebidas, os Saudáveis Subversivos aprontavam uma das suas: atores/performers com o corpo pintado de branco aguardavam estáticos a intervenção dos artistas em potencial com tintas guaches no chão. Muitos se arriscaram, e os modelos desfilaram (?) sem expressões no rosto. A Experiência de Natal (a Apyus) agradou, sim, mas não era o ponto alto. O nível era crescente, e logo depois os fãs da boa música instrumental conferiram o talento internacionalmente reconhecido do Duofel. Gente jovem antenada, que não estava ali só para pular e dançar. Tinha até uns coroas (quem dera envelhecer assim). Marcelo Cabral e Trio Coisa Linda tiveram a grata tarefa de tocar quando as pessoas já tinham (enfim) chegado. Fizeram um show instigado, o que já anunciaria a próxima atração. O Cidadão estava lá. Uma expectativa enorme para quem só ouvia falar do tal do Catatau e queria conferir se ele era mesmo tão bom quanto pintam. Dúvidas desfeitas. Diferente - e muito melhor - do que muita gente daqui, que não conhecia o inventivo som da banda cearense, imaginava (ouvi dos curiosos questionamentos como: é um som rock com coisas regionais?).

Mas eis que chega a atração da noite, que na programação anterior, seria o último a tocar. Parecia que todas as pessoas que pagaram para estar no FMI no sábado tinham ido ver o Wado e Realismo Fantástico. Tinha razão de ser, afinal, o cantor e compositor não se apresentava há dois anos por aqui. Pra matar as saudades, a gente se apertou na frente do palco forno (onde a acústica era melhor). Eu, fã confessa, estava lá, dividida entre bater fotos com uma digital simples e curtir o show. As fotos acabaram ficando muito ruins. Já o show foi maravilhoso. Só achei que teriam mais músicas do último CD, A Farsa do Samba Nublado. Mas foi um repertório para o saudoso público alagoano, uma pincelada do que de melhor eles já fizeram. A empolgação era tamanha que quase não o deixamos cantar sua versão para Ontem eu Sambei, da olindense Eddie. De desconhecida (ou quase), o grupo só tocou a belíssima Hortelã, devidamente gravada pelo Fino Coletivo. E anunciou: pode estar no próximo CD.

Para mim, o show do Wado e Realismo Fantástico tem também um significado especial: depois da Living, a Ball, antiga banda do cantor, é uma das minhas referências de início de carreira de gente que está curando as espinhas (embora tenha tido no máximo umas quatro na minha vida). Daquela época, ele fez releituras de “Feto”, "Ossos de Borboleta" e “A Linha que cerca o Mar”. Até hoje sei de cor “O Último Dia do Rio”. Mas ninguém nunca gravou, e eu perdi a fita demo. Fica na memória.

Bom, voltando ao show: foi o ápice, e a primeira banda do FMI a ganhar o “mais um!!!” da platéia e a fazê-lo com todo o prazer. A Xique Baratinho, que veio em seguida, também recebeu o entusiasmo e, embora com um público mais disperso, mostrou por que é tão cultuada pelo público alagoano, com uma regionalidade que não cheira a clichê. Quando o Cícero Flor teve a oportunidade de mostrar por que é chamado de Bob Dylan alagoano, a galera tinha desistido de tudo. Restavam poucos e a noite terminou com o Beto Batera e convidados.

E veio o domingo...

Para o último dia, havia a expectativa de um público maior, pois iria tocar Vibrações Rasta. Mas muita gente já tinha alertado que, apesar do público fiel da banda (para se ter idéia, a comunidade do Orkut da Mopho, referência da boa música alternativa em Alagoas, tem pouco mais de 800 pessoas. Vibrações tem quase 4,5 mil), aquele não era o espaço deles. É que a massa de adoradores de Jah é, em boa parte, proveniente da periferia de Maceió ou bairrista com outros ritmos. Preferiram esperar um novo show a um preço mais convidativo (e mais longo que 50 minutos) que pagar R$15 para assistir a 11 bandas. Os reggaeiros foram os segundos da noite, que começou cedo com Santa Máfia, do Rio de Janeiro. O vocalista Luizinho, do Vibrações, mostrou que eles continuam evoluindo e quem achava um pouco chato e sem sentido aquela coisa de falar de amor e de paz interior como salvação do mundo em tempos de individualismo e guerra civil não declarada (algo que não se resolve individualmente) se surpreendeu com uma postura mais engajada e consciente. E a banda também continua melhorando musicalmente, desde os tempos de shows do Bye Bar, no final da década passada. Faltou o coro da galera fanática para mostrar pra quem veio de fora o papel que a Vibrações cumpre localmente.

Simone Soul e seu Projeto Cru deram seqüência à programação. E deixaram todo mundo boquiaberto. Experimentalismo da melhor qualidade, com groove, bateria, sax e até influências regionais. A surpresa da noite. O Negroove, de Pernambuco, foi a prova de que aquele Estado continua firme e forte no cenário musical independente. Ninguém com quem conversei tinha ouvido o som do pessoal antes (inclusive eu), mas todo mundo caiu na dança. Inclusive o porteiro do banheiro ao lado do palco, um senhor de mais de 50 anos, que dançava animadíssimo enquanto explicava aos apertados onde ficava o toalete para mulheres e homens. Um sonzinho alegre, descompromissado, com corais femininos interessantes. Se configurou na apresentação mais animada da noite. Mais um motivo para eu intensificar o alongamento no dia seguinte. É que também me empolguei.

Mas incrível mesmo não eram meus passos de sambinha, mas como o tipo de som mudava radicalmente de uma atração para outra. “É a grande revelação alagoana”, me sentenciava André Frazão, um dos “culpados” pelo Festival, sobre a banda que se seguia: o rap de Vitor Pirralho e Unidade 3,14. O garoto tá ganhando moral, e não é por acaso. Vai lançar CD em breve e colhe elogios dos músicos da terra e do público que cresce a cada apresentação. Foi seguido do resultado de muita pesquisa da música regional da Pedra de Raio, cuja metade alagoana é formada pela Telma Cezar, ex-Comadre Florzinha (antes de virar Fulôzinha). Mas uma das principais atrações da noite vinha logo depois: a Mopho. O vocalista e guitarrista João Paulo reapareceu mais magro, cabelos curtos, e fazendo um show enxuto, mas nunca desanimador. Faltou um quê de Mopho. Tá bom que em 50 minutos não dá para matar a vontade, mas... poxa, custava nada um bis! E quem pediu não fui só eu...

Outro gringo da noite foi o Jackson Envenenado, da Paraíba. Mas envenenado mesmo, endiabrado, estava o Juninho, da Sonic Jr. Sozinho no palco, no groovebox, na bateria, no chão, pulando, cantando, a banda de um homem só mostra que vale mais que várias bandas de tantos homens ou mulheres. Ninguém arriscou ficar parado.

E veio Autoramas, e veio a Living. E terminou o domingo, e acabamos o texto como começou. Mas o FMI não se encerra por aí. Como iniciativa pioneira, colheu os ônus e os bônus que só se mostram pra quem tem coragem de arriscar. O público poderia ser maior, é verdade. Tinha estrutura e talento de sobra pra isso. A produção caprichou. Mas Maceió não “absorveu” o conceito de festival, e ainda associa o evento a uma feira (alguma banda chegou a confundir e anunciar a Feira de Música Independente): vai-se para escolher que atrações levar para casa. Só que se sabe antecipadamente o que se quer comprar, sem observar a variedade de produtos – e, inevitavelmente, espera-se o que já está nas TVs e rádios. Por não querer comprar tudo, apostam em uma futura promoção exclusiva. Mas a lógica do FMI não é essa. Música, ali, não foi produto para se consumir como enlatado. Música veio como produto do homem, da sua capacidade de fazer sem precisar de fôrmas de empadas e tempo de forno para garantir que fique apetitosa. Apostou-se na fome do povo alagoano para dar a primeira mordida. Mas, como diria Wado/Eddie, o FMI “tinha gente de todos os lados”, que fazia alegria e tinha fome de música que não tá na novela. Tinha gente de todos os lados, que foi pra relembrar, para matar as saudades, para celebrar, para conhecer. Que estas pessoas multipliquem as impressões, para que novos FMIs venham nos anos que se seguem, mais fortes. A música independente agradece. Nossos ouvidos também.

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Sóstenes Lima
 

Tati, muito bom o seu texto. Equilibrado, quando preciso. Crítico, como deveria ser o texto de um bom jornalista. Imparcial prá mostrar o que deu errado, sem resvalar em clima de amizade ou ufanismo. Emocionado, porquanto participante ativa e testemunha ocular fato que nos trouxe à luz. Parabéns.

Sóstenes Lima · Maceió, AL 29/3/2006 08:36
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Edmundo Nascimento
 

Muito bom o txt ! Saudades tb do Living in the shit, q conheci em Recife,q do ainda eram apoiados por Guti. Eduardo, Lelo, o próprio Jr. Do Sonic, na época baterista da galera, estiveram com agente aqui em João Pessoa. Bom saber q ainda tá roando essa vibe ! Parabéns !

Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 29/3/2006 10:02
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Cilo Roberto
 

oi Tati,
poxa a matéria ficou muito boa e vc soube realmente mostrar o espirito do festival.
como bem falou o Lelo do Xique Baratinho: "esse é um dia historico!!!!!!!"
Parábéns pela matéria.
um abraço

Cilo Roberto · Maceió, AL 29/3/2006 10:41
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Tati Magalhães
 

Pois é... A Living na época tocava mais em Recife que aqui em Maceió... tinha uma proximidade grande com a cena de lá, que já estava forte. Da formação original, ficou o Eduardo e o Lelo. O Marcelo, o Juninho e o Gláuber seguiram outros caminhos. Marcelo tá nos EUA, Juninho na Sonic Jr e o Gláuber é artista multimídia, tocou com o Wado e agora se dedica mais ao importante papel de instigar as artes cências locais como diretor, professor de teatro, produtor, ator e mentor dos Saudáveis Subversivos. No lugar dos "antigos", entrou o André Meira (baixo) e Rodrigo Peixinho (bateria). A volta da Living aconteceu em 2004.

Tati Magalhães · Maceió, AL 29/3/2006 10:53
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Glauber X
 

Eu GLAUBER X etive fortemente sitonizado no FMI durante os três dias. No último instante fui satisfeito para casa, mesmo sem ver o Living (oportunidades). Acredito no FMI: na capacidade de colocar a memória desperta para a cena que existiu e que perdura cheia de vida dentro da ostra que se abre nesta iniciativa. Pude ser vítima feliz da interação desta música independente trazendo os Saudáveis Subversivos para o festival, Multimídia, Vídeo, Body art e Performance, interferindo o ambiente da cena em construção.
SALVE A INTERAÇÃO: FMI-OVERMUNDO-TODAS AS BANDAS-TODOS OS ARTISTAS-PERFORMERS-JORNALISTAS-PRODUTORES-MOTORISTAS-PÚBLICO-SEGURANÇAS...
e especialmente ANDRÉ FRAZÃO
SALVE...

Glauber X · Maceió, AL 29/3/2006 11:33
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Sóstenes Lima
 

Tati, esqueci de dizer, dentro do espírito do overmundo, que publicarei esse seu texto lá no www.sosjatiuca.zip.net, com os devidos créditos, evidentemente.

Sóstenes Lima · Maceió, AL 29/3/2006 13:35
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Aboiador
 

Acho que poderiam pensar em um evento que congregasse, além da música, diversas outras manifestações, como teatro, dança, cinema, num mesmo local, em uma fusão ampla e miscigenada de arte. Taí, um festival das artes independentes.

Aboiador · Maceió, AL 29/3/2006 14:19
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Gus Acioli
 

Tati, parabéns pelo texto, ficou excelente!

Apenas um comentário:
Mesmo com todo o sucesso do FMI, fica entalado na garganta a idéia de que boa parte do público (os ausentes) da minha querida Maceió ainda não entenderam o que é e o que representa o FMI. Acredito que as coisas podem mudar!!!

Parabéns (de novo) a todos os que participaram, pensaram, foram e contribuíram para que o FMI fosse o sucesso que foi.

Gus Acioli · São Paulo, SP 29/3/2006 19:11
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Tati Magalhães
 

Aboaiador, concordo contigo. Esse foi o primeiro festival do gênero em Maceió, e acredito que tenha sido mesmo uma ousadia grande do pessoal que deu o pontapé inicial. Ainda assim, agregou outras artes também: logo na entrada, havia a "banda de sucata" feita por um artista (esqueci o nome), teve a intervenção dos Saudáveis Subversivos (falo brevemente sobre isso no texto, mas o Glauber comenta mais em baixo) e o lançamento do livro do Xico Sá "Catecismo de Devoções, intimidades e pornografias". Pra uma primeira experiência, acho que a galera mandou muito bem... se a segunda, a terceira, a quarta forem assim também, tá valendo!

Tati Magalhães · Maceió, AL 29/3/2006 19:33
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Tati Magalhães
 

E Gustavo, não só acho que as coisas podem mudar, como tenho certeza que vão. Encontrei gente que nunca tinha ouvido Wado na vida e estava adorando tudo. E, infelizmente, somos ainda muito provincianos (ainda mais em relação a estilos de música que não estão no dia-a-dia do maceioense)... não basta a imprensa local falar. Se sair na mídia nacional, é que se começa a dar valor...

Tati Magalhães · Maceió, AL 29/3/2006 19:36
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LTT
 

parabens tati e todos que estao levantando esse empreitada ai em maceio. como disse fred 04: ou agente muda de cidade ou muda nossa cidade. SORTE!

LTT · Rio de Janeiro, RJ 30/3/2006 08:31
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Aboiador
 

Gustavo, eu acredito que essa questão da ausência do público (pelo menos não com o peso que o evento merecia) não é uma questão localizada. Conheço músicos em todo o país e todos eles se queixam. Tirando os problemas de conjuntura nacional (e aí entram o jabá, a forma e critério de concessão das emissoras de rádio e Tv, etc) alguns outros fatores pesam. Eu fui, mas como não sou estudante, tive que desembolsar R$100,00 para assistir a abertura e aos dois dias. Eu acho que é melhor ter mais gente, faturando a mesma quantia, do que ter ingressos de valor mais alto como menos pessoas participando. Depois, estudante, que era o público alvo, não tem essa grana toda prá detonar em um único evento. São coisas a se pensar. Outro fator negativo, (não influiu na presença do público)foi o mau humor dos seguranças, mas isso é apenas um detalhe que pode ser melhorado para o próximo. O que deveria haver mesmo seria um esforço para a consolidação de um mercado de música alagoano, sem segmentação em guetos, como ocorre hoje, com o fortalecimento dos estúdios e com foco na comercialização do produto de todo mundo e não de apenas uma fatia. Isso é o que eu penso.

Aboiador · Maceió, AL 30/3/2006 08:39
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Gus Acioli
 

Gente, eu realmente fiquei muito feliz de poder ter participado do FMI. Assim como boa parte da equipe, eu não fui de SP para MCZ por conta de grana. Fui porque comprei e acreditei numa idéia. Todos concordamos que o FMI foi um excelente catalisador cultural para nossa cidade. Cabe agora repensar o que foi o primeiro evento e partir para fazer um segundo melhor ainda, correto, mais barato, ainda mais organizado, ainda mais aglutinador. O que é preciso entender é que em hipótese alguma podemos perder esse FMI. Todos sabemos o quanto nós já tentamos, pedimos, anseiamos, que um festival cultural sério acontecesse nas Alagoas. Ele tá aí. Não podemos deixar que essa idéia seja descontinuada. A cidade precisa. Acho que é isso.

Gus Acioli · São Paulo, SP 30/3/2006 17:40
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Sóstenes Lima
 

Eu também acredito que temos que dar todos os passos para a criação de um mercado local, que aglutine diversos segmentos e cative um público fiel. Acho que o FMI foi um passo e outros devem ser dados na mesma direção. Daqui, de longe, uma abraço ao Gustavo e àqueles que mesmo não estando na nossa cidade, ainda dedicam sua energia por ela. E podemos mesmo fazê-la melhor.

Sóstenes Lima · Maceió, AL 31/3/2006 08:08
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Fernando Coelho
 

Tati!
Ficou excelente. Assim como o Festival foi excelente. Claro, poderia ter mais gente, mas isso vai se construindo com o tempo. Me emocionei em diversos shows e fundamentalmente no do Mopho - que acredito ter sido a maior catarse do festival, seguido de pertinho pelo do Wado. O João Paulo é uma entidade viva do rock. Ele jogou a alma ali...se o show deles tivesse durado quatro horas todo mundo ia ficar feliz. Frazão e Railton estão de parabéns assim como toda a equipe e musicos que participaram.
Corrigiu uma injustiça histórica e celebrou com dignidade os 10 anos de surguimento da faceta mais autoral dessa sofrida e talentosa cena musical.

Fernando Coelho · , 31/3/2006 10:04
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Glauber X
 

FMI - decisões e oportunidades são criadas por nós mesmos. Então Felizes aqueles que tomaram a decisão de optar pelo FMI.
A heróica equipe que deu sangue pela causa, e está de pé para o próximo ano.
Os erros são acertos. Parte do aprendizado.
A interação com as outras artes vieram de coração, Arte de amar - não um mercado - mas a própria Arte. Artistas se doaram assim como técnicos. Não faltou ninguém. Quem não for irá.
No próximo correremos com serenidade em busca de uma interação ainda maior das artes irmãs - ou seja todas as artes.
Busquemos soluções positivas, mas com cuidados, para não solapar-mos uns aos outros.
Enquanto isso vamos providenciar outras festas de união - melhor - cada um faça sua parte - sua festa - nem que seja um pocket show dentro de um elevador ou trepado numa árvore.

Glauber X · Maceió, AL 31/3/2006 13:26
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Gus Acioli
 

Glauber, tu matou a pau! Faço minhas as tuas palavras!!! Parabéns pela serenidade!

Gus Acioli · São Paulo, SP 31/3/2006 17:31
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Sóstenes Lima
 

Glauber, e estarei lá, pode ter certeza. Unidade na diversidade é positivo e possível. E concordo plenamente com você.

Sóstenes Lima · Maceió, AL 3/4/2006 07:06
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Aboiador
 

Eu acho que entendi o que o Sóstenes quis dizer com criação de um mercado.Seria a maneira dos artistas poderem viver com dignidade de sua arte sem esse necessário exílio que hoje têm de fazer buscando espaços e oportunidades lá fora. Nem sempre as pessoas têm a possibilidade de fazer a sua própria oportunidade. Fosse assim e inúmeros talentos anônimos viriam à luz. A própria Tati já escreveu sobre isso aqui. Em uma cidade de 1 milhão de pessoas, poder vender 10.000, 20.000 cópias de um CD seria a garantia de não precisar sair. Fazer uma temporada de teatro com o mesmo espetáculo e ter sempre público, o que é privilégio de poucos. Depois haveria sempre trabalho prá quem vive diretamente desse mercado, produtores, designers gráficos, seguranças, porteiros, recepcionistas. Falo isso sem ser artista ou viver da arte.

Aboiador · Maceió, AL 3/4/2006 09:58
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sulamita oliveira
 

Fui para p último Abril pro Rock e para o Coquetel Moklotov justamente com o espírito que você descreve no texto.
Celebrar bandas que eu já conhecia e me deixar surpreender pelo novo. local ou não, era música, e isso pra mim tem uma linguagem própria.
Fiquei curiosa pra conhecer o festival e muitas das bandas que você citou.
Espero que realizem o terceiro e que seja mais valorizado por aqueles que ´tem sede do novo, se abrem para vários ritmos e estilos.
A mídia aberta é estreita, e nem tudo que ela deixa passar impressiona ou tem qualidade. Só esses festivais pra revelar aos nossos olhos e ouvidos quanta coisa boa estão produzindo sem que tenhamos conhecimento.

sulamita oliveira · Recife, PE 27/10/2006 18:59
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Tati Magalhães
 

Oi, Sulamita, ano que vem deve acontecer o segundo FMI. E Recife é pertinho, vc poderia aproveitar para curtir o clima do Festival daqui também! Conheço um pessoal da capital pernambucana que veio, e mais gente ainda que vai pra Recife no Abril pro-rock (que já é um festival grande e consolidado).
Ah, muitas das bandas que cito tem músicas disponíveis nos links mesmo. Já dá pra conhecer um pouco do trabalho...
Abraços e valeu o comentário!

Tati Magalhães · Maceió, AL 27/10/2006 19:35
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