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O Cascudo Douradinho - Entra em cena.

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elisacarvalho · Barra Mansa, RJ
19/11/2009 · 3 · 2
 

Perguntei para os atores Rafael Crooz, Danilo Nardelli e Bianco Marques, sobre o processo de criação do espetáculo infantil - Cascudo Douradinho - Amiga lata, Amigo Rio -, que já foi visto por mais de cinco mil pessoas e foi para o Equador este ano no Festival de Teatro do país.


1) O texto foi adaptado do Livro "Amiga Lata, Amigo Rio" de Thiago Cascabulho, foi difícil trabalhar coletivamente na adaptação/concepção para o teatro?

Danilo: A fase da adaptação foi muito gostosa, fomos lendo o livro e pensado em como transpor as informações para a linguagem cênica, destacando momentos, criando transições, trascrevendo diálogos das personagens. Foi nesta fase também que surgiram as composições do Bianco que dá todo diferencial na adaptação.

Rafael: Durante a adaptação fomos personificando as figuras não-humanas do livro, como a Língua Negra, o Alfuente e a Árvore e o próprio peixe. Criamos alegorias para representarmos essas figuras e histórias paralelas que pudessem explicar o passado dessas personagens para construirmos as ações do presente, necessárias para a criação da cena. Tivemos um cuidado para não cairmos na narração didática, comum em infantis e o trabalho mais refinado, que coube ao Bianco, de transformar trechos narrativos em música, o que dá um toque especial à adaptação.

Bianco: Foi um trabalho muito prazeroso. Lembro que no primeiro dia de trabalho, antes de ir para a sala, sentei com o violão, peguei emprestado uma frase do livro e a partir dela criei a primeira música da peça, "O Cascudo Douradinho". Cheguei na sala e estava com muita vergonha de mostrar... mas eles gostaram e a partir daí não paramos mais. Fomos lendo o texto e ,seguindo a história, adaptamos do começo ao fim. As músicas iam surgindo de acordo com a necessidade narrativa.

2) A responsabilidade da literatura infantil no mundo de hoje é mais sincera com seu público, tendo em vista a falta de incentivo à leitura e as substituições do lúdico literário pela internet, games etc. A força deste trabalho dramatúrgico é também recuperar o prazer pela leitura destinada ao público infantil?

Danilo: Claro! Utilizamos o teatro, com toda sua linguagem lúdica e dinâmica para fisgar as crianças para a mensagem de preservação e conciência ambiental. E ao saberem que originalmente essa história saiu de um livro, as deixam curiosas para conferir-lo. Ao final do espetáculo sempre entregamos livros para as professoras trabalharem em sala de aula e sortiamos algumas crianças para levar o livro "Amiga Lata, Amigo Rio" que narra a aventura do Cascudo Douradinho para casa.

Rafael: Quantos filmes já não vimos que vieram de obras literárias. Isso é muito comum e os roteiristas de hoje têm se especializado no assunto. Quantos não leram Harry Porter porque viram o filme? Ver um filme ou uma peça proviniente de uma obra literária certamente aguça o desejo de ler o livro e criar as suas imagens, as suas figuras, o seu universo. Esse é o prazer da leitura: inventar o mundo descrito pelas palavras, uma viagem feita na poltrona de casa. Quando crianças somos incetivados à brincar nas horas vagas. Mas não podemos esquecer que ler um livro com uma boa história é uma brincadeira fantástica, a brincadeira está no exercício da imaginação, no ludismo da criatividade. Nossas crianças precisam ler mais, ok. Elas lêem pela internet também, certo? Mas nada supera o prazer de tocar o papel e virar a página, de poder ler sentado, deitado, de cabeça pra baixo, de perceber o maço de páginas que já leu e o pouquinho que falta para o final da história!
Todo nosso trabalho para a construção da dramaturgia foi focado em não perder o fio da história contida no livro, pois a criança que ler o livro depois de assitir a peça vai poder dizer: eu conheci de perto essa Árvore... nossa, é mesmo esse afluente é bem bravinho....! Colocamos em cena trechos que não são revelados na literatura, como por exemplo o momento que o Douradinho perde a lata... na peça é um número musical, o livro apenas diz que de repente a lata se solta.

Vocês possuiam alguma filiação estética para a montagem ou trabalharam a livre criação de cada um?

Danilo: Filiação estética não. Trabalhamos o conceito de coletivo, por isso Coletivo Teatral Sala Preta. Cada um chega com suas referências e com o que sabe fazer de melhor. Somos sempre muito abertos as opniões e idéias dos parceiros, nosso processo de criação é extremamente democrático.

Rafael: O desevolvimento da linguagem estética se deu em diversas etapas. Na maioria das vezes não executávos a primeira idéia. Sempre discutimos muito sobre o quê e o como cada ítem deveria ser trabalhado. Signos, significados, comunicabilidade, beleza ou praticidade... Ainda não encontramos todas as respostas que gostaríamos. Estreiamos sabendo que ainda tem muito a fazer para lapidar melhor nosso trabalho.

Bianco: Trabalhar com apenas 3 atores em um processo colaborativo não é tão difícil como possa parecer. É necessário, como na música, trabalhar a escuta. Ouvir a opinião do outro e mais que isso, ouvir o espetáculo que se impõe. As criações vão surgindo e muitas vezes é necessário abdicar de vontades artísticas particulares favorecendo o coletivo.

Quer saber mais sobre o espetáculo?
Visite: www.salapreta.wordpress.com

Evoé!
Elisa Carvalho.

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Cláudia Campello

belo texto jornalistico!
sem arte o mundo seria breu...horrivel de respirar.
sucesso aos atores....que um dia espero aplaudir.

bjsssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 19/11/2009 23:48
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kfarias

Excelente trabalho e a peça deve estar maravilhosa.
Sucesso a todos,

kfarias.

kfarias · Águas de Lindóia, SP 2/12/2009 21:24
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