O caso Lídio Mateus e comportamento Brasil Web 2.0

Captura de quadro no player do Youtube
Lídio Mateus em performance no Youtube
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Luciano Carôso · Salvador, BA
10/11/2008 · 244 · 25
 

Lídio Mateus é um rapaz de 18 anos, cujos perfis em redes sociais como Youtube e Orkut declaram ser de Santo André, São Paulo, Brasil. Ele gosta da Fresno, uma banda ligada ao gênero musical emocore. Lídio decidiu fazer um vídeo cantando a canção "Uma Música" e colocar na Internet. Só que Igor, seu sobrinho de uns 5, 6 anos, resolveu atrapalhar: começou a gritar "aê ô fresco, boiola" e Lídio teve de interromper a gravação do vídeo logo nos primeiros versos. Assim mesmo decidiu colocar esta gravação no Youtube. Pela data lá no site, o vídeo foi postado em 12 de julho de 2008. No momento em que escrevo este texto, em 07 de novembro de 2008, já conta com 113.084 exibições. Não se sabe muito bem como o vídeo foi parar em "sites de comédia" como Kibe Loco e, como referem os comentários de uma outra versão do mesmo vídeo no Youtube, até no JB (Jornal do Brasil?)[1]. Esta outra versão, postada há pouco mais de uma semana (29/10/2008), já foi assistida 262.945 vezes até este instante.

Parece claro que se iniciou o que os entendidos chamam de "processo viral", alimentado também por microbloggins como Twiter e Plurk, além de comunidades no Orkut e tantos outras plagas desse ciberespaço louco. Lídio bloqueou a possibilidade de se fazer comentários no vídeo original. Porém, a busca pelas palavras-chave "fresco boiola" no Youtube, no momento, retorna 32 vídeos. A maioria absoluta é composta de cópias do vídeo original, ou de outros vídeos que parecem ter sido postados originalmente no Perfil de Lídio ou de respostas ao vídeo dele. Perfis com seu nome e fotos foram criados no Orkut e outros. A mesma busca no Google retornou, agora mesmo, cerca de 7800 resultados.

As pessoas têm se dedicado principalmente a zombar do rapaz. O bordão "aê ô fresco, boiola" é extremamente repetido por aí. Blogs "contam" sua história aos borbotões. Adolescentes gastam seu miguxês (incluindo "amigos" a quem Lídio agradece o apoio em seu "blog oficial") numa infinidade de comentários onde a tônica é o preconceito e a zombaria. "Maldita inclusão digital", "suburbano", "viadinho", "florzinha", "morte aos emos" e tantas outras "amabilidades" que não valem ser pronunciadas por aqui, são expressões que pululam por todo lugar, como nos comentários de uma das cópias do vídeo.

O que é isso?! Quando é que o ser humano vai ser tornar algo do qual possa, pelo menos, não se envergonhar? Eu poderia aqui lançar mão daquele discurso que o brasileiro vive essa realidade -- onde o terreno é fertilíssimo para a exploração midiática de casos como o de Eloá e o de Isabella Nardoni e completamente estéril para a discussão de questões sociais efetivamente relevantes -- por causa do mais sério problema do nosso país: educação. E estaria certíssimo. Mas o buraco ainda é mais embaixo. Quem acredita na espiritualidade e reencarnação, como eu, sabe que esta condição é intrínseca à toda raça humana. Transcende aspectos como etnia, territorialidade e situação sócio-econômica.

Voltando ao Brasil, já que Obama ganhou mas o americano continua achando que nossa capital se chama Buenos Aires: Lídio é mais uma dessas pessoas que se tornaram "celebridades" através da tão badalada Web 2.0, principalmente por via do Youtube. Jeremias, Bill Goiaba e Sônia são alguns dos seus muitos antecessores. Por trás desses casos estão problemas sociais brasileiros seríssimos como alcoolismo e pobreza (que traz no seu bojo, nestes exemplos citados, mazelas como subnutrição, comprometimento da cognição, falta de perspectiva de vida, etc). Essas pessoas até vêm instigando a criatividade de outras a produzirem peças áudio-visuais efetivamente interessantes do ponto de vista composicional e musical. Os quatro em questão (Jeremias, Bill Goiaba, Sônia e Lídio) têm pelo menos uma versão dessas peças, às quais, por falta de um termo melhor, eu dei o nome de "vídeo-funks". Esses vídeo-funks têm chamado tanto a minha atenção que me fizeram mudar completamente o objeto teórico da minha tese de doutorado em etnomusicologia. Há neles aspectos muito importantes e atuais dos processos criativos e de transmissão de música nesse contexto das comunidades virtuais, como reciclagem, bricolagem
(samplertrofagia), questões de propriedade intelectual, entre muitos outros. Mas o brasileiro, ao que parece, tem dedicado seu tempo muito mais para fazer piada e zombar das pessoas envolvidas e muito menos para discutir as importantes questões sociais que esses vídeos denunciam. Infelizmente.


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[1] - Com este texto já na fila de edição, numa lista sobre cibercultura, esclareceram-me que o JB provavelmente é o site Jacaré Banguela e não o Jornal do Brasil, como eu havia pensado.

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Nivaldo Lemos
 

Luciano (êta, baiano porreta!)
acabei de ler seu texto e, desde já, o considero um dos mais lúcidos e sérios já escritos aqui no Over sobre comportamento na Web. Assino todas as suas assertivas sobre os internautas. Todavia, quando você diz que o racismo/preconceito é "condição intrínseca à toda raça humana" e desvincula tal condição de "aspectos como etnia, territorialidade e situação socioeconômica", você foge do rigor científico e entra no pantanoso terreno da idiossincrasia religiosa, da subjetividade metafísica. Atribuir questões humanas (algumas de matriz puramente material), à espiritualidade ou à reencarnação contradiz - na minha opinião - suas reflexões iniciais. Todavia, e em que pese essa (para mim) contradição, reafirmo o que disse, com alegria: seu texto, além de superbem escrito, é dos mais consistentes que já li aqui no Overmundo sobre o assunto. Depois navegarei pelos links. Meus parabéns, sinceramente.

Um abraço

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2008 15:31
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Thiago Camelo
 

Achei bem bacana o texto também. Remete a um assunto que, de fato, é febre em todos os blogs. Pra mim, fascinado por esses fenômenos de internet, é bastante instigante pensar por que tantas pessoas viram esse vídeo tão curto e por que tanta gente riu na boa (ou na falta de respeito) dele. Eu escrevi um texto há pouco sobre vídeos na internet, talvez com uma visão um pouco mais otimista que a tua. Mas sem dúvida, nossos textos dialogam. Se quiser dar uma olhada, o meu texto está aqui. Abração!

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2008 16:28
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Helena Aragão
 

Interessante o texto. Só queria acrescentar que isso não é um fenômeno brasileiro. E tenho uma teoria: acho que a internet só potencializa esse tipo de bobagem, mas a verdade é que esse tipo de coisa sempre aconteceu... Não vejo a web como vilã da história, mas entendo que se deva refletir sobre esse tipo de coisa. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 7/11/2008 19:40
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Luciano Carôso
 

Caro Nivaldo, muito obrigado pelos elogios. Fico realmente lisonjeado. Apesar do "cacoete" adquirido no meio acadêmico, minha pretensão com o texto não é ser científico. Principalmente no parágrafo ao qual você se refere, a intenção é manifestar minha opinião pessoal. Helena, a quem também agradeço as correções e a participação na discussão, diz de forma direta algo na linha do que eu quis também falar: essa condição não é só do brasileiro, do rico, do ariano, do favelado, do esquimó, etc. É do ser humano. Mas que condição é essa? Falo de sua propensão pra cultivar e manifestar esses tais valores como racismo e preconceito. Esta questão pode ser vinculada a determinadas visões da espiritualidade e da reencarnação. Você está certíssimo quando sugere que tais conceitos impregnam-se de "religiosismo" e enfraquecem-se cientificamente por conta disso. Mas eu acredito que eles têm potencial pra transpor essa limitação. Em algum momento, penso, isso acontecerá.
Thiago, obrigado também pelas correções e pela discussão. Ainda não li seu texto mas vou correndo pra lá. Já que você se diz "fascinado por esses fenômenos de internet", seria um prazer trocar mais idéias contigo. É que nesse aspecto eu sou igualzinho a você :-).

[]s,

LC

Luciano Carôso · Salvador, BA 7/11/2008 20:37
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Ilhandarilha
 

Sobre preconceitos aflorando na web 2.0, isso não é exclusividade de youtubes e orkuts da vida...

Ilhandarilha · Vitória, ES 7/11/2008 20:45
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Ana F.
 

Oi, Luciano
tudo bom?
Embora vc já tenha respondido a Nivaldo, minha sugestão vai pela mesma linha dele. Fiquei bastante curiosa a respeito do modo como tais fenômenos são lidos da perspectiva da etnomusicologia. Parabéns, e um abraço,
Ana F.

Ana F. · Salvador, BA 8/11/2008 15:24
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Luciano Carôso
 

Cara Ana, à etnomusicologia, ou pelo menos, à minha abordagem etnomusicológica, interessam os processos criativos e de transmissão de musica. Então meu foco principal são os "vídeos-funks" aos quais me refiro no texto. Esta nova forma de fazer música ou vídeo-música é muito idiossincrática do Youtube. Claro que a etnomusicologia é uma disciplina conhecida pela transversalidade e a antropologia é uma das suas mais importantes tangências. Então o contexto desses "vídeos-funks" é fundamental para o meu trabalho.
Tem também o fato da disciplina atualmente tender pela responsabilidade social. Minha orientadora aqui na Universidade Nova de Lisboa, Salwa El-Shawan Castelo Branco, vive repetindo pra mim esse bordão.
Agora, mudando de assunto, me diga uma coisa: você está em Salvador? Ai, quanta saudade... Coma um acarajé em Cira por mim tá?

[]s,

LC

Luciano Carôso · Salvador, BA 8/11/2008 16:05
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Carlos ETC
 

Espetacular reflexão, meu caro!
Muito bom rever suas palavras por este Overmundo. Que a gente possa continuar sendo beneficiado com seus textos.
Bem vindo de volta!
Abração
Carlos ETC
http://interludios.blogspot.com

Carlos ETC · Salvador, BA 9/11/2008 01:04
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Marcela Ximenes
 

As pessoas que gostam de "fazer piada de mau gosto" com os outros apenas ganharam mais um espaço, a internet, para continuar sendo indelicadas e mal educadas.

Marcela Ximenes · Porto Velho, RO 10/11/2008 16:55
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Luciano Carôso
 

Pois é Marcela, como Helena já afirmou acima, a Web pontencializa este comportamento. E esta é uma questão com a qual se tem de lidar. Estes meios atuais de interação vieram transformar muitos dos nossos paradigmas. A mudança que trazem é irreversível. Acho que todos aqui concordam que a Web não é responsável direta pelo que aponto no artigo. Eu me dei ao trabalho de ler os 772 comentários (hoje, 10/11/2008) da versão mais acessada do vídeo de Lídio. A maioria absoluta vai na linha da piada, da zombaria. Eu, que uso Internet desde 1995 e já naquela época me sentia fascinado pela infinita gama de novas possibilidades que ela trouxe, fico me perguntando hoje porque tanta gente prefere usá-la como uma ferramenta banal, numa simples transposição de comportamento.

Há duas visões interessantes e antagônicas da Web 2.0. Chris Anderson, mesmo focando seu discurso em aspectos econômicos, analisa em seu The Long Tail muito da mudança e novas possibilidades de comportamento que este contexto traz, apontando pra todo um potencial positivo. Já Andrew Keen em seu The Cult of the Amateur vislumbra o fim do manstream media e diz que a Web 2.0 não passa de um amontoado de conteúdos irrelevantes produzidos por "macacos". Eu penso que não se trata de saber que tem ou não razão. Mas o simples fato do debate existir entre duas linhas de pensamento tão díspares já sugere que a questão é bem complexa e necessita de muita discussão.
A Web pontencializa tanto o "bem" quanto o "mal". Todo mundo precisa acordar pra isso.

Carlinhos, parceiro e conterrâneo querido, obrigado pela visita!

[]s em todos,

LC

Luciano Carôso · Salvador, BA 10/11/2008 18:37
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Luciano Carôso
 

Erratas:
"...numa simples transposição de ambiente do mesmo comportamento".

"...não se trata de saber quem tem ou não razão".

:-)

Luciano Carôso · Salvador, BA 10/11/2008 18:50
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Marcelo Cabral
 

Ótima discussão você propõe Luciano!

Helena, preciso discordar de você neste ponto, acredito que nós brasileiros somos mais suscetíveis a estas bobagens que muitos outros povos (talvez perdemos pros americanos, no máximo). Somos o país das Eloás e Isabelas, com quilométricas coberturas hora-a-hora de fatos totalmente particulares, longe de representar qualquer utilidade pública, puro sensacionalismo barato que não se assume como divertimento por hipocrisia. Lembro que, no mesmo período de Eloá na TV, as policias civil e militar de Sampa estavam em guerra no meio da rua. Algum grande meio de comunicação iniciou algum tipo de discussão sobre isso com a sociedade? Nenhum.

Retornando a web, também não creio que seja a vilã da história, apenas uma ferramenta, mas, parafraseando algum super-herói bocó dos quadrinhos "se isso cair em mãos erradas..."

Bom...e tem esse lance do se mostrar na internet também né? Normal, ta na moda, e é interessante mesmo o que a gente encontra de realidade no “mundo virtual” (e vice-versa).

Abraços e beijos!

Marcelo Cabral · Maceió, AL 11/11/2008 11:13
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Sérgio Franck
 

Pois é, Luciano. Os fantasmas se escondem por detrás da sombra funesta da ignorância. Boa parte da mídia se alimenta às margens dessa própria sombra. As zombarias de puro preconceito, o que realmente importa fica de lado, lado de fora. Certas canções sertanejas por exemplo. Elas fazem propaganda de cachaça, nada contra a cachaça. O problema é a droga branquinha e batizada a que vendem nos botequins da periferia, álcool puro. O veneno cristalino destrói famílias inteiras e onde está a ANVISA?
Pode parecer que não tem nada a ver com o seu alerta, mas tudo está interligado. A ignorância, o fútil, a depreciação do semelhante, a embriaguez de tudo que faz o homem beijar a lama.

Abço.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 11/11/2008 11:41
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Spírito Santo
 

Luciano,

Grande sacada, embora eu tenda a concordar com a Helena e outros qaundo dizem que, na verdade a gente percebe que isto ocorre com qualquer mídia de massa e sempre acontecerá, mas, convenhamos, o tipo de cultura de massa que nós brasileiros produzimos é sempre um pouco de mais da conta. O banal e o escatológico sempre bombam mais por aqui.

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 11/11/2008 11:46
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Yusseff Abrahim
 

Acredito que qualquer meio de comunicação vai reproduzir esse condicionamento ao lazer travestido de "preferência" pelo escatológico.

Os usuários de MSN, Orkut ou qualquer outra ferramenta da web quase sempre vão rir diante de atrocidades.... até que a ficha caia, ou, simplesmente depois disso vão tentar ignorar o que viram e clicar em algo mais engraçadinho, pois essa é a busca ainda da maioria. Uma pena.

Bela reflexão, Luciano! Sobre essa parte da música, recentemente resolvi fazer um funk para ajudar a denunciar uma situação ocorrida durante a campanha eleitoral, em setembro, quando trabalhei no interior do Maranhão. O que não deixa de ser uma contradição, criticar o excesso de escracho, mas se utilizar dele como recurso de atração... fazer o quê?
Ainda não sei.

Mais o meu video-funk tá ae. Quer saber? Adorei fazer.

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 11/11/2008 15:53
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Marcos Paulo Carlito
 

Caro amigo,

Analisando a questão central (que ao meu ver está diretamente relacionada ao "nível de ser" do ser humano contemporâneo), pela ótica antropológica me resta uma pergunta ao fim de um imenso questionamento dialético: estamos no fim ou no meio do processo civilizatório no planeta terra?

Abraço Guaicuru!

Marcos Paulo Carlito · , MS 11/11/2008 16:38
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Andre  Intruso
 

De fato, não temos culpa pelo alheio. Sem contar que a falta de edeucação, que gera a banalização do pensamento um dia iria ficar evidente , tragicamente evidente.

Andre Intruso · Jaboatão dos Guararapes, PE 11/11/2008 18:26
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Luciano Carôso
 

Caros Marcelo, Sérgio, Spírito e Andre, lhes agradeço pela discussão. A Yousseff queria dizer, no tocante à questão dos vídeos-funks: acho uma "reação" muito positiva aos vídeos originais. Veja o caso do pessoal do Furagato 5000 e o "Ft Ja Rule, R. Kelly & Bill Goiaba - Wonderful": musical e esteticamente falando, é impressionante o saque que tiveram. O que Bill Goiaba canta casa perfeitamente (sem manipulação do pitch) com a música que soa no clip de Ja Rule (ver os originais: do Ja Rule o do Sem Meias Palavras). Isso sem falar no feeling de unir duas coisas aparentemente tão diferentes, contrastantes, mostrando um resultado tão bem resolvido. Mas vejam, por exemplo, um dos contrastes: apesar de realidades econômicas e sociais extremas, antagônicas, são todos negros os protagonistas. Não é intrigante?
O que você fez, mal comparando, foi algo nessa mesma linha: usar música e bom humor pra fazer algo que acabou também servindo para a discussão da questão social embutida no vídeo original, ampliando o seu significado. Já bullying, deseducação, preconceito via web são outra história.
Marcos, tentando responder à sua pergunta: sei lá... :-).

[]s,

LC

Luciano Carôso · Salvador, BA 11/11/2008 23:06
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Roberto Maxwell
 

Luciano, esse comportamento agressivo se repete em comentários de notícias em jornais, por exemplo. Acho que isso é um riquíssimo objeto de estudo. Fico chocado quando leio comentários racistas, homofóbicos e de outras naturezas em casos onde negros e/ou gays são protagonistas na imprensa. Isso sem contar com as opiniões "abalizadas" que muita gente posta em fóruns, sempre de forma grosseira. O Overmundo também tem muito disso. Há algum tempo atrás comecei a ser perseguido por um usuário que discordava dos meus pontos de vista. Ele não só me atacou nos comentários (veja bem, não foi a discordância dele, mas a forma grosseira de discordar) como começou a enviar mensagens para o meu perfil, sempre em tom irônico. Era muito chato e uma pessoa tem que ter sangue de barata para entender isso como parte da liberdade de expressão. Nem sempre tenho, claro. Eu bloqueio usuários que visitam meus perfis e colocam mensagens racistas e homofóbicas. E deleto, sim, as mensagens. Mas, não sei se isso deve ser feito na internet como um todo. É uma questão muito séria.

Roberto Maxwell · Japão , WW 12/11/2008 06:44
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Roberto Maxwell
 

Luciano, quero ler seu trabalho sobre os videos-funk.

Roberto Maxwell · Japão , WW 12/11/2008 06:47
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Sergio Rosa
 

Concordo com a Helena quando ela diz que esse não é um fenômeno brasileiro. Tenho certeza que isso acontece em praticamente qualquer outro país (ao menos do ocidente). Não acho que esse tipo de gozação seja limitado ou seja mais forte no Brasil e nos EUA. Se procurarmos exemplos em outros países, vamos achar muitos.

Concordo com todo mundo (não tem nem como discordar): qualquer preconceito deve ser cortado pela raiz. Na internet ou em qualquer outro lugar que seja. Mas eu não sei se consigo enxergar a mesma relação entre um vídeo como esse e a cobertura da mídia do caso Eloá ou mesmo casos mais sérios de preconceito ou racismo.

Ok, é meio problemático definir o que são casos "mais sérios". Afinal, coisas sérias podem começar com uma brincadeira simples como essa.

Acho curioso o que leva alguém a se expor dessa maneira. Afinal, o vídeo foi postado por ele mesmo, certo? Isso me faz pensar também sobre como há maneiras distintas e de como as "vítimas" podem reagir a essa difamação on-line. Me lembrou do texto do Daniel, de Brasília, sobre o Sr. Orgastic.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 12/11/2008 11:27
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Luciano Carôso
 

Caro Sérgio e demais overmanos, uma coisa que acho interessante nesses meios internéticos de exposição, pricipalmente no Youtube, é que a regras de popularidade parecem ser outras bem diferentes das, digamos, convencionais. Só como exemplo: dêem uma olhada no quinto vídeo mais visto de todos os tempos (quando o filtro do site está configurado para o conteúdo disponibilizado por brasileiros), neste momento com mais de 19 milhões de acesso. Tentando não fazer juízo de valor, é uma simples sucessão de fotos num vídeo feito da forma mais amadora possível. E o de Eminem, "Lose Yourself" (mais de 10 milhões de acesso)? A música é inquestionável mas o vídeo nem áudio tem. E o do Babenco (uma sequência de fotos e cartazes de filmes do dito cujo, também com mais de 10 milhões de acesso)? Tudo bem que alguém vai dizer que o quadro escolhido como imagem estática do vídeo (uma mulher nua) deve ter ajudado. Bom, se fosse assim, vídeos como esse aqui, já com uma certa longevidade, deveriam estar bombando muito mais.
É como Daniel falou: numa situação normal o Sr. Orgastic não teria a mínima graça. Mas no Youtube...

Caro Roberto: os "vídeo-funks" são um dos dois fazeres musicais que são focos centrais da análise da minha tese. Mas a coisa está meio que work in progress. Mais progress que work :-). Conto com você e os outros overmanos pra continuar dando esse retorno tão valioso, através dos comentários, nos meus próximos textos que pretendo postar sobre o tema por aqui.

Obrigado a todos,

LC

Luciano Carôso · Salvador, BA 12/11/2008 20:57
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Luciano Carôso
 

Errata: se fossem só dois, já seriam acessos, quanto mais que são milhões... :-)

Luciano Carôso · Salvador, BA 12/11/2008 21:15
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Sergio Rosa
 

Nossa, não é possível que esse seja o quinto vídeo mais assistido no Brasil. Esses números de exibições do You Tube às vezes não parecem nada reais. Acho que foi com um vídeo do CSS que recentemente aconteceu uma distorção enorme do número de visitas.

Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 12/11/2008 22:42
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Luciano Carôso
 

Caro Sérgio, na realidade não é o quinto vídeo mais assistido no Brasil mas o quinto vídeo mais assistido, disponibilizado por usuários que colocam no campo "país" a opção "Brasil", o que é bem diferente. E era o quarto até uns dois dias atrás. Infelizmente o Youtube não disponibiliza pra todos (que eu saiba) as estatísticas de acesso por país (ah, como eu gostaria!). Cada usuário tem essa informação para seus próprios vídeos.
Quanto ao caso do Cansei de Ser Sex, há um artigo bem interessante, você conhece?
Quanto às distorções existentes nos números de visitas dos vídeos do Youtube, efetivamente existem. O uso cada vez mais constante das técnicas de SEO está aí pra provar. Mas também isso faz parte dessas novas regras do jogo. E o Youtube está atento a isso também. Tanto que o vídeo do CSS foi retirado do raking dos mais assistidos e removido posteriormente.

Luciano Carôso · Salvador, BA 13/11/2008 09:14
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Sônia, celebridade via Youtube zoom
Sônia, celebridade via Youtube
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Jeremias - Preso embriagado, virou sucesso no Youtube
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