O CD agoniza, viva a música!

Fredd Guimarães/divulgação
Muro grafitado na Rua Scipião, em SP, divulgando a nova música de Seu Jorge.
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Alexandre Inagaki · São Paulo, SP
16/12/2006 · 422 · 27
 

Vivemos tempos nos quais álbuns de músicas já não precisam existir fisicamente. Por mais que a indústria fonográfica insista em ameaçar internautas com processos a quem baixa arquivos mp3 pela Internet, o fato é que a tendência é irreversível. Querer conter a troca de arquivos na rede é algo tão utópico quanto tentar curar um ferimento a bala com band-aid.

O começo do fim do mundo musical como o conhecíamos ocorre em 1987, quando um laboratório do Instituto Fraunhofer, da Alemanha, desenvolve um algoritmo para compressão de áudio, o Eureka 147. Prossegue com o surgimento de um grupo de pesquisadores sobre o assunto, o MPEG (Moving Picture Experts Group), e desemboca na criação do MPEG Audio Layer-3, terceira geração de arquivos capazes de comprimir áudios, codificando-os sem que houvesse expressiva perda de qualidade. A música utilizada nos testes que originaram os arquivos MPEG-3 é Tom’s Diner, de Suzanne Vega. Em 1995, os pesquisadores do Instituto Fraunhofer definem o nome pelos quais estes arquivos passam a ser conhecidos em definitivo: MP3. Em 1999, um jovem de apenas 19 anos chamado Shawn Fanning cria um programa que facilita imensamente o compartilhamento de músicas entre internautas do mundo inteiro, o Napster. Desde então, a indústria musical nunca mais seria a mesma.

É bóbvio que gravadoras e muitos músicos não ficaram satisfeitos em ver suas obras serem distribuídas gratuitamente a torto e a direito. Por outro lado, o acesso rápido e descomplicado a canções de todos os cantos do mundo facilitou a divulgação de bandas de garagem, que já não dependem mais da intermediação de empresários, gravadoras ou jabás para fazer com que seu som seja conhecido. Que o digam grupos como Arctic Monkeys e Clap Your Hands Say Yeah, que chegaram ao topo das paradas graças ao boca-a-boca fomentado por pessoas que os conheceram por intermédio de MP3, blogs e listas de discussão. MySpace e YouTube são outros veículos preciosos de divulgação para músicos novos, como provam os exemplos de Lily Allen (considerada a "musa do MySpace") e Ok Go (notabilizados pelo clipe de Here It Goes Again, cuja coreografia dos integrantes da banda fazendo estripolias em esteiras rolantes já foi visualizada quase 9 milhões de vezes no YouTube). No Brasil, podem ser citados casos como o do grupo gaúcho Fresno, que contabilizou mais de 250 mil downloads de suas músicas no site Trama Virtual e foi parar no Top 20 da MTV. De Ewerton Assunção, compositor paranaense que hoje faz shows por todo o Brasil desde que sua canção Vou Te Excluir do Meu Orkut criou o gênero "sertanerd". Ou do Mombojó, grupo recifense que disponibilizou em seu site todas as faixas do seu disco de estréia, "Nadadenovo", para download gratuito sob a licença Creative Commons, e hoje é considerada por crítica e público uma das melhores bandas brasileiras da atualidade.

Em tempos nos quais encontramos tudo quanto é tipo de música ao alcance de alguns cliques na rede, cantores e compositores não podem mais depender da venda de álbuns para garantir o pagamento dos quartos de hotel que ainda hão de quebrar. Ok, a principal fonte de renda das bandas sempre se originou de shows, e isso certamente não mudará nestes tempos em que músicas circulam livremente por computadores, iPods, celulares, Soulseeks e Pandoras da vida. É digno de atenção, pois, encontrar iniciativas como a da cachaça Sagatiba, que encomendou a um dos mais conhecidos músicos brasileiros no exterior, Seu Jorge, uma composição para divulgar sua marca: Eterna Busca. É algo no mínimo curioso: a música, que fará parte de seu próximo álbum, "Nova América" (com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2007), já está tocando nas rádios. No entanto, a letra não omite seu aspecto promocional. A palavra "Sagatiba" é repetida várias vezes, como se fosse um mantra ou uma mensagem nada subliminar. Em uma iniciativa rara no Brasil, Eterna Busca ainda não está disponível para compra no formato CD ou single, mas já pode ser downloadeada legalmente e gratuitamente no site da marca. Diferente de casos como o de Tim Maia tentando persuadir seus ouvintes a lerem o livro "Universo em Desencanto", ou dos Mutantes fazendo comerciais para a Shell, estamos diante de um interessante caso no qual rádios veiculam um jingle disfarçado sob a forma de hit, um exemplo sui generis de tempos em que a expressão "marketing viral" é citada com freqüência cada vez maior.

É lógico que nem todos os artistas terão esta espécie de mecenato neoliberal como meio para garantirem sua subsistência. Cresce, pois, a importância da aproximação maior entre artistas e público. Agora você pode ser amigo de seu roqueiro predileto no MySpace ou Orkut, comentar os posts do blog de uma banda, conferir o que seus ídolos ouvem por intermédio do Last.fm ou Pandora. É como cantou Bob em 1964: The Times, They Are A-Changin’. Sobre estes instigantes tempos pós-modernos nos quais a única constante é a mudança, vale a pena citar uma declaração feita por Dylan em recente entrevista à revista Rolling Stone, quando questionado a respeito do fato de as pessoas estarem baixando suas músicas de graça na Internet: "Bem, por que não? Elas não valem nada mesmo". Independente de concordarmos ou não com sua declaração, uma questão fica no ar: a indústria musical saberá se adaptar a este admirável mundo novo? Outra, certamente mais relevante: músicos realmente dependem dessa indústria para sobreviver?

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G. Tomé
 

Bela análise, Inagaki. Interessante notar que não só o CD agoniza, mas o conceito de álbum também dá seus últimos suspiros. E não tenho dúvidas de que os artistas independem da indústria. Agora é a vez das distribuidoras. Aliás, distribuidores, como eu, você e qualquer um com banda larga.
O site www.goear.com , uma espécie de youtube dos áudios que promete sacudir ainda mais esse balaio, nos deixa um post-it sintomático em sua home; "The transformation has started".

G. Tomé · São Paulo, SP 14/12/2006 18:22
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marieporto
 

Eu sempre fui a favor de comprar álbuns originais. Sempre tão cheios de cuidados, cheios de preocupação por parte do músico e de toda a equipe. Só que o preço aumentou e o cuidado para com os álbuns também. Eles pararam de nos deixar mais próximos dos artistas e nos deixaram mais perto da sensação de roubo por parte das gravadoras. Não lembro qual foi o último álbum que comprei! Entretanto, não podemos esquecer de todos os artistas que antes não tinham possibilidade nenhuma de ter um espaço na indústria fonográfica e hoje nos transmitem facilmente seu trabalho. Ainda não sei o que pensar à respeito, para ser bem sincera... (mas meu bolso agradece) :*

marieporto · Curitiba, PR 16/12/2006 00:28
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Fábio Costello
 

o interessante é que existem os casos na mão inversa: Jingles que viram músicas comerciais. A música daquele anúncio simpático do Mercado Livre ("Eu vim entregar o pedido") causou furor no Google, com muita gente boa botando pedaços da letra para ver se descobria o que era. Só fiquei sabendo disso porque fiz o mesmo, e achei blogs falando da música com um número impressionante de comentários de gente querendo a origem, a ltera completa, o download.

A música é um jingle criado por uma agência gringa especialmente para a propaganda, só existem 45 segundos dela, e pode-se encontrá-la no eMule. É só procurar por "bandabeso" (pois é) ou "mercadolibre". A banda que a gravou poderia facilmente fazer carreira por aí, pelo menos nos países da américa latina onde o anúncio roda.

Fábio Costello · Rio de Janeiro, RJ 16/12/2006 17:05
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Debora Prado
 

lendo sobre essas revoluções cotidianas culturais e cibernéticas, me lembrei do manoel de barros:

"Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim."

no tempo do onça a gente comprava cd rsrsrs

Debora Prado · Belo Horizonte, MG 18/12/2006 10:29
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Renourusso
 

Impossével discordar que foi a própria indústria fonográfica que selou seu destino, impondo um modelo de relacionamento, tanto com artistas como com varejistas, que foi crucial para o surgimento de alternativas para a ditadura das gravadoras.
Quanto à indagação de se os músicos dependem das gravadoras, exemplos contrários não faltam, felizmente.

Renourusso · São Paulo, SP 18/12/2006 10:34
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DiogoFC
 

Todo dia que eu entro no Overmundo encontro um texto igual a este. Teve o mérito de contar um pouco a história do MP3, mas acho que a única solução pra esse assunto da música nos dias de hoje é mesmo não fazer nenhuma análise. Todo dia tem uma mudança nova, não dá tempo nem de ruminar a anterior. Em todo caso, parabéns pelo texto!

DiogoFC · Criciúma, SC 18/12/2006 12:22
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Moziel T.Monk
 

Não deixa de ser um reflexo de como as gravadoras muitas vezes tratam a música, como algo descartável e de rápido consumo. Posto assim, ninguém vai querer pagar 30 reais por um CD "perecível". Por mais que eles combatam, precisarão se adaptar a essa nova realidade. Mas devo admitir que sinto falta de ler o encarte do CD, principalmente aqueles bem "recheados" com letras, fotos e informações diversas...

Moziel T.Monk · João Pessoa, PB 18/12/2006 12:27
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ronaldo lemos
 

Oi Inagaki, excelente ler sua colaboração para o Overmundo. O que é preciso fazer nesse momento é experimentar com novos modelos de negócio. Nesse sentido, já tem bandas lançando álbums utilizando um pen-drive carregado de arquivos MP3 (e vasta informação eletrônica sobre a banda, com fotos, textos etc). O exemplo do momento é o Barenaked Ladies do Canadá. E o melhor é que ainda dá para usar o pen-drive para outras coisas...

ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 18/12/2006 13:44
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Alê Barreto
 

É importante que todo mundo comece a refletir que está mudando esta história de que a principal fonte de renda das bandas são os shows. Este é um assunto que ninguém fala, mas muitos músicos já são detentores de seus direitos e em muitos períodos do ano, em que não ocorrem shows, existe a renda do recolhimento de direitos autorais. Acho que a renda dos criadores culturais pode vir através de diferentes modelos de negócios, inclusive uma parte de direitos autorais. Tudo de forma equilibrada e sem precisar criar cartel ou monopólio para que as coisas funcionem.

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 18/12/2006 16:30
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Alexandre Inagaki
 

Galera, valeu pelos ótimos comentários. E, Ronaldo, eu desconhecia essa iniciativa dos Barenaked Ladies, ótima sacada dos caras! Aproveito para deixar o link de um texto sensacional sobre o tema: "Ok Computer - O dia em que a música saiu do disco", matéria de capa da revista Bizz de novembro escrita pela dupla Alexandre Matias e Marcelo Ferla.

Alexandre Inagaki · São Paulo, SP 19/12/2006 06:57
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Julio Cesar Corrêa
 

Inagaki, aonde vai dar toda essa revolução eu não consigo imaginar, pois ainda não se descobriu um meio justo de distribuição autoral em face dessas novas meios que permitem ao usuário baixar músicas na internet. Mas que é uma revolução, não temos dúvidas. E que ela é irreversível. Ninguém duvida.
Foi um prazer encontrá-lo aqui tb
grande abraço

Julio Cesar Corrêa · Rio de Janeiro, RJ 19/12/2006 16:04
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Atair
 

Não sabemos aonde vai parar todo esse ba-fa-fá gerado pela mudança de sistema, mudança para a web, mudança de disgestão de gostos e formatos. Sabemos que o artista é mais que livre para se expressar, para vender suas idéias e ideiais sonoros.

Belo texto, sensível e com visão.

Abs.

Joachim

Atair · São Paulo, SP 19/12/2006 18:08
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Tranquera
 

Muito bom o texto!

Tranquera · São Paulo, SP 19/12/2006 22:04
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Letícia Lins
 

Muito bom o texto e MUITO bom o muro!

Letícia Lins · São Bernardo do Campo, SP 20/12/2006 08:14
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Patrico
 

Acho que deixamos as gravadoras de lado mesmo. Com a facilidade que os artisitas têm hoje para produzir os seus própios albuns e iniciar uma distribuição online, as gravadoras deveriam se reformular no que diz respeito à venda de cds.
Definitivamente o cd já deveria estar preparando o seu funeral. Nele vão estar presentes Mp3 e Midia players, celulares e notebooks.
A mobilidade e a capacidade de armazenamento estão comecando a tornar limitadas a força dos pobres CDs. Além disso, com a morte do CD, limpei uns 2 m2 de espaço em casa. Tudo pq tenho uma caixinha pequena que armazena 80gb e posso levar pra cima e pra baixo;

Patrico · São Paulo, SP 20/12/2006 09:43
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Ju Polimeno
 

Vou dar minha opinião sincera. Primeiro, não acredito que o MP3 seja a "salvação da lavoura", ele ganha pontos quando o assunto é facilidade de distribuição, mas perde outros tantos se atentarmos para a qualidade do áudio. Não acredito na idéia de extinção do suporte físico de música (no máximo na substituição do CD pelo DVD áudio ou algo equi valente), mas sim na confluência e convivência de suportes. Além do mais, adoro comprar um CD, colocar o fone de ouvido, deitar no chão e entrar na viagem musical que inclui ler todo o encarte, apreciar o projeto gráfico, etc. O problema básico do CD é o preço, ainda mais quando é possível calcular a exorbitante margem de lucro das gravadoras. Outro assunto importante e imprescindível é a questão dos direitos autorais. Muitos compositores vivem desse dinheiro e, consequentemente, perdem muito com a "gratuidade" via P2P. O problema é a baixa taxa de royalites pagos pelas gravadoras (cerca de 8 a 12%, distribuidos entre compositores, intérpretes, músicos, técnicos, etc) e a imensa restrição de uso, modalidades da atual lei de direitos autorais no Brasil e no mundo. Bom, há que se pensar e, acima de tudo, propor soluções.

Ju Polimeno · São Paulo, SP 20/12/2006 11:16
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Amauri Garcia
 

Muito bom o artigo. E a(s) grande(s) culpada(s) desta história toda são as gravadoras, que nunca aceitaram ceder em nada de seus lucros. Batem em cima de balela de direitos autorais, e o músico, cantor ou compositor pouco é levado a sério. Por exemplo: qual seria o preço justo para um CD? Pois eu fui comprar um, do Lenine, que não era nem lançamento, e a loja me cobrou 45 reais, ou seja, quase 13% do salário mínimo. Isto é elitizar a cultura por completo. Pergunte ao músico se ele concorda com isto. Até o Jô Soares em seu programa já abordou o assunto com a cantora Elba Ramalho. Elas, as gravadoras, são as maiores incentivadoras do desenvolvimento de programas de compartilhamento de arquivos, que crescem em número de adeptos em proporções geométricas. Ou será que milhões de internautas estão errados ao mesmo tempo? Mudem seus conceitos, gravadoras, ou serão engolidas pela própria gana. A pirataria não existe por acaso. Ela existe porque tem muitos clientes que não podem comprar os produtos que vcs escravizaram. E essas pessoas também têm direito à cultura como qualquer cidadão neste país.

Amauri Garcia · Goiânia, GO 20/12/2006 16:27
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CB
 

Fico na mesma praia do Ju Polimeno, mas não sem me sentir cada vez mais pré-histórico cada vez que pego um CD pra ouvir lendo o encarte que, na maioria das vezes, não me emociona tanto como as capas e encartes dos velhos vinis. Também, mais do que o som do MP3 e similares não ser tão bom quanto o CD (que também não acho o máximo), o que me chateia são as variações de volume quando escuto arquivos baixados pelos e-mule, kazaa+, etc., que são de diferentes fontes. Bom, mas como se diz aqui no sul: cavalo dado não se olha os dentes... O que me indaga particularmente é se os músicos vão conseguir produzir grandes gravações tendo que viver na estrada. Acho que quase todo mundo aqui sabe porque os Beatles (por ex.) abandonaram os palcos para sempre em 1966. Talvez a gente ainda vá comprar música pra ouvir. Quem sabe escolhendo faixas preferidas como no i-store, sei lá...

CB · Porto Alegre, RS 20/12/2006 18:19
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Bleffe
 

Acho que o mp3 pode sim ajudar ..tenho uma banda e, muito do que conseguims em termos de contato se deve ao envio de mp3, além de fãs, claro. Acho que o mp3 pode servir como ferramenta de aproximação. Nos shows, o artista leva os Cds, prensados por conta própria, e vende. E, com certeza, vai ganhar mais com a venda dos mesmos do que ganharia sendo contratado de gravadora.
Não sou contra as gravadoras. Acho que, apesar de elas terem culpa no que diz respeito ao "abandono" dos CDs (cobrando muito caro), elas ainda contribuem, colocando o artista de maneira mais rápida na mídia em geral. Mas acho que deveria ocorrer uma grande convergência dos dois lados, e NO WAR!!!

Bleffe · Rio de Janeiro, RJ 20/12/2006 19:51
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CB
 

Mas será que o público vai querer comprar o Cd independente de um artista ou banda depois de ter baixado o som de graça?

CB · Porto Alegre, RS 20/12/2006 19:58
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Enloucrescendo
 

Alexandre, para mim o formato CD está morto desde 2000, quando parei de comprar essa midia em definitivo e adotei MP3 que me possibilitou ter acesso aos discos que eu sempre sonhei, e que por motivos diversos eram impossíveis. Acredito que esta nossa nova realidade permita um número maiores de apresentações ao vivo das bandas, ou pelo menos novas formas de divulgaçao.

Engraçado que há alguns meses recebi pelo correio alguns CDs de uma amiga e a primeira coisa que eu pensei quando os tive em mãos foi "o que eu vou fazer com isso?"

Enloucrescendo · São Paulo, SP 21/12/2006 06:57
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Alexandre Inagaki
 

O caso é que a tecnologia não pára de avançar. Sobre o lance da qualidade de áudio apontado pela Ju, por exemplo: novos formatos como o MP4 proporcionam qualidade praticamente similar à oferecida pelos CDs. Ok, eu gosto de apreciar encartes, mas desde que os vinis foram substituídos pelos CDs, já não é a mesma coisa. E novos formatos, como o exemplo apontado pelo Ronaldo Lemos (venda de músicas em pen drives), permitem o uso de recursos multimídia, disponibilização de fotos, vídeos, letras, partituras e o que mais a imaginação e a tecnologia permitirem. Talvez a tendência seja fazer como nos EUA, onde edições luxuosas de CDs fetichizam o objeto (tenho, por exemplo, um CD triplo de "Grace" do Jeff Buckley magistral, com bootlegs, takes alternativos e um encarte repleto de informações sobre as gravações). Só assim pra justificar os preços extorsivos cobrados pelas gravadoras...

Alexandre Inagaki · São Paulo, SP 21/12/2006 09:47
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CB
 

Já que foi citado nesse ótimo e importantíssimo texto o clássico do Bob Dylan (the times...) o que cês acham da recente declaração do cara acerca dos downloads gratuitos de suas (antológicas) canções: "tudo bem, elas não valem nada mesmo". Sempre enigmático o velho Bob, né? Por isso fiquei com uns ???? na cabeça me fazendo pensar. Na verdade foi sempre isso o que Ele quis compondo canções, afinal, segundo Ele Próprio: "...inspirar as pessoas, o que mais se pode fazer por elas? " É interessante notar que estamos entre dois extremos: num lado o alto custo dos velhos CDs e, no outro, a absoluta gratuidade das cyber trocas. Se alguém aqui é também músico e já produziu mesmo um único " tape" de alguma composição sabe como dá trabalho criar aquela embalagem sônica da canção, e que pode conquistar corações e mentes por aí. Se conquistou, a banda vai pra estrada e aproveita os holofotes do momento. Mas acho difícil dar continuidade a um trabalho, num sentido que a coisa vá crescendo em tamanho e qualidade e você apenas ouvinte possa escutar verdadeiras obras, tudo gratuitamente. Como quase ninguém aguenta ouvir só os velhos clássicos (graças a Deus), o que poderá restar de novo pra se ouvir gratuitamente serão centenas de canções perdidas e fugazes, porém (apenas) bacanas, feitas por cada vez mais fugazes nomes; canções que "pegam" na rede e acabam no rádio, exatamente como as gravadoras já fazem há tempos com artistas de obras "descartáveis". Existe um antigo ditado que diz: o que é dado não é (geralmente) valorizado". Mas, quem se importaria com isso hoje em dia? Acho que o Alexandre têm razão e a guerra com as gravadoras vai continuar, na medida que elas dominam a tecnologia quando ela ainda é de ponta. Os novos e poderosos formatos de mídia digital prometem mandar os CDs e DVDs pro museu, pra se juntar ao vinil, K7, VHS, etc. Mas se o custo continuar alto, por mim que a guerra continue. PS.: Desculpas A Ju Polimeno pelo equívoco de gênero feito anteriormente. Prestei mais atenção no sobrenome que no apelido. Pardón mademoiselle!

CB · Porto Alegre, RS 22/12/2006 20:07
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Mc Haggar
 

Estamos vivendo um processo de terceira onda, e uma das características desse movimento é o compartilhamento de informações, não há mais como querer aprisionar as músicas dentro dos cd's isso é inevitável, é como tapar sol com a peneira, e muitas bandas que antes não tinha espaço nas rádios e outros veículos de comunicação estão conseguindo público através do boca a boca e da internet, e isso tem deixado aflorar muitas bandas boas que antes estavam no anonimato.

Mc Haggar · Salvador, BA 22/4/2008 10:02
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Thiago Nogueira Martins
 

Caro Alexandre, concordo quando comenta sobre a possibilidade que as bandas encontram na internet de divulgarem seu trabalho. No entanto, a grande maioria das bandas não têm tanta sorte em simplesmente disponibilizar um vídeo no youtube e rezar para que obtenha um milhão de acessos. Os próprios exemplos que você citou, como Fresno e Artic Monkeys, se valeram muito mais de um simples boca-a-boca. Por trás da romanticidade revelada existem fortes e caros esquemas de divulgação, ainda somados a um bom acúmulo de capital social. Da mesma forma que as novas tecnologias permitem produção a baixos custos e maior divulgação, é cada vez maior a quantidade de grupos emergindo. E grande parte ainda muito aquém do que até pouco tempo atrás era esperado ou considerado como "música de qualidade" - atenção, não faço aqui diferenciação entre gêneros melhores ou piores, e sim entre grupos e gravações que, mesmo na mídia, deixam muito a desejar.

Concordo em muito com tudo o que você disse, mas é preciso menos romantismo e oba-oba quando o assunto é relacionado às mudanças na produção, distribuição e consumo musical.

Grande abraço

Thiago Nogueira Martins · Salvador, BA 1/7/2008 00:55
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Djalma Nery
 

Reflexão mais do que válida. parabéns

Djalma Nery · São Carlos, SP 27/11/2008 13:44
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DJ Zonattão
 

Deu no meio Tiago!!! Ouvi falar sobre as gravadoras ganharem um % sobre os shows dos artistas do seu Casting. Que apelação!!!

DJ Zonattão · Bento Gonçalves, RS 6/1/2010 15:19
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