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Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... leia

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O dia em que eu morri e voltei dos mortos
Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte (MG) · 10/8/2007 21:10 · 197 votos · 20 comentários ·  
 
1
overponto
Fabiano Aguiar
O começo da Zombie Walk BH foi na Praça 7
Imagens
Meu sangue falso não ficou excelente, mas eu gostei da minha mordida.
Quando eu falei "massa sangrenta" não estava brincando.
Sangue + maquiagem + performance, assim se faz um zumbi
Mortos-vivos procurando alimento no ônibus
Contágio: minha primeira vítima foi à busca por carne fresca comigo.
Barrados no shopping: zumbis tentam, mas a entrada está fechada.
Eram 16h30 quando passamos pela Praça 7 e tomamos um susto tão grande com a massa sangrenta que ocupava todo um quarteirão desse marco da cidade que até cometemos um delito no trânsito. Era a concentração da primeira edição da Zombie Walk em BH, que já começava muito melhor do que eu poderia imaginar: mais de 400 pessoas tinham se reunido para o encontro mais morto-vivo que Belo Horizonte já viu.

Depois do primeiro choque com o pessoal (e do segundo com a conversão proibida que fizemos), ainda tivemos que deixar o carro na Savassi e voltar de ônibus até o Centro para nos juntar ao movimento. Experiência muito engraçada andar vestida de trapos e completamente manchada de “sangue”. Como éramos apenas três meninas ensangüentadas nesse momento, causamos várias reações: teve quem nos olhou com nojo, quem riu, quem tentou achar normal (como se fosse uma modinha adolescente) e quem olhou com a maior reprovação possível.

Mas sobrevivemos tanto aos olhares quanto à ansiedade, alcançamos a horda de zumbis ainda na Av. Afonso Pena e andamos contra o fluxo por um bom tempo. Passaram por nós todos os tipos de mortos-vivos imagináveis ou não; tinha até um elfo perdido por ali. Foi muita diversão.

Vou dar destaque para um zumbi todo de branco que andava bem na comissão de frente e, além de manter o personagem do princípio ao fim, tomava tombos maravilhosos; o time de futebol zumbi estava impagável, principalmente um jogador que perdia o olho toda hora; a freira e a marinheira também estavam bacanas.

Mas, sinceramente, quem trouxe mais diversão para mim foi o zumbi que levou a perna. Eu tinha demorado um pouco para entrar no clima e incorporar um personagem, já tinha "atacado" alguns ônibus e colocado em prática o andar de zumbi, mas só me senti uma morta-viva real quando entrei em uma disputa pela perna.

Meu objetivo pessoal na Zombie Walk era ver recriada uma cena do Madrugada dos Mortos em que os zumbis rodeiam o shopping onde a "carne fresca" se encontrava. E foi bem o que aconteceu, apesar da tentativa de alguns para entrar lá.

Todo a caminhada correu muito tranqüilamente, apesar de andar rápido demais (zumbis, como se sabe, mais tradicionalmente caminham MUITO lentamente). Os únicos pontos negativos foram algumas crianças que choraram de terror ao ver tanto sangue (mas também tiveram os pequenos que gostavam da visão incomuns) e uma pequena encrenca com os seguranças do Pátio Savassi, tudo contornado com muito bom humor.

Colaboração
Ao contrário da maioria das pessoas que eu conheço, eu não tenho o que reclamar do Orkut (pelo contrário, tenho grandes motivos para gostar dele), mas a Zombie Walk vai ganhar um grande destaque na minha vida virtual.

Quando eu entrei na comunidade, nem 100 pessoas participavam e a preocupação maior era divulgá-la o máximo. Daí para frente, foi como em um jogo: os desafios iam aumentando. Definir o trajeto, marcar a data, divulgar o evento, tudo combinado na democracia virtual, definido em grupo.

Fiquei muitíssimo impressionada com o comparecimento, a dedicação na caracterização e a colaboração de todas as pessoas em não causar problemas. E eram apenas essas três coisas o necessário para dar certo.

Infelizmente, a mesma empolgação não atingiu a imprensa mineira. Após meus grandes esforços em enviar releases para "deus e todo mundo" e em ligar para todos eles convidando para registrar a caminhada mais (ergh) oficialmente, recebi variações da mesma resposta "se der mais de 200 pessoas, chama que a gente aparece". Bem, cumprimos a meta dos 400, mas com exceção desse site (que publicou meu release na íntegra) e de uma notinha n'O Globo Online, não houve mais resposta.

Zombie Walk
A Zombie Walk é um evento independente que aconteceu originalmente em Toronto, Canadá, em 2003, e reuniu apenas seis pessoas. Desde então, a força da internet na divulgação e na organização de outras caminhadas proporcionaram Zombie Walks em todo o mundo.

São Paulo já organiza a sua versão desde 2005, sempre no dia 2 de novembro, Dia de Finados; Belém organizou sua primeira marcha em outubro de 2006; a primeira Zombie Walk de Porto Alegre, realizada em 9 de dezembro de 2006, reuniu mais de 400 participantes fantasiados, a maior marca do evento registrada na América Latina, igualada por Belo Horizonte.

O maior evento zumbi do mundo aconteceu em Pittsburg, nos Estados Unidos, e reuniu 894 participantes, em 29 de outubro de 2006, e foi até para o Guinness.

Mortos-vivos
Zumbi é o corpo de um ser humano falecido que, por algum motivo, volta a se movimentar.

Os mortos-vivos (do inglês living-dead ou, simplesmente, undead) são criaturas do terror imortalizadas pelo diretor George A. Romero em sua trilogia de filmes sobre o tema (“A noite dos mortos-vivos” de 1968, “O despertar dos mortos” de 1978 e “O dia dos mortos” de 1985).

Romero definiu os padrões que acabaram influenciando um monte de filmes, livros, quadrinhos e vídeos-game sobre zumbis nas últimas décadas: a fome por carne humana, o andar lento (causado pelo rigor mortis) e a cabeça sendo o calcanhar de Aquiles dos mortos-vivos.

Mas há ainda muitos outros mortos-vivos, se você ainda não os conhece é porque não morreu o suficiente.

Links relacionados
  • Site internacional da Zombie Walk
  • Site oficial da Zombie Walk Brasil
  • Zombie Walk BH (comunidade do Orkut)
  • Mais fotos da Zombie Walk BH por Fabiano Aguiar
  • Mais fotos da Zombie Walk BH por Vinícius "Figura Blu"
  • Galeria de fotos da Zombie Walk BH no Anime Cover
  • Vídeos, vídeos e mais vídeos
  • Como fazer os haitianos faziam zumbis REAIS (em inglês)
  • Prepare-se com o ESSENCIAL manual de sobrevivência (em inglês)

    tags: Belo Horizonte MG cultura-e-sociedade horror zumbi morto-vivo mortos-vivos zombie-walk sangue romero camila-cortielha flash-mob passeio caminhada praca-7 savassi praca-da-savassi praca-da-liberdade orkut flashmob humor terror medo fome


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    canto_esquerdo comentários rss postar novo comentário canto_direito
     
    Gostei do texto... eu já tinha ouvido falar de algo parecido, só não lembro aonde. Mas como podemos encarar essa iniciativa, pergunto... existe aí alguma crítica velada, ou o lance é mais pela experiência estética e zombeteira, pergunto de novo.

    Obs: Os "pergunto" foi só pelo fato do meu PC está sem a tecla de INTERROGAÇÃO.

    Abraço.
    FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 8/8/2007 17:08 
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    Filipe, essa é uma parte interessante: durante todo o trajeto, muitos curiosos perguntavam o mesmo "Mas que protesto é esse?".

    A bem da verdade, não é um protesto. Pode-se falar que é uma experiência estética e divertida, apenas. Pode-se falar que é uma homenagem ao gênero de terror. Eu digo que é uma prévia do que acontecerá quando não houver mais espaço no inferno. ;)

    Porém, houveram encontros zumbis com propósito mas eeerrr profundo. O maior deles citado acima foi um ato beneficente que arrecadou alimento, por exemplo. Teve outro em Montreal, no Dia sem Compras, em que o objetivo dos zumbis era atrapalhar o comércio. E o mais comum (quando se procura um "sentido") é que os mortos-vivos se unam para recolher sangue para o banco mais próximo.

    Abraços,
    Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte (MG) · 9/8/2007 03:10 
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    Meu inglês não estava lá essa coisas, mas deu pra sacar...bem interessante. Valeu pelos links. Um abraço.
    FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 9/8/2007 08:34 
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    eu queria mesmo é q os zumbis tivessem invadido o palacio da liberdade.
    Jorge Rocha · Belo Horizonte (MG) · 9/8/2007 10:44 
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    Jorge, se rolou uma encrenquinha no Pátio Savassi, imagina o problema no coração do governo estadual! :p
    Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte (MG) · 9/8/2007 17:14 
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    gostei do seu texto camila. quando teremos essa parada novamente?
    Bernardo Carvalho · Rio de Janeiro (RJ) · 9/8/2007 21:46 
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    Mi, gostei do texto e posso dizer que vc estava uma morta-viva bem simpática! :-)
    Não conhecia esse movimento. Aqui no Rio não rola, que eu saiba. Infelizmente, são os outros mortos-vivos que ainda predominam... Quanto à divulgação, acho que seria menos difícil se estivesse atrelado a um protesto ou ação social, não só a diversão.
    Beijo.
    Tetê Oliveira · Nova Iguaçu (RJ) · 9/8/2007 23:29 
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    Sensacional, Mi. As fotos me fizera imaginar como seria um mundo onde Resident Evil fosse realidade :)
    Saulo Frauches · Rio de Janeiro (RJ) · 10/8/2007 13:40 
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    Bernardo, a idéia é tornar "a parada" anual, como nas outras cidades do Brasil. Ouvi dizer que vai ter uma no Rio, tem que procurar.

    Tetê, eu não consegui ficar muito assustadora, néam?! ;) Está rolando uma conversa de coletar sangue, vamos ver no que dá ano que vem.

    Saulo, é isso mesmo! Inclusive, é um dos jogos que eu SEMPRE jogo, exatamente porque além de divertir, prepara para a inevitável invasão zumbi.

    Abraços,
    Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte (MG) · 10/8/2007 14:47 
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    Oi Mi, apesar de ir todos os dias aí pra BH, bater no centro e ler um pouco de jornal, não cheguei a ouvir nada sobre esta passeata. Confesso que desconhecia tal movimento, mas, zapeando aqui na net, achei bem bacana esta questão estética.
    Deve ser uma experiência bem interessante.

    Parabéns pelo texto.
    abraços
    Lucas Pereira · Sabará (MG) · 10/8/2007 15:25 
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    Mi adorei o evento. Mande me notícias do próximo por emeio ou orkut. No orkut vc me encontra como walesson gomes.
    Quem sabe no próximo eu e minha esposa participaremos???
    Walesson Gomes · Belo Horizonte (MG) · 11/8/2007 09:33 
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    Pois é, Mi...
    Realmente foi muuuuuuito divertido!!!
    Aliás, foi igualmente divertido a experiência da nossa turminha aqui, pois creio que fomos talvez os únicos que saímos de casa já devidamente "produzidos", e descemos ao centro, de metrô...
    Sim, isso mesmo, M-E-T-R-Ô!!!
    uhuhuuuuuu!!!
    Doido-demais-da-conta!!!

    Eis uma montagem com fotinhas obtidas durante o translado, hehehe


    E para quem tem orkut, um tópico justamente sobre essa nossa aventura pelo metrô belorizontino.....


    [ ]s,
    Manu,
    The EverLiving...
    Manu *Mummy* · Belo Horizonte (MG) · 11/8/2007 15:17 
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    Pois é, Mi...
    Realmente foi muuuuuuito divertido!!!
    Aliás, foi igualmente divertido a experiência da nossa turminha aqui, pois creio que fomos talvez os únicos que saímos de casa já devidamente "produzidos", e descemos ao centro, de metrô...
    Sim, isso mesmo, M-E-T-R-Ô!!!
    uhuhuuuuuu!!!
    Doido-demais-da-conta!!!

    Eis uma montagem com fotinhas obtidas durante o translado, hehehe
    http://http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:ZWBHsubway.jpg

    E para quem tem orkut, um tópico justamente sobre essa nossa aventura pelo metrô belorizontino.....
    http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=23449758&tid=2548213859177953862

    [ ]s,
    Manu,
    The EverLiving...
    Manu *Mummy* · Belo Horizonte (MG) · 11/8/2007 15:18 
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    Gostei, uma diversão criativa, zombeteira. Todos participando e inventando, juntos. É assim mesmo que é gostoso brincar!
    baduh · Rio de Janeiro (RJ) · 11/8/2007 23:49 
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    Muito Bacana, Mi! Pena que a imprensa não deu apoio. Moro em BH e não fiquei sabendo disso! É possível? acho que sim!
    Um abraço!
    Rafael Campos · Belo Horizonte (MG) · 12/8/2007 16:26 
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    Voltei Mi... Hey, essas fotos não estavam aí quando eu comentei né?? Gostei mais ainda... Um abraço.
    FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 13/8/2007 09:14 
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    "Mas há ainda muitos outros mortos-vivos, se você ainda não os conhece é porque não morreu o suficiente."

    São tantos no dia-a-dia das cidades: famintos, mendigos, excluídos...
    Muito legal a iniciativa, tomara que tenha também algum respaldo social, como recolher alimentos, cobertas para outros mortos-vivos.

    Mi, parabéns!


    Humberto Firmo · Brasília (DF) · 13/8/2007 10:29 
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    Lucas e Rafael, exatamente para chamar atenção de outros interessados eu queria que tivesse saído na imprensa, mas não deu. :(

    Walesson, como a idéia é tornar o evento anual, há uma grande chance de eu esquecer do seu pedido até lá. Sugiro que entre na comunidade, aí na época do evento você acabará sabendo de uma maneira ou de outra! :)

    Manu e Baduh, good-"clean"-fun! :D

    Filipe, se você ainda não tinha visto as fotos, também não leu a versão final do texto, ficou bem diferente da primeira. ;)

    Humberto, vou me empenhar por incentivar um aspecto social da parada para o próximo ano, certamente.
    Mi [de Camila] Cortielha · Belo Horizonte (MG) · 13/8/2007 10:55 
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    Meu relato sobre a ediçao paulistana deste ano está em edição.
    Fernando Mafra · São Paulo (SP) · 3/11/2007 14:57 
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    Que medo...
    Finito Carneiro · Maringá (PR) · 13/5/2008 17:50 
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