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O Dom Quixote dos vinis

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Daniel Cariello · Brasília, DF
5/5/2006 · 154 · 8
 

Ele já foi baterista, vocalista de um grupo de hardcore e até organizou eventos como o Miquererock e o Micareggae, micaretas de rock e de reggae. Mas foi prestando serviços para uma empresa de reciclagem de papel que Ricardo Retz, habitante da cidade-satélite do Guará, descobriu como iria se envolver definitivamente com a música.

“Trabalhando nesse galpão de reciclagem eu via muitas capas de discos que eram jogadas fora”, conta. “Ficava com dó de ver aquele atentado à cultura e decidi resgatar esses discos.”

A partir daí, começou sua busca quixotesca pelos vinis perdidos. Saía de manhã cedo de casa, com um carrinho de supermercado, batendo na porta das residências do Guará e pedindo doações de discos que estavam acumulando poeira na casa de seus antigos donos.

E a estratégia deu certo. Em pouco tempo, Retz conseguiu arrecadar milhares de vinis. Tantos que não cabiam mais na sua própria casa. A solução foi construir um pequeno barraco nos fundos do terreno, que passou a ser a sede do Museu do Vinil, aberto gratuitamente à visitação mediante marcação de horário.

Como todo bom museu cuida bem do seu acervo, Ricardo Retz também tem todo o carinho do mundo pelo patrimônio que arrecadou. “Só vendo os discos repetidos”, afirma. E também não distribui cópias, evitando se envolver no sempre polêmico assunto da pirataria. “Gravações, só em fitas cassete”.

São tantos itens que ele não tem muita certeza do acervo, mas calcula possuir 7 mil discos, 1.500 compactos, 1.200 fitas cassete e mais de 4 mil panfletos, ingressos, artigos e revistas sobre música. Além de mais de uma dezena de vitrolas. Quase tudo arrecadado em suas peregrinações.

É claro que tem de tudo nessa salada musical. Da coleção completa do Rei Roberto Carlos aos rebolativos porto-riquenhos dos Menudos. Da música clássica de Mozart ao punk rock dos Sex Pistols. Mas também há muitas raridades escondidas: como um disco com a Aracy de Almeida cantando Noel Rosa, datado de 1939; um dueto improvável reunindo Pelé e Elis Regina e até uma trilha sonora para fazer planta crescer!

Apesar da grande diversidade de seu cabedal, ele mantém suas raízes roqueiras e elege os discos de blues e de hard rock como seus preferidos. E os que menos gosta? Ri. “Virei musicólogo e tento ouvir um pouco de tudo, mas detesto breganejo e axé”.

Tanta dedicação ao assunto já fez Retz ampliar as atribuições de seu museu. Não é mais só de vinis. Agora é Museu da Música. E ele aproveita esse espaço no Overmundo para lançar uma campanha de doação: está recebendo qualquer disco ou objeto relacionado à música. “Longa vida ao vinil”, ele brada. Longa vida ao vinil, nós repetimos.


Contato - Ricardo Retz:
Para marcação de visitas ao museu ou para doação de discos e objetos.

Tel: (61) 9614 6814
E-mail (que ele quase nunca lê): ricardoretz@yahoo.com.br

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Ana Murta
 

Que cara maravilhoso, muito legal. Matéria certeira, direta e muito bem escrita.

Ana Murta · Vitória, ES 3/5/2006 23:53
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Daniel Cariello
 

Valeu, Ana. E vindo a Brasília, não deixe de dar uma passada lá.
Abraços!

Daniel Cariello · Brasília, DF 5/5/2006 22:03
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Rodrigo Teixeira
 

Parabéns Daniel por valorizar figuras com o Guardião dos Vinis. Também sou apaixonado pelo bolachão e tenho pelo menos uns 200 em casa. Rs! Quando for a Brasília vou lá com certeza. abs Rodrigo MS

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 6/5/2006 11:30
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PEDRO PINTADO COMEUOPERLA
 

Beleza Retz. continue na batalha de resgate de cultura musical. mesmo com a molecagem da turma da anabelle e gustavo bill vc provou q nao e moleque e agora com o apoio do rinaldo do disco alto seu festival retz core vai bombar no Guará. só tem moleque na kingdom. o Lima nao vai conseguir te queimar. dá-lhe Guará

PEDRO PINTADO COMEUOPERLA · Brasília, DF 7/5/2006 20:30
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
André Dib
 

Quanto mais gente curtindo disco de vinil melhor! Valeu a matéria.

André Dib · Recife, PE 10/9/2006 03:06
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Daniel Cariello
 

Concordo, André. Tem tempo que eu não compro um CD, mas continuo fuçando sempre pelos sebos de vinil por aí. Abs!

Daniel Cariello · Brasília, DF 12/9/2006 16:11
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
jaderdavila
 

as capas de disco vinil fantasticas eu preguei nas paredes da minha sala. eu compro no sebo, jogo o disco fora e prego a capa na parede.

jaderdavila · São Paulo, SP 25/9/2006 18:58
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Daniel Cariello
 

Putz. Não jogue o disco fora não. Manda pra cá!
Abs

Daniel Cariello · Brasília, DF 3/10/2006 13:53
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