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O dragão punk na terra do sol

Foto: Isabel Goveia / Banda Dever de Classe - Nêio, Lili, Iure, Tony e Pedro
1
Patrick Brock · Salvador, BA
18/7/2006 · 60 · 4
 

Conheça a história da banda punk Dever de Classe, experiência seminal no cenário soteropolitano

Nêio Mustafá veio de Brasília fugido; quando
chegou na Bahia, deparou-se com uma cena rock que
tinha apenas dois shows por ano. Era 1984 e o espaço
alternativo dos proto-punks chamava-se PABX, na antiga
cantina da Facom (Ufba). Deu Polícia Federal e a
brincadeira acabou, mas depois germinou em áreas mais
periféricas.

Olhando os discos empilhados e as rachaduras na parede
(o prédio no bairro Federação já foi arrombado três
vezes) é que surgiu a idéia de entrevistar essa figura
de papo rápido e entusiasmado, como metralhadoras
elétricas.

Você já ouviu falar da banda Dever de Classe? Nêio
passou o CD pra mim. Tudo começou há 21 anos. Os caras
o convidaram para tocar contrabaixo. Nêio disse que
não sabia. Tudo bem, você aprende, disseram.
Do núcleo inicial, só ficou Lili, vocalista, que atualmente
também está investindo nas artes plásticas. A Dever de
Classe é formada por Lili Martins (vocais), Iure Aziz (guitarra
e coro), Nêio Mustafa (baixo) , Pedrinho Semanovschi (trompete)
e Tony Santo Amaro (bateria).

Na época, a coisa explodiu até ficar fora de controle.
Enquanto as bandas de rock locais tinham a postura
punk, ou chegavam perto, o som estava mais para o
clássico ou até o progressivo. Como Nêio gosta de
repetir em seu mantra pessoal: “forma em detrimento do
conteúdo”.

De 1984 a 1989, a banda fomentou uma cena punk que
incluía até gangues (como a Falus Erectus, bem
violenta). Ele lembra de uma vez na TV Itapoan, em
1987, quando os punks invadiram o cenário durante a
apresentação da banda num programa local. Baixou
polícia, camburão azul (cor da PM na época) e tudo,
mas, no fim, os caras acabaram liberados, graças a um
diretor condescendente. Um ano antes, durante o Troféu
Caymmi, em pleno palco principal do Teatro Castro
Alves, a energia punk espantou a platéia, depois de
algumas apresentações bem inocentes. Mais uma vez, os
punks da periferia aglomeravam-se do lado de fora. Na
hora, Orlando Pinto, um dos organizadores na época,
deixou a turma entrar no palco sagrado.

No meio do papo, Nêio viaja na filosofia truncada do
“faça você mesmo”: a arte tem alguma coisa que move,
tem conteúdo, que faz com que tal timbre e palavra
aconteça. O ideário de protesto focaliza sua crítica
na “música sem conteúdo”, que só tem forma. Sem citar
nomes; não vamos falar disso agora. Mas eu concordo.

Em 1989, a banda parou por risco de vida – dos músicos
e da platéia. “Cada show que a gente fazia era risco
de vida, jogavam pedra, corrente, cuspiam na gente”. A
violência e as novas vertentes musicais levaram a uma
pausa na produção. “Eu dizia, Lili, a gente tem de
parar de usar roupa preta. A gente devia ficar só de
bermuda, cair na água do Porto da Barra e depois
voltar rolando, à milanesa. Tem mais a ver com a
cidade. Ele respondia, explicando que era o lance da
tribo, dos códigos”. Hoje, Nêio fica intrigado com as
butiques do Shopping Iguatemi vendendo roupas punk a
R$ 300. “É o esvaziamento do conteúdo e absorção da
arte pela indústria cultural”, reflete.

Dez anos se passaram e graças a um projeto de Messias
(Brincando de deus), para produzir bandas locais dos
anos 80, a Dever de Classe ressurgiu com o primeiro
CD, Desarmar o mundo para alimentar os pobres (2001,
independente). Agora, volta com fúria em Urânio
Enriquecido, povo subnutrido (2005, independente).
Repleto de críticas ao sistema e com uma sonoridade
que às vezes puxa para o free jazz (influência de
Nêio, que viu no caos dos discos finais de John
Coltrane a “relação de vitalidade próxima do hard
core”), os caras continuam exercendo o seu Dever de
Classe.

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Balbino
 

Muito massa a matéria, mas acho que poderia ter uma música dos caras pra baixar.

Balbino · Cuiabá, MT 17/7/2006 11:51
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Mano W
 

Dever de Classe
Com muita classe esta banda,uma das fundadoras do punk rock na Bahia,até hoje está na ativa graças à verve de uns dos artistas mais intrigantes do cenário baiano,Willian Martins,o Lilí,letrista,cantor e artista plástico,que desenvolve nas artes o seu papel empírico,contestador e fugitivo do dendê azêdo que deixa a Bahia com uma eterna azia.
Quem já viu um show da Dever de Classe sabe pogar.
Mano W

Mano W · Salvador, BA 19/7/2006 13:02
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camelo old school
 

Acho q o Dever de Classe preencheu a lacuna deixada pelo Camisa de Venus q foi pra SP e no meio de todas aquelas bandas punks q rolavam em Salvador naquela epoca o Dever era a melhor sem sombra de duvidas.O Lili Martins eh um icone do rock baiano,uma figura lendaria e super carismatica,com uma presenca de palco impar.Po Lili,lembrei de vc ontem,assisti um show do Buzzcocks,foi do caralho.Um abraco a vc e a todos da banda e a todos do rock ai na Bahia.

camelo old school · Salvador, BA 24/7/2006 22:32
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eric renan ramalho
 

Hámuitos homens vivendo no submundo! e interessante como a midia soh atenta os olhares para a sena axe e se esquece que an bahuia tbm existem homens contruindo algo muito alem das imagens de bundas!

eric renan ramalho · Belo Horizonte, MG 13/10/2006 18:44
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