Desde pequeno eu sempre quis ser jornalista. Sempre tive a habilidade de redigir bons textos. Para isso, fiz cursinho durante dois anos para tentar a carreira na UFES, não obtendo êxito. Hoje curso História (2º semestre) nesta mesma universidade. Cheguei a cogitar pedir reopção,mas fui informado que teria que esperar até o 3º semestre para pedi-la e que uma vaga de reopção é mais concorrida que o próprio vestibular.
Alguns dias atrás, eu li uma série de artigos de Alberto Dines, MaurÃcio Tuffani, Ewaldo Oliveira, Luiz Weis e Engel Paschoal a respeito do fim da obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo em todo o paÃs. Todos contrários a obrigatoriedade.
É importante ressaltar que este ano a lei que disciplina a profissão faz 40 anos e a regulamentação desta completa 30 anos.
Mas, foi um artigo do antropólogo George Zarur, disponÃvel em que me fez questionar a obrigatoriedade do diploma para profissões que não trabalham diretamente com a vida e a segurança das pessoas. Com base nestas leituras apresento tais argumentos:
1) É um resquÃcio do regime militar(1964-1985)
O decreto-lei 972/69,que regulamenta a profissão de jornalista é uma herança do regime militar, com base em atos institucionais,visava identificar veÃculos e profissionais existentes no paÃs e exercer sobre eles a censura, por isso,que nos veÃculos haviam censores para aprovar o que poderia ou não ser divulgado. Outro objetivo era afastar e constranger aqueles jornalistas que não tinham diploma e que em sua imensa maioria eram opositores do regime militar. Para isso,os generais trataram de esvaziar os cursos de ciências sociais,antros de marxismo e costumeiros fornecedores de esquerdistas para as fileiras da imprensa.
Ele foi editado no dia 17 de outubro de 1969 pela junta militar que governou o paÃs. Tal junta era composta por três oficiais das Forças Armadas, Aurélio de Lyra Tavares,ministro do Exército(presidente da junta), Augusto Rademaker,ministro da Marinha e Marcio de Mello e Souza, ministro da Aeronáutica.
Além disso,foi um afago dos militares aos profissionais da comunicação, que passaram a contar com melhorias trabalhistas, como aposentadorias precoces e vantajosas, jornada de trabalho de cinco horas diárias e a reserva de mercado. Em compensação,minou a liberdade de expressão no Brasil e provocou um efeito perverso na relação de procura e oferta de vagas para jornalista.
2) Acaba a reserva de mercado, que fomenta a indústria do canudo
A indústria do canudo é a grande beneficiada com a reserva de mercado para diplomados em jornalismo. E fez surgir um mercado de trabalho artificial:o dos professores de jornalismo. Com exceção das universidades públicas e aquelas ligadas a entidades confessionais, as universidades privadas põem no mercado um verdadeiro exército de jornalistas que não têm a mÃnima condição de entrar no mercado de trabalho, que não sabem botar ponto e vÃrgula numa oração tampouco redigir meia lauda.
Os chefes de redação e donos de jornais está desencantada com esse exército muito ruim de jornalistas diplomados que tem saÃdos nesses últimos 40 anos.
É o reflexo da tradição bacharelesca que impera no paÃs desde os idos coloniais,onde há a substituição do conteúdo pela forma(o conhecimento pelo diploma).O diploma tornou-se uma espécie de autorização, uma “carteira de motorista†para se trafegar no mercado de trabalho,principalmente no jornalÃstico. Instituições de ensino superior são cartórios que vendem à prestação a licença para trabalhar.
Quem não leva jeito com a lÃngua portuguesa, corre o sério risco de sair do curso de jornalismo carregando as dificuldades do Ensino Médio. Não é por causa de um diploma superior de jornalismo que a qualidade da profissão se elevará, como apregoam os fenajistas, mas em melhorias na qualidade do Ensino Fundamental e médio e estÃmulos culturais produzidos pela famÃlia, pelo meio ambiente e pela escola secundária. Sem isso, o diploma é apenas um canudo. Na verdade, não existe diploma de jornalista, mas sim, diploma de bacharel em comunicação social com habilitação em jornalismo.
Com o fim da obrigatoriedade do diploma, as faculdades de comunicação teriam que mudar seus currÃculos para sobreviverem e aqueles que escolherem graduar-se em jornalismo deverão ter ciência que apenas o diploma não conferirá o privilégio do registro para disputar vagas. E os jornalistas diplomados teriam que se atualizar.O canudo será o que deveria ter sido: um diferencial para disputa com mais possibilidades uma vaga no mercado aberto.
3)O jornalismo é uma função intelectual, que escora-se no dom do espÃrito
Ao contrário de médicos, advogados e engenheiros, cujas atividades trabalham diretamente com a vida e a segurança das pessoas(conseguintemente,precisam de cursos técnicos e diplomas, que atestem sua capacidade profissional),o jornalista escora-se no dom do espÃrito,independente da sua natureza profissional. O jornalista tem que ter uma formação cultura sólida, que não se adquire somente na faculdade,mas pelo hábito de leitura e exercÃcio da prática profissional.
4) O decreto-lei 972/69 tolhe a garantia constitucional de ampla liberdade de manifestação do pensamento
O decreto-lei 972/69 colide com os princÃpios constitucionais de liberdade de expressão, conforme expõem os artigos 5º,incisos IV(é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato) e IX(é livre a expressão da atividade intelectual, artÃstica,cientÃfica e de comunicação, independentemente de censura ou licença) e 220, parágrafos 1º(determina que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de expressão) e 6º(que a publicação de veÃculo impresso de comunicação independe de licença de autoridade).
A lei 9610/98(Lei do direito autoral) qualifica o trabalho jornalÃstico(matérias, artigos e crônicas), de qualquer natureza, como obra intelectual protegida. Até quando pretende-se impedir a transmissão de uma criação pelo fato de seu criador não possuir diploma ?
5)Desrespeita todos os tratados internacionais de direitos humanos assinados pelo Brasil
O Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos(1948), Declaração Americana de Direitos Humanos, conhecida também como Pacto de São José da Costa Rica(1992) e da Declaração Internacional de Chapultepec(1996). Todas elas pregam a liberdade de expressão e a abolição de controles oficiais ou particulares do papel de mÃdia.
Vale mencionar que em 1985, a Corte Interamericana de Direitos Humanos esclareceu ao governo da Costa Rica que a obrigatoriedade do diploma para a prática do jornalismo fere a Convenção Americana de Direitos Humanos.
É inadmissÃvel que a FENAJ, os sindicatos afiliados e os professores de jornalismo façam silêncio desse assunto e continuem escondendo essas informações dos estudantes, que estão sendo utilizados como massa de manobra por estes últimos.
6)Cabe ao mercado selecionar os jornalistas, independente de diploma
O saudoso jornalista Claudio Abramo dizia que a liberdade de imprensa é a liberdade do dono do jornal. Porque acredito que o mercado deveria selecionar os jornalistas para o trabalho nos meios de comunicação, com ou sem diploma. Jornalistas deveriam ser contratados e assim considerados pelo trabalho que desenvolvem e não pelos tÃtulos que ostentam.
7) Na maioria dos paÃses desenvolvidos e paÃses em e desenvolvimento,o diploma de jornalista para a prática do jornalista não é obrigatório
A formação superior em jornalismo para a prática da profissão não é necessária tampouco condição suficiente para o exercÃcio da profissão nos seguintes paÃses: Alemanha, Argentina,Austrália, Ãustria, Bélgica, Chile, China, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos,Finlândia, França, Grécia,Holanda, Hungria, Irlanda,Itália,Japão,Luxemburgo,Peru,Polônia, Reino Unido, Suécia, SuÃça e muitos outros. A mentalidade que vigora nestes paÃses é a de que não pode haver impedimentos para qualquer cidadão ingressar no jornalismo,mas até criar e manter o seu próprio jornal.
8) A obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercÃcio do jornalismo no Brasil é repudiada por organizações internacionais de proteção à liberdade de imprensa
Em 1987, a World Press Free Comitee lançou a Charter for a Free Press. Naquele ano, entidades jornalÃsticas de 34 paÃses reunidos em Londres estabeleceram 10 princÃpios para garantir a liberdade de imprensa no mundo. O nono diz explicitamente: As restrições por meio de regulamentação ou de outros procedimentos de certificação ao livre acesso ao campo do jornalismo ou sobre sua prática devem ser eliminados.
O Comitee to Protect Journalists(CPJ) aponta a truculenta exigência de diploma para o exercÃcio profissional de jornalista como uma das formas de agressão à liberdade de imprensa no relatório Overview: The Americas.
9) O fim da obrigatoriedade do diploma e o ingresso de profissionais não diplomados elevaria a qualidade do jornalismo
Com o ingresso de não diplomados em jornalismo nas redações, a qualidade editorial dos veÃculos de comunicação se elevaria,se contasse com profissionais especializados,por exemplo:
a)Geógrafos e Analistas de Relações Internacionais: poderiam ser correspondentes internacionais, pois tem uma visão de mundo bastante ampliada, pelo pleno domÃnio da geopolÃtica e podem dar uma análise mais profunda da conjuntura internacional.
b)Filósofos, Cientistas PolÃticos e Historiadores: seriam muito bons para fazer boas matérias na editoria de polÃtica, por terem uma bagagem intelectual vastÃssima em sistemas de governo, história do Estado, ética polÃtica. Os filósofos poderiam através da lógica estabelecer a análise do discurso dos polÃticos. Os historiadores poderiam estabelecer a relação de espaço e tempo para as análises de sistemas polÃticos.
c)Delegados de polÃcia e advogados criminalistas: na editoria de polÃcia, poderiam fazer editoriais na área de segurança pública e orientar os repórteres desta editoria na redação matérias.
d)FÃsicos, Médicos, QuÃmicos e Astrônomos: na editoria de ciência e tecnologia fariam matérias com mais rigor cientÃfico,porém acessÃveis ao leitor médio.
e)Biólogos,Meteorologistas e Oceanógrafos: dentro da editoria de meio ambiente fariam reportagens mais primorosas sobre desequilÃbrio ambiental, vida marinha e aquecimento global.
f)Economistas:dentro da editoria de economia fariam matérias mais analÃticas,porém com linguagem acessÃvel.
Esses profissionais deveriam ser recrutados e lapidados através dos cursos de residência em jornalismo dos veÃculos, como o da Folha de São Paulo e da Editora Abril (muito disputados, diga-se de passagem),onde aprenderiam técnicas de jornalismo. Há quem condene por considerar que estes cursos doutrinam o jornalista aos interesses dos veÃculos. Por outro, os sindicatos de jornalistas também deveriam promover estes cursos de técnicas de jornalismo (gratuitos ou com preço simbólico) aos postulantes à profissão não diplomados, onde quem tivesse bom aproveitamento faria jus a um certificado,o registro de jornalista e a carteira nacional de jornalista.
O medo é o sentimento que impera nos jornalistas diplomados e na cúpula fenajista de ter que disputar mercado com profissionais mais especializados, quiçá mais competentes do que os coleguinhas de canudo. Alegam que somente o jornalista diplomado tem competência para a prática do jornalismo. Pensam que estão acima da lei.
10) A FENAJ poderia ampliar sua base sindical, fortalecendo a luta da classe
Negando a emissão das carteiras nacionais de jornalista e a sindicalizaçã o aos jornalistas não diplomados, a FENAJ perde uma grande oportunidade em ampliar sua base sindical, o que causaria o aumento das contribuições sindicais e, por conseguinte, teriam mais recursos financeiros para fortalecer a luta da classe por melhores condições de trabalho.
Até quando a FENAJ prosseguirá com esse discurso tacanho, hipócrita, e corporativista, porque não bacharelesco da obrigatoriedade de diploma de jornalista para a prática do jornalismo, quando se sabe que a maioria das faculdades forma uma legião que não sabe o que é lead e acusando todos que são contrários ao diploma de fazer o jogo dos patrões ?
Até quando os fenajistas e professores continuarão utilizando estudantes de jornalismo como massa de manobra para fortalecer esta vil reserva de mercado, que só beneficia os próprios jornalistas e as faculdades caça-nÃqueis?
Até quando playboyzinhos e patricinhas diplomados, que buscam exercer a profissão por pura vaidade, sem o menor dom para o ofÃcio ocuparem as redações dos jornais, revistas e emissoras de rádio e TV?
Eu anseio do fundo do meu coração que os ministros do STF, principalmente o ministro Gilmar Mendes, olhem com apreço o Recurso Extraordinário 511961, que vai definir a situação de milhares de jornalistas provisionados e aqueles que tem o dom para a palavra,mas não tem diploma e lancem por terra os efeitos do decreto-lei 972/69.
LIBERDADE, LIBERDADE !
ABRA AS ASAS SOBRE NÓS !
Maxwell dos Santos
Aluno de História da UFES
sanmaxwell@gmail.com
Caro, Maxwell.
Você então esta dizendo ( quer = dizer, disse ) que os veÃculos de comunicação é que devem exercer o papel da universidade? Pegam profissionais (formados) de outras áreas, modulando eles da forma que eles bem entendem e assim os empregando para produzir resportagens, matérias, documentários para estes véiculos ?
Será, prezado Max (posso te chamar assim) que estes veÃculos não direcionariam (os novos jornalistas) com o pensamento institucional e/ou polÃtico para a prática de idealizar a eles o que querem...
Enfim, é um assunto importante, que porventura já foi discutido e continuara a se discutir ( espero que seja no meio acadêmico) onde podemos dizer que estão as cabeças pensantes.
Na verdade, neste texto eu questiono a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercÃcio do jornalista. Os cursos internos dos jornais são uma alternativa. Mas, como esses veÃculos podem doutrinar os profissionais para seus interesses, eu propus que os os sindicatos de jornalistas também deveriam promover estes cursos de técnicas de jornalismo (gratuitos ou com preço simbólico) aos postulantes à profissão não diplomados, onde quem tivesse bom aproveitamento faria jus a um certificado,o registro de jornalista e a carteira nacional de jornalista.
Defendo veementemente a ampla liberdade de expressão e o decreto em questão tolhe a liberdade de imprensa. As organizações internacionais de proteção à liberdade de imprensa rechaçam essa restrição através da apresentação do diploma especÃfico para ao exercÃcio do jornalismo.
Maxwell, entendo a sua posição, a sua idéia, e devo respeitá-la, mas o Brasil dos "pseudos-jornalistas" que disseram e dizem "maiores informações"; "a nÃvel de"... enfim, precisa acabar.
O jornalismo precisa ser reconhecido verdadeiramente como uma profissão, não como um trampolim para outras atividades.
Há vários jornalistas formados e competentes que sequer tiveram condições de começar a trabalhar e atuam em outras áreas, simplesmente pelo fato de terem suas possÃveis vagas ocupadas por administradores de empresas, professores, advogados e até por "supostos jornalistas" que sequer terminaram o primário.
Se existe o curso de formação, então é preciso exercitar, claro, com o trabalho dentro do segmento proposto.
Se vc forma em História, precisa trabalhar como historiador, jamais como Jornalista.
Esse é o meu entendimento.
Abraços, Marcos/BH
Maxwell, parabéns pelo texto e por puxar essa conversa que dá pano pra manga, é complexa e toca vários tópicos fulcrais à organização da sociedade em que vivemos.
Higor, sua objeção é boa e oportuna. Os veÃculos seriam, pela proposta contida em um trecho de teu texto, responsáveis em treinar os jornalistas. Isso poderia fazer com que o jornalismo acabasse sendo, apenas, veÃculo das empresas jornalÃsticas. Ok, isso seria péssimo.
Mas, cá pra nós, é isso o que já acontece e dentro das faculdades. Para não ser leviano, pois, neste momento, tenho apenas as fontes mas não as provas do fato, há empresas de comunicação que já “adotaram†cursos de formação de jornalistas. Os profissionais que se formam nesses cursos já saem pré-moldados. Quando as empresas não “adotamâ€, ocorre que as faculdades contratam “profissionais reconhecidos no mercadoâ€. O que esses profissionais mercadológicos fazem? Preparam os alunos de acordo com os moldes dos veÃculos nos quais trabalham.
Entendo, assim, que esse argumento não é adequado, embora deva ser posto, inclusive para que pensemos que formação está sendo oferecida aos jornalistas.
Marcos, os jornalistas formados disseram e dizem "maiores informações"; "a nÃvel de"... Dizem mais. Dizem que “fulano não tem nada a comemorar†tantas vezes quanto podem, dizem “isso é uma vergonha†aos borbotões, dizem inúmeros outros jargões que a enfadonha leitura diária de jornais pode demonstrar. E gostam de usar frases de efeito, brincar com nomes de filmes, livros e canções. Fazem isso de forma demasiada. O que quero dizer é que isso ocorre com ou sem diploma.
E mais: nos telejornais, veja, são sempre as mesmas posturas, geralmente o mesmo cenário e a mesma entonação. Leia as reportagens dos jornais. Cada texto é um soldadinho enfileirado em seguida a outro. Textos iguais, sem qualquer estilo ou criatividade. E de jornalistas diplomados.
O jornalismo ser reconhecido como uma profissão está certo. Mas, não sei bem o porquê de um curso universitário nos moldes do jornalismo que conhecemos no Brasil, que segue o modelo do dito “jornalismo americanoâ€. O aluno de História estuda os fatos do passado e é apresentado teorias de abordagem desses fatos. O aluno de psicologia conhece teorias e técnicas que decodificam a alma humana. O aluno de sociologia gira seus interesses em torno de teorias que o ajudam a entender a sociedade, o fato social, a cultura etc. E o de jornalismo? Aprende a fazer lead? Aprende a fazer roteiro? Aprende a chamar declaração de “aspasâ€, entrevista de “sonoraâ€? Ora, uma faculdade para isso? Qual a teoria do jornalismo?
Se formos perguntar a qualquer estudante sobre a teoria do jornalismo, não sei não, mas aposto que ele dirá que não sabe ou falará en passant de uma tal Escola de Frankfurt. Haverá os que dirão que não querem saber disso. Eles querem é “práticaâ€, dizem desde o primeiro perÃodo. Prática sem teoria? Isso parece “voo cegoâ€, não é? Cheira mesmo a burrice. E esses serão os jornalistas formados que, com sua mediocridade ampliada nas aulas “práticas†– preparadas para os veÃculos, já disse acima – receberão seus diplomas no fim de quatro anos e muito dinheiro gasto.
Também não concordo que jornalistas formados e competentes não trabalham porque advogados, professores e outros tomaram suas vagas. Observo, na prática, que esses lugares foram tomados pelos jornalistas formados mais preparados para atender à “liberdade de empresaâ€, não de imprensa. Sob um certo ponto de vista, não os considero competentes, considero-os bonecos. E conheço excelentes jornalistas, meus colegas, que penam para conseguir trabalho, pois não são tão bonecos como os veÃculos desejam.
Enfim, amigos, sou jornalista e posso dizer que conheço aproximadamente essa realidade. Não posso concordar com o diploma, por uma questão ética, não de interesse de mercado.
Novamente parabenizo a vc, Maxwell, pelo texto, e ao Higo e ao Marcos pelas questões levantadas, que, com certeza, merecem reflexão. Abraços fraternos.
Luiz Geremias.
Entendi seu ponto de vista. O que você cita neste trecho: "Os profissionais que se formam nesses cursos já saem pré-moldados. Quando as empresas não “adotamâ€, ocorre que as faculdades contratam “profissionais reconhecidos no mercadoâ€. O que esses profissionais mercadológicos fazem? Preparam os alunos de acordo com os moldes dos veÃculos nos quais trabalham".
Este problema é do ensino superior e da formação acadêmica, não teria haver com a ética de um outro profissional ocupar o lugar de um jornalista. Por exemplo, eu não sou nem contra e nem a favor do diploma (mesmo eu tendo acabado de me formar em jornalismo), sou a favor do bom profissional independente da profissão, porém esta acontecendo uma inclusão de profissionais de outros setores para escrever matérias especÃficas, neste caso tudo bem, pois eles entendem e vivenciam mais este caso. Mas colocar no dia-a-dia, no batente, profissionais de outras áreas é complicado e acabda desgastando/desvalorizando o profissional que acredita no ideal do jornalÃsta - não posso acreditar ainda em útopia.
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