Em meados dos anos 90 era muito comum ver como vários estilos musicais tomavam conta da mídia por um médio período e logo após era seguido por outra “moda”. Os produtores musicais faziam com que uma nova tendência chegasse até a mídia e perdurassem por um período, até que causassem saturação por parte da massa.
O enfraquecimento destes estilos era previsível, uma vez que não contavam com muita qualidade e consistência como um todo. Mas o que mais caracterizava a perda de espaço de todo esse modismo era mesmo a repetição com que a mídia trabalhava estes artistas. Estes músicos num curto período de tempo foram explorados pelos grandes produtores enquanto suas musicas tinham demanda. Com isso, muitos músicos passaram a migrar para outros estilos para tentar seguir esta tendência, generalizando muito mais esta situação.
Viver de música não era mais uma questão de prazer absoluto. Para se conseguir ascensão nesse meio era preciso que se enquadrasse nos moldes do sistema fonográfico. A parte interessante disso tudo é que estes estilos, que por um momento foram uma “febre”, eram derivados de estilos raízes. Aquele sertanejo que tomou conta dos meios no final dos anos 80 era influenciado pelo estilo caipira que nos longínquos anos 40 e 50 vinha do meio rural para a cidade, ganhando mais espaço futuramente.
O que teria marcado a mudança neste estilo não era simplesmente a idéia de enriquecer com esta musica, mas também a evolução com que o país passava e os novos meios eletrônicos que eram inseridos no mercado. Um ponto muito marcante que caracterizou este novo sertanejo, com certeza, foi o que chamamos de digitalização.
Assim como o sertanejo, outros estilos, como o pop, o axé, o brega e o forró também entraram nesse patamar de evolução. Outro estilo a se comentar é o axé, derivado da música de trio elétrico na Bahia que ficou caracterizado como estilo dançante. Iniciado pelos baianos Dodô e Osmar, Moraes Moreira e os Novos Baianos, acabou vivendo uma metamorfose nas vozes de Luis Caldas, Daniela Mercury e Magareth Menezes, e ganhando força pelo gogó de Ivete Sangalo, Chiclete com Banana e todos os outros requebras que vieram por aí. Hoje este estilo é muito imitado nos carnavais em várias cidades. Mas a música axé da atualidade não apresenta uma semelhança considerável com aquela que em parte dos anos 80 teve grande força no país.
De todos os estilos que estiveram na mídia, o que mais se renova a cada aparição é com certeza o pop. Este estilo possui um número grande de vertentes, e como conseqüência uma maior quantidade de artistas. Em geral, o pop muitas vezes tem sido mal interpretado pelo público e pelos críticos, que criam enorme confusão quanto às suas características. É muito comum ver as pessoas confundirem pop com algum MPB, pop com pop rock, etc.
Mas o fato é que hoje o ambiente midiático é propicio para que aconteça esse aumento nas vertentes destes estilos. Isso tem causado uma enorme divergência entre os críticos de todo o mundo. Muitos acreditam que isso tenha sido positivo para a música em geral por causa da renovação dos estilos como um todo e a fusão de vários gêneros.
Para Vanildo Marley, estudante de Jornalismo, a música do país passa por um momento de renovação intenso. “Um estilo entre na mídia e sai. No outro ano ele volta diferente e ainda mais interessante musicalmente falando”, complementa.
Para outros não é bem assim que acontece. Segundo Gabriel Vieira, também estudante universitário, estas modificações causam um prejuízo enorme, não só ao estilo, mas também à musica do país. Ele comenta que estas mudanças distanciam os gêneros cada vez mais de suas raízes, e não seria correto que tivessem o mesmo nome. “Como pode dizermos que essa música que invade as rádios hoje em dia é uma vertente do sertanejo, se ela não possui nem uma sintonia com as raízes desse gênero?”, declara, e ainda completa: “Depois que chamaram a banda ‘É o tchan’de axé, tudo é possível na música do país, sem falar que isso é uma ofensa aos criadores do Trio Elétrico”, concluiu o estudante.
Mesmo com essa enorme divergência, podemos ver que tudo isso é fruto de uma mídia descompromissada com o futuro da música de qualidade do país. O maior problema da mídia hoje seria o que chamamos de memória curta. O Brasil é o país número um em revelar artistas novos, mas também é o primeiro no quesito esquecimento.
É correto que nos anos oitenta a música ainda passasse por um momento escuro por meio da censura e do início da crise fonográfica. Mas hoje esse setor tem seus problemas generalizados, e muito provavelmente ainda vamos ver por um longo período a nossa música navegar sob a bandeira pirata.
Opa, joao,
Será que a "culpa" do consumo massivo e exacerbado de um só fenômeno efêmero musical é mesmo do artista ou da indústria cultural/mídia, como você coloca? Fico me perguntando se o público e o gosto popular não tem realmente nenhuma parcela nessa situação toda que você descreve. Não estou dizendo que o povo gosta de coisa ruim, mas que o nosso interesse talvez realmente atenda por "ondas de consumo" (a chamada "moda") e que, muitas vezes, o próprio artista se sente preso com isso. Um caso bacana para levantar essa bola é a reinvenção do Luiz Caldas, pai do axé, como roqueiro, nos últimos tempos.
Lembro que uma das artistas que mais reconhecidamente conseguiu furar o bloqueio da mídia tradicional através de redes sociais e da internet colaborativa (sites como myspace, p. ex., foram decisivos na sua ascensão) foi a Mallu Magalhães. E, mesmo assim, ela não escapou ao consumo em "ondas". Hoje, pouco ou quase nada se ouve falar dela. Imagino que esteja preparando uma nova leva de faixas, mas, mesmo assim, talvez a recepção do público alternativo que a elevou ao nível de grande estrela indie talvez não seja a mesma da do primeiro trabalho.
bacana o tema.
olha, os fenômenos musicais vão continuar existindo. Susan Boyle é um exemplo né. Mas assim como Susan, que acaba de lançar seu primeiro disco, a Mallu Magalhães precisa enfrentar o tempo - um dos Deuses maus lindos, segundo Caetano.
Perguntaram não sei para quem dos famosos sobre o que ele achava da Mallu Magalhães e tal... e a resposta foi 'me faz esta pergunta daqui a dois anos.'
Por onde anda o Vanguart, por falar nisso????
O lance não é que os fenômenos musicais acabaram, o que está em extinção são obras que aparecem na mídia e que conseguem resistir ao tempo.
Um amigo meu, irmão de um cantor bem famoso (não é o thiago viu...) disse em um momento de reflexão profunda:
'Hoje em dia só consegue despontar na mídia o que partiu do mal feito, de improviso e de preferencia com uma demo de péssima qualidade'.
Eu não sei, falam muito do Tchan, mas musicalmente, era bom. É samba de roda baiano, altamente dançante, suingue mesmo. As letras estragavam, mas a música era boa. Eu escutei este argumento sair da boca de Paulinho da Viola. Eu concordo.
pois é viktor, esse assunto é muito polêmico mesmo...
acredito sim que maior parte da culpa é com certeza da midia, por tudo isso que a nossa musica esta passando...seja em qualquer lugar do mundo, os meios midiaticos sao muito forte, e no caso do brasil as pessoas nao estao preparadas para saber lidar com esse tipo de influencia, uma vez que o forte do nosso pais nao é a educação, e com certeza a vulnerabilidade nesse caso pesa, e muito.
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