O Futuro do livro por ele mesmo

Divulgação
A capa, com textura de livro na estante.
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Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ
7/12/2007 · 320 · 14
 

Quando ouvi falar pela primeira vez que seria editado e publicado um livro sobre o futuro do livro, confesso que achei a proposta muito “metalingüística”. Mas curiosa. O assunto era atraente, não obstante tenha me perguntado com base em quê seriam feitas análises, previsões e afirmativas. Seriam meras especulações?

Então soube que os artigos seriam breves, textos não acadêmicos, impressões de diversas personalidades. Não entendi o que se buscava com a publicação: o que os editores pensavam sobre o assunto? Teria o livro um lugar no futuro? O que esperavam do resultado final da “meta-obra”?

Ao ver o livro, de cara fiquei impressionada com o tratamento gráfico. Lindo, lindíssimo. A textura, impactante. Digno de ser impresso. Digno de reafirmar o gosto por um livro que se basta por seu formato, para além do conteúdo, das idéias.

E então me perguntei quem compraria o lançamento. Às vésperas do natal, ele é um excelente presente para amantes de livros. Não só pelo tema que aborda, mas por ele mesmo. Pelo fetiche de ter um produto cuidado, atraente, instigante. Bom de tatear.

E só então fui ler os artigos e comentários. Muito bacana o mosaico que se construiu. Lembra um pouco uma colcha de retalhos. Merece também uma alusão ao filme que leva este nome, estrelado por Wynona Ryder. A obra cinematográfica é sobre uma mulher que está prestes a casar e concluir sua tese, e ganha de várias mulheres de sua família dois presentes: um preparado – a colcha, construída coletivamente – e outro espontâneo – um conjunto de histórias sobre paixões e envolvimentos. Esses relatos, junto com o aparecimento de um novo homem em sua vida, levam a protagonista a dúvidas e reflexões sobre seus sentimentos, desejos e convicções.

Foi um pouco isso que aconteceu comigo ao ler “O Futuro do Livro”. Fui despertada por narrativas de pessoas apaixonadas – por livro, por tecnologia, por idéias, por tato, por tudo que um livro é capaz de provocar.

Inicialmente foi tão limitado o meu olhar, que parecia não haver resposta diferente da que eu daria. Ingenuidade e ignorância puras, claro. Ao meu ver, o livro seria algo muito mais amplo do que aquilo que hoje entendemos como tal. As transformações se dariam não apenas na “embalagem”, ou seja, em seu formato impresso ou digital, mas também seriam advindas das novas possibilidades de produção – colaborativa e, de certa forma, voltando ao formato de folhetim, publicando, na internet, capítulo por capítulo, rascunhos sujeitos a alterações, seções desordenadas, como num RPG, com links e hipertextos. Algumas obras continuariam sendo impressas, ocupando as estantes de bibliotecas públicas, escolares e universitárias, escritórios de intelectuais e pesquisadores, bolsos de viajantes e bolsas daqueles que pegam engarrafamento no ônibus. O hábito da leitura em papel, assim como o de assistir a filmes em salas de cinema, não findaria.

Além disso, valeria destacar que obras literárias surgiram muito antes de Gutenberg, da invenção da prensa gráfica, que possibilitou a reprodução em grande escala. Antes, eram manualmente copiados e circulavam por territórios, países, e até mesmo continentes: primeiro testamento, segundo testamento, cartas dos tempos de navegação... Depois veio o livro como conhecemos hoje – o tipo móvel, da era Gutenberg. Na seqüência, ao longo de mais de 500 anos, surgiram o rádio, o cinema, a TV, os periódicos, o telefone, o telégrafo, o fax, as fotocopiadoras, o scanner, a internet... E o livro continua aí. Ora, por que diabos deixaria agora de existir?

Eis que a leitura traz muito mais versões possíveis. O feliz mosaico é formado por 60 textos, de pessoas como Luis Fernando Veríssimo, José Mindlin, Ziraldo, Muniz Sodré, Marçal Aquino, Sérgio Amadeu da Silveira, Bob Wolfenson, Thomaz Farkas, Gilberto Gil, Claudia Constin, Pedro Doria, Heloisa Buarque de Hollanda, Ronaldo Lemos, Gilberto Dimenstein, Heloisa Prieto e outros 45 autores.

É bem verdade que senti falta de mais presença feminina – menos de 10 artigos entre os 60 foram escritos por mulheres... Não se trata de feminismo barato. Há tantas mulheres incríveis no campo de letras, na literatura, no mercado editorial, que não seriam necessárias as tão em voga “cotas”. Mas, a despeito das questões de gênero, a diversidade prevalece em O Futuro do Livro.

É evidente que há artigos melhores e piores. É inevitável encontrar repetições de argumentos e visões. Gutenberg é personagem comum dos diversos autores.

Quem busca um aprofundado estudo sobre a economia do mercado editorial, sobre arte, sobre tecnologia, não vai ter no “O futuro do livro” as respostas para suas perguntas, os argumentos de uma tese. A busca, aqui, é por troca de idéias, por incentivo à reflexão, pelo prazer de sentir a textura, o cheiro, o peso do livro. Pela provocação do pensamento, pelo entretenimento, pelo mais puro e genuíno deleite.


Abaixo, algumas pílulas e fragâncias do livro:

“Onde é que vamos deixar riscada, com nosso lápis, a frase que vai marcar nossa vida?”
Ziraldo

“Livros são meios e não fins.”.
Charles Cosac

“A quaisquer antigas pretensões de sacralidade do material em que sempre se imbricava o saber, a rede eletrônica responde, não necessariamente com desencanto do mundo – tal qual ressoa na repetição do argumento weberiano –, mas com o encantamento da técnica”.
Muniz Sodré


“Tem gente que prefere os livros a outras mídias porque acredita na superioridade da chamada alta cultura européia com relação à cultura de massas.
Bobagem. A 'alta' cultura difundida pelo livro e pela palavra escrita não apenas não é eterna como foi e é opressiva e elitista tanto quanto a cultura de massas é homogeneizante e emburrecedora. Livros, desde este ponto de vista, oprimem pelo excesso, pela falta ou pela superioridade que a chamada cultura ocidental atribui ao narrador com relação ao leitor e àquilo que é narrado”.

Maria Alzira Brum Lemos


“Vá por mim: abrir um sebo, portanto, é um negócio de futuro!”

Marcelo Duarte

“Se o título deste livro supõe alguma dúvida, vou logo dizendo: Morre não! Mas que mania é essa de anunciar a morte do livro! Avião não matou navio; ônibus não matou trem. Elevador suprimiu escada? Nem o duto, a hidrovia. E o que temos: pessoas e mercadorias sendo transportadas mais rápida e economicamente”.
Levi Bucalem Ferrari

“O objeto livro com toda sua fisicalidade é que possibilita a ligação afetica entre nós, leitores, e aquele mundo virtual, escondido em suas páginas.”
Kiko Farkas

“Acredito que o livro como entendemos será mais arte que negócio”.
Ricardo Guimarães


“Chegamos à absurda legislação atual que impede um livro de entrar em domínio público antes de setenta anos após a morte do autor. Setenta anos? Sabe por quê? Para incentivar a criatividade. Criatividade do autor que já morreu há setenta anos. Nem Brás Cubas, o mais célebre defunto-autor, concordaria com tal incoerência”.

Sérgio Amadeu da Silveira

“Ler é beber da fonte da eterna inquietude”.
Gilberto Gil

“O que me preocupa é um mercado elitista que quer transformar o livro numa espécie de mico-leão-dourado”.
Rodrigo Ferrari



Posfácio?


Como disse, quando soube da publicação, não entendi qual era o objetivo da obra. Escrita esta mini resenha e já em processo de edição, resolvi perguntar a eles. Otávio Nazareth, editor da publicação, revelou que a obra busca "valorizar o livro e a leitura". Segundo ele, "o livro é despretencioso, não espera de forma alguma ser conclusivo e muitos dos autores são figuras relevantes para a atividade editorial mas não são especialistas, deram suas visões pessoais, muitas vezes poéticas sobre o assunto. Por outro lado, isso atribui uma leveza à leitura que a torna acessível e prazerosa para um público mais amplo do que os interessados diretos no tema".

E o modelo também se deve à leitura do momento do livro: "outro objetivo é dar uma amostra de que o livro resiste como um objeto e que pode e deve se relacionar com as novas linguagens. Com esse intuito, desenvolvemos este projeto procurando agregar a ele valor estético e um acabamento que atribuíssem valor ao suporte e não só ao conteúdo, e uma linguagem fragmentada, que dialoga com as linguagens interativas, permitindo autonomia das partes sem que deixem de constituir um conjunto coeso", conta Otávio.

Não é à toa que a publicação valoriza tanto o belo. O projeto nasceu já como parceria entre a Olhares e a Ipsis: "soubemos que a Ipsis, com quem já tínhamos relação, completaria 60 anos. Ela é especializada em imprimir livros de arte, então sugerimos a eles fazer este livro. Como essas questões das novas mídias, novas linguagens e de que mudanças vão ocorrer no mercado editorial a partir disso inquietam todos os seus participantes, achamos que era um bom tema. E eles toparam a parceria".

O projeto, que envolve 60 colaboradores, alguns designers, além dos diversos profissioanais normalmente envolvidos na produção de um livro, levou um bom tempo para chegar às livrarias: "foram quase dois anos de processo. Uma definição básica foi que ninguém seria insubstituível, porque sabíamos que muitos convidados podiam não ter tempo ou interesse de participar. Chegamos a conversar com mais de 100 pessoas".

E o editor, o que pensa do futuro do livro?
"Pessoalmente, em relação ao suporte livro, acho que terá que dividir espaço com outras mídias mas para alguns usos, como leituras de lazer, romances, biografias etc, coisas de ler na cama, na praia, na rua, continua sendo uma tecnologia eficiente e acessível e deve se perpetuar por um bom tempo", conta Otávio. E acrescenta: "em relação aos conteúdos, independente do suporte, devem cada vez mais incorporar as formas de raciocínio estimuladas pelas novas mídias que dominam hoje nossa vida. Mesmo que seja um conteúdo editado, deve ter pitadas de hiperlinks, acontecimentos paralelos, eventos virtuais etc."



Informações extras e institucionais

De acordo com a equipe de divulgação do livro, o seu objetivo é "explorar variáveis culturais, tecnológicas, comportamentais e mercadológicas do tema, que vai de encontro às inquietações decorrentes da rápida evolução dos suportes eletrônicos. Por outro lado, pontuar questões mais prementes, como as tendências de posicionamento do mercado livreiro, suas estratégias, seus tabus, e difundir essa discussão para um público amplo. As participações são inteiramente livres e têm tamanhos variados, com a condição comum de ocuparem uma página dupla do projeto gráfico do livro, ilustrado por jovens designers da equipe da LEN Comunicação e Branding".

Ainda segundo os editores, 50% da renda de edição sobre os primeiros 500 exemplares vendidos no mercado serão destinados à organização não-governamental Cidade Escola Aprendiz, que promove projetos-modelo de inclusão e cidadania através do aprendizado para crianças carentes.

Editora Olhares

Baseada em São Paulo, a Editora Olhares traz ao mercado editorial a proposta de transformar temas que envolvem história, memória e informação, procurando aliar formas originais de contar a história e um tratamento visual que vá ao encontro desses princípios e enriqueça a obra.

Sobre a Ipsis

A Ipsis é uma gráfica fundada há 60 anos, especializada na produção de livros de arte.

Preço sugerido: R$ 58,00

O lançamento já aconteceu em São Paulo. Infelizmente não deu pra publicar esse post antes. Mas o volume está nas livrarias.

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joca simonetti
 

Oona, não li o livro mas sabia de sua existência e seu texto só reforçou minha vontade de ter um exemplar em mãos.
Para ajudar aqueles que como eu se interessam pelo livro, sugiro incluir algumas informações básicas: editora, n° de páginas, preço. Onde encontrar e informações sobre o lançamento, se for o caso.

joca simonetti · Vitória, ES 5/12/2007 17:08
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Oona Castro
 

claro! tens razão!

Oona Castro · Rio de Janeiro, RJ 5/12/2007 17:11
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Higor Assis
 

Oona, muito legal o texto e a dica.

Valeu!

Higor Assis · São Paulo, SP 6/12/2007 08:51
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Helena Aragão
 

Bela capa e conteúdo instigante. Confesso que, de tanto ouvir conversas sobre o medo do fim do suporte livro na última década, achava que era um assunto já meio desgastado - o assunto mais do que o suporte livro em si. Achei interessante tratar do futuro do livro, de certa forma dá a entender que ele é inevitável, independente das novidades tecnológicas. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 7/12/2007 18:40
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Paula_Martini
 

Objeto de desejo + texto saboroso = Niágara salivar.

Paula_Martini · Rio de Janeiro, RJ 7/12/2007 18:41
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Savazoni
 

Bacana. Seria interessante pensar em um repositório online em que todos pudessem opinar sobre o que pensam do futuro do livro, no formato de um blook. Essas opiniões, leigas, diversas, dos leitores comporiam um mosaico ainda mais rico e, a medida que os editores fossem encontrando coerência, novos exemplares, para serem impressos sob demanda (o que já pode ser uma realidade com a simplificação e barateamento também dos processos de impressão), para aqueles que queira carregar consigo um livro, tecnologia insuperável, das mais bem sucedidas, sem dúvida nenhuma.

Savazoni · Brasília, DF 7/12/2007 18:50
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Sivaldo
 

Oona,
Muito bacana o texto. Quando li lembrei uma série uma série de entrevistas sobre o tema "livro" há umas 2 semanas atrás num programa de rádio da New York Public Radio (On the Media) . Uns debates bem interessantes.. por exemplo, sobre a "maquina de fazer livro" que já está rodando por aí. Quem quiser ler ou ouvir entrevistas (tem os textos e mp3 disponíveis) eis os links:

One For The Books
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/01

Down With Paper!
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/02

Long Live Paper!
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/03

The Bookmaker
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/04

Vanishing Reviews
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/05

The Long Tale
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/06

OTM's Novel Challenge Finale
http://www.onthemedia.org/transcripts/2007/11/23/07

Sivaldo · Estados Unidos da América, WW 7/12/2007 18:50
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Rodrigo Teixeira
 

Sabe Oona, você me ter sensações doidas que só os livros conseguiram até hoje. Lembro da ansia, da sensação de vomito presente, quando li certa página de Poe em seu único romance 'As Aventuras de Gordon Pin' ou algo por aí. Meu caro! Quando pego o livro em minhas mãos, a primeira ação é, sempre, folhear as pásginas rapidamente com o polegar e apromimar o máximo as narinas daquele velocipede liteário. Fale a verdade. O cheiro de um livro nunca será substituído!

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 7/12/2007 23:26
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Rodrigo Teixeira
 

Mas tenho cerfteza que este 'cheiro'. Esta única. Vintage! Está destinada a extinção. Esta sensação humana, de bicho, está equivocadamente destinada a findar-se. Vamos ter que conviver com o brilho da tela grande nem tanto assim. Tudo estará ao piscar de olhos. Livro palavra que comporta uma infinadade de palavras.
abs

Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 7/12/2007 23:30
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Psychojoanes
 

Quando eu era novo queria fazer biblioteconomia e quando eu crescer, queria ser tipo o José Mindlin.

Lindo artigo, ao certo que o livro deve ser lindo .

Psychojoanes · São Domingos do Prata, MG 8/12/2007 10:55
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Marcos Paulo Carlito
 

"Muito bacana o mosaico que se construiu."

Me agradou muito sua narrativa, mais do que o próprio tema da colaboração. Quanto a ele, deixo de lado as especulações sobre o futuro para me ater a arte da diagramação e ao pensamento lúdico de alguns autores.

Grande abraço e parabéns pela colaboração.

Marcos Paulo Carlito · , MS 8/12/2007 18:08
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Ize
 

Maravilhosa a matéria. Parabéns! Lembrei-me de Chartier e de Manguel, que abordam o livro como artefato, e de Lucia Santaella e Arlindo Machado que falam que as novas tecnologias não determinam a morte do livro, mas interferem nos formatos e conteúdos.
Com certeza vou comprar o livro.
Salvei seu texto porque este tema me interessa demais.
Parabéns!
Abrçs

Ize · Rio de Janeiro, RJ 10/12/2007 23:24
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Lotierzo
 

Muito bacana o post! Só vi agora a msg, no hotmail. Mas mesmo não chegando a tempo, valeu à pena ler seu texto. Vou procurar pelo livro.
beijos

Lotierzo · São Paulo, SP 12/12/2007 18:38
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FILIPE MAMEDE
 

Vida longa ao livro... Sendo pragmático, não vejo o fim desse objeto tão importante. Como você bem disse em seu post, as novas mídias vão aparecendo e acabam convivendo. Foi assim com o jornal, foi assim com o cinema, com o rádio, com a Tv e, agora com a internet. Talvez a profusão de tantas mídias, acabem, como disse a Ize bem ali acima, interferindo nos formatos e nos conteúdos, mas não sentenciando o livro a um final.
Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 13/12/2007 09:18
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Ilustração na colaboração de Bob Wolfenson
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