O futuro, via Podcast?

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Delfin · São Paulo, SP
9/6/2006 · 93 · 5
 

Perto do meio do ano passado, aqui e ali, começaram a pipocar os pioneiros podcasters do Brasil. Transmitindo diretamente de suas casas para o mundo, via internet, diversos programas, principalmente de informação (noticiosa ou técnica) e musicais, invadiram a rede brasileira. Existem muitos destes podcasts iniciais (como são chamados estes programas disponibilizados via feed) bem interessantes, como os de Fred Leal e Gui Leite, que seguem fazendo história.

Porém, muitos dos pioneiros já desistiram, por diversos motivos. Muitas vezes é o descompromisso que faz com que os novos programadores desistam, simplesmente deixando de fazer seus programas sem qualquer explicação. Há pelo menos uma exceção a esta regra, no entanto: Alexandre Nix, que comandou, diretamente de Copacabana, um dos melhores podcasts da net nacional, intitulado Nightripper. Versando sobre o blues em suas mais variadas vertentes, seus ouvintes puderam se divertir com sua franqueza, seu relativo mau humor e a grande seleção musical. Também foi ali que muitos brasileiros puderam ter contato com uma visão particular do desastre em Nova Orleans, dada por Nix em um programa que, sozinho, vale uma aula de música.

Foi com Alexandre Nix que o Overmundo conversou no final de 2005 sobre seu programa, os motivos do fim e sobre sua opinião acerca do futuro da transmissão via podcasting. Confira:

Quando começou o nightripper?
Maio de 2005.

E durou quantas edições?
35

Qual a sua intenção ao criar o podcast?
Eu queria aproveitar que o boom dos podcasts brasileiros estava começando para divulgar o gênero entre os internautas. Blues não é um gênero musical normalmente divulgado, então a minha idéia foi apresentar as músicas e contar um pouco sobre a música e os artistas.

Porque o pod acabou? Era uma idéia que vinha do início ou simplesmente aconteceu?
No início eu não tinha idéia de quantas edições faria. Eu sabia que não era algo para se fazer ano após ano, mas não pensava muito a respeito. O que aconteceu é que depois da décima edição eu fui percebendo que o pod deveria terminar em algum momento em que me sentisse satisfeito... Em certo momento fiquei satisfeito com a amostragem que apresentei.

O Nightripper estava no ar quando aconteceu a tragédia de Nova Orleans. Como isso refletiu no programa?
Refletiu em um episódio em homenagem à cidade. Eu tinha retornado de lá no começo do ano e foi bem triste fazer aquele episódio. Acabei apagando e fazendo novamente porque a primeira versão estava extremamente depressiva, muito longe do estilo do programa e até de uma das características marcantes da 'filosofia' que o blues traz: a superação do que lhe aflige.

Quais você crê que sejam as possibilidades do podcast?
Eu imagino que seria muito interessante aliar o podcast com a tecnologia wireless e equipamentos de som padrão de forma que qualquer um pudesse ouvir seus programas diretamente em seus rádios, ouvir no carro um programa recém produzido poderia ser bem divertido, mas por outro lado não vejo um interesse comercial que justifique tal coisa. Não acho que o podcast será muito mais do que é hoje. Na verdade não acho podcast nada revolucionário.

No que você acha que esse movimento todo em torno do podcasting vai dar, então? Em nada?
Basicamente. Mas temos aqui duas vertentes básicas de podcasts: o informativo e o musical. É claro que um podcast pode ser as duas coisas, mas acho melhor falar dos dois estilos separadamente. O musical, por exemplo. O público que ouve música no rádio continuará a fazer isso porque vai ouvir rádio, porque isso integra o ouvinte com a massa. Ele não está interessado em música folclórica norueguesa ou polca. O público que tem acesso ao podcast também tem acesso ao que o podcaster pode oferecer, então aí é só uma questão de comodidade versus interesse. Para que que vou ficar esperando um podcaster me mostrar uma música nova da minha banda predileta se eu também posso acessá-la através da internet?
A coisa funciona parecida com os podcasts informativos. Se o podcaster transmite alguma informação que não saiu antes nos meios de comunicação de massa ou na internet, é algo que gera interesse entre os ouvintes. Mas ele se responsabilizará pela verdade dos fatos? O ouvinte terá confiança nele? Acho meio complicado isso.
É por isso que o Nightripper terminou. Quem quiser ouvir blues agora pode simplesmente procurar por si só. Quem não tiver disposição pra tal, que ouça rádio.

E quem quiser ouvir o Nightripper, ainda pode? Ele ainda está disponível?
Nope! Não tenho como manter os arquivos pra sempre no ar.

O Odeo (catálogo de pods internacional) não faz isso ainda?
Talvez. Não sei. Acho que sim. De repente dá pra ouvir por lá. Mas muitos estão com problemas (como fast forward). A verdade é que não dou mais a mínima pra podcast.

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Maíra Villela
 

Gostei da entrevista, bem legal !
Mas acho que no texto de abertura faltou uma explicação básica a respeito do que é um podcast, como funciona e talvez como as pessoas fazem para ter um. Eu sei que logo após a leitura posso ir até o google e pesquisar mais a respeito, no entanto senti falta disso tudo aqui.

Maíra Villela · Maceió, AL 9/6/2006 15:24
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Delfin
 

Eu tentei compensar isto com os links, que detalham, melhor do que eu poderia, todos os meandros da questão dos podcasts.

Delfin · São Paulo, SP 11/6/2006 23:45
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Sá Reston
 

Muito boa a matéria!! Eu produzo um podcast de música instrumental brasileira - Miscelânea Vanguardiosa e , como tal, não podia deixar de agradecer pela força aos podcasts...
Abraço!!!!

Sá Reston · Rio de Janeiro, RJ 12/12/2006 16:54
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Sá Reston
 

Não concordo com tudo que o Alexandre Nix disse, mas o fato de o tema estar em pauta já é válido...

Sá Reston · Rio de Janeiro, RJ 12/12/2006 16:57
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Mitchel Bruno
 

tambem não concordo com algumas coisas.. tipo "que o podcast será muito mais do que é hoje". esse cara tá louco?? aonde ele vive? xP

deixa vir a tal da tv digital (com canal de retorno, isto é, lá pra mais depois de uns anos que ela chegar..), dá rádio digital e da tão esperada convergência que podcast no dial vai jorrar como água..

** ou seja.. todo mundo poderá ser radialista e estará resolvido um monte de problema, tais quais os das rádios comunitárias, por exemplo.. (não que isso seja de todo bom.. ** imagina quanta porcaria vamos ter! o// ** mas vamos pensar pelo lado positivo da coisa.. ^^)

Mitchel Bruno · Recife, PE 19/12/2006 02:50
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