O GRANDE PONTO

Jaeci E. Galvão
O grande ponto - Natal/RN
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FILIPE MAMEDE · Natal, RN
25/4/2007 · 297 · 40
 

Toda cidade que se preze tem uma rua, uma praça, um largo ou uma esquina onde a patuléia se reúne para conversar “miolo de pote”. Fosse na Ágora em Esparta, na Acrópole em Atenas ou no Capitólio em Roma, a falação era uma só. Também por estas terras muitos são os cantões que nasceram para o falacioso propósito. Em Curitiba, a famosa Boca Maldita, reduto de toda sorte de gente: juízes togados e de futebol, médicos consagrados e os anônimos “Zé Povinho”. A Boca Maldita ficou famosa quando, só falando mal, derrubou o governo de Leon Peres...

Rumamos um pouco mais em busca do sul maravilha e chegamos ao Largo do Medeiros em Porto Alegre. O lugar virou ponto “coloquial” desde a revolução entre chimangos e maragatos. Enfrentou vários governos e algumas ditaduras gaúchas e federais. Mas está lá. Resistiu... Cruzando de uma ponta à outra do mapa e voilá! Aportamos no Grande Ponto, verdadeira instituição do povo natalense.

Era uma vez...

O cantão do Grande Ponto ganhou vida quando, lá pelos idos da década de 20, o português Custódio de Almeida inaugurou o Café Grande Ponto, ali no cruzamento da avenida Rio Branco com a rua João Pessoa. “Mercearia afreguesada, com algumas mesas para se tomar cerveja; no salão ao lado, dois bilhares utilizados pelos devotos do divertimento”. (Câmara Cascudo – com a devida citação)

Algum tempo depois o Café Grande Ponto fechou as portas. Mas o nome passou a ser a denominação daquela encruzilhada. Ali cruzavam todos os bondes elétricos, único transporte coletivo existente á época. Era o ponto inicial para os bairros de Petrópolis e Tirol. Havia também a linha circular, que ia e voltava do bairro da Ribeira.

Além do café e dos bondes, mesmo em diferentes épocas, em cada esquina daquele cruzamento existia uma edificação marcante. De um lado o Café Avenida, local de encontro e “onde se tomava um bom caldo de cana”. Do outro, o lugar onde jet-set da cidade se reunia; o Natal Clube. Anos mais tarde, a Confeitaria Helvética, o cinema Rex, o Café Maia, a Sorveteria Cruzeiro. O Caldo de Cana do Raimundo, a Loja Seta, que algumas primaveras depois Nevaldo Rocha transformaria no que hoje são as lojas Riachuelo. O termo ainda não existia, mas o happy-hour ganhava um endereço eterno.

Um verdadeiro púlpito á céu aberto, o Grande Ponto era um catalisador, um chamariz. Comerciantes, profissionais liberais, desembargadores, professores, poetas e artistas. Existiam grupos para conversas de todos os tipos e calões: futebol, política, religião e até safadeza.

Durante a II Grande Guerra a “esquina do mundo”, como apelidou Djalma Maranhão, prefeito de Natal na década de 60, começou a funcionar o “Serviço de Alto Falante”. Todos os dias, às sete da noite, o Serviço transmitia músicas e, às nove horas, retransmitia o noticiário da BBC de Londres. O número de “grandepontenses” crescia de maneira acelerada...

É por essas e outras que aquele cantão não se extinguia. “Ali, a democracia participativa criava raízes”, pois a discussão era permanente. A falação resolvia todos os problemas, fossem eles, nacionais ou importados. Como dizem os versos do poeta Celso da Silveira, o Grande Ponto era “centro referencial de política e cultura, de oposição e governo; a palavra ali falada no palanque dos comícios, ganharam tal ressonância, que nos seus cantos ecoam”.

O ponto dos grandes homens

Naquela encruzilhada o mestre Câmara Cascudo comandava o papo com certa soberba. Sempre de posse do seu charuto Suerdiek, do tipo puro baiano ou Corona Priveé, falava dos compassos flutuantes da política, da cultura e do folclore. Outro célebre habitué do Grande Ponto era Djalma Maranhão. “Plural e dionísico, sentimental e romântico, vivia permanentemente em contato com todas as classes”. Como dizia o poeta paraibano José Condé, o então prefeito, “transformou Natal numa verdadeira Passárgada cultural”. Grande Ponto de carnavais, dos autos folclóricos e das manifestações políticas.

Ex-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, o desportista e conversador João Cláudio Machado junto com seu grupo de noctívagos varavam as madrugadas em falácias intermináveis. Era o “reitor” naquela “universidade” chamada Grande Ponto. Por ali passaram grandes figuras, a maioria, atualmente, é nome de rua, escola e até estádio de futebol como o Machadão. O Grande Ponto é chão de luta e também história de amor a terra. Hoje é tema de livro, de tese de mestrado e, sobretudo, objeto da saudade daqueles que freqüentaram o mais famoso cantão da cidade.


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Egeu Laus
 

Beleza Filipe! Vamos trazer o espírito das cidades aqui para o Overmundo!
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2007 10:01
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Guilherme Mattoso
 

as fotos estão ótimas!

Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 25/4/2007 10:12
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Cida Almeida
 

Filipe, gostei muito de conhecer mais sobre Natal tendo a sua fina escrita como guia. Parabéns! Destaco ainda a belíssima introdução. Realmente, toda cidade tem o seu grande ponto. Em Goiânia a grande referência de todos os tempos é sem dúvida o Café Central, onde povo e elite se misturavam...
Abraços.

Cida Almeida · Goiânia, GO 25/4/2007 10:45
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FILIPE MAMEDE
 

Pois é Cida, acho que todos que lerem esse texto, vão se indentificar com alguma coisa. Obrigado pelo elogia.Abraço

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 25/4/2007 10:51
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Yuno Silva
 

aê Filipe, valeu mesmo!!
Esse Grande Ponto tem realmente muita coisa pra contar...

ah, e foi um prazer te conhecer pessoalmente durante aquela entrevista. gde abraço

Yuno Silva · Natal, RN 25/4/2007 10:52
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Delfin
 

Espírito das cidades, uma boa!

Delfin · São Paulo, SP 25/4/2007 11:10
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Maringá
 

Achei ótimo o texto, e gostei muito da introdução em que você cita a Ágora, a Acrópole e o Capitólio, demais! Aqui no Rio existem vários cantões, botecos, esquinas e praças onde as pessoas costumam se reunir para jogar aquela conversa.

Maringá · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2007 11:31
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El Gabri
 

Leve, lírico, atemporal. Faço minhas exatamente as palavras que o companheiro citou anteriormente, de trazer o espírito das cidades. Pegar os epicentros de pulsão de uma cidade, pensar sua história e seus movimentos, etc e tal. Fantástica a sua escrita. Abraço.

El Gabri · Brasília, DF 25/4/2007 11:31
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Yuno Silva
 

abaixo link com fotos antigas de Natal:
http://picasaweb.google.com/SOS.Ponta.Negra/NatalAntiga

Yuno Silva · Natal, RN 25/4/2007 11:55
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Saulo Frauches
 

Fiz um passeio por Natal sem sair da cadeira :)
Ótimo texto!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2007 12:59
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isaac_lira
 

Vlw pelo texto, Filipe... mto bom. Conversando com Vicente Serejo fiquei sabendo que há uma coletânea de textos sobre o Grande Ponto lançada já há algum tempo. Filipe, Yuno e galera de Natal sabem alguma coisa a respeito ??

isaac_lira · Natal, RN 25/4/2007 13:56
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Yuno Silva
 

Isaac, realmente não tenho informações sobre isso

Yuno Silva · Natal, RN 25/4/2007 14:41
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Roberta Tum
 

Oi Filipe, vim conferir e adorei o texto. Realmente todos as cidades têm seus points especiais, essa mistura, parabéns!

Roberta Tum · Palmas, TO 25/4/2007 14:45
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FILIPE MAMEDE
 

Isaac, eu sei dessa coletânea sim. Na verdade até tive acesso a uma pequena parte dela. Roberta, que bom que vc gostou. Acredito que toda cidade deva ter um "cantão" como esse. Lugar onde coisas bacanas aconteceram. Acho importante fazer esse tipo de resgate. Abraço a todos que leram e comentaram por aqui.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 25/4/2007 16:47
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Dots
 

Cara, Fabuloso.

Eu acho importantíssimo o amor as cidades, sejam elas quais forem!

Parabéns pelo texto!

Dots · São Paulo, SP 25/4/2007 16:47
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Yuno Silva
 

Isaac e Filipe, tenho um livro do Eduardo Alexandre sobre o Grande Ponto .. mas não é uma coletânea. É mais um documento histórico mesmo!!

abraços

Yuno Silva · Natal, RN 25/4/2007 16:48
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Clotilde Tavares
 

Quando cheguei em Natal, em 1970, já havia passado a época do Grande Ponto. Os intelectuais se reuniam na Av. Rio Branco, em outro lugar, um pouco mais abaixo, em frente à Livraria Universitária onde hoje é... (o que é hoje mesmo?...). Mas o nome ficou, com um apelo tão forte que batizou o auditório da Bienal Nacional do Livro de Natal, que acontece agora de 31/05 a 09/06. Como assessora cultural do evento, comunico que haverá uma programação muito interessante no auditório Grande Ponto Literário. A entrada é franca.

Clotilde Tavares · João Pessoa, PB 25/4/2007 17:10
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Osvaldo
 

Parabéns, Felipe!!!

Osvaldo · Olinda, PE 25/4/2007 18:22
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InDioZinHo
 

Massa Felipe, tá falanto um texto sobre Currais...

InDioZinHo · Currais Novos, RN 26/4/2007 00:14
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Yuno Silva
 

InDioZinHo, manda um daí de Currais então .. abraço

Yuno Silva · Natal, RN 26/4/2007 01:31
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Marcus Assunção
 

Parabéns, mermão. Continue.

Marcus Assunção · São João del Rei, MG 26/4/2007 11:26
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Daniel Duende
 

Texto fino, leve, gostoso de ler. Sobretudo uma homenagem que me parece digna do Grande Ponto -- que ainda não conheço -- da cidade onde cresceu meu pai!

Parabéns pelo texto, Felipe.

Abraços apertados do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 26/4/2007 11:31
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Isabela ramos
 

Parabéns Felipe, muito bom seu texto, fez lembrar-me também do amor que sinto pela minha terra.
Lindas palavras!

Isabela ramos · Teresina, PI 26/4/2007 14:16
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Helena Aragão
 

Isabela, então nos conte sobre sua cidade por aqui. Achei o nome dela um charme :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2007 14:23
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Jordana Mamede
 

Muito bem escrito! É importante o resgate das coisas da nossa terra.

Jordana Mamede · Currais Novos, RN 26/4/2007 14:49
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Spírito Santo
 

Maravilha, Felipe!
Na nossa cidade sempre cabe o mundo inteiro.

Abs,

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2007 18:10
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yanpai
 

Também gostaria de congratular o autor pelo belo artigo.
Visito Natal a trabalho com freqüência, e quando posso perambulo pela região central. Acho interessante ver o contraste entre a área turística da cidade, com todas as modernidades, e a área central, com sua imponente tranqüilidade.

yanpai · Recife, PE 26/4/2007 18:24
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Isabela ramos
 

com certeza Helena, quero muito mostrar para todos os overmanos a história da criação da minha cidade, é algo inédito em qualquer processo de formação de cidade!! rsrsrsr só não tive tempo ainda pra terminar alguns ajustes no texto, mas logo logo vc vai ver. Ah! e só adiantando já, o nome Alegrete significa terra onde o sol nasce, mais ou menos isso.
beijos!

Isabela ramos · Teresina, PI 26/4/2007 19:54
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Francinne Amarante
 

gostei muito. parabéns!

Francinne Amarante · Brasília, DF 27/4/2007 00:18
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Rakel de Castro
 

Bem, fruto ou não das nossas conversas a respeito de contextualização, o seu texto me fez experimentar a mais bela manipulação didática dos contextos hitóricos que me conduziram até o "Grande Ponto"...MUiiiiiito bom...

Rakel de Castro · Natal, RN 27/4/2007 23:01
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Léo Valente
 

O texto é muito bom, mesmo. E, como aconteceu com os outros, me fez lembrar da Praça do Ferreira em Fortaleza, ponto-de-encontro de todas as épocas e onde, em meados do século passado, a população se reuniu para vaiar o Sol.

Léo Valente · Natal, RN 28/4/2007 17:19
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Adroaldo Bauer
 

Que mais dizer, Filipe, a não ser um "de acordo" com as viagens mis que o texto possibilita.
Natal é ótima. Sempre falo bem dela aqui em casa, e só passei quatro dias aí.
Grande texto para o Grande Ponto.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 30/4/2007 17:43
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adriomed
 

Muitíssimo interessante...
Repleto de curiosidades
e muito bem contextualizado...
Sempre bom ter conhecimento de nossa terra e nossa gente
Destro deste aspecto, o Grande Ponto tem sua importância como objeto de estudo sociológico.
Meus parabéns!

adriomed · Natal, RN 2/5/2007 17:14
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Vinícius Menna
 

Essa sua pegada histórica é muito legal, meu velho! Percebo que tens o maior prazer nisso!! Continua mandando ver!

Ah, e o assunto dessa vez foi o que eu mais curti.

Abraço!

Vinícius Menna · Natal, RN 3/5/2007 15:13
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Fê Pavanello
 

Adorei!

Fê Pavanello · Brasília, DF 2/6/2007 00:36
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crispinga
 

Votadíssimo! Rua Jõao Pessoa, Av. Rio Branco, bairro de Petrópolis,Câmara Cascudo...E eu não conhecia nada do Rio Grande Do Norte!Belo texto!
BJS
CRIS

crispinga · Nova Friburgo, RJ 10/7/2007 19:49
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
 

Belo, maravilhoso, sem palavras para descrever, tanto no contexto histórico, quanto visual. ( as fotos estão maravilhosas). Fui apresentada recentimente a este overmundo e confesso que estou apaixonada. Seus textos são maravilhos ( sobre a rua Chile eu adorei), só não entendi, me explique, não foram publicados?. Se não foram, vou fazer uma nota de repúdio! (rss).
Elizete

Elizete Vasconcelos Arantes Filha · Natal, RN 4/8/2007 17:40
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Andre Pessego
 

Felipe, meu reporter,
estava lendo o "TRILHAS URBANAS", mesmo para brir os link
e achei o grande ponto que não tinha visto.
valeu a pena, um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 8/12/2007 16:17
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Barão Potyguaras
 

Sr. Felipe: - Excelente reportagem que me faz lembrar o final dos anos 58/59, quando chegava as festas de final de Ano, meu pai sempre me levava junto com meus irmãos e minha Mãe ao Grande Ponto para tomar Sorvete, e conversar com os amigos. Conheci Camara Cascudo nessa época e algumas pessoas importantes de Natal. Tinha 07 anos de idade.

Barão Potyguaras · Curitiba, PR 27/3/2011 15:47
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Myrthô Andrade
 

Myrthô Andrade · Natal, RN 9/6/2012 17:53
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Djalma Maranhão em discurso inflamado no Grande Ponto zoom
Djalma Maranhão em discurso inflamado no Grande Ponto
Inauguração do calçamento da Av. Rio Branco zoom
Inauguração do calçamento da Av. Rio Branco
O mestre Câmara Cascudo e seu inseparável charuto zoom
O mestre Câmara Cascudo e seu inseparável charuto
O Grande Ponto atualmente - Um lado da rua zoom
O Grande Ponto atualmente - Um lado da rua
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