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O imprescindível. O básico. O excesso.

marcelo santiago
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marcelo santiago · Sabará, MG
16/5/2006 · 65 · 1
 

O imprescindível. O básico. O excesso.

Desta forma dividi-se o trio cearense de electro punk Montage, que se apresentou em Belo Horizonte na sexta-feira dia 05 de maio como uma das atrações do festival Showcase, na recém-aberta boate Mary In Hell. Dissecando a formação da banda, o papel de cada integrante da Montage poderia ser descrito da seguinte forma:
· o imprescindível: Leco Jucá, com seu laptop Macintosh e demais apetrechos eletrônicos, proporcionando bases certeiras, variáveis de synth pop ao industrial.
· o básico: Patrick Bachi, sua Fender Squire e uma pedaleira estrategicamente localizada em cima da mesa, resultando em distorção, muita distorção e acordes bem tocados.
· o excesso: no dicionário electro tupiniquim a palavra excesso vem ao lado do nome Daniel Peixoto. Este nome aliás, é acompanhado também das palavras poser, glam, andrógino e wannabe. Ou seja, ele é uma pessoa que significa muito. Mais do que vocalista da Montage, Daniel é seu frontman, um performer que entretém mesmo quando é substituído por frios vocais computadorizados. Sem contar que ele empina o bumbum para ser apalpado pela platéia...

Em cima do palquinho da Mary In Hell a Montage provou o porque do destaque recebido pela banda ultimamente. Muito melhor do que em estúdio, o som da banda ao vivo é encorpado, com um incrível punch, em grande parte devido à ótima guitarra de Patrick. Músicas como “i trust my dealer” (que abriu o show) e “raio de fogo”, que já são ótimas em estúdio, ficam ainda melhores ao vivo. “Ginastas cariocas”, que em estúdio praticamente não tem guitarras, ganha um peso incrível e com certeza foi uma das melhores da apresentação.

A dinâmica de palco da banda parece detalhadamente programada e ensaiada, mas funciona muito bem. De um lado o blasé Patrick cuspindo riffs barulhentos, quase imóvel durante todo o tempo, dando o ar rock n roll à banda. Do outro lado, Daniel, o Brian Molko brasileiro, fazendo caras e bocas, se jogando no chão e cumprindo com louvor seu papel de vocalista-entertainer. E lá no fundo, atrás da mesa, o que parece ser o cabeça da banda, Leco, suando horrores para manter as bases que mantém a Montage (se Leco é a cabeça da banda, encare Patrick como a alma e Daniel como, bem, o corpinho sarado).

Para ter uma idéia de como foi o show da Montage em BH, imagine uma mistura de Ladytron, Placebo e Miss Kittin, tocado pelos personagens do filme Party Monster em um verdadeiro inferninho electro. Aliás, a cover tocada no show foi justamente da trilha sonora do filme, a música “money, success, fame, glamour”. Ao menos uma destas quatro coisas a banda já tem de sobra.

De certa forma a sonoridade chega a ser repetitiva e um pouco básica demais em alguns momentos (leia-se pouco original), mas a sonoridade não é o único fator importante na Montage. Trata-se de uma banda na qual a imagem é quase (ou igualmente) tão importante quanto a música. Um show não apenas para dançar ou bater cabeça, mas para extravasar, estimular a libido e pensar, ao menos por um momento, que o real não importa.

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fotos do show
tramavirtual da banda

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Alex èrza
 

Daniel, GREAT.

Alex èrza · São Paulo, SP 9/3/2009 12:55
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