O LIVRO FANTÁSTICO DE FRANCIORLYS VIANA

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Edevaldo Leal Costav · Ananindeua, PA
21/1/2015 · 1 · 0
 

O LIVRO FANTÁSTICO DE FRANCIORLYS VIANA
Edevaldo Leal Costav
Seres imortais, dragões, anjos, deuses e androides compõem a narrativa de Fantasilhoso, o livro mais recente do autor paraense Franciorlys Viana. Quarenta e seis histórias narradas em 249 páginas (selo IAP, edição 2014) retratam as virtudes, os defeitos, as glórias e as derrotas dos personagens criados pelo autor, tal como ocorre com o homem. ”Todos estes seres são dissecados como metáforas da humanidade”, diz Franciorlys, 31, formado em Letras pela Universidade Federal do Pará, leitor e admirador de Gabriel Garcia Márquez, Borges, José Saramago, Kafka, Vargas Llosa e do brasileiro Nelson Rodrigues. Fantasilhoso, neologismo formado pelos termos ”fantástico” e “maravilhoso”(referência ao realismo maravilhoso) segue a linha estética das chamadas literatura fantástica e realismo maravilhoso, e dialoga com as ideias e conceitos difundidos pelo boom que atingiu a literatura latino-americana. O livro ganhou o primeiro lugar do “Prêmio Maria Lúcia Medeiros” do concurso IAP de Artes Literárias, no gênero conto. Franciorlis Viana vem se destacando como uma dos principais nomes da literatura paraense contemporânea. Este, aliás, é o terceiro prêmio literário do autor, que já foi contemplado com o Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir(livro Ojos) e II Prêmio Proex de Literatura/UFPA. Bem à vontade, Franciorlys abre a alma e fala um pouco de seu livro: “chegou a hora do FANTASILHOSO, meu livro, escrito no interior do labirinto em mim, um processo de análise e interpretação do mundo que trago (e o mundo fora não conhece), e do mundo que me traz (e conheço em sombras...). Escrevi-o com um desejo imenso de – como expresso ao longo de suas páginas – ‘enxergar o inenxergável’.Não sei se consegui enxergar o que pretendia, mas não me culpem. Jorge Luis Borges escreveu sobre o Aleph, passou a vida inteira atrás desse Alpeh, e não o achou. Esta busca fez-se sua vida. Assim, almejar ver o que olhos habituados ao mal da realidade são impedidos, tornou-se o que sou, o que escrevo, o que sonho (olhos fechados ou abertos)”.


Perguntado se Fantasilhoso deve ser visto só como um conjunto de contos, ou se poderia ser lido como romance, uma vez que as histórias têm ponto de partida e de chegada definidos, Franciorlys esclarece :”Embora seja uma coletânea de textos breves, há uma coluna vertebral, que visa unificar a obra.” Refere-se o autor ao conto inicial e ao conto final. ”No conto inicial, temos a figura de um homem, triste pela morte da mulher amada. O homem triste resolve sentar-se no Portal da Amazônia e, ali, surge um fabuloso menino que o conduz num voo sobre a Baía de Guajará, rumo ao universo Fantasilhoso. No conto final, esse homem retorna ao Portal, e relata que, no meio do voo, o menino se transformou em um dragão”, diz o autor. Fantasilhoso é esse voo na companhia do dragão e, para saber sobre a experiência de voar com um dragão, é preciso seguir um plano: a leitura dos contos fantásticos e maravilhosos que Franciorlys Viana escreveu. Por enquanto, fiquemos com um trecho do conto “Os olhos do dragão”:
”O dragão me deixou no Portal da Amazônia, início de tudo. Restando-me sérias dúvidas se fui demovido em meu corpo ou em mente. De qualquer modo, não era mais igual. Eu mudei, e o mundo abscindiu sua monotonia. Contemplei a face-essência nos olhos do dragão, e me vi por dentro como o anverso das coisas: deus como o diabo e o diabo como deus. Ainda estou me habituando a mim.”


Daniel Leite (vencedor de vários concurso literários e oito livros publicados), o escritor que prefacia o livro, diz que, na obra, “...há uma harpia, que nas primeiras páginas do livro, levará a mundos inacreditáveis aquele que lê as suas asas. Há um homem e seu menino, seu voo dragão. No estalar dos silêncios nos passos das páginas ‘há abismo que convida abismo’ dentro de um alinhavar esfíngico onde realidade e ficção se fundem em um ‘ transtempo benedictiano’. Porto, maré lançante e gênese, águas navegadas de um boom latino-americano, este Fantasilhoso busca a sua própria planície dicção, as suas águas barrentas, os seus íntimos escuros das suas águas imaginárias.” O veterano escritor Daniel Leite diz mais em seu prefácio: “...dos olhos das suas várias leituras, o escritor nos alumbra com a alquimia da linguagem. Mundo e desmundo, tudo ‘vira palavra’, vira fascínio”.
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SERVIÇO:
Fantasilhoso: gênero conto.
Autor: Franciorlys Viana.
Selo: IAP, edição 2014, 249 páginas.
Capa e ilustrações: Fábio Lima Jansen /Anselmo Gomes de Souza.
Preço:R$35,00(incluído o frete).
Contatos com o autor: cristofobo@hotmail.com/(91)980566750

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