O Lula e o Aranha

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thaís moraes. · Recife, PE
1/8/2007 · 22 · 11
 

Algo que me marcou muito, ainda na infância, quando eu costumava assistir muito ao Homem-aranha, foi uma coisa que o tio Ben disse para Peter Parker: “Grandes poderes exigem grandes responsabilidades”. Isso repercutiu intensamente na forma como o Aranha encarava a vida, e foi o que determinou que ele se tornasse um super-herói e não um super-vilão.

O que acontece frequentemente, quando não há alguma frase imponente como esta ecoando em nossa consciência ou não temos uma índole tão bem estruturada como parece ser a dos grandes heróis da ficção, é que usemos o poder para benefício próprio.

O poder deslumbra, o poder fascina e cega. É capaz de enfraquecer ideologias, desestruturar propostas e transformar pessoas em pacotes de hipocrisia. Ao longo da história, recorrentes são os casos de ideais traídos e revoluções minadas ao menor contato de seus líderes com o tão perigoso poder.

Parece-me, no entanto, que estamos vivendo mais um destes casos. O que é uma pena porque mostra o quão pouco nós aprendemos com a história. O ex-metalúrgico, ex-líder sindical e atual presidente da República vem decepcionando profundamente aqueles que o concederam o poder. E não foi uma aranha geneticamente modificada, fomos nós, o povo brasileiro.

Digo isto porque, diferentemente da aranha em relação a Peter Parker, nós depositamos expectativas no governo Lula, esperávamos que ele tivesse uma postura diferenciada com a população, porque tínhamos necessidades urgentes.

Tais necessidades não foram atendidas, e o que vemos é o colapso generalizado de diversas instituições. Depois dos comentários dos políticos que mais parecem boas piadas, o que mais ouvimos nos jornais é a palavra ‘apagão’. Apagão aéreo, apagão da educação, apagão da saúde, apagão moral.

Lula era um herói em potencial, hoje é uma potente frustração. Teve uma chance, está tendo agora a segunda. Ele se propôs a ser um herói, discursou como um herói nas inúmeras eleições em que foi candidato à presidência. Assumiu, pois, o poder, mas não está assumindo suas responsabilidades.

E, como eu já disse, este é um problema antigo, apesar de atual. Problema recorrente na política brasileira, como deixa transparecer Darcy Ribeiro, ainda em meados da década de 70: “Nada é mais continuado, tampouco é tão permanente, do que essa classe dirigente exógena e infiel ao seu povo”.

Talvez seja a hora de nós, brasileiros, seguirmos o exemplo do tio Ben e tentarmos mostrar para Lula que precisamos de alguém que nos represente, que use seu poder para nos ajudar, o que aliás, não seria caridade, mas a obrigação de um presidente. Alguém que assuma o ônus e o bônus. Mais do que tudo, alguém que se assuma.

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Labes, Marcelo
 

Olá Thais. Não sei se já leste o Participe do Overmundo, por isso te recomendo a leitura. Não que eu não queira saber a tua opinião sobre o governo, muito pelo contrário - porque eu também tenho uma. Só acho que poderíamos aproveitar esse espaço em prol da produção cultural brasileira.

Fica a dica! Participe!Participe

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 30/7/2007 13:42
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Andre Pessego
 

Oi Thais, eu li com muita atençao o seu texto. Você tem toda a razão porque a convicção é sua. Mas nós precisamos rever a história, se não vejamos:
a) Darcy Ribeiro foi dos que mais comeu na seva do poder de estado. Em 1964 Darcy já tinha sido tudo de indigesnista, reitor, ministro. Olha, no livro do Darcy - o que ele faz e o que voce faz, esbraveja, condena e não aponta uma solução. É esta a marca do intelectual brasileiro. No poder enche a pansa, fora dele joga pedra, (para voltar);
b) O Brasil é governado, históricamente por intelectuais. Não é por pedreiro, servente, eletricista, etc. Ao contrário da Europa e America do Norte que são governadas pelo poderio economico. Intelectual é formado para ser gerente e não governante.
c) No Brasil sempre a culpa de tudo foi o aumento do dolar; hoje e a 4 anos, quase, o dolar vem caindo. Por que?
d) - Por fim qual a solução? a solução é tirar o eixo do poder das maõs dos intelectuais. Trnasforma-los em gerentes, como eles são nos bancos, nas empreiteiras. Quantas empreiteiras pertencem a intelectuais?
Thais, acho estremamente válida a sua colocação a veiculação.
E a sensura deve ser de cada um. Quem não goste, quem não estiver afim que não leia. A liás o intelectual brasileiro é isto, liberal ao extremo - desde que só valha a sua vontade. Que é o mal do Poder de Estado. Um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 30/7/2007 17:38
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thaís moraes.
 

Labes e A.Pessego, muito obrigada pelos comentários, muito construtivos, por sinal.
Labes, realmente não tinha lido o Participe. Obrigada pela dica. Não faço mais.
E A.Pessego, é verdade que o Brasil historicamente não é governado por homens do povo, e por isso que no texto trato Lula como uma exceção, uma exceção que podia dar certo e na qual depositamos esperanças. Mas que vem decepcionando, me decepcionando, pelo menos.
Essa questão do dólar, eu não entendi direito. Se a sua intenção foi insinuar que esse é um mérito do governo Lula, eu discordo. Afinal, o dólar está enfraquecido em relação a várias outras moedas, não só o real. Quero dizer, não é apenas o real subir, é que o dólar está descendo. Isso pode ser atribuído ao enfraquecimento dos EUA economicamente. É um cenário internacional favorável na economia que o governo Lula está pegando.
Quanto à solução, realmente não a sugeri. E não saberia apontar nenhuma. Espero que alguém aqui saiba, porque a esperança da gente vai se esgotanto a cada dia.
Obrigada, e me corrijam no que eu estiver errada.
Um abraço.

thaís moraes. · Recife, PE 31/7/2007 13:03
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Saramar
 

Thaís, eu gostei muito do seu texto.
Realmente, o poder não é só luzes e esplendor. É sobretudo, responsabilidade, muita responsabilidade.
Pena é que nossos "representantes" só enxergam o lado glamuroso.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 1/8/2007 16:57
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Andre Pessego
 

Thais, eu lhe acho tão bonita, tem ares ligeiramente da minha filha. E é com esta semelhança que me permito a lhe sugerir,
não faça isto "Nao coloco mais". Thais, até agora eu não li ninguem fazer qualquer mensão à História dos grêmios literarios do Brasil, e eles foram milhares. E eles, sim fizeram a sustentação política para a Independência do Brasil, pena que logo depois as Regências, leia-se as panças dos intelectuais tomaram o poder.
- A sensura, deve ser de cada um; quem gosta ler, opine, concorde, discorde. Quem não gosta não ler, não faça nada.
- Insurja-se, se eu pudesse.
- O caso do dolar. Todo economista diz que o Brasil não vive sem o capital externo, (tolice nenhum pais vive); que disse o Lula, "O capital externo também não sobreviverá sem o juro que pagamos". "Dividiu" as áreas de influências e sentou-se no meio.
- E o Lula, é o líder, a alma, de um Governo cuja execução é do intelectual. Voce já ouviu falar num pedreiro corrupto, carpinteiro, servente, faxineiro?
- Mas, estas colocações dão pano pra manga. Eu sou apenas um matuto de nascimento e prazer, um abraço,

Andre Pessego · São Paulo, SP 1/8/2007 20:49
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Labes, Marcelo
 

Meu caro A. Pêssego, minhas considerações: quando pedi à Thaís que lesse o Participe, estive dando a ela uma ajuda, mesmo porque parece que poucos colaboradores do Overmundo o fazem. Como dizes, não há menções aos Grêmios Literários, mas o texto da Thaís não trata de grêmios... pois não?

E, de fato, imagino que esse seja o caminho: quem quiser, que leia e vote. Quem ler e achar que o texto está no lugar errado, que tente conversar com seu autor. Mas, agora, quem lê, percebe que o texto está no lugar errado e mesmo assim se dispõe a discuti-lo, acho que também deveria ler o Participe.

Como disse à Thaís, também tenho minhas opiniões sobre o governo. Aliás, os governos, e nem sempre tenho com que discuti-los. No entanto, não o faço aqui no Overmundo por justamente zelar pelo espaço e pelo enorme carinho que tenho para este site. Acho imprescindível que cada brasileiro tenha a sua opinião e a exponha - afinal, estamos numa democracia. Mas eu não reclamaria da pirataria nos camelôs: o faria junto a um órgão competente. Compreendes?

Abraço cordial.

Labes.

Concordo contigo quando dizes que a censura deve ser de cada um - e é por isso que espero que cada vez mais pessoas leiam o Participe: para que pessoas como eu, que procuram entender o propósito desse site, não se passem por censores infames ao tentar redirecionar ao propósito do Overmundo.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 1/8/2007 23:45
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Andre Pessego
 

Labes, tenho grande admiração pelo seu trabalho. Tomei conhecimento DO GUIA, por um texto seu, e volto semanalmente ao guia dentre alguns por sua causa, e o faço praseirosamente.
Mas Labes o texto da Thais, não é planfetário, não é desarrasoado, é um texto conceitual, dentro de um momento Histórioco, que por época esta o Governo Lula, poderia ser outro, creio.
- Esta página existe, como o buraco que tem na minha rua pela ação política, (ou in-ação) de Estado. Ação de um Ministro, o Gil, que vive correndo pedindo favores e atenção dentro do proprio governo, nas suas empresas, nas privadas etc.
- E o intelecutal brasileiro é isto mesmo. Ele olha para a sua pança. Labes, tem tantos escritos feitos por intelectuais, contra a sensura, contra a tortura, contra as ditaduras. E ai Lbes,
- Nem um pedreiro foi sensor. Todos foram intelectuais;
- Nem um carpinteiro foi delegado das torturas, todos intelectuais, civis ou militares.
- Agora num espaço destes se defender sensura, sinceramente
o intelecutal brasileiro está vivendo as regências do pós independencia.
Labes, quero reafirmar o quanto admiro o seu desvelo no divulgar fatos, lugares, acontecimentos, um abraço, andre
-

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/8/2007 09:17
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Juliaura
 

Eu prefiro, ainda, o Saci Pererê.
E tenho também um posição política, que a defendo para a sociedade em um partido político em que atuo.
E também adoraria conhecer tuas contribuições em, digamos assim, cultura mais pão-queijo-queijo-pão tipo literatura, música, teatro, dança, capoeira, cinema, fotografia, religiosidade, pensamento e a evolução dele, coisa pouca, café pequeno pra se tratar, mas também necessária, porque se faz necessária e nos diferencia dos outros bichos,tahís.
O que vou fazer logo, logo, vistando o teu perfil e teus postados outros.
Esse aqui repete outros que já aportaram aqui e alhures com uma insatisfação genérica e o apelo a uma ação de um sujeito inexistente e, alguns, de querer mudar o mundo pela palavra.
Acho que nem é essa a palavra, nem é o lugar.
Por precaução, ponho aqui uma posição que acompanho há algum tempo, para que acompanhe teu postado onde ele possa ir.
13 Novembro, 2006
A Exigência Social
No finzinho do milênio passado, os de esquerda escrevemos juntos no Brasil uma contribuição importante ao pensamento socialista do planeta: "Será estatal e público o que for socialmente exigido".
Não se apresse, mastigue as palavras, cada uma delas tem um conceito.
Será: programa.
Estatal: o que é propriedade e tem direção política do aparelho de governo.
Público: por óbvio, o que não é particular, privado.
O que for: uma diretriz condicionante que se impõe do passado ao futuro.
Socialmente: de modo coletivo, não particular ou de pequenos grupos.
Exigido: o que se impõe nas circunstâncias e na correlação de forças políticas de uma determinada sociedade.
O conceito combateu a degeneração do Estado implementada por Stalin na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), preservou a forma popular em que as conquistas da Revolução Bolchevique de Outubro de 1917 se deram: os sovietes articulados em ação popular de poder político.
E não se rendeu ao autonomismo, ao basismo, seja lá que nome queiram dar ao espontaneísmo na ação política em uma sociedade qualquer.
Embora tenha resultado de elaboração coletiva decidida por maioria e representasse um salto teórico de relevância histórica, o milênio findou sem que o conceito tenha sido experimentado às ganhas (na vera, diriam outros).
A ação concreta não verificou sua validade.
No entanto, continua válido a meu ver.
E carente de experimentação por forças políticas que se transformem em ferrramentas dirigentes da ação de massas.
Se a tarefa dos lutadores sociais é aumentar o grau de consciência do povo, se exigência não é mera reivindicação ou protesto, o patamar a ser ultrapassado requer conscientização.
E isto, pessoas queridas, se conquista com muito trabalho e paciência junto aos interessados em elevar o protesto e a chiadeira aos degraus da organização coletiva para a ação consciente.
Ah! Uma lembrança que quase me escapa: é essencial que a ação se dê articulada em todo o território e não dispense as ferramentas e os instrumentos de auto-defesa, sejam eles de propaganda e agitação, sejam os utensílios capazes de conter a sanha da força a ser removida para que se instale o exigido.
Recordemos que a física ensina sobre a imposibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço.
Idéias que têm força de permanência são mais sólidas que os corpos físicos, que se desmancham no ar.

O texto é de autoria de Adroaldo Bauer Corrêa.

Até.

Juliaura · Porto Alegre, RS 2/8/2007 11:48
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Egeu Laus
 

Pessoal,
Acho que esta' havendo alguma confusão:
Num livro de culinária com receitas de cozinha não se devem publicar textos sobre consertos de automóveis.
Isso não é censura. É bom senso.
O portal Overmundo trata de quê?
Leia-se o manual:
O objetivo é divulgar a produção cultural de todo o Brasil e de comunidades brasileiras espalhadas pelo mundo afora, sobretudo a que não tem acesso à grande mídia.
Simples...

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 2/8/2007 12:08
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Juliaura
 

Egeu,
Eu tenho perfeita sintonia com o que dizes.
Abra-se, já!, uma tribuna de debates sobre a conjuntura política no overmundo, porque ela está sendo entendida como a prioridade do momento por algumas pessoas e oriente-se a que lá não se publiquem textos relacionados a literatura, música, teatro, dança, turismo...
Quando se convidam pessoas para um batizado sempre aparecm os convidados da noiva e do noivo pensando que é a festa de casamento.

Juliaura · Porto Alegre, RS 2/8/2007 12:18
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thaís moraes.
 

Gostaria de deixar claro aqui que eu não encarei como censura de forma alguma. Achei muito adequada a observação feita sobre o objetivo daqui do overmundo, do qual eu não estava ciente.
Mas adorei a idéia da Juliaura, de criar um fórum dentro do overmundo sobre política. Afinal, a política permeia e influencia tudo numa sociedade, inclusive a produção cultural, a arte. Acho que seria muito enriquecedor um espaço desse por aqui!
Há alguma forma de reivindicar isso? Eu não sei como funciona...
Obrigada pelos comentários.

thaís moraes. · Recife, PE 3/8/2007 12:48
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