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O MAIOR CARNAVAL FORA DO BRASIL: ASAKUSA

Roberto Maxwell
carnaval à japonesa
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Roberto Maxwell · Japão , WW
5/10/2007 · 200 · 12
 

Para ver o samba passar, até o calor escaldante deu uma pequena trégua naquele 25 de agosto. O dia lindo e a batucada ao fundo fizeram parecer que estávamos todos nas ruas do Rio de Janeiro. No bairro mais tradicional de Tóquio, a alegria do carnaval brasileiro nunca parece deslocada, apesar do comedimento dos japoneses que assistem a tudo bem quietinhos, em contraste com a empolgação quase interativa da audiência do Sambódromo carioca. Na avenida, estão lá, mesmo que em pequena escala, o colorido das fantasias, os rodopios do mestre-sala e da porta-estandarte, as baianas, passistas em seus trajes mínimos e a tradicional batidinha no peito representando o amor pela escola. Sim, a ginga dos dançarinos não é a mesma e, por vezes, o samba atravessa nas dificuldades de se cantar na língua de Cartola. Porém, o sorriso no rosto daqueles que defendem a sua agremiação, nos carros ou no chão, não deixa nada a dever. Ajustes de última hora e nervosismo também são parte do ritual. Afinal, como nos carnavais carioca e paulistano, cada passo fora da harmonia pode custar pontos à escola. Do lado de fora, o público se aperta nas calçadas. É gente munida de câmeras e lentes poderosas para não perder nenhum detalhe da festa.

Brasileiros? Também estão lá, mais na audiência do que na avenida. Mesmo assim, a Nação Canarinho se vê bem representada por passistas nikkeis (descendentes de japoneses), belas mulatas e puxadores de gogó afiado. De um dos mais tradicionais redutos do samba fluminense, o Neguinho da Beija-flor faz uma performance discreta, mas nem por isso menos emocionante, no desfile da escola de samba Liberdade. É um momento de troca cultural entre Brasil e Japão que deveria ser estendido aos outros dias do ano.

O vermelho forte do Kaminarimon e das ruas de Asakusa criam a impressão de que não há fronteiras entre a cultura japonesa e o carnaval carioca. Aliás, pensando bem, o que são os matsuris, tradicionais festivais japoneses, senão carnavais à moda local? A resposta a esta pergunta pode ajudar a entender por que uma manifestação tão fortemente caracterizada como brasileira teve uma aceitação tão rápida entre os japoneses. Em Asakusa, conclui-se que o samba pode até ser nosso, mas o carnaval é realmente universal. Maior carnaval do mundo fora do território brasileiro, o Asakusa Samba Festival traz a cor e o suíngue do Brasil para o coração da capital japonesa

Em 27 anos, o maior do mundo fora do Brasil
A explicação para o Carnaval de Asakusa ter se tornado, em menos de 30 anos, o maior do mundo fora do território brasileiro é um mistério. Foi no início dos anos 1980 que o administrador de Taito, um dos 23 distritos especiais que compõem a Região Metropolitana de Tóquio, decidiu revitalizar a área de Asakusa, considerada a mais descolada da cidade nas eras Meiji e Showa. Foi lá onde brilharam os grandes atores do teatro tradicional japonês e das comédias. O novato cinema chegou ao Japão, em 1903, também por aquelas bandas. Com os braços abertos para tantas novidades, não foi à toa que o carnaval brasileiro encontrou espaço nas cercanias do Senso-ji, o templo mais famoso da capital japonesa. “Tudo o que chegava de novo no Japão entrava por Asakusa”, conta K. Umemiya, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Nakamise Bárbaros. Juntamente com Minoru Morohashi, vice-presidente da agremiação, ele relembra o início do carnaval de Asakusa. “As pessoas não tinham mais interesse pela área”, conta Morohashi. “Então, um ator japonês que tinha feito uns filmes antigos, procurou os maioriais do distrito de Taito e fez a proposta de um carnaval brasileiro”, prossegue ele. No grupo de pioneiros, registra-se a presença de Toshiro Ono (pai da cantora Lisa Ono) que imigrou para o Brasil anos antes com o intuito de fazer negócios na área de espetáculos. Ono, fundador da lendária Saci Pererê, a primeira casa de música brasileira de Tóquio, também foi o homem que levou os primeiros artistas brasileiros que se fixaram na Terra do Sol Nascente, dentre eles os percussionistas Francis Silva e Damião D' Souza.

Afinal, “por que samba?”, pergunto a Morohashi. “Não podia ser algo igual aos festivais que já existem no Japão”, responde o vice-presidente da escola 17 vezes campeã. “Para trazer as pessoas de volta, tinha que ser algo novo, diferente”, completa ele. E foi tudo tão novo que não havia quem pudesse fazê-lo. “Eu não posso nem dizer se gostava de samba. Eu, simplesmente, não conhecia samba. Eu gostava de música brasileira, bossa nova. Mas não sabia nada sobre samba”, conta Morohashi às gargalhadas. “Só me disseram o seguinte: ‘monte aí grupo porque vamos fazer um carnaval brasileiro’. E eu respondi: ‘hai, wakarimashita’ (sim, entendido)”, prossegue ele, divertindo-se com suas memórias.

Os primeiros carnavais
Em 1981, saiu oficialmente o primeiro Carnaval de Asakusa, para o qual um grupo do Brasil foi convidado e, claro, acabou levando vantagem sobre os carnavalescos de primeira-viagem e o prêmio de 1 milhão de ienes oferecido à época. Os grupos japoneses eram pequenas agremiações, algumas com cinco pessoas, sem qualquer conhecimento sobre samba ou carnaval. As “escolas” desfilavam no quarteirão ao redor do Senso-ji e, ao final, se apresentavam em um palco armado na frente do Kaminarimon, o famoso portal do templo. “Nós não recebemos nada, nem um certificado de nossa participação”, lembra o veterano Morohashi. “Achávamos que nem iria haver outro carnaval”, prossegue. No entanto, o grupo montado por ele e por Takahashi, o atual presidente da escola, foi convidado para sair no ano seguinte e conquistou seu primeiro campeonato. “No segundo ano, não teve brasileiros”, lembra ele aos risos, “assim, a competição ficou mais equilibrada”. A escola reuniu um grupo de mais de 100 pessoas em cada um dos dois primeiros desfiles e até hoje é a mais popular do carnaval de Asakusa. “Havia pessoas que montava grupos com cinco ou dez para que cada um ganhasse uma boa fatia do prêmio”, relembra Morohashi. “Nós não nos preocupávamos com isso, nós queríamos por gente na rua”, conclui ele. No ano seguinte, a Bárbaros — ou melhor, a Enko, seu nome original — venceu novamente e ganhou como prêmio algumas passagens para os integrantes conhecerem o carnaval carioca. Aliás, a primeira denominação da agremiação é uma história a parte. Enko, no melhor estilo da boemia da Lapa carioca, era como as pessoas se referiam aos malandros de Asakusa nas eras Meiji e Showa. A palavra é a inversão das sílabas de “koen” (parque). “Naquela época, os caras não muito legais andavam vadiando pelos parques e as pessoas do local se referiam a eles como ‘enko’. Era uma gíria bem local, que só as pessoas de Asakusa conheciam”, rememora o vice-presidente da Bárbaros que mudou de nome por causa do presidente Takahashi. “Ele não gostava. Vimos a palavra “bárbaros” na contra-capa de um LP de samba, pesquisamos o significado e adotamos”, completa ele.

A forma atual e os bambas japoneses
Nos anos seguintes, o número de grupos foi diminuindo, mas o de participantes aumentou. O sucesso dos primeiros carnavais acabou consolidando o evento de Asakusa que, atualmente, conta com 20 escolas oficiais divididas em dois grupos. A quantidade de foliões chega a mais de 4000 e a platéia que se aperta nas calçadinhas do bairro é estimada em 500 mil pessoas pela organização do evento. O amadorismo, também, ficou para trás. Se, no começo, os carnavalescos nada entendiam do riscado, o evento de Asakusa ajudou a reunir aqueles que se dedicavam a ouvir e a cultuar o samba, um dos ritmos genuinamente brasileiros. Isso abriu porta para a formação de mais grupos e rodas de samba e incentivou que os interessados em carnaval procurassem intercâmbios com os bambas do Brasil. Nas reuniões das agremiações, não é difícil escutar gente falando um português diferente e cavaquinhos, cuícas e pandeiros tocados por músicos que estão à altura de seus colegas brasileiros. Aplicados, os ritmistas japoneses praticam várias horas por dia e, muitos deles, já atravessaram o planeta para aprender com os mestres.

O samba entre na história de vida dos japoneses das formas mais diversas. K. Umemiya, membro da bateria da Bárbaros, queria se tornar percussionista profissional porque se apaixonou pela música cubana. Porém, quando procurava informações sobre o assunto, ele acabou sendo apresentado a um dos ritmistas da Bárbaros e seus planos foram alterados. “Comecei a aprender a percussão brasileira e não parei mais”, conta ele. Já Masao, violonista e cavaquinista, puxador auxiliar da mesma escola, conheceu o samba através de uma amigo da escola que foi treinar futebol no Brasil. “Ele trouxe vários CDs de axé da Bahia e eu gostei dos vocais. Muita gente cantando”, conta ele atropelando no português. Depois disso, Masao foi para os Estados Unidos onde viveu por cerca de 4 anos e, de lá, partiu para uma viagem de 1 mês pelo Brasil, onde conheceu melhor os ritmos locais. Poucos anos depois, o rapaz foi novamente para a América do Sul e, num período de seis meses cruzou o Peru, a Bolívia e entrou no Brasil pelo Pantanal, indo em seguida para o Rio, São Paulo e Bahia onde procurou escolas e grupos de samba onde pudesse aprender o português e o jeito brasileiro de tocar. “Me apaixonei por uma brasileira”, conta ele. “Eu queria falar”, prossegue mesclando a língua materna e a de Noel Rosa. De volta ao Japão, ele acabou conhecendo o Alvorada, um dos muitos locais onde se toca música brasileira em Tóquio e passou a conhecer outros músicos interessados em samba.

A disputa é acirrada no carnaval de Asakusa. Apesar de ter levado o galardão em mais da metade dos desfiles ocorridos e ser a escola que mais se aproxima da forma do carnaval do Rio de Janeiro, a Bárbaros tem concorrentes de peso. É a escola que leva mais componentes para a avenida e a mais popular, uma espécie de Portela de Tóquio, com suas cores azul e branco. Sua maior rival é a vermelho-e-branca União dos Amadores que levou o caneco neste ano de 2007. A escola é formada por estudantes de música latina de várias universidades da região. É gente que leva a música a sério e investe pesado em formação. “Eles estão sempre no Brasil”, conta o mestre de capoeira Paulo Axé, que defendeu a camisa da Liberdade, escola que ficou em terceiro lugar este ano. “Toda vez que eu vou ao Rio de Janeiro encontro um ou dois deles na bateria de uma escola”, prossegue. A escolha da campeã ocorre como nos desfiles de Rio e São Paulo. Jurados atribuem pontos às escolas nos quesitos tema (enredo), performance musical, conjunto, empolgação da escola (evolução), fantasia e dança. São distribuídos cerca de 3 milhões de ienes em prêmios. Há, ainda, louros extra-oficiais oferecidos pelos patrocinadores e uma votação aberta ao público que escolhe a melhor agremiação de cada grupo através do telefone celular.

Cabe às escolas a escolha do tema. O samba-enredo também é inédito e não há regra que obrigue que este seja cantado em português ou em japonês. As escolas maiores saem com comissão de frente, carro abre-alas, dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, ala de baianas e, é claro, alas, bateria, naipe de cordas e puxadores. As escolas têm até rainha da bateria e a paradinha funk, que casou sensação há alguns anos no carnaval carioca, já apareceu por aqui, ainda que de forma discreta.

Tem brasileiro no samba japonês?
Com tantos japoneses bambas, há espaço para os brasileiros no Carnaval de Asakusa? A resposta é sim. Os brasileiros, aliás, são muito bem-vindos e há muitos envolvidos nas escolas locais como a famosa Tia Isabel do Acarajé, um dos mais famosos restaurantes brasileiros de Tóquio. Era ela, que foi uma das primeiras mulatas a fixar residência no Japão como dançarina de samba há cerca de 30 anos, quem cuidava da harmonia na preparação do Grêmio Recreativo Escola de Samba Alegria, que alcançou o quarto lugar na votação do grupo S1, o mais importante, além do prêmio do público que votou pelo telefone celular. O já citado Damião D'Souza é o fundador da Império do Samba e Francis Silva foi o primeiro brasileiro a criar uma escola de samba no Japão, a Cruzeiro do Sul.

Além de brasileiros residentes na Terra do Sol Nascente, bambas do Rio de Janeiro e de outros estados também colaboram compondo sambas-enredo, enviando know-how, trocando experiências e fazendo pesquisas sobre o carnaval japonês. Aliás, 2007 foi o ano em que uma das maiores estrelas do carnaval carioca passou pelo Carnaval de Asakusa. Neguinho da Beija-flor, cantor e puxador da campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, foi coadjuvante em sua passagem pela G.R.E.S. Liberdade. Se não soltou a voz na avenida, Neguinho esbanjou simpatia e, é claro, deixou sua marca registrada: no começo do desfile, ecoou pelos ares de Asakusa o esperadíssimo “olha a Liberdade aí, gente” que levou o público brasileiro que estava próximo ao delírio.

O Carnaval de Asakusa é tão globalizado que a rainha da bateria de uma das escolas não era nem brasileira nem japonesa. A belíssima Tati, estreante na função, é peruana de Madre de Dios, departamento (estado) que fica na fronteira com o Brasil e foi selecionada num concurso entre as passistas da escola. “Na minha cidade, a cultura brasileira é muito forte”, conta ela, “por isso eu gosto de samba”, diz, com a simpatia exigida pelo cargo que ocupa. Sem fronteiras, o samba de Asakusa abre portas para a integração entre as muitas culturas que interagem no Japão pós-moderno.

A platéia
Se há um quesito no qual o Carnaval de Asakusa passa longe de seus correspondentes no Brasil é a atitude da platéia. Enquanto a empolgação toma conta do sambódromo em cidades como Rio e São Paulo, a posição da platéia japonesa é quase sempre passiva. O espetáculo é gratuito e as pessoas chegam cedo para garantir um espaço no meio-fio. Os primeiros a chegar são, em sua maioria, senhores desacompanhados munidos de câmeras e lentes possantes para registrar “detalhes” de uma das poucas situações públicas na qual a sensualidade da mulher está em primeiro plano na recatada sociedade nipônica. Nos matsuri (festivais) japoneses, o masculino é quase sempre o destaque. As mulheres são vistas em quimonos enquanto, em alguns deles, os homens vestem o mawashi, onde pode-se muito mais do que uma mulher japonesa comum sonhou mostrar em público.

O restante do público é misto e famílias inteiras aparecem para assistir o festival. O número de estrangeiros é grande provando que o Asakusa Carnaval é, também, uma fonte de renda para o distrito de Taito, atraindo os turistas que costumam visitar seu tradicional templo e suas ruazinhas estreitas cheias de izakayas (pubs no estilo japonês) e bares. O comércio local lucra com suas banquinhas no estilo camelô, onde se pode comprar água e chá verde gelado para refrescar e comer o yakitori, espetinhos de frango ao estilo oriental. Há também banquinhas de cozidos e a tradicional cerveja fica por conta dos konbini, corruptela em japonês para convenience store (loja de conveniência). Porém, o envolvimento da platéia com o espetáculo é mínimo. Essa é uma das queixas de Nao Yoshida, lingüista japonês que morou no Brasil durante alguns anos. Para ele, é necessário que as população se envolva mais para que o carnaval de Asakusa se torne um evento popular. “O desfile acabou e as pessoas foram embora. Ninguém se importa com o resultado”, reclama ele em frente do local onde os V.I.P.s assistiam o anúncio dos premiados. “Seria importante que se distribuíssem panfletos explicando melhor sobre o evento, as letras da músicas e se criassem mais formas do público participar da festa”, sugere ele. Den, ritmista do Balança Mais Não Cai, um dos mais conceituados conjuntos japoneses de samba, faz coro com Yoshida. “É preciso saber se o Brasil é apenas moda no Japão”, questiona ele. “Samba está na moda, falar português está na moda, mas não é isso que faz uma cultura do samba”, completa. Ele, aliás, tem uma série de questões que levam à reflexão sobre o futuro do Carnaval de Asakusa.

Tendências futuras
Para um carioca-da-gema no carnaval japonês, a derrota da Bárbaros no desfile realizado no último dia 25 é bastante estranha. Isso porque, na avenida, a escola foi a que mais se aproximou daquilo que se convenciona como “desfile perfeito”. A bateria estava afiada, as puxadoras japonesas — sim, as mulheres têm esse espaço no carnaval japonês — levaram o samba no gogó e os componentes, se não apresentaram a mesma ginga brasileira, também não fizeram feio cantando, na medida do possível, a letra em português. Fantasias, alegorias e o desenvolvimento do tema eram visivelmente superiores aos apresentados pelas concorrentes. Portanto, por que a vitória não veio? Den, que seria um dos jurados da disputa, pode dar uma pista. “O Carnaval de Asakusa cresceu, o nível está mais equilibrado, mas é preciso achar um jeito japonês de fazer carnaval”, opina ele. “Cadê a criatividade japonesa? Não devemos perder as raízes, mas não podemos mais ficar copiando o carnaval do Rio de Janeiro”, sentencia.

De fato, uma busca por um carnaval mais japonês foi o que, timidamente, apresentou a campeã União dos Amadores. Suas baianas não imitavam o rodopiar das brasileiras. Elas bailavam como gueixas japonesas na avenida. O mesmo se podia ver em outras alas da escola e nas fantasias onde o comedimento imperava no lugar do luxo da arqui-rival. A sexta colocada Unidos do Urbana trouxe um carro alegórico semelhante aos utilizados nos festivais Neputa — que ocorre durante o mês de agosto na cidade de Hirosaki — e Nebuta — que acontece em Aomori — cidades do norte do Japão. Ambos são desfiles como o das escolas de samba e já estão servindo como inspiração genuinamente japonesa para o Carnaval de Asakusa.

O samba-enredo também é ponto de discussão. A língua é apontada por alguns carnavalescos como fundamental para o entendimento do enredo pelo público japonês. Minoru Morohashi discorda. A sua Bárbaros segue firme na opção pelo samba em português e na escolha de temas gerais, que não sejam ligados apenas ao universo japonês. O sambista Den, por sua vez, acha a mistura o ideal, com o samba sendo cantado parte na língua de Cartola e parte na de Tanizaki.

Como se vê, mesmo que longe dos olhos do público, o momento do criativo do Carnaval de Asakusa é de ebulição e de revisão de conceitos. É difícil para um estrangeiro com tão pouco tempo de Japão saber se o evento conseguiu atingir seu objetivo inicial de atrair os olhos da cidade para a então combalida Asakusa dos anos 80. Todavia, é inegável que o desfile consolidou a cultura do samba no Japão e abriu um portal de intercâmbio inter-cultural entre este e o Brasil jamais imaginado quando a primeira leva de japoneses aportou no território brasileiro em 1908. Nem mesmo os 20 anos de fluxo dekassegui não conseguiu criar um movimento cultural brasileiro de tanta influência. Pelo contrário, pode-se dizer que o caminho aberto pelo Carnaval de Asakusa para o samba no Japão ajudou muitos nikkeis brasileiros a encontrar raízes do seu país natal, mesmo estando na terra dos seus ancestrais.

Ligeiramente corrigido do publicado originalmente em Alternativa.

Links
Matéria sobre o Carnaval de Asakusa 2006 publicada por Ricardo Yamamoto.
Clipe do desfile da 3a. colocada de 2007, Liberdade.
Clipe do desfile da vice-campeã de 2007, Bárbaros.
Clipe do desfile da campeã de 2007, União dos Amadores.
Performance do sambista japonês Den no bota-fora do carnaval de 2006, o momento em que as ruelas boêmias de Asakusa viram a Lapa.

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Helena Aragão
 

Bárbaro!! Parabéns pela excelente apuração. Curioso ver o carnaval daí crescendo e enfrentando dilemas que, de certa forma, já rolaram no carnaval daqui. Achei tudo muito interessante e fiquei muito curiosa para ver as baianas japonesas dançando como gueixas. Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 1/10/2007 18:35
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Hermano Vianna
 

carnaval lá e cosplay aqui - este é o mundo que eu gosto!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 1/10/2007 18:35
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Roberto Maxwell
 

Ola, Helena, fiz as alteracoes que vc indicou. Obrigado!!!

Roberto Maxwell · Japão , WW 1/10/2007 23:51
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
FILIPE MAMEDE
 

Roberto, você tem se saído um excelente correspondente internacional. Que intercâmbio interessante. Só faltou, talvez, uma "ala dos samurais"... Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 2/10/2007 09:13
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Roberto Maxwell
 

Olha, nesse carnaval nao teve ala dos samurais, mas teve uma escola inteira falando do Bruce Lee.

Roberto Maxwell · Japão , WW 2/10/2007 09:16
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Roberto Maxwell
 

Queria que o pessoal visitasse os videos tambem, estao lindos. Ok, orgulho de pai. Hahahahaahhaa. Mas, eh que estao grande para colocar por aqui.

Roberto Maxwell · Japão , WW 2/10/2007 09:28
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Overmagrani
 

Parabéns pelo artigo, Roberto. Causa uma surpresa que só tinha tido em Nollywood. Abraço.

ps: tem uma pequeno errinho nesta frase: Aplicados, os ritmistas japoneses praticam várias horas por dia e, muitos deles "foram" atravessaram o oceano para aprender com os mestres.

Overmagrani · Rio de Janeiro, RJ 2/10/2007 13:56
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Roberto Maxwell
 

Valeu, Magrani. Vou corrigir.

Roberto Maxwell · Japão , WW 2/10/2007 14:06
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Andre Pessego
 


Grandioso o teu trabalho, um abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 4/10/2007 19:53
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Roberto Maxwell
 

Valeu, Andre, obrigado pelo voto e pelo elogio.

Roberto Maxwell · Japão , WW 5/10/2007 09:45
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Marcelo Cabral
 

Maxwell, parabéns e obrigado por compartilhar conosco estes tesouros distantes. Arigatô. Abraço.

Marcelo Cabral · Maceió, AL 6/10/2007 17:03
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laercio reis
 

parabéns pela reportagem, muito interessante!!!!!!

laercio reis · Rio de Janeiro, RJ 31/10/2007 18:39
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