“O mundo do macho acabou”. Novo feminismo cearense

J.Ailton
Rosa da Fonseca é ex-presa política e já foi candidata ao Governo do Ceará
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Andreh Jonathas · Fortaleza, CE
8/3/2007 · 147 · 13
 

Um final de tarde com clima frio, úmido e escuro. Uma idéia que a cidade pode estranhar. Foge pensamento. Uma praça faz jus ao nome de um Alencar prodigioso e ver seus mendigos, prostitutas e bêbados vendendo os serviços e pedindo dinheiro. É hora do corre-corre para chegar à casa e pensar nos frutos do dia de trabalho. Mas, uma mulher é renitente com o modelo dessa sociedade. O tempo fechou e com as idéias fluentes, a socióloga Mestra em educação, ex-vereadora e professora Rosa Maria Ferreira da Fonseca, ou simplesmente, Rosa da Fonseca, verbaliza a mim um novo feminismo, tendo como ponto de partida a mudança no sistema atual. Homens e mulheres estariam juntos por essa mudança, já que, todos fazem parte do mesmo barco que dá provas de afundamento.

Em um banco da praça José de Alencar e com um fundo musical religioso, ela concluiu: “O mundo do macho acabou”. Lançando um novo manifesto, a União das Mulheres Cearenses (UMC) vem à público a fim de divulgar uma proposta para homens e mulheres lutarem juntos contra valores e modelos da sociedade contemporânea. Próximo ao dia internacional das mulheres, 8, a UMC antecipa uma manifestação para o dia 7, como forma de repudiar o caráter comercial da data. O encontro acontece às 15h, na Praça do Ferreira.

“O homem criou o capitalismo a sua imagem-semelhança”. Para Rosa da Fonseca, o grande problema do Sistema foi a “dissociação” entre a vida privada a vida pública. O homem produzia e buscava o lucro, enquanto a mulher era responsável pelas atividades, forçosamente subalternas, de amar, cuidar das crianças e da casa, isto é, o homem trabalhava e a mulher sustentava o patriarcado, fala. O crivo econômico atribuído às questões de gênero é inspirado em “O valor é o homem”, da alemã Roswitha Scholz. Após vinte anos de pesquisa feminista, a autora rejeita a tentativa que fazem alguns grupos feministas de colocar a lutar para se igualar ao status masculino como a resolução da problemática dos sexos.

Complexo ou não, Rosa diz que “não tem como voltar atrás”. A mulher e o movimento feminista batalharam para se igualar ao homem, mas isso não funcionou: “nós estamos sendo chamados a ser homem na vida pública e a continuar mulher na vida privada”, explica. Ela lembra que o movimento feminista apostou na independência da mulher através do trabalho, mas a conclusão foi que, juntamente com os homens, a mulher fica subjugada à lógica do capital. Segundo Rosa, o homem não vai criar novos empregos para onde escoariam a mão-de-obra que as máquinas estão substituindo. Ela ainda ironiza: “A única saída para o capitalismo seria se encontrasse um planeta cheio de ETs com dinheiro para comprar mercadorias”.

Solução. Se nós somos inteligentes e criativos, por que a gente não pensa o nosso modelo de sociedade? Esse é o questionamento da ex-vereadora, que, em nome do manifesto “O mundo do macho acabou”, propõe “usar a tecnologia para produzir bens para atender as necessidades humanas, eliminando o dinheiro como mediador. Não ter o dinheiro. Não ter a troca, mas sim, um critério acordado coletivamente.” Rosa chama esse sistema de “sociedade da emancipação humana.” Ela insiste que não é a emancipação das mulheres, e sim, a emancipação da humanidade.

“Que a família comece e termine sabendo onde vai,/ E que o homem carregue nos ombros a graça de um pai./ Que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor... Ao som de Pe. Zezinho, com a Oração da família, Rosa sugere um movimento transnacional, horizontal (sem direção e base), em rede, combatente da essência do capitalismo, que é o patriarcado do valor. Não é sindicato, não é partido, não é movimento ecológico nem feminista, é uma tentativa de superar um modelo que sufoca, explica a professora. Ela confessa que não existe uma fórmula acaba, mas o manifesto quer uma “sociedade socialmente igual, humanamente diversa, criativa no ócio produtivo e ecologicamente exuberante”.

Novo feminismo. Queremos “superar a União das Mulheres Cearense”. Rosa argumenta que há uma confusão generalizada no que diz respeito a questão de gênero. É necessário desenvolver atividades que possibilitem uma harmonia entre homens e mulheres. Não se podem comparar diferenças psicológicas com diferenças culturais. O homem lava os pratos do jantar, bem como a mulher pode trocar o pneu do carro, mas isso a sociedade ainda tem como um tabu. Ela não quis citar nome de uma mulher como exemplo a ser seguido, justificando que seria injustiça com as demais que também foram importantes, mas não escondeu a admiração pela pensadora alemã Roswitha Scholz e citou a “razão sensível” como uma característica indispensável à nova mulher.

Ao comentar a lei Maria da Penha, ela disse que foi o resultado de uma luta, mas não resolve o problema: “a violência está é aumentando. Lutar dentro do sistema não vai mudar nada”, declara. A lei 11.340, Maria da Penha, que protege a mulher contra violência doméstica, entrou em vigor em setembro de 2006 e homenageia uma farmacêutica que lutou 20 anos para ver seu agressor na cadeia. Como proposta, o manifesto, o “O mundo do macho acabou” propõe um novo movimento feminista com a participação do homem. Esse modelo não é novo e foi proposto no 8º. Congresso da Mulher Cearense, em 1997.

Talvez pouco compreensível para quem se acostumou com o modelo social sem que não questionar porque vivemos assim. Para uns, pode parecer idealismo e um tanto utópico. O certo é que Rosa é porta voz de um possível novo feminismo. Então, se preparem os homens, pois estão na mira do novo movimento feminista proposto.

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Sidney Alencar
 

Parabéns pelo texto, Andreh. Você tem evoluido e amadurecido muito com relação a conteúdo no decorrer desses anos de amizade. Sugestão de edição:1) tente evitar expressões mais "coloquiais" como "Solução. Se nós somos inteligentes e criativos, por que a gente não" 2) evitar tantas inserções de falas e aspas no decorrer do texto. Fica cansativo de ler.Melhor juntar tudo (ou em um numero menor) e expor em paragrafos especifico. Bom, no mais, é isso. Também não sei o objetivo do texto, o que pode tornar minhas sugestões obsoletas, mas como sempre, o tempo (ou a falta dele) nos (me) serve de desculpa. Agradeço também a exaltação do nome Alencar, puro sinônimo de cearensidade!! Um Abraço!

Sidney Alencar · Fortaleza, CE 6/3/2007 09:25
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Saulo Frauches
 

A foto da senhora com o chapelão é uma das mais carismáticas que eu vi nos últimso tempos!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 6/3/2007 18:28
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Andreh Jonathas
 

Valeu, Sidney.
Sempre é bem vindo um comentário sue. Cara, a entevista se propunha a isso mesmo. As aspas fazem parte desse tipo de entrevista, com texto corrido. Se fosse um ping-pong, ai sim, as aspas seriam desnecessárias. A gente precisa mesmo está se policiando quanto as expressões coloquiais, mas solução é a palavra mais correta pra ocasião mesmo....valeu mermão
abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 6/3/2007 19:11
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Andreh Jonathas
 

Saulo,
a vovozinha é irada mesmo...
abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 6/3/2007 19:12
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Andressa Back
 

Andreh, muito interessante o seu texto. Fiquei até com vontade de ler o manifesto. Feminismo é uma questão que volta e meia vem sendo discutida, mas a maneira como você colocou apresentou um olhar diferente. O texto é leve. Eu já te disse algumas coisas que penso sobre o feminismo, então não vou repetir aqui. Mas acho que a participação do homem no movimento é uma evolução e tanto, porque as feministas meio que tratam os homens com uma desconfiança e conscientizá-los dos direitos das mulheres é um bom passo para a quebra dos tais tabus, como lavar os pratos do jantar...

Andressa Back · Fortaleza, CE 7/3/2007 22:50
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Andreh Jonathas
 

Valeu, Andressa
vc sabe q é importante pra mim sua opinião pelo imenso respeito que tenho por vc e por sua escrita. Valeu mermo. O texto já está definitivamente no site. Agora as pessoas já podem ler e ter uma visão diferente sobre machismo e feminismo.
abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 8/3/2007 12:43
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Alexandre Grecco
 

O texto´é bom. Mas quanto a esse assunto eu lembro sempre das palavras de Cecília Meirelles: Feminista nunca, feminina sempre!

fui...

Alexandre Grecco · Fortaleza, CE 8/3/2007 16:41
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Andreh Jonathas
 

Olá alexandre,
Essa frase da Cecília resume uma opinião sobre o assunto.
Acho relevente um debate sobre o feminismo, que vem se modificando. Tapar o sol com a peneira nunca é a melhor solução. Achar que não existe a questão tbm não é justo...o certo é que o assunto está ai e achei importante sei comentário.
abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 8/3/2007 17:50
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Regis Andrade
 

Se continuar assim, se preparem... Elas vão dominar o mundo!!!
Brincadeira...
Bom texto... bom tema... parabéns as mulheres!!! Mas que não venham roubar meu emprego... mais uma vez. ehhehehehehe :P

Regis Andrade · Fortaleza, CE 8/3/2007 21:13
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Andreh Jonathas
 

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 8/3/2007 22:47
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Andreh Jonathas
 

mas a idéia é n ter mais essa questão homem X mulher. Podes-se viver sem essa disputa. Seu emprego pode ser roubado sim...rss...valeu cara
abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 8/3/2007 22:49
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Phelipe Braga
 

Muito boa essa entrevista cara, uma grande senhora com grandes experiencias. Esse mundo que ela fala que acabou ainda existe no fundo do pensamento da maioria das cidades do interior mas como uma previsão isso já esta acabando. para uma boa entrevista o entrevistado tem de ser bom mas o entrevistador tem que saber sintetizar o que se vê, e vc conseguiu valeu Andreh foi massa essa entrevista.

Phelipe Braga · Crato, CE 9/3/2007 11:32
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Andreh Jonathas
 

Valeu, Felipe
Não sabia como fazer essa matéria se tornar interessante para qualquer um, já que é um assunto um tanto polêmico e muitas vezes visto como utópico. Espero ter colocado da maneira mais "intedível"possível
Abraço pessoal

Andreh Jonathas · Fortaleza, CE 9/3/2007 15:13
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