Enxergamos um mundo de imperfeições ou um belo e florido planeta, com canto de passarinhos e tudo mais? Vemos o “real” ou apenas a sombra de uma fogueira? A resposta eu não faço idéia, apenas sei que cada pessoa vê o mundo por meio das suas percepções e conhecimentos. O que vejo não é o mesmo que você. É claro que isso acontece quando ambos não formos portadores de necessidades visuais.
Se mesmo “enxergando” existe muita diferença do que vemos, imagine quando se trata de uma pessoa cega desde os 10 meses de vida. Este é o caso de Molly Sweeney. “Ela não é cega de nascença, então existe uma esperança para que ela enxergue”.
Mesmo não sendo cega de nascença, Molly viveu toda a sua vida vendo no máximo vultos. A vantagem dela sobre as outras pessoas é que a sua visão de mundo é muito mais particular do que a nossa. Ela sente o mundo por meio das suas sensações. Para enxergar a moça pega o objeto. Sente os seus entornos. Se for o caso cheira ou sente o seu gosto. Só depois disso ela saberá o que é este objeto.
Já nós, que “enxergamos” normalmente, é bem diferente. Para nós é só olhar para o lado e está tudo lá. Tudo já está pronto, formatado. Precisamos apenas seguir o que já está escrito. São palavras e pronto. Não precisamos questionar. O mundo já está todo denominado. Tudo já está escrito ou inventado, resta apenas re-inventar o já inventado.
A história de Molly Sweeney foi escrita pelo dramadurgo irlandês Brian Friel baseando-se em fatos reais. No Brasil a obra foi adaptada para o teatro pelo diretor Celso Nunes. Com o subtítulo “Um Rastro de Luz”, a peça é encenada por Julia Lemmertz, Orã Figueredo e Ednei Giovenazzi.
No palco três monólogos. Três personagens que contam a sua participação na história. Nenhum diálogo acontece entre eles. Cada um está no seu espaço e tempo. Vemos Frank Constantin, o marido, que viveu toda a sua vida tentando conquistar o absurdo. Agora ele sente que poderá finalmente ter sucesso caso esposa volte a enxergar.
Para o médico Peter Rice é a grande chance de recuperar a fama perdida. Caso obtenha sucesso na operação, a volta ao topo é uma questão de tempo. Temos ainda o monólogo da protagonista, que consegue transmitir as suas emoção até para os não cegos. Molly não tem certeza se quer “ver o mundo” com uma nova ótica, mas a sua vontade é a que menos importa.
Celso Nunes consegue fazer todos "enxergarem" durante a peça. No palco, ao fundo, um olho cubista observa a platéia e demonstra as sensações da protagonista. No final fica apenas o vazio interior dos personagens. Não é um final feliz. É um final nostálgico com uma bailarina daquelas caixinhas de música.
Oi, Roberto! Essa peça está passando em Curitiba?
Diga onde, que a gente quer saber! :-)
Olá Fábio. A peça passou recentemente (dias 08 e 09) dentro do Circuito Cultural Banco do Brasil. Molly Sweeney já havia passado no Festival de Teatro desse ano. Dê uma procurada no site do Circuito, talvez tenha algo. Abraço
Roberto D. Jr. · Curitiba, PR 16/11/2006 22:19Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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