O perigo da lula dibranquiada

Obra Lula-de-Pel√ļcia, de Raul Mour√£o - Foto de divulga√ß√£o (Beto Fel√≠cio)
1
Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ
25/4/2006 · 55 · 19
 

[[Reflex√Ķes sobre o boneco ‚Äėluladepel√ļcia',
do artista pl√°stico Raul Mour√£o, inspiraram este texto.]]

Assim define o Aurélio:

Pel√ļcia. S.f 1. Tecido de l√£, seda, algod√£o, fibra sint√©tica, etc., com um lado felpudo e outro liso, e que apresenta p√™los mais longos e mais ralos que os do veludo. 2. Pelugem, p√™los.

Lula. S.f. Molusco cefal√≥pode, dibranquiado, dec√°pode, lologin√≠deo, do Atl√Ęntico, de colora√ß√£o amarelada com manchas escarlates, podendo mudar de cor segundo o meio ambiente, corpo alongado, com nadadeiras triangulares do lado oposto √† cabe√ßa, provido de dez tent√°culos com ventosas, dois dos quais s√£o mais finos e alongados. Sua carne √© muito estimada nos mercados.

E assim vamos. Sambando calados, num passo mi√ļdo que esconde a vergonha de n√£o saber sambar direito. Um samba que atravessa, um caldo que entorna. E o caldo √© quente, queima a pele. Como crian√ßas que escondem a cara depois de terem derramado o leite (ou o seria o caldo?) no carpete, corremos para o quarto, fugimos da responsabilidade.

Me contem, me contem aonde se escondem?

Em 2006, Paris √© uma quimera v√£ para quem vive embaixo do Equador. Afinal, c√° n√£o existe pecado. N√£o √© assim que diz aquela velha can√ß√£o do Chico? Tem uma nova do, tamb√©m novato, grupo carioca Moptop que diz ‚Äúvoc√™ √© t√£o Paris, eu sou um z√© qualquer‚ÄĚ. Somos um monte de z√©s, z√©s quaisquer, n√£o somos nem um pouco Paris. Um monte de z√©s que olham o grande Z√© passear por a√≠, ir ao cinema, aparecer nas colunas sociais, escrever um livro para capitalizar em cima do pr√≥prio crime, contando aquilo que n√£o contou quando foi intimado. Ningu√©m intima o Z√©. Cassar at√© cassaram, mas intimar j√° √© demais! Afinal, o Z√© √© o Z√©. Mas o Z√© intima qualquer um dos z√©s aqui. Todos pass√≠veis.

O Z√©, c√™ sabe com√©que √©... O Z√© √© amigo e credor do Fidel. Tais quais os jovens que aparecem no document√°rio Falc√£o ‚Äď Meninos do Tr√°fico, de MV Bill e Celso Athayde, o Fidel √© o fiel do Z√©, que √© o fiel da lula, que √© o fiel dos z√©s - que somos n√≥s. O fiel do Fidel era o Guevara, que morreu de tiro e que n√£o tinha entrado na hist√≥ria. E assim como em Drummond, s√≥ resta a quadrilha.

O Z√©, c√™ sabe com√©que √©... O Z√© deu vida √† grande lula que se movimenta no Lago Parano√°. E trata-se de uma lula das mais originais! Afinal, n√£o √© qualquer lula que d√° em lago. Essa √© a lula-da-cara-felpuda. Dizem que ela est√° l√° temporariamente, mas parece que ela gostou do ambiente e n√£o quer mais sair de l√°. Voltar ao habitat natural? Essa id√©ia a lula-da-cara-felpuda descarta. Essa lula era daquelas que j√° foram bem escarlates, mas que com a idade deixaram a colora√ß√£o amarelada se sobrepor. Os √ļnicos defeitos que, aparentemente, essa nossa lula-da-cara-felpuda tinha era n√£o ter o corpo alongado e s√≥ ter nove tent√°culos, n√£o dez, como √© o normal na esp√©cie. A nossa lula √© meio manca. Mas ela se movimentava bem, com desenvoltura, encantadora como uma foca do Sea World ou como uma marionete de pel√ļcia. E as lulas, voc√™ bem sabe e o Aur√©lio explica, as lulas mudam de cor segundo o ambiente.

E o Zé?

O Z√©, c√™ sabe com√©que √©... O Z√©, como grande ventr√≠loquo que sempre foi, ajudava a lula manca a se articular. Mas o ‚Äėz√©s‚Äô, todos os ‚Äėz√©s‚Äô, desde os mais reles z√©s at√© o pr√≥prio Z√©, tamb√©m t√™m a cara amarela. O amarelo tomou conta da lula escarlate, que come√ßou a espalhar amarelo na cara de todos os z√©s. S√£o as caras-pintadas 2006. Todas monocolor. Todas pintadas de amarelo. Amarelo. E n√£o √© o amarelo de Mir√≥.

As lulas, você bem sabe, as lulas mudam de cor segundo o ambiente.

A lula-da-cara-felpuda √© um animal que n√£o se encontra muito, como j√° dissemos... S√£o raras e exercem fasc√≠nio no povo. Felpudas por fora, lisas e escorregadias por dentro. Pel√ļcia t√≥xica. A lula-da-cara-felpuda √© pop. A lula-da-cara-felpuda √© capaz at√© de ganhar elei√ß√£o no tal do brasil, ao sul do Equador, aquela terra sem pecado. L√°, tudo d√°. L√°, pode at√© quebrar sigilo banc√°rio de caseiro que ainda sim √© democracia. L√° voc√™ pode governar por medida provis√≥ria, pode fazer caixa dois em campanha e pode at√© sambar na c√Ęmara de deputados. L√° ningu√©m √© de ningu√©m, nada √© de ningu√©m. L√°, lula l√°. L√° o pessoal caga, mas n√£o d√° descarga.

Pois bem. O Aurélio também diz que até o mercado adora a lula-da-cara-felpuda. Ela gera altas receitas para o mercado. Ela e o mercado são muito chegados, sabe... Dizem que quando a lula era mais escarlate, o mercado se borrava de medo dela, mas que depois que a lula amarelou de vez, fez-se essa bela amizade.

S√≥ tem uma coisa que me intriga: o Aur√©lio tamb√©m diz que a carne da lula vale muito para o tal do mercado e √© isso que eu n√£o entendo... Se vale tanto, porque n√£o fati√°-la e vend√™-la em caras por√ß√Ķes? Eu quero essa carne aqui. Cortadinha, em mi√ļdos. Quero pagar pra ver se essa carne √© boa mesmo. Vamos cortar a carne dessa lula amarela. Dizem que √© o tipo de carne que se come frio. Ou seria a vingan√ßa? Mas pensando bem, n√£o quero comer dessa carne. A pel√ļcia da lula √© t√≥xica. A cara dessa lula, al√©m de felpuda, √© amarelada com o amarelo do cinismo, o amarelo de Franco, n√£o √© o amarelo do Mir√≥... √Č um amarelo-fosco, um amarelo p√°lido e c√≠nico. E √© este amarelo que tanto encanta o mercado. A pel√ļcia amarela j√° est√° esgar√ßada de tanto se contorcer em situa√ß√Ķes estreitas. Al√©m de esgar√ßada, est√° soltando essa tinta perigosa em cima de todos os z√©s. Abram seus guarda-chuvas! Mantenham-se a salvos deste mal! A tinta √© t√≥xica. O amarelo da apatia e do cinismo!

H√° quem diga que a lula-de-cara-felpuda esteve amea√ßada de extin√ß√£o h√° alguns meses. Bons tempos. Dizem que ela est√° dando sinais de recupera√ß√£o, que √© dibranquiada e que quer usar essa segunda br√Ęnquia para respirar mais tempo. Acontece que a sua chaga j√° √© uma praga. Precisa ser sacrificada para servir de exemplo, para n√£o contaminar o resto. A lula-da-cara-felpuda, os mosquitos da dengue e as aves da gripe do frango precisam passar por isso para n√£o espalhar mais os seus v√≠rus por a√≠. E n√£o me venham com discursos ecologicamente-xiitas! Tem que abater! Fa√ßa sua parte! N√£o se anule. Assuma que tamb√©m deixou o caldo derramar no carpete e a lula-da-cara-felpuda soltar sua tinta amarela por a√≠. Ajude a limpar. Guarde sua pel√ļcia no arm√°rio ou na sala para que ela continue lembrando o momento da sua ingenuidade, o tempo em que voc√™ falava com ursinhos e achava que eles te respondiam e gostavam de voc√™. Eu quero guardar a luladepel√ļcia, felpuda e escorregadia, na sala. Para olhar e lembrar do tempo da delicadeza, do tempo da pureza. E assim como um marco do holocausto, quero que fique l√° para eu olhar e saber que nunca mais aquilo pode se repetir. Sugiro que fa√ßa voc√™ o mesmo: erga o busto da mem√≥ria do seu pr√≥prio erro. Espalhe a luladepel√ļcia por a√≠.

Eu sujei o carpete. Eu tamb√©m derramei o caldo... Mas estou aqui, com o rodo eletr√īnico na m√£o, esperando o mutir√£o pra come√ßar a limpar essa merda toda que a gente deixou por a√≠. De outubro n√£o pode passar.

**********
Bruno Maia escreve no www.sobremusica.com.br . Sempre votou no 13, mas hoje acredita que esse n√ļmero d√° azar.

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comentŠrios feed

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toru
 

Esse lula de pelucia e' uma obra curiosa: comecou com um toque de humor e depois dos escanadalos virou uma coisa meio "brinquedo assassino". O melhor de tudo foi a coluna do diego mainardi na veja, com foto dos filhos dele brincando com o lula de pelucia...

toru · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 00:41
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Priscila Albuquerque
 

Muito bom o texto. Ir√īnico. Lulu-da-cara-felpuda me arrancou boas risadas durante a leitura. Mas eu √†s vezes tenho pena do Lula. Ele deve estar meio perdido... E qd eu olho o boneco de pel√ļcia, tenho mais pena ainda. (pq todos os bonecos de pel√ļcia s√£o fofos. Pode ser um boneco do Hitler...a pel√ļcia vai trazer um ar de fofura pro bicho). A√≠ √© meio contradit√≥rio pq a Lula √© uma ladra e o boneco √© t√£o fofo...

Priscila Albuquerque · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 10:25
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

hahahaha! Coment√°rio de namorada (a Priscila) n√£o vale...

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 10:46
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

de qualquer forma, obrigado pela surpresa! :-)

Toru, concordo com você sobre a aura do boneco que foi mudando... Acho que ainda pode mudar dependendo dos próximos acontecimentos...

abs
BM

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 10:50
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Enrico Carnevale
 

Concordo... a apatia do povo brasileiro diante de tudo que vem acontecendo é impressionante. a idéia de usar o boneco como simbolo do erro é muito boa. o boneco é muito legal também, parabéns a quem teve a idéia. achei que o bruno acertou o tom, escreveu com humor sobre um tema que poderia soar pesado, ainda mais num site que é patrocinado direta ou indiretamente pelo governo federal, que nao deixa de ser o mesmo governo que o texto fala... pra quem acha que a cultura nao exerce mais o papel que tinha na decada de 60, que se tornou apolítica, tanto esse texto quanto o boneco mostram que não é bem assim...

abraços a todos!

Enrico Carnevale · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 14:20
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mau0021
 

√Č, coitado do Lula... acho q eu concordo com um dos coment√°rios abaixo. A culpa pode n√£o ser toda dele. Isso ainda tem q ser melhor averiguado.

Independentemente da minha opinião, confesso q não esperava encontrar aqui um texto criticando o governo, afinal ali em cima da página podemos ver bem quem mantém o site, ou pelo menos ajuda a manter, hehehe

Posso dizer que gostei da ousadia e do humor, principalmente. Estou até agora tentando imaginar uma lula felpuda!

Inté!

mau0021 · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2006 15:01
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Ana Melo
 

Eu concordo com o comentário abaixo. Vendo o logo do governo ali em cima, não imaginei que fosse possível ler, aqui, um texto tão veemente. A decepção que a lula felpuda nos causou foi um balde de água fria - com o perdão da expressão clichê. Em outubro, vamos nos deparar com a responsabilidade de corrigir erros quase irreparáveis... E vamos, com certeza, lembrar com nostalgia do dia em que celebramos a chegada da "esquerda" ao poder, há quatro anos atrás...
Mas, lendo o texto, reflito... Fica uma certeza: ainda há esperanças... Apesar de tudo, conseguimos conquistar o direito da livre expressão, que já há décadas atrás, nos era tão caro. Pelo menos podemos agradecer por não viver mais em tempos de censura...

Ana Melo · Rio de Janeiro, RJ 21/4/2006 13:07
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Ana Melo
 

Esqueci de dizer, no coment√°rio anterior, que gostei muito do texto. Espirituoso e inteligente...

Ana Melo · Rio de Janeiro, RJ 21/4/2006 14:27
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afonsog
 

Bom texto, poderia ter sido mais conciso. Melhor ainda √© o bonequinho de pel√ļcia, n√£o conhecia. Onde vende? d√° pra fazer vudu?

afonsog · Rio de Janeiro, RJ 22/4/2006 00:31
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

uau! Por partes...
Toru - Esqueci de falar, mas eu rejeito profundamente o Mainardi. N√£o gosto do texto dele, acho sensacionalista demais e bobo.

Mau0021 - Não sei se ficou claro, mas a minha idéia sobre a lula-da-cara-felpuda era fazer referência ao próprio boneco, então você não precisaria imaginar como seria. Bastaria olhar o boneco, mas sei lá... Obrigado pelos elogios.

Ana Melo - Concordo com o que você se refere como lembrança do dia em que a 'esqueda' chegou ao poder... Aquilo, sim, foi o ópio do povo... Obrigado pelos elogios

Afonsog - O boneco é muito bacana mesmo... Para saber como comprar, sugiro entrar em contato com o próprio Raul Mourão. No meu texto há um link para a página dele. Adorei a idéia do vudu... hahaha. Obrigado pelo elogio e, sobretudo, pela crítica sobre a concisão! Valeu!


Disso tudo, o que me surpreende foi o caminho que a discussão que tomou sobre a questão da liberdade de expressão. Na minha (talvez) ingênua visão, enxergo o Overmundo como um projeto de Biblioteca Nacional do século XXI. O governo patrocina porque isso é bem da memória coletiva do país e acredito que caiba a todos os outros que vierem, dar prosseguimento. Alguém imagina que na Biblioteca Nacional vai ser vetada a consulta de um texto que possa ser lido como forma de contestação dos atuais governantes? Isso seria o auge da insanidade... Acredito que o Overmundo não seja lugar para discurssos partidários, nem para planfetagem eleitoral. Mas acho que (continua...)

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 22/4/2006 10:54
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Mas acho que, como a Ana Melo e o Enrico Carnevale falaram, a liberdade de express√£o faz parte do que (ainda nos resta do) 'jogo democr√°tico'. A arte ainda tem - e tem todo o direito de ter - car√°ter pol√≠tico. N√£o acho que a arte tenha que ser pol√≠tica, mas ela pode ser, sim. E √© a√≠ que vejo a obra do Raul Mour√£o, que, como explico na ep√≠grafe, inspirou a reflex√Ķes culturais e, inevitavelmente, pol√≠ticas.

J√° estou escrevendo aqui no Overmundo desde as primeiras semanas e nunca imaginei que esse tipo de 'veto' (?) pudesse acontecer aqui. Acredito nesse car√°ter democr√°tico do site e acho que meu texto n√£o seja pra tanto, hahahah..

Mas tamb√©m n√£o sou membro do corpo de editores do site e n√£o tenho licen√ßa para falar em nome deles. √Č s√≥ a forma como eu enxergo... Se tiver algo al√©m disso, imagino que eles vir√£o aqui se manifestar...

Sigamos!
Forte abraço a todos!
Bruno Maia

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 22/4/2006 11:01
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

E o mais curioso é que de todos os que comentaram esse texto, nenhum tem foto no Overmundo, hahahah! não consigo ver a cara de ninguém! Nem a minha, hahah!

Mas aproveito para explicar que j√° tentei de diversas formas, e com diversos arquivos, carregar minha imagem aqui, mas n√£o consigo. Estou tentando desde a primeira semana! T√ī com algum problema no upload. N√£o sei se isso √© uma dificuldade que muitos t√™m encontrado... Mas fica a√≠ o registro.

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 22/4/2006 11:05
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PretoVéio
 

Vudu é demais! Vou mandá fazê uma pregação nesse boneco, tacar de mochimba nele pra agorar! que o senhor nos livre dessa lula... Aliás, eu só gosto de caranguejo e lagosta...

PretoV√©io · Aracaju, SE 24/4/2006 17:16
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Rica P
 

Só prá dizer que o texto tá muito bom (talvez um pouquinho mais editado, como alguém disse abaixo, mas que detalhe) e que consegui fazer upload da minha foto pessoal, mas não estou conseguindo de jeito nenhum fazer para uma matéria que escrevi. Fica registrado...

Rica P · S√£o Paulo, SP 24/4/2006 22:06
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Rica P
 

...e estou com muita d√≥ de dar um voto e tirar a vota√ß√£o do N¬į 13, que beleza de ironia, mas acho que um votinho faz bem, n√©? Com pesar, tiro o 13 dali de cima...

Rica P · S√£o Paulo, SP 24/4/2006 22:07
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Rica P,
Você não sabe o bem que você me fez.. Já estava nervoso, querendo criar outro login pra mim, só pra tirar aquele 13 dali, hahahah!

Muito obrigado e que Deus lhe pague, hahah

abs
BM

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2006 00:49
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dedalu
 

Discordo do texto e principalmente do tom. Mas não importa meu partido sobre o texto. Não acho que o overmundo (ou pelo menos o overblog) seja o melhor lugar para publicá-lo, não porque é financiado pelo Governo Federal, não porque o texto é político (tudo é), mas porque parece dar corda para desfigurar o site, para o início das ridículas flamewars... Você mesmo diz, Bruno: "Acredito que o Overmundo não seja lugar para discurssos partidários..." Seu discurso é partidário, você toma um partido, uma parte; e nem sequer discute a outra ou as outras... E seu tom -- até interessante literariamente -- é agressivo desde o título para quem discorda.

Você cita a Biblioteca Nacional... lá tem de Delfim a Caio Prado... Um bom acordo seria transferir o texto para o Banco de Cultura, a biblioteca autoral do overmundo.

Abraços.

dedalu · Belo Horizonte, MG 25/4/2006 01:21
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Dedalu,
Respeito sua opini√£o e discordo por completo. O meu texto se apresenta, de cara, como uma reflex√£o a partir de uma obra de arte. Ele √© constru√≠do a partir de uma correla√ß√£o entre esta obra de arte e os significados das palavras segundo o dicion√°rio Aur√©lio, talvez o mais representativo da l√≠ngua portuguesa no Brasil. Dois objetos claros de manifesta√ß√£o cultural. Qualquer texto √© pol√≠tico a partir do momento em que se toma uma posi√ß√£o. Querer se alienar e/ou tratar o universo da pol√≠tica como algo tabu √© exatamente o que afasta as pessoas do exerc√≠cio de seu papel. N√£o criei nada, elaborei apenas uma reflex√£o tendo em vista dois fatores curiosos. N√£o me incomodaria em nada ver este texto no banco de cultura, s√≥ acredito que o lugar mais correto seja aqui j√° que √Ī √© uma mero texto pol√≠tico. Para mim, ele se relaciona - e s√≥ se justifica por isso - dois objetos de cultura, evoluindo disso para uma outra coisa, mais liter√°rio. Al√©m do que discordo claramente da imparcialidade jornal√≠stica como ela √© hoje, que, para mim, s√≥ abre espa√ßo para ningu√©m botar o seu na reta... Acredito em um jornalismo opinativo.

Deixo a discuss√£o aberta e, como o Overmundo ainda est√° tomando uma cara - feita por todos que aqui escrevem -, acho relevante que, quem se sentir a vontade, se manifeste.
Sobre abrir espa√ßo para o outro lado, tamb√©m acho isso uma bobagem. N√£o se trata de uma mat√©ria investigativa, jornal√≠stica 'convencional'. √Č um artigo. √Č parcial, sim. (me permita continuar)

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2006 10:40
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Todo mundo tem o mesmo espaço que eu para fazer os seus textos, com seus pontos de vista, além de poder comentar em cima do meu. Dialética não é bate-boca inflamado. Meu texto, na minha opinião, se sustenta pela relação que cria entre objetos de arte. Não fiz campanha por ninguém.

Quanto ao 'tom', não sei o que você quis dizer exatamente sobre discordar dele', mas também respeito. Acho legal que você sucite esta questão e acho que com todo mundo participando, esse tipo de discussão só serve para enriquecer e melhorar o Overmundo, concorda?! :-)

Abração!!
BM

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2006 10:43
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