Um dos ofícios mais antigos do mundo a pescaria é um modo de vida, ou melhor, de sobrevivência, para muitas famílias, ainda hoje. Seja no mar, no rio ou na lagoa, o pescador leva o sustento para casa a custa de muito trabalho. Pode parecer tudo mais bonito, perfumado e romântico nas músicas de Caymmi, mas desde os tempos de Pedro, o apóstolo pescador, e de quando o peixe se tornou símbolo de fartura para os cristãos, a pesca artesanal resiste, mas não se sabe até quando.
Maceió, a capital de Alagoas, possui quase 40 quilômetros de litoral e em alguns bairros costeiros, surgiram de vilarejos de pescadores. Alguns ainda mantêm parte de seus moradores sobrevivendo de um ofício que raramente surge de outra forma se não a dos ensinamentos de pai para filho, como os bairros de Garça Torta, Jaraguá e Pajuçara.
A vila
Seguindo pela rodovia AL-101, sentido ao litoral norte do estado, com aproximadamente nove quilômetros de distância do centro da cidade, Garça Trota é um bairro com ares de cidadezinha do interior. A praça com a igreja na rua principal, crianças por todos os lados brincando nas ruas de terra, becos e praia. Garça Torta exala vitalidade, tem cores de arte e é residida por artistas de todos os tipos: músicos, pintores, escultores, jornalistas, circenses e os artistas que há mais tempo vivem ali: os pescadores.
Três meses sem poder pescar, Lourenço anda sentido uma saudade danada de entrar no mar, o que o deixa nas areias é mais uma cirurgia de hérnia de disco, doença comum entre os pescadores. O problema é ter que juntar o dinheiro para a cirurgia, porque mesmo com o SUS, tem “umas partes” que tem que pagar. “Ah minha fia, o peixe ta se acabando sim. O rapaz disse aí, nesse instante, pra você, que o peixe não ta se acabando, mas ta sim. Antigamente o cabra saía cada dois numa jangada e num instante voltava com 80 kg de peixe com a rede de arrasto, ficava aí, levava de caminhão, hoje...”.
Não existe uma opinião única entre os cerca de 50 pescadores da Garça sobre a quantidade de peixes pescada hoje e “antigamente”. Denis, filho e sobrinho de pescadores, na casa dos 30 anos de idade, pele queimada pelo sol, cara amarrada, senta e levanta o tempo todo, tomando conta de suas embarcações que estão chegando com os peixes, cada vez que participa da conversa é incisivo ao dizer que o peixe “não ta se acabando nada, isso é coisa da época”.
Na maioria das vezes não é o pescador quem vende o peixe. Quando a embarcação chega do mar o peixe é entregue a um atravessador, um “pombeiro”, que revende o peixe na balança, que é o ponto de comércio em praticamente todas as vilas de pescadores, e em restaurantes ou nas portas de suas casas. Quem tem uma família que trabalha junto, a mulher do pescador que sabe tratar o peixe, filhos com disposição para o comércio e pelo menos um freezer em casa, consegue ganhar mais dinheiro, pois vende sua própria mercadoria sem o intermédio do “pombeiro”. Muitas vezes para comprar um freezer, a economia deve ser rigorosa, uma coisa que para Lourenço não vale a pena: “Se for um pescador seguro que tem três mil, quatro mil guardado...porque tem pescador que segura o dinheiro, nem come bem, mas se for aquele pescador que gosta de comer bem, num fim de semana gosta de tomar suas cachacinhas ele não tem condições de guardar dinheiro, porque se ele guarda hoje, 200, 300 reais, se ele pegar duas semanas de pescaria ruim ele gasta. Comigo mesmo acontece isso, às vezes eu pego umas três pescarias boa, ai guardo uns 100 reais, tem uma vontade de tomar um guaraná vou tomar, não vou ficar com a barriga oca com o dinheiro guardado lá, pra que guardar dinheiro? Agora o ‘pombeiro’ ganha dinheiro, ele diz que não, mas ganha. Cada quilo de peixe ele ganha um real, tem vez que ganha até mais.”
Os pescadores da Garça Torta são bem informados, estão a par das questões de educação e saúde no Estado, que passou por uma greve forte do funcionarismo publico recentemente, dizem que acompanham as notícias pela televisão. Lourenço acredita no que dizem sobre o “aquecimento”, mas se isso interfere no nível do mar... “Sobe, mas toda vida teve isso, agora ta pior, as geleiras lá, se desmanchando, o aquecimento né? Mas é o pessoal que fica fazendo casa na beira da praia, rapaz. Toda vida houve essas cheias.” Denis retorna de seu barco e diz que “isso é da natureza, que veio buscar o que é dela. Subiu nada, o mar ta no mesmo canto.”.
As notícias sobre o aumento no nível do mar não preocupa os pescadores da vila, eles acreditam que é o homem que está se apropriando e construindo “dentro do mar”, dizem que antigamente subia até mais. “Ta vendo aqui onde nós ta? A água antes vinha inté aqui.”
E qual é o maior perigo do mar? “Rapaz, quer ver eu ficar nervoso é com as lapadas que tem de trovão. Afê Maria se tivesse como, voltava embora e deixava tudo lá. Trovão e relâmpago, muito feio rapaz, o barco é capaz de poca-se no meio. E vai descendo aquelas tripa assim ó (desenha um raio com a mão). Não quero papo.” Mas a unanimidade entre os pescadores quando se trata de perigo no mar tem um nome: Navio. Todos afirmam ser o maior de todos os vilões. Como fazem cada vez que querem exemplificar algo, se abaixam e desenham com o dedo na areia: “o navio não tem rota não, vem daqui, dali, daqui, de todo lado, ele vem já apitando, tem uns que nem apitam, botam logo pra cima da gente.”
O beco
Ruas de pedras e arquitetura imponente. O lugar que forçou a transferência da capital de Marechal Deodoro para Maceió. Zona portuária, já foi engenho de açúcar e começou como vila de pescadores. Foi reduto da boemia no começo do século passado e no final do mesmo, quando passou por uma revitalização arquitetônica e cultural. Neste ano de 2007, as ruas internas de um dos bairros mais antigos de Maceió conservam a beleza de seus galpões e prédios, mas sentem o peso da solidão que de nada lembra o agitado comércio de quando surgiu, ou das festas que há pouco abrigou.
É no bairro de Jaraguá que existe uma das maiores comunidades de pescadores de Maceió. Pelas contas de Bio, um ex-pescador e hoje “pombeiro” na balança do Jaraguá, mais de 200 pescadores residem na vila. Bio diz que parou de pescar porque hoje “a pescaria ta muito devagar”. Conversador adora quando aparece um “jovem” disposto a uma prosa, “alguém que dê atenção e respeito ao trabalhador.”
O balcão da balança está repleto de peixes, de todos os tamanhos e cores, e muitos mariscos, camarão tem muito nessa época. As moscas tomam conta do lugar, aliás, na cidade inteira, e é consenso afirmar: “é a quaresma”. Além das moscas, a proximidade com a Semana Santa deixa o mar sem peixes e a sabedoria natural, de muitos anos na pescaria, faz com que Bio afirme que “é uma época ruim de peixe. Porque pega lua. Porque a pescaria desses peixes: cioba, cavala, dourado, arabaiana é mais a noite parda, pega também pelo dia, mas a principal é a noite.”
Bio mostra que a vida de “pombeiro” também não é fácil. Como todo comerciante corre risco de receber cheques sem fundo e tem que aturar compradores hostis: ”Enrole no jornal rapaz, mas não enrole em jornal sujo de peixe, se não não adianta de nada. Quer ganhar dinheiro sem trabalhar é?” Portou-se o senhor engravatado que chegou neste instante à balança dizendo que era “autoridade”.
“Você quer conversar com o pescador mais velho daqui? Vá falar com o João Pezinho.”
A vila dos pescadores do Jaraguá é hoje mais conhecida como a Favela de Jaraguá. Além das famílias dos pescadores, muitas outras pessoas residem hoje no local. Os barracos baixos de madeira se amontoam em becos e vielas entre a avenida, o porto e o mar. Caminhar por entre esses becos, que medem o que o pescador usa de parâmetro para medir a profundidade do mar: uma “braça”, que é a medida dos dois braços abertos como um Cristo, é se enfiar em um labirinto com o cheiro forte de esgoto e peixe que espalha por todo o lugar. Muitos homens, parados, conversam nas portas dos barracos, alguns chegaram há pouco tempo do mar, outros se preparam para seguir à maré. As mulheres lavam roupa e limpam camarões em meio a nuvens de moscas que infernizam também as crianças, que brincam pelo chão e tomam banho de mar.
- Seu João Pezinho!!! “
- Ta não. Ta na maré, só volta amanhã. Você veio fazer o cadastro?”
- Não, só queria ter um dedinho de prosa com ele.
- “Apois volte amanhã”.
- Se der eu volto.
O governo está cadastrando os moradores para organizar a construção de moradia na vila. Os pescadores desacreditam, dizem que há anos escutam que isso vai acontecer, mas que os projetos nunca saem do papel.
Existe uma lei federal especial para a aposentadoria do pescador, muitos deles contribuem e conseguem se aposentar por idade ou tempo de serviço. Seu Zeca, de 84 anos é um deles. Tinha 59 quando se aposentou. José Dias Filho, foi um dia José Dias Rocha Filho, e conta porque tirou o “Rocha”: “Porque meu pai viveu com minha mamãe, casou-se e enquanto ele não acabou o que tinha não separou da minha mãe, foi-se embora pra São Paulo, não ligou importância, eu fiquei aqui à toa, me criei sem estudo. Às vezes quero me pronunciar numa coisa e não posso porque minha educação foi pouca. Aí fiquei agitado e tirei o nome de Rocha. Deixei o ‘Filho’ porque posso ser até da minha mamãe. Tinha oito anos de idade.”
Seu Zeca acha que o peixe diminui por causa da influência do homem. As redes de arrastão que os pescadores de mariscos usam, pegam mais do que o marisco, pegam os peixes pequenos impedindo seu crescimentos. Na opinião de Seu Zeca não são todos os pescadores que têm a consciência dos perigos do arrastão. “Tinha muito peixe, arabaiana tinha muito, cioba tinha mais. Se aqui tem comida você não vem aqui comer? A comidinha daqui era mais manjuba, que o arrastão leva. Tinha a pelada demais, era a alimentação do peixe. Vai tirando de 200, 300, 500 kg, tem hora que acaba. A piaba oca também era alimentação do peixe.”
Sentado em uma jangada na sobra de uma árvore, Seu Zeca olha saudosamente para o mar. Diz que sente falta demais da pescaria e que se for preciso voltar ele volta, e sozinho. Durante a conversa percebemos que não é a “precisão” que deixa Seu Zeca do lado de fora da maré.
A perna direita está corrompida pelo câncer de pele. Há 10 anos sofre com a doença. As manchas se espalham pelo corpo e a ferida da perna esquerda, já cicatrizada, dá a esperança ao Seu Zeca que a pomada vai deixar boa também a perna direita. Os problemas de coluna são constantes e acometem a maioria dos pescadores, mas o câncer de pele é silencioso e muitas vezes quando a doença é descoberta, é tarde demais. Pergunto ao grupo que participa da conversa se eles se preocupam com a saúde da pele quando vêem a situação de Seu Zeca. A maioria não toma qualquer tipo de precaução. Alguns usam chapéus e camisas de manga cumprida. “Alguns poucos usam protetor, minha patroa.”
Longe da profissão há anos, Seu Zeca acha que a vida do pescador “não é tão ruim, eles é que não gostam de se preocupar. A vida do pescador se tem um dinheiro na mão vai é beber. Eu não, tinha dinheiro guardava.” Hoje Seu Zeca tem uma casa fora da Favela do Jaraguá. Já “viveu” com algumas mulheres, e quando não dava certo, vendia a casa e dividia o dinheiro, e seguia para outro canto, comprava outra casa. Com sua atual esposa vive há 39 anos, ela é “uns 20 anos” mais nova do que ele. A pele enrugada, o cabelo branco, calça social, camisa pólo, boné branco, com a vista fraca pergunta: “Ta vendo aquele navio lá fora? Não sei se ele saiu ou se ta fundiado”. Para o pescador “lá fora” é o alto-mar e “fundiado” é como ele mesmo me disse “com a âncora arriada”. – Navio, aquilo é um perigo.
A orla
Alagoas é conhecido como o Paraíso das Águas e nesse paraíso, Maceió é o reduto dos jangadeiros. Verdadeiros sobreviventes na pescaria artesanal, o jangadeiro do bairro da Pajuçara vive mais do passeio de turistas para as famosas piscinas naturais, do que da pesca.
Ponto turístico maceioense, a praia de Pajuçara chama atenção de quem quer que passe pela orla, pela grande quantidade de jangadas espalhadas pelas areias da praia. Diferente das jangadas de Garça Torta, que assumem a cor que a natureza lhes dá, as velas das jangadas da Pajuçara são desenhadas com logomarcas de todos os tipos de patrocinadores: bares, produtos de beleza, lojas de material de construção... . A diferença também é do tipo de pesca predominante na região. Na Garça, a maioria das embarcações são as jangadas, com a pesca de rede, vão de manhã cedo e voltam à tardinha, ficar “lá dentro” por cinco, seis, oito, até dez dias, só com barco mesmo, aí a pesca não é mais de rede, é de linha de mão. Na Pajuçara, os jangadeiros levam turistas e moradores da cidade para ver a transparência e os peixinhos da piscina natural e os pescadores usam as embarcações maiores para seguir para o alto-mar.
A costa alagoana é dividida em Zonas e os pescadores da Garça Torta, Jaraguá e Pajuçara fazem parte da Z-1, com a sede da Colônia no bairro da Pajuçara. É por meio da Colônia que os pescadores se associam e são legalizados com a carteira de pescador. É ali também, que pagam as mensalidades por serem associados e a previdência para garantir o sustento quando a vida no mar não for mais possível. Mas além do consenso sobre o navio ser o maior perigo para o pescador, a unanimidade dos pescadores com quem conversei afirma não haver benefício algum em ser associado da Colônia.
Alexandre não é associado, ele diz que não se dá muito bem com o presidente. Uma exceção pela idade, com 22 anos e aparência de “homem feito”, é pescador por opção e gosta muito do ofício. “Já tive outras profissões, mas gosto de ser pescador mesmo, me dou aqui”. Como a maioria dos pescadores, aprendeu a tirar o sustento do mar com o pai. Bem vestido, com camiseta, bermuda, boné e chinelos, aparentando um surfista, Alexandre é bem articulado e para dar conta da família que está aumentando (sua esposa está esperando um filho), tem responsabilidade com o trabalho. Além de pescador, tem uma peixaria e vende seu próprio pescado, não precisa de atravessador e com isso consegue um lucro maior.
A mulher de Alexandre sofria muito logo que foram morar juntos, ao ver o marido sair para passar dias no mar. Ele conta dos perigos de quem se arrisca a pescar “no peito”. Quando o pescador mergulha sem o auxílio de nenhum equipamento e pesca com espingarda no fundo do mar ele está dentro da lei, porém existe muito, o que os pescadores chamam de “pesca de compressor” quando o mergulhador utiliza de equipamentos de mergulho e ficam tempo suficiente dentro da água para capturar o que o pescador leva muito tempo com a linha de mão, ou correndo riscos ao descer “de peito”.
“Por que tem menos peixe nessa época? Oxê, porque o peixe sabe que querem comer ele na Semana Santa.” Diz Alexandre com a “malandragem” de garoto que cresceu na praia.
Na jangada do Dema
Domingo, cinco horas da manhã, o dia amanhece nublado, pensei que talvez fosse melhor. O Dema disse que se tivesse chovendo não entraríamos no mar. Quando pedi para ir ao mar com um pescador, no fundo pensei que eles não iriam aceitar. Estava errada. O telefone toca: “Amiga? Cadê você? Já estou aqui.”
Chego pontualmente às 5h30 da manhã na balança dos pescadores da Garça Torta. Maíra Vilela, a amiga fotografa já está dando seus cliques entre as jangadas. Por volta das 6 horas Dema chega, com seu chapéu de palha. Pepara o material e quase sem acreditar me vejo sentada naquele banquinho de madeira no meio da jangada. Dema gosta de conversar e parece bem contente por estar sendo fotografado. Antes de entrarmos no mar, converso um pouco com Antonio Martins, um dos irmãos do Dema que também é pescador. Junto com Manoel Martins, são alguns dos pescadores mais antigos da Garça, filhos de um respeitado pescador da região, já falecido.
A ameaça de chuva ao longe faz com que Antônio Martins se preocupe com o vento noroeste. “Quando vem trazendo chuva é um problema pra navegação de jangada”, fiquei um pouco mais tensa. Antonio trata cuidadosamente da rede furada pelos baiacus quando comem os outros peixes. O baiacu tem muitos dentes.
Dema está certo de que vamos enjoar: “Sempre enjoa na primeira vez. Tem gente que não enjoa não, mas muitos sim”. Raramente um pescador segue sozinho para o mar, além de mim e da fotografa, outro pescador da região nos acompanhou. Enquanto Dema remava, virei para o ajudante que hasteava a vela com cuidado para não nos machucar: - O senhor também é pescador? (Sinal afirmativo com a cabeça). “Ele tem uma dificuldade na fala, não tem esse gogozinho que todo mundo tem aqui, na garganta, aí ele fala assim...”. Com certa dificuldade entendi que a família sempre quis que ele operasse, tiraria um pedaço da perna e colocaria na garganta, assim falaria normalmente, mas não quis, se nasceu assim, era pra ser assim, até quando Deus quiser.
Dema diz que a maré está agitada, quem dera tivéssemos ido fazer nossa “pesquisa” no dia anterior, quando o mar estava manso. Balança pra lá, balança pra cá, cuidado com a máquina fotográfica, “se chover tem um plástico aqui, enrola ela...”, e Dema pergunta: “Já tão beba já? Quando quiser voltar diga que a gente volta, mas se puder esperar a gente bota a rede e depois leva vocês de volta pra praia.” . “Ta tudo bem, por enquanto.” Até quando não podia mais conversar, perguntar nada, tinha que me concentrar para não enjoar mais. Enquanto Dema contava milhares de histórias sobre pessoas que ficam enjoadas no mar. Maíra também não se sentia bem e não conseguia mais fotografar. Dema nos contava sobre como faziam a marcação de onde deixam as redes, por onde devem passar para não baterem com as embarcações nos corais, pelas construções em terra, uma torre de celular, um prédio alto, “olha ali, bem ali na Tim, tá vendo?” – Onde? “ali na Tim...” – Sei, sei. Não poderia olhar para nenhum lado mais e enquanto Dema colocava a isca natural no anzol da linha de mão e pegava uns peixinhos “para os pobrezinhos que ficam ali pela balança”, a metade da maçã que foi meu café-da-manhã foi servir de comida para os peixinhos do mar.
Depois da rede jogada voltamos à terra firme. O vento noroeste só ameaçou. O terral, vento que vem da terra, não atrapalhou a volta, pois contamos com o delicioso vento leste, que vem do mar, que nos levou rapidamente de volta às areias da Garça Torta.
Do chão vimos o sorridente Dema se despedindo, ele e seu companheiro de viagem deixaram as “pescadoras de primeira viagem” pensando como teria sido bom se o mar fosse para qualquer um.
O futuro do pescador em Maceió é incerto, na comunidade de Garça Torta, com uma pequena quantidade de pescadores, a maioria compostas pelos “mais velhos”, os pescadores acham que não dura muito o ofício de pescador artesanal, os filhos não querem mais seguir a profissão dos pais.
Na vila dos pescadores de Jaraguá, a incerteza é em relação às condições de sobrevivência do pescador. Por falta de opção de emprego os filhos de pescadores acabam seguindo a profissão do pai, mas não querem que seus filhos se tornem pescadores. A necessidade de uma estrutura mínima que garanta saneamento básico, moradia e segurança, é emergencial na região. Se em Garça Torta as dificuldades são de manutenção da profissão e condições favoráveis para a pesca, lá o problema da violência é muito menor. As redes de pesca ficam ao ar livre, noite adentro, sem que ninguém mexa, no Jaraguá, isso infelizmente não acontece.
Na Pajuçara, apesar de aparentemente mais organizada a comunidade pesqueira, as dificuldades naturais que enfrentam os pescadores são as mesmas e assim como os demais pescadores, Alexandre não quer que seu filho que nascerá em breve seja pescador. Se a transmissão dessa antiga profissão ainda se dará, de pai para filho, não se sabe, mas se a maré continuar, do jeito que a tendência mostra, e nenhuma atitude for tomada, o pescador artesanal entrará em extinção, assim como o alimento que está rareando para o peixe no mar.
Erika... bonito texto, pensamento.
Eu estive morando em maceio por 1 ano e meses, e dava pra pensar as veses nessa situacao que lah existe, do que era antes, e do que eh agora, a vida dos pescadores, do povo que antes tinha uma rotina e essa mudanca que agora tem que se adaptar.
Eu conheci a Garca Torta, e outros lugares paralelos que tem muita historia, e tradicao, que parece que nao vai ficar mais muito tempo por lah, visto as mudancas do presente.
Tambem, temos que considerar que a poluicao ambiental que eh feita inclusive pelos moradores das vilas de pescadores, etc, contribui pra esta situacao de fim de uma era. A sujeira de plastico e coisas que poluem os rios e o mar sao aprova de que pra manter o que era antes, com o que sujam agora, nao vai muito longe essa mare.
Eu espero que os principais responsaveis pela manutencao ambiental, os que recebem salarios de "dr" e tem posicao de poder politico possam fazer algo pra melhorar a situacao, pois vivem na sujeira, e olham os 'pobres' como se fossem o lixo. Eta gente hipocrita e sem, inteligencia, nem educacao.
Maceio eh realmente um lugar bem bonito e bom pra se viver, mas precisamos manter um certo grau de harmonia entre o meio ambiente e as pessoas.
Axe
Olá Mestre Jeronimo,
obrigada por seu comentário.
É verdade que Maceió precisa ser melhor cuidada. Neste longo relato que deixei aqui no Overmundo (sei que não é muito estimulante ler um texto deste tamanho na internet) queria falar mais sobre a vida do pescador artesanal, mas é im possível deixar a questão ambiental de fora.
beijão.
Axe' Erika...
Sem divida, "na duvida" que vivemos sempre causada pelo desemprego, falta de educacao, escolas e condicoes para os 'mestres'(profs.), falta da qualidade (e quantidade) do servico publico da saude publica... eh aih que teu texto pode ate parecer muito looongo, mas, faz sentido.
Eu acho muito valido essa tua iniciativa de trazer pra gente a ideia de olharmos com mais atencao pras nossas coisas HUMANAS, ao contrario das coisas que sao colocadas nas vitrines dos shoopings centre que tiram a vida de alegria e satisfacao, mesmo que nessa falta d algumas coisas de origem publica do servico social que pagamos com as nossas taxas e imposto pro "leao". Daih, o 'pesacaor', a gente simplesdiria-se, estaria REAL-mente mais feliz, vivendo do seu e pro seo habitat. A Natureza Mae dos homens (Sarava quem eh do mar, eu vim do mar, eu vou pro mar...!) estaria tb recebendo essa oferenda, dadiva, que estes profisioniais, pescadores, e artesoes de natureza simples iriam receber e dar.
Outrosim, na falta de conscientizacao, e informacao, o que nois estamos aqui fazendo, sem duvida... ficamos ate a merce de um suposot, diria, "milagre" pra que a situacao possa se resolver em melhores condicoes e pra melhorar a condicao da situacao, que tende pra bancarrota sem duvida.
Mas, dito popular,canto com eles, (eu vivia quando lah encontrando com alguns deles e papoerando da vida, nas praias que eu vadiava... Iee!)... ANDA COM FE` EU VOU...VAMOS NOIS... A FE` NAO COSTUMA FAIAR...
Pois assim vamos nois... caminhando e cantando... e curtindo numa jangada que veleja o mar, de Maceio ate os confins do mundo de Jah Tupa~ Oxala - Alah e Buda pra alem mar... !
Abr ativista, e fraterno.
Eita vontade ir a Maceió. Me lembrou tanta coisa. E relamente até cantarolei - "É doce morrer no mar........."
um abraço
andre.
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