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O PÉSSIMO COSTUME DE SE ACOSTUMAR

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Ana Flávia Coelho · Belo Horizonte, MG
5/1/2007 · 71 · 3
 

Com o bombardeio de informações que a vida moderna nos proporciona, criamos o péssimo costume de nos acostumar com as mazelas do mundo. Todos nós estamos cansados de saber que na África existem pessoas sem água para beber, crianças com desnutrição, com uma população contaminada pela a AIDS. Sabemos também que no Iraque existem mulheres sendo estupradas, crianças torturadas, pessoas passando fome e assim consecutivamente.

Estas notícias estão envolvidas com muitos outros casos tristes e revoltantes que não acontecem apenas no exterior, ocorrem bem de baixo do nosso nariz e podem estar ocorrendo agora em uma favela da sua cidade, como também com o seu próprio vizinho, como já aconteceu comigo, com o assassinato do meu irmão. São histórias que ocorrem no dia a dia e que é só vivendo para sentir e infelizmente muita gente para acostumar.

Escuto muita gente dizendo que os jovens, principalmente os universitários, têm uma sede de mudar o mundo, de mudar uma realidade, mas com o tempo acostumam-se com o que deveriam não acostumar. Em muitos casos não deixo de concordar com esta afirmação. Como universitária, vejo que tem muita gente querendo mudar muita coisa, mas a ação fica apenas na retórica. Na hora mesmo de colocar a mão na massa, de enfrentar tudo e todos por uma causa, muita gente sai de fininho.

O problema é que isto torna-se aceitável por algumas pessoas, uma vez que ajudar o próximo é muito difícil, toma tempo, paciência e até dinheiro. Para eles, uma pequena ação não vai valer a pena e não vai mudar o mundo. Em compensação, existem pessoas que têm a coragem de levantar as mangas, arranjar um tempo e até um dinheiro para ajudar os que mais precisam e mais, não se acostumam com as mazelas da vida alheia. Só os que põem a mão na massa vêem que podemos mudar o mundo e que as pequenas ações podem tornar-se grandes.

Mudar o futuro de uma pessoa, de uma família ou comunidade é mais do que retórica, é ver a realidade de perto nua e crua, é se envolver e não acostumar com a desgraça alheia, é querer mudar o mundo todo, mesmo não tendo dinheiro nem para sair da cidade. Cada pessoa que se planta uma semente de esperança, cria um cidadão consciente que não quer se acostumar com a realidade em que vive. Este cidadão aprende a se acostumar com a paz e a esperança de um mundo melhor e uma realidade mais feliz.

Devemos nos acostumar a ajudar o próximo, a nos envolver em campanhas educativas contra a violência, o desmatamento e a pobreza. Uma ação, por menor que seja, muda o mundo e desacostuma muita gente a acostumar.

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AP (Apenas Penso)
 

A base de todo os nossos costumes Ana Flávia é a educação!
Educação cultural!
Vivemos uma geração em que ter filhos é um fardo quando conciliamos a necessidade de nossos trabalhos a velocidade das responsabilidades rotineiras.
Pensando como a escritora Lya Luft, acabamos delegando a criação destes jovens as creches, as escolas sucateadas, aos mestres pessimamente remunerados.
Observar esta degradação cultural cria apatia, cansa a alma! Observar a estratégia governamental que cospe mais pessoas sem educação, sem o legado da retidão é assumir vagarosamente que nascemos com pré disposição a ter de nos acostumar.
Nos acostumamos a parir como preás entre muitas outras coisas.
E agora nos acostumamos com a falta de governo.
É de se pensar!
Bom, eu apenas penso!

AP (Apenas Penso) · Arraial do Cabo, RJ 3/1/2007 00:12
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Ana Flávia Coelho
 

Sabe AP nós devemos acabar com esta apatia e com a pré disposição de nos ter que nos acostumar. Temos muitos problemas, isto não posso negar, nem deixar de concordar com você que deixamos os nossos filhos nas creches e escolas despreparadas. Mas não concordo em acostumar com a falta de governo, uma vez que a democracia nos dá o direito de escolher os nossos representantes e outra coisa é que este péssimo costume de nos acostumar faz com que nós não vamos nas ruas reinvindicar os nossos direitos e as nossas inquietações. Isto dá direito para os nossos representantes "deitar e rolar" em cima da nossa apatia. Um exemplo são os nossos salários, enquanto um trabalhador tem que sobreviver com 380,00 um deputado precisa de 24.000,00, fora os auxilios paletó,gasolina, aluguel. Cadê o auxilio do povo? O que ganhamos de vantagem, por sermos trabalhadores honestos? Em que país vivemos? Não podemos nos acostumar, pois se acostumarmos não teremos nada, muito menos a educação que tanto almejamos!Os nossos representantes não querem pessoas que pensem, pois os "pensantes" reivindicam, vão nas ruas e lutam pelos seus direitos. O povo analfabeto é mais facil de lidar, de tapear e de roubar!
Gostaria de agradecer a sua contribuição! Sou nova aqui e estou vendo que vou aprender muito com vocês!

Abraços

Ana Flávia Coelho · Belo Horizonte, MG 3/1/2007 10:31
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MARIA  SILVA
 

Acostumar? Acomodação? Ou Pilatos?
Realmente vivemos num mundo assim. Mas, temos que fazer algumas mudanças; do contrário todos nós iremos perecer, nessa preguiça de lutar!
O jovens do passado faziam lutas e protestos políticos tão grande, mesmo na década dos anos 70, quanso estavamos na ditaduras. .....
Eu concordo Contigo!
Parabéns pelo alerta!
Abraços

MARIA SILVA · Curitiba, PR 27/3/2010 10:36
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