O pior do Brasil é o brasileiro.
O brasileiro que faz promessas para chegar ao poder e esquece quando chega.
O brasileiro que gosta de levar vantagem em tudo.
O brasileiro que faz tudo por dinheiro.
O brasileiro que contemporiza sempre.
O brasileiro que vive de dar jeitinho.
O brasileiro que promove briga de galo.
O brasileiro que joga papel no chão.
O brasileiro que passa no sinal vermelho.
O brasileiro que anda no acostamento.
O brasileiro machista.
O brasileiro preconceituoso.
O brasileiro que bate em mulher.
O brasileiro que sonega impostos.
O brasileiro racista.
O brasileiro que ganha uma concessão de tv e promove baixaria e mundo cão.
O brasileiro que assina uma lei num dia e a estupra depois.
O brasileiro que acha que o Brasil é assim e não tem jeito.
O brasileiro que diz que ética é coisa de filósofo.
O brasileiro que imagina que utopia é coisa de românticos.
O brasileiro que garante que não dá para incluir os excluídos.
O brasileiro que é a favor da pena de morte.
O brasileiro que só olha para o próprio umbigo.
O brasileiro que não quer saber de onde vem o dinheiro.
O brasileiro que rouba, mas faz.
O brasileiro que faz de Miami a melhor cidade do país.
O brasileiro que faz qualquer aliança para ganhar.
O brasileiro que faz qualquer aliança para ficar.
O brasileiro que dá um parecer de um jeito e outro que o nega.
O brasileiro que faz um diagnóstico de um modo e outro que o contradiz.
O brasileiro que trai o povo.
O brasileiro que finge não ver.
O brasileiro que mente.
O brasileiro que corrompe.
O brasileiro que se deixa corromper.
O brasileiro que joga no bicho.
O brasileiro que vende drogas.
O brasileiro que as compra.
O brasileiro que não distingue moralidade de moralismo.
O brasileiro que tem saudade da ditadura militar.
O brasileiro que tortura.
Ou o brasileiro que vai embora para rir do Brasil e de nós, brasileiros.
Texto retirado da coluna “A CARA DO PAÍS” escrito pelo jornalista e escritor “Juca kfouri” para o jornal esportivo LANCE, ano de 2004.
Faços das palavras do nobre jornalista um verdadeiro motivo de descontentamento com tanta hiprocresia, tanto pelo lado do governo, como o da sociedade em geral.
Não generalizo tal situação, porém o que vimos hoje em dia é culpar, culpar e culpar. Muitas das vezes me pergunto o que fazemos para solucionar, ajudar e não mais problematizar o que já está errado a mais de 500 anos.
Higor,
O maior problema destas abordagens ligeiras sobre os problemas de um povo, da que estás postando, é que ela toma o conjunto e sapeca nele as mazelas todas da parte.
A minha turma aqui de casa, e muita gente amiga minha, todas pessoas nascidas no Brasil e aqui trabalhando para sobreviver, gritaram em coro, em 2004 e agora:
Inclui a gente fora dessa aí!
Eu ainda penso, de modo muito particular, que trampolinagem não é coisa de brasileiro, é coisa de gente, em qualquer lugar do planeta em que a parte mais sensível do corpo das pessoas seja o bolso, não o coração, nem a consciência.
Por isso publico um pequeno texto, que é mais um elogio a verve de Gogol, criador da histriônica novela de costumes O Inspetor Geral, que nada tem de brasileiro, mas humano é, para falar com mais gabarito dessa onda exagerada de exageros que trabalha para arriar a mais não poder o moral da tropa porque os generais antagonistas são pegos com a mão na cumbuca.
Eu continuo achando que a indignação, a justa ira, a rebeldia necessitam de endereço a que se destinem para não acabarem feito ou tiro no pé ou metralhadora giratória, que resulta em tragédia ou farsa ou em guerra de bugio.
Passa lá na edição e confere.
Adroaldo.
Concordo contigo em bastante coisa ai em cima. Em grande parte o tiro sai mesmo pra todo lado e não tem alvo certo, pois são muitos os alvos e para acertar todos acredito que teriamos de fazer um golpe do povo. Porém, este último não tem mais razão, pois como escrito no texto ele age da mesma forma em genêro e causa, não é o tamanho do assalto que vai lhe acusar, mas sim o assalto que é igual a todos, portanto, acredito que o recado está sendo dado e cabe a todos fazer a sua parte.
Certo, Higor, certo:
Roubo é roubo em qualquer lugar,
não parece importar se de pão,
que dá cadeia grossa,
sem julgamento nem sentença,
ou se de milhões em notas bem calçadas
ou desviados do imposto de renda,
ou surrupiados da bolsa da viúva em licitações fraudulentas...
que resulta em abrir pizzarias ou hotéis em miami
Os piratas contemporâneos viajam em primeira classe sem reverso pinado.
miséria é miséria em qualquer parte.
E gente é do bem ou do mal, para o que nasce ou em que se transforma na caminhada, em qualquer país do mundo.
O que estou criticando no postado é que, ainda que não penses assim, nem queiras dizê-lo, dizes com todas as letras que todo o brasileiro rouba, na tua versão simplificada de que todo o brasileiro é o que Juca diz que é.
Não dou licença ao poeta de me incluir naquilo tudo, por isso estou aqui justamente no meu papel de explicar a ti e a quem ler o teu postado que ele é injusto e a nada leva porque é tão-somente um raso livre pensar do Juca.
Sou brasileiro, não sou anjo, nem demônio.
Lá em casa o pessoal torna a repetir, como muitas pessoas amigas minhas insistem em dizer:
Inclui a gente fora dessa, somos gente brasileira trabalhadora e honesta, sem querer dizer que isso seja uma qualidade em alguém no mundo, é apenas uma norma de conduta de pessoa que respeita a outra pessoa e o que é das outras pessoas ou de todos.
O Juca abarca a nós todos e impõe a todos as mazelas do mundo, que são das partes, muita vez até de pouquíssimos indivíduos.
Entendo perfeitamente que Juca não fala de mim, nem de ti em especial.
Mas elege o indivíduo/coletivo brasileiro para dizer dele tudo aquilo.
És tão brasileiro quanto eu.
Na minha avaliação, o texto não ajuda, atrapalha em muito a diferenciar o bom do mau ladrão, porque Cristo ninguém é.
Eu não quero avião com reverso pinado.
Se o reverso foi posto no projeto,
quero que possa ser acionado.
Adroaldo.
A reflexão cabe quando somos indagados, críticados e crucificados. A sola do sapato vai doer só quando incomoda. Quando o grito atingem, aflinge aos oprimidos, que não tem chance de igualdade o alarde é baixo não é alto não senhor.
E isso incomoda como íngua à muito viu nobre amigo, acredito que o grito não sai pela culatra, pois já mexeu com alguém, por enquanto pode ser pouco, mas tá sendo olhado por muitos.
Deixo claro e evidente que o texto é igual a muitos momentos que já passamos aqui em nosso país. Fico feliz em saber que não se enquadra em nenhum retrospécto e já sabia disso, pois lhe admiro de montão :).
O que está acima escrito é minha reflexão e opinião, defendo-a e aceito sugestões por isso coloquei-a aqui, senão também ficaria calado sentado na poltrona assistindo TV de domingo.
Higor,
Se não me importasse com o que sentes com o que sentem os de baixo, não teria feito 40 anos de militância estudantil, sindical e partidária em movimentos sociais diversos em nosso país.
O que estou te dizendo, não o digo porque o texto tenha mexido comigo agora ou em 2004, que já estou mexido há muito, é que ele mexe errado com as pessoas.
Não tem nele uma perspectiva além da denúncia genérica.
Insisto: a denúncia deve ter endereço para chegar ao anúncio de algo novo.
O brasileiro não é cordial.
O brasileiro não é "tudo ladrão".
O brasileiro não têm todos boa índole.
Estou para te afirmar uma coisa que talvez já sabibas:
O brasileiro não existe!
Existem pessoas no país, modos de vida diferentes, pontos de vistas diferentes, vidas distintas, porque em classe distintas se encontram.
Aqui já se cometeu o erro de pensar que porque a pessoa era boa na vida privada seria bom governante.
As circunstâncias, mais que o hábito, Higor, fazem o homem.
Quase o determinam se ele não se ergue nos próprios pés e faz com outros também por si, enquanto classe, enquanto grupo, enquanto sujeito social, porque ninguém é uma ilha.
O texto denuncia um tipo em todos e este tipo não são todos.
O texto nada de novo anuncia.
Por isso um raso livre pensar, que não acumula para o devir.
Te respeito muito Higor, por isso te devo a crítica.
Tenha estas minhas três manifestações aqui como das maiores provas de amizade que uma outra pessoa pode ter de mim.
Óbvio, também estou manifestando a minha opinião a teus possíveis leitores, outra preocupação justa.
Um abraço amigo.
Adroaldo.
Entenda em tudo que escrevi a admiração por você, por isso retornei. Em nenhum momento discordo de ti, apenas deixo claro outras questões.
Não sei se este texto tinha a tarefa de trazer algo novo, mas talvez esclarecer que somo todos iguais em número. E bem lembrar da arrogânci de muito. No prórpio texto está clara outra situação você pode lê-lo de novo e no primeiro meu comentário deixo claro mais uma outra questão.
Adroaldo, gosto de entreter, discutir e aprender e muito bem sem baixar a educação pelas palavras, muito bem faz bem entender.
Abraço fera!!!
O pior da instituição é a instituição...
Agradecido.
o pior do brasileiro é tentar esconder que é brasileiro.
excelente.
amigo Higor,
concordo em parte contigo e em parte com o Adroaldo. realmente do modo como está posto no texto parece mais uma espécie de generalização, uma forma de desabafo inconsequente. nem todo brasileiro segue tal receita de bolo e é evidente que existe uma grande parte que segue. mas cada indivíduo é um indivíduo, e como o Bauer afirmou, não existe Brasil, mas um continente de índios das mais díspares etnias em constante evolução, ou seja a identidade cultural e ainda mais a homogeneidade nesse mister está mais para uma utopia do que para qualquer outra coisa.
não obstante, louvo a tua iniciativa de chamar a atenção dos brasileiros para condutas sérias que, se não partem da maioria, estão impregnadas em toda a sociedade brasileira de modo que não há como se saber ao certo quem é quem, trata-se pois de uma mentalidade, não especificamente brasileira, mas por demais exacerbada por aqui. essa mentalidade, o chamado jeitinho brasileiro, é sem dúvida um absurdo que devemos combater. TODOS NÓS BRASILEIROS ESTAMOS INSERIDOS DE ALGUMA FORMA, CONSCIENTE OU INCONSCIENTE, POR AÇÃO OU OMISSÃO, NESSE ESTEREÓTIPO POIS ENQUANTO "CONIVENTES" COM TUDO ISSO , DE UM MODO OU DE OUTRO, ACABAMOS POR CONSTRUIR TEXTOS COMO ESSE, DEPRECIATIVOS, MAS QUE LIDAM COM A REALIDADE. UMA REALIDADE FEIA, QUE INCOMODA, ENVELHECE , MACHUCA, MAS QUE ESTÁ AÍ NA NOSSA FRENTE NOS SINAIS DE TRÂNSITO, NOS VIADUTOS , NAS FAVELAS...
penso que objetivo do texto é justamente, antes de elencar singularidades do brasileiro típico, mostrar o quanto pouco nos preocupamos com tais peculiaridades, o quanto somos parte integrante de algo a que não pertencemos de corpo e alma, mas que tem forte repercussão no nosso cotidiano, sem muitas vezes nos apercebermos disso!!!
parabéns pela iniciativa!!!!!!!
que tal trazer ao overmundo um texto com algumas soluções para essa maneira de se situar no mundo, tão "estranha" e, ao mesmo tempo, tão antropofágica do brasileiro???
sem sombra de dúvidas há soluções a serem analisadas!!! ou não???
mais uma vez parabéns pelo "puxão de orelha" em todos nós brasileiros!!!
um grande abraço,
Olá Mestre Marcos!
Muito obrigado pela dica e pela leitura acentuada dentro do tema. A interação que EU e o ADRO (acho que ele me permite lhe chamar assim) fizemos, você tirou de letra caro amigo e na minha humilde opinião são estes bate-papos que o overmundo nos da a oportunidade de interagir com pessoas de vários locais deste país.
Higor, cheguei a pensar em te mandar um e-mail e dizer em particular, mas como vejo que o teu texto já gerou discussões, além de ter alcançado votação suficiente para ser publicado, falo aqui mesmo (e é simples o que tenho pra dizer): acho que o overblog existe pra receber textos de autoria própria do colaborador, ou entrevistas em que aparece a fala de outra pessoa, mas mediada pelo diálogo com o colaborador. Do jeito que fizeste, simplesmente transcrevendo um texto do Juca Kfouri, não cabe.
Sei que participas muito, e por isso mesmo acho que poderias ter mais cuidado (no bom sentido, não de medo, mas de zelo, carinho até) ao publicar colaborações no overblog. Outra coisa: é interessante colocar o crédito das imagens. Se é uma fotografia, existe uma pessoa que tirou essa fotografia. E é bom lembrar da questão dos direitos autorais (o Viktor Chagas já recomendou por aqui uma seção do flickr na qual existem várias imagens licenciadas em Creative Commons, licença que se usa no Overmundo).
Um abraço,
Felipe
Olá Obrer.
Agradecido pelo comentário e sugestão. O overblog, também é um espaço para trocar idéias sobre qualquer assunto dentro de cultura brasileira. Coloquei o texto por tratar acentuadamente de uma opinião minha, deixe bem claro no primeiro comentário que fiz.
Quanto a foto, quando a gente coloca ela pede a autoria e eu coloquei sim. Respeito a sua opinião a guardo ela com carinho!
Marcos.
Vou fazer o que me pediu sim! Estou com probelmas aonde trabalho de logística, mas logo voltarei com este assunto. Abraços cordiais!!!
Higor, o ponto é: o Juca Kfouri sabe que o texto dele foi publicado por ti? Outra coisa: o nome do fotógrafo não consta, diz ali apenas de onde a foto foi extraída.
Um abraço,
Felipe
Obrer.
Beleza!
O mais importante realmente são as burocrácias, agradecido.
Não é burocracia, não... acho que é adequação ao objetivo do site e atenção aos parâmetros de publicação (o tipo de licença usado, por exemplo). São coisas práticas.
Caro Obrer.
Sei das regras do site, do tipo de licença e também sei muito bem que o maior interessado é o leitor. Se este, quis que o texto ficasse para sempre no Overmundo acredito que nossa conversa se finaliza aqui.
Abraço fera!!
Ainda bem que as brasileiras ficaram de fora dessa, são maioria e vão consertar essa naba.
Caso 1
Caso 2: uma ode às canarinhas virgens do meu Brasil Varonil Cor de Anil
Juliaura.
Muitas brasileiras são exemplos de dignidade e você é uma delas. Agradecido pela dica, logo, logo vou ler teu texto.
"O brasileiro que tem saudade da ditadura militar.
O brasileiro que tortura.
Ou o brasileiro que vai embora para rir do Brasil e de nós, brasileiros."
Me lembrou um texto que escrevi. http://www.overmundo.com.br/banco/ditadura-queremos-bis
E a sua última frase me lembrou um comentário de ferrez.
"Se mudar do brasil é fácil, mudar o brasil que é dificil."
abraço
Olá godim.
Valeu pelo comentário e concordo com sua interpretação, logo estarei lendo o seu texto e comento.
Abraços...
A corrupção, a ideia da impunidade, da vantagem, de colocar a mão grande no que é do alheio não é genético. Vem da educação falada ou observada pela criança, desde pequena, até que o incoerante do ponto de vista ético vire atitude plenamente "normal", "constante", "frequente". A mudança vem pela educação. Lembro daqueles antigos panos de cozinha, presos à parede, bordados em ponto cruz: É de menino que se torce o pepino! - Temos que fazer valer valer a pena morar no Brasil, né gente! Um abraço, Doris/Poa
pedagoga · Porto Alegre, RS 16/10/2007 19:32Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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