O PLIMP é Fato Literário!

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Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS
16/11/2007 · 112 · 5
 

O Fato Literário é uma premiação anual que ocorre no período da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, premiando instituições, projetos e personalidades que se destacam pela sua atuação no mundo das letras, no incentivo da leitura, na facilitação do acesso aos livros. O anúncio da premiação de 2007 foi feito no último 11 de novembro, no fechamento de mais uma edição da longeva (e esperamos eterna) Feira do Livro da capital gaúcha.

Vencedor do Prêmio Fato Literário 2007 na categoria “projeto” pela votação do júri oficial, o Projeto Literatura Infantil e Medicina Pediátrica: uma aproximação de integração humana (PLIMP) consiste em uma iniciativa das faculdades de Letras e Medicina da PUCRS, que tem por objetivo levar a magia dos livros às crianças internadas pelo SUS no Setor de Pediatria do Hospital São Lucas da universidade, através da narração de histórias realizada por alunas do curso de Letras.

As crianças internadas encontram-se forçosamente afastadas de sua normal rotina escolar, de seus amigos e professores, de seus jogos e dos livros. O projeto, assim, do qual tive a felicidade de participar durante o ano de 2002 (embora não fosse aluna da Letras, mas uma “estrangeira” vinda do Direito), busca atuar no sentido de mitigar os efeitos do afastamento provocado pela internação, possibilitando às crianças ouvir histórias fabulosas, imaginar mundos diferentes, soltar sua fantasia, entrar na atmosfera mágica (e curativa) dos contos de fadas.

A merecida premiação chega no ano em que o PLIMP comemora 10 anos de existência, graças à idealização e coordenação da Profa. Dra. Solange Medina Ketzer, bem como graças ao trabalho contínuo, feito com amor e convicção, pela Profa. Dra. Maria Tereza Amodeo, que atua diretamente ao grupo de “contadoras de histórias”, partilhando não apenas de suas alegrias, dos momentos belos e gratificantes, como também dos momentos de dúvida, impasse e tristeza que inevitavelmente surgem quando se atua em um ambiente delicado como aquele hospitalar e pediátrico. E, sobretudo, guiando um trabalho que, longe de efetivar-se apenas nas periódicas sessões de narração no hospital, exige preparação e envolvimento (profissional e afetivo) muito mais amplos.

O Prêmio Fato Literário 2007 ainda premiou, na votação pelo júri oficial na categoria “personalidade”, o excelente escritor e contista gaúcho Sérgio Faraco; e na votação pelo júri popular, o Projeto Ler em Casa, bela iniciativa da Prefeitura de Picada Café que faz circular sacolas repletas de livros por todas as residências do município.

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Helena Aragão
 

O projeto parece mesmo bem interessante, Letícia. Uma idéia bem simples que poderia ser incorporada em outras universidades (que têm cursos de Letras e Medicina, sobretudo). Mas existe, digamos, uma metodologia? Para a escolhas das obras, a dinâmica com as crianças internadas, as conclusões sobre as histórias... Afinal, deve ser muito mais do que chegar lá e ler, né? Fiquei curiosa...
Sugiro que coloque um link, caso haja um site do projeto (ou dentro das páginas das faculdades). Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 13/11/2007 18:09
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Letícia L. Möller
 

Cara Helena,

obrigada pela visita e pelo interesse. Realmente, penso que este projeto poderia inspirar iniciativas semelhantes em outras universidades do país.

Quanto à dinâmica do projeto, ela dá-se da seguinte forma. Em duplas, as alunas vão uma vez por semana ao setor pediátrico do hospital. Ainda que se vá em duplas, pelo número de alunas envolvidas é possível realizar a hora do conto em praticamente todos os dias da semana. Uma das alunas, naquele dia, é responsável por contar a história, e a outra fica na posição de auxiliar (na semana seguinte, se inverte). No hospital existe uma sala de brincadeiras para as crianças, dirigida por uma pedagoga, e é ali que ocorrem as sessões de narração das histórias, para aquelas crianças que estão em condições de levantar-se do leito, assim como para familiares presentes naquele momento. Primeiramente, contudo, as contadoras passam nos quartos para contar a história individualmente àquelas crianças que não podem deixar o leito.

A narração requer uma boa preparação anterior. As próprias contadoras selecionam as histórias que desejam contar (contudo, devendo levar em conta o público a que se destina e as faixas etárias predominantes) e elaboram uma atividade para ser feita após a narração, na salinha, usando diferentes materiais e muita criatividade. Concluída a atividade, a aluna deve escrever um relatório detalhado onde explicita a história escolhida e o porquê da história ser adequada ou atrativa às crianças; como se deu a hora do conto (local; número de crianças presentes, suas idades e nomes – pois acabamos conhecendo bem as crianças); eventuais dificuldades encontradas; resultado da narração (fez sucesso entre as crianças? Como elas reagiram? Por que não deu tão certo? etc.).

Uma vez por semana todas as contadoras reúnem-se com a professora coordenadora e com uma psicóloga que colabora com o projeto, para discutirem como estão sendo as sessões de narração, quais as histórias têm agradado mais e porque, o tipo de atividade que está sendo desenvolvida, as dúvidas que surgem, as tristezas frente à condição de algumas crianças (eu mesma enfrentei uma morte, experiência muito dolorosa para todas nós). Além disso, é comum que as contadoras encenem peças para apresentar no hospital, especialmente em ocasiões festivas (Páscoa, Natal...).

Bem, é difícil conseguir resumir a dinâmica do projeto em poucas palavras... Espero ter conseguido dar uma idéia mais clara, embora eu não tenha um conhecimento mais aprofundado do projeto em termos teóricos (de justificação e metodologia), pois atuei como voluntária apenas durante um ano, em 2002.

Um abraço,
Letícia.

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 15/11/2007 13:47
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Cintia Thome
 

Leticia
Excelente colaboração, boa informação, rica em teu texto, de real importância e padrões do Overmundo. Um beijo.

Cintia Thome · São Paulo, SP 16/11/2007 09:34
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querida Letícia:
Muito legal! É você, mais uma vez, brilhantemente envolvida com
"a atmosfera mágica (e curativa) dos contos de fadas"
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 16/11/2007 10:19
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Letícia L. Möller
 

Meus queridos Cintia e Joca,

muito obrigada pela presença e pelo carinho de ambos, que iluminam meu dia.

Um beijo grande,
Leticia.

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 16/11/2007 11:08
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