O Poema-Pedra

Corte de Adroaldo Bauer do Folheto/Divulgação do lançamento
Estréia em livro de Cida Almeida, Flor da Pedra foi lançado em 3.12.2008
1
Renato Torres · Belém, PA
23/9/2009 · 24 · 36
 

“Me atiro, poema pedra
No abismo em que nasci.”
Renato Torres, 6.novembro.1991


Permanece intacta a busca, o esquema lírico que impulsiona aquele que escreve, o poeta – o que demarca as linhas imaginárias desses territórios conquistados, continentes argutos de imensidões simbólicas. Permanece a busca, mas sem contudo esculpir formas rígidas, contemporaneamente inserida na entropia multi-referencial que caracteriza o terceiro milênio, dialogando confortavelmente do seu ponto de vista prismático através da força semântica do signo poético.
A pedra, um invólucro de rigidez indiscutível sob o olhar empírico, pode apresentar seus interstícios. Aqui, a questão drummondiana, reiterada, pode também ser reinterpretada: o obstáculo descrito também escreve. É a pena e a folha branca, a um só tempo – e matéria de poesia. O poema pedra, materializa-se em força de gravidade, e estabelece desta maneira um discurso de sedimentação. Acontece que da rigidez insuspeita brota a flor – a palavra parindo a palavra – e então, temos o urdimento linguístico que paramenta a poesia de Cida Almeida.
Flor da Pedra – a estréia em livro de Cida – é bem mais do que um esforço poético (como na expressão popular tirar água de pedra), sem deixar de sê-lo. Nele há a marca atemporal do poeta em versos como No fundo do espelho / Tilinta / Metálica / A rosa / Que toco no fundo das minhas palavras. A rosa da palavra, explosão íntima que requer paciência maternal, terrena, profundamente feminina, é também a busca de si mesma, que Cida trabalha em rigor somático, no poema Senhora da Escultura:

Uma velha de cócoras
Encolho-me até o limite do feto
E fecho o círculo
A corrente
As algemas
A gema
E a dor de me parir
Sem mãe
Sem luz
Sem sombra


O escuro da existência na poesia de Cida entroniza-se à condição de espanto, até dissolver-se em imagerie, na série de alegorias colhidas do chão como uma coleção de pedras preciosas. E a cada uma, um nome inédito vai sendo plantado, pintado no bojo, como um batismo pictórico: aranha, mãe, trilha, paraíso, fonte, Deus, violetas. E tais muros verbais erguidos na página menos dividem e mais multiplicam domínios, fundindo-os e restaurando-os à sua condição primeira, a de serem comunicação humana, franca, feita por necessidade inexorável. E é preciso coragem para dizer-se, especialmente num mundo cada vez menos afeito à velocidade particular do tempo poético; um tempo feito de espera, burilamento, pequenos detalhes quase imperceptíveis a olho nu, intenção. Mas é exatamente da espera, como em Drummond de A Flor e a Náusea, que pode surgir, repentina, a flor do asfalto – pedra preta. Caso contrário, pode-se sucumbir ao medo, ao desespero, à cupidez, ao ódio. Cida parecer fazer de todos esses fantasmas existenciais o umbral de seu lirismo, e retine:

Eu espreito e temo o rolar da pedra
No rolar das pedras do dia
A pedra grande
A impensável pedra
Na fundura da espera (...)
A pedra inominável
A inarredável pedra.


Pedra que se move versus pedra inamovível – uma antítese que filosofa sem resposta, e que brinca de ser, transmutando-se. A pedra, em Cida, também é a flor. O mistério mineral que, como no mito bíblico, ergue o barro que respira e fala – a palavra – e quer ressoar, um eco, até a última palavra.


*texto publicado como prefácio no livro Flor da Pedra, de Cida Almeida, Goiânia: Kelps, 2008, p.11.

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raphaelreys
 

Poetas são anjos em missão de renúncia nesse mundo louco!

raphaelreys · Montes Claros, MG 23/9/2009 07:59
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Juliaura
 

Li no livro, li aqui. Aplaudi lá, te aplaudo sempre, guri.
Cida é das mais que merecem de nós entre tantas e tantos e por isso a amamos .

Juliaura · Porto Alegre, RS 23/9/2009 09:15
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opoertadabaixada
 

Jesus foi posto como a Pedra Angular, sitado em Atos dos Apostolos do Próprio Cristo de Deus!
Há no Templo da Boa Vontade em Brasília, que comeram o seu Vigesimo Aniversário a 18/10 No Pináculo uma grande Pedra de Cristal puro, irradiando todo o ambiente da Nave!

Flores de Pedra, Existe num de4serto uma Rosa de Pedra, cuja foto encontrei nas paginas do GOOGLE pesquisa, intereçante!

Parabéns Amigo, Votado! Aberaços opoeta!

opoertadabaixada · Belford Roxo, RJ 23/9/2009 09:33
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ayruman
 

Belo prefácio. Ao que parece são poemas de um conteúdo original e consistentes. Sucessos.
Saúde e Paz. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 23/9/2009 09:44
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Ailuj
 

Pedras que aos olhos de muitos são apenas pedras,aos olhos dos poetas elas criam vida e se movem virando poesias
Belo e forte seu texto,parabéns!!!!!!!!

Ailuj · Niterói, RJ 23/9/2009 10:43
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Ilhandarilha
 

Sou admiradora da Cida. Gosto de tudo que ela escreve. Seu prefácio está bem à altura da escrita dela. Parabéns!

Ilhandarilha · Vitória, ES 23/9/2009 11:08
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Juscelino Mendes
 

Notícia boa e culta... abs.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 23/9/2009 11:47
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Eliana Pontes
 

Votadíssima!!!

Eliana Pontes · Florianópolis, SC 23/9/2009 13:18
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graça grauna
 

Deu uma vontade enorme de folhear cada página desse livro. Bela poesia. Bjos.

graça grauna · Recife, PE 23/9/2009 15:13
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Rangel Castilho
 

Salve, Renato!

Salve, Cida Almeida!

Abraço Pantaneiro.

Rangel Castilho · Anastácio, MS 23/9/2009 15:14
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Roberto A
 

fantástico livro, com certeza. onde está disponível?

Roberto A · Cuiabá, MT 23/9/2009 15:40
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Cintia Thome
 

Renato, o prefácio para Cida, querida e ótima Poeta, ´pois admiro seus versos bem traçados, sempre tão bons e leves. Ela não só tem os folhos nos versos na poesia, como ela é a própria poesia...Parabens Renato e Á Cida também
E SUCESSO

Cintia Thome · São Paulo, SP 23/9/2009 16:42
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menina_flor
 

Olá Renato, um belo prefácio é um convite a leitura de um livro.
E assim você fez. Um prefácio bem elaborado e suave que acende a vontade da leitura.
Parabéns pela divulgação e trabalho.
Parabéns a Cida pelo livro.

Com carinho,
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 23/9/2009 22:47
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Patipetista
 

Belo prefácio !
Sucesso pra Cida !

Patipetista · Taboão da Serra, SP 23/9/2009 22:49
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Adroaldo Bauer
 

Ótima iniciativa, Renato.
Na oportunidade do lançamento, tive a felicidade de fazer uma entrevista com a Cida publicada com exclusividade aqui no overmundo. Saiba mais clicando aqui.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 24/9/2009 00:16
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Cláudia Campello
 

maior curiosidade de saber mais de Cida Almeida!
seu texto ta um colosso!

bjssssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 25/9/2009 13:51
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Renato Torres
 

raphael,

esta missão de que falas, com toda certeza, a tem cida. e nós também, não é? que bom que vieste comentar!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:40
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Renato Torres
 

juli,

sim, ela merece mesmo! lembro bem de ter chegado aqui no overmundo, e ser logo bem recebido por comentários sensíveis e perceptivos de cida... uma honra sempre! e os teus, igualmente, minha querida...

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:41
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Renato Torres
 

olá poeta!

muito oportuna as analogias que fizeste a estas outras pedras florescidas. agradeço o comentário generoso!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:43
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Renato Torres
 

ayruman,

sim, a poesia de cida tem a consistência da pedra, a beleza e a simplicidade da flor, o enigma profundo da natureza. recomendo (e todos recomendamos!) a leitura do livro!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:48
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Renato Torres
 

ailuj,

os poemas de cida são preciosos, têm poder e fala autênticos, numa sinceridade que nos chama a atenção - disso sabemos desde sempre. obrigado pelo teu gostar!

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:50
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Renato Torres
 

ilhandarilha,

foi exatamente esse o meu maior receio ao receber o convite de cida: será que posso escrever algo à altura do que ela escreve? o teu comentário me tranquiliza imenso... obrigado pela leitura.

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:51
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Renato Torres
 

juscelino,

sim, é um alento sabermos que existe um livro como Flor da Pedra nos aguardando na estante... vamos a ele!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:52
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Renato Torres
 

eliana,

obrigado pelo voto!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:53
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Renato Torres
 

olá grauna,

que bom! realmente é a intenção primeira, como já disse a patty, convidar à leitura... e posso garantir: é mesmo uma leitura deliciosa.

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:55
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Renato Torres
 

salve rangel!

e salve cida, e a poesia brasileira!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:56
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Renato Torres
 

olá roberto,

creio que podes conseguir o livro entrando em contato direto com cida, pelo perfil dela aqui no overmundo. mas não custa dar uma pesquisada no google, pelo nome da autora e do livro!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:57
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Renato Torres
 

cíntia,

sim, cida é mesmo a própria poesia, tamanha a sua simplicidade em dizer-se, tamanho o seu desvelo sincero e despretensioso. nos ganha pela autenticidade com que diz o que sente, através da palavra poética.

beijos!

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 11:59
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Renato Torres
 

patty,

fico feliz mesmo de que o prefácio ao livro de cida tenha conseguido este intento, que resumes de forma precisa.

um beijo!

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 12:03
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Renato Torres
 

olá patipetista!

sucesso pra cida! obrigado pelo comentário!

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 12:41
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Renato Torres
 

mano adroaldo!

sim! foi exatamente a tua entrevista que me incitou a publicar o prefácio! a pus como link em meu texto. recomendoa leitura dessa entrevista do adroaldo, totalmente reveladora.

abraços!

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 12:59
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Renato Torres
 

claudia,

é só acessar seu perfil (que tá como link no meu texto), e ler seus maravilhosos poemas! recomendo...

beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 29/9/2009 13:23
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Sinésio Dioliveira
 

Há prefácios que passam longe da obra: alguns põem tinta demais; outros fazem o contrário. Já procurei poesia apontada em prefácio que não encontrei no livro. Você foi preciso, Renato. Você fez o que Horácio recomendou na Arte Poética, na Carta aos Pisões: Vós que escreveis, escolhei matéria à altura das vossas forças e pesai no espírito longamente que coisas vossos ombros bem carregam e as que eles não podem suportar. A quem escolher assunto de acordo com as suas possibilidades nunca faltará eloquência nem tão-pouco ordem luzida." Tenho o privilégio de ter a Cida como amiga, mas não é isso, óbvio, que me faz achar a sua poesia interessante. A poeticidade de Cida reside no seu jeito singular burilar os versos e na qualidade do seu lirismo. Cida conhece bem o quintal das figuras de linguagem, sobretudo quando se trata da metáfora, o diamante de todas elas. Conforme constatamos em seu livro Flor da Pedra, a pedra é seu pão poético. E ela está comPOETAmente certa nessa opção. Afinal, a pedra aponta caminho. Vale até drummondiar (de modo in-verso): "No meio da pedra tinha um caminho." E há mais considerações pesando favoravelmente: Sem as pedras,/ os rios seriam mudos. Constamos que a pedra na poesia de Cida tem duas faces antagônicas: "Então enfio a mão no bolso/ Sujo os dedos com as rimas derretidas/ Cato a esmo no abismo/ Palavras desvairadas no olvido/ E tento ouvi-las/ Tamborilando/ A dor/ A flor."

Sinésio Dioliveira · Goiânia, GO 2/10/2009 12:59
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Cida Almeida
 

Renato, meu querido, desculpa a demora em passar por aqui. Felizmente cheguei. E muito orgulhosa dessa nossa frutífera parceria. Já disse a você da minha imensa gratidão com a generosidade e disponibilidade com que topou o desafio de fazer o prefácio do Flor da Pedra, tarefa árdua da qual a tendência (compreensível) é a maioria fugir como o diabo da cruz. Mas você assumiu o desafio de primeira. E o resultado é este belo Poema-Pedra, um diálogo pra lá de instigante com a minha (incipiente) poesia. Como já havia dito ao Adroaldo, sinto-me gratificada por ter conseguido com o Flor da Pedra um fabuloso encontro de brasilidades: prefácio de um poeta do Pará; apresentação da professora Maria Luiza Oswald (Ize), do Rio de Janeiro; primeira entrevista nacional do jornalista Adroaldo, Rio Grande do Sul.

Mais uma vez, Renato, obrigada por tudo e por mais esse ato, o de tentar aqui conquistar novos leitores para o Flor da Pedra. Um livro só existe na medida do leitor. E que venham os leitores! O maior desafio para o autor iniciante é a distribuição do livro, um drama monumental, principalmente quando não se tem um esquema de editora. Então, a gente fica com aquele “tímido” e desestimulante trabalho de formiguinha. E aproveitando as “facilidades” da rede, pelo menos de publicidade, aos interessados em adquirir o Flor da Pedra é só enviar e-mail (cidaalmeida13@gmail.com).

Agrade_cida a todos vocês que deixaram aqui seus comentários, que ajudam a fortalecer a trajetória do Flor da Pedra.

Cida Almeida · Goiânia, GO 5/10/2009 09:22
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Renato Torres
 

sinésio,

devo confessar que, a princípio, me causou certo pânico o convite de cida, haja visto seu background aqui mesmo no orvermundo, e as circunstâncias pouco favoráveis, como (por exemplo) a de conhecer insuficientemente sua obra, e a própria autora (que só conheço virtualmente). assumi o desafio por dois motivos fundamentais: pela extrema generosidade da própria cida, que sempre se disse admiradora do meu trabalho, e que dava então um prova de confiança monumental na minha capacidade perceptiva - neste caso seria uma brutalidade negar qualquer pedido seu; e em segundo, por acreditar nessa espécie de conexão íntima, espiritual, ou como queiram chamar, que de fato sempre senti entre nós, desde a primeira vez que a li, e a comentei, e que ela me leu, e comentou, aqui no overmundo.
essas foram as ferramentas, a bússola e o astrolábio, pra que eu pudesse enveredar, com intuição e com uma coragem que reverencia e respeita, pela poesia de cida, retirando de lá as impressões que cabiam no meu entender afetivo, de quem menos entende e mais ama a poesia. fico extremamente feliz de ter o retorno de alguém realmente próximo a ela, que reconhece no que eu escrevi uma sinceridade intencional, felizmente colocada dentro dos limites do que era possível dizer. obrigado mano!

abraços,

r

Renato Torres · Belém, PA 5/10/2009 14:04
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Renato Torres
 

cida,

não precisa mesmo se desculpar! eu nem esperava que fosses comentar, por achar que estavas afastada daqui (como eu mesmo passei um bom tempo sem postar ou comentar). um verdadeiro presente teres vindo, e só tenho a te agradecer, mais uma vez, por me associares ao teu talento e ao teu carisma. também me sinto honrado por estar ao lado de todas as pessoas que participaram do teu livro, mas principalmente por esse diálogo instigante, que (me perdoe discordar) não seria instigante se a tua poesia fosse incipiente, como disseste... isso é propaganda enganosa! rsrs
cida, a tua poesia tem algo raro no mundo de hoje: é sincera. o teu livro escorre sinceridade. percebe-se logo de cara que não escreves por glamour literário, por hype, por quaisquer dessas futilidades vaidosas do mundo "artístico" que temos na contemporaneidade. está cada vez mais difícil separar o joio do trigo nos dias que seguem, onde ficou fácil publicar, gravar, ser artista, enfim (e aqui lembro da ótima canção de carlos careqa, de seu último cd, que diz: porque você quer ser artista? porque você quer ser cantor? o campo precisa de gente, não tem mais agricultor). certamente, minha amiga poeta, fazes muito bem, e fazes muito bem a quem te lê, por estar escrevendo. siga em frente! vida longa ao Flor da Pedra!

um beijo,

r

Renato Torres · Belém, PA 5/10/2009 14:19
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