O Portal do Som ( 2) - Música e Tragédia Urbana.

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Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
25/4/2010 · 9 · 26
 

Recentemente, algumas tragédias urbanas — em especial a relacionada ao assassinato do cartunista Glauco e do seu filho, Raoni — me trouxeram à lembrança alguns versos da canção "Muros e Grades"( “Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia, o medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia...”), um grande sucesso dos Engenheiros do Hawaii, e uma das canções que fez parte da trilha sonora da vida de uma “banda” da geração 80. (1)

Falo em banda querendo aqui me referir a uma parte da juventude, pois outras juventudes estavam ligadas em outras vertentes musicais, mesmo que, em muitos casos, a matriz de origem fosse o mesmo rock brazuca que despontava com toda força, a partir do início da década.

“Os artistas são as antenas da raça”, disse Ezra Pound. E confirmamos isso quando paramos para ouvir com mais atenção algumas das canções gravadas pelos Engenheiros e por outras bandas musicais surgidas naquele período, como: Legião Urbana, Titãs, Ultraje a Rigor, RPM,Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Ira, Barão Vermelho, Camisa de Venus etc..

Assim como ocorreu com as gerações que os antecederam, em especial as dos anos 60 e 70, perceberemos que a geração 80 também foi capaz de mostrar e refletir acerca das muitas mazelas daquele tempo, as quais não pararam de aumentar, chegando ao atual estágio de mal estar e insegurança que vicejam por tantos lugares.

Tempos de semeadura ideológica para o triunfo do modelo neoliberal, cujo ponto alto se dá com o “Consenso de Washington”, que recomendou a menor interferência possível por parte do estado nos rumos da economia, com os consequentes cortes de investimentos nas áreas sociais, arrocho salarial, precarização das relações de trabalho, redução e “flexibilização” de direitos trabalhistas, redução do papel regulador da economia por parte do Estado. (2)

Temos no exagero dessa ideologia, em especial na sua relação com o mercado financeiro, a causa principal da crise internacional que abalou a economia mundial em 2009, resultando em dor e sofrimento para milhões de pessoas, principalmente nos Estados Unidos, Japão e na Europa.

Estas questões relacionadas as facilidades para a penetração dessas idéias na década de 80 podem ser percebidas na letra da música Ideologia (1987), de Cazuza, que nos lembra da perplexidade que se estabelece no seio de parcela da juventude em função da falta de modelos de referenciais teóricos e práticos para sustentar a luta para a construção de uma nova sociedade, entre outros motivos, agravado pela derrocada da ampla maioria dos regimes comunistas que alimentaram a esperança de uma parcela da juventude, de artistas e de intelectuais na construção de um mundo melhor e pela mudança de lado, por parte de alguns expoentes da contra cultura ou da esquerda marxista, que assumiram idéias e atitudes de defesa do status quo.

A despeito disso, como os espaços de liberdade no Brasil eram muito limitados, naquele momento, muitos que tinham entre 15 e 30 anos, mesmo sem encontrar referencias mais sólidos em termos de ideologias, se envolveram em diversas formas de participação política, cujo ápice acontece com a campanha Diretas Já, exigindo eleições diretas para presidente da república

E como tema da campanha das Diretas Já, temos a canção Inútil (1983), do grupo Ultraje a Rigor. “A música, que nasceu de pequenos fatos relacionados ao país (a primeira frase da canção foi inspirada numa frase de Pelé), ganhou cunho político e social quando o então mestre-de-cerimônias Osmar Santos tocou “Inútil” para 10 mil pessoas, no primeiro comício pré-eleição diretas, em São Paulo (...). Num outro golpe de sorte e publicidade espontânea, o deputado Ulysses Guimaraes chamou a atenção para a letra da canção em um discurso na Câmara Federal.”(3)

Outra banda que “explodiu” durante alguns poucos, mas intensos anos de sucesso (1985 a 1988) foi o RPM, um fenômeno pop que me lembrou o que se sucedeu com o “cometa” Peter Framptom, em meados da década de 1970, quando no início da adolescência ouvia Baby, I Love your way, I’m in you e Show Me the Way pelas ondas do rádio.

Embora tenha se destacado apenas com Alvorada Voraz, em termos de protesto social e político, o RPM fez um gesto que me chamou a atenção, a atualização de alguns versos quando da regravação da mesma canção, no ano de 2002.

Na primeira versão, eles se detiveram em fatos políticos e criminais de destaque, que antecederam a década de 1980 , como crimes do colarinho branco e nas torturas: O caso Morel, o crime da mala, Coroa-Brastel, O escândalo das jóias. E o contrabando, e um bando de gente importante envolvida (...) Juram que não torturam ninguém.”

E, na segunda versão de “Alvorada Voraz” , as questões selecionadas foram do final do final dos anos de 1980 até aquelas dos anos 2000, O caso Sudam, Maluf, Lalau, Barbalho, Sarney. E quem paga o jornal é a propaganda, pois nesse país é o dinheiro quem manda (...) E juram que não corrompem ninguém”.

E, como se sabe, o roubo do dinheiro público é um dos responsáveis pela “tragédia urbana”, na medida em que compromete o investimento público em geração de emprego e renda, educação, saúde, cultura, moradia, trânsito, esporte e lazer.

Já em outra vertente mais pessoal e existencial, sem perder a conexão com os aspectos sociopolíticos, não se pode esquecer de Renato Russo e seus parceiros da Legião Urbana, em função da quantidade e da diversidade de problemas do cotidiano de adolescentes e jovens, abordado por eles em suas composições.

Um exemplo disso é Faroeste Caboclo, maior sucesso radiofônico de 1988, presença obrigatória em bailinhos, sempre cantada em coro. Ao tentar explicar o sucesso da música, Renato Russo afirmou, naquele mesmo ano, que, entre outros motivos, “Fora o fato da música falar de um cara que está sofrendo altas dificuldades, tentando manter sua honra, as pessoas se identificam com isso”.(4)

Em Pais e Filhos, " É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã" um dos maiores sucessos do grupo, podemos identificar elementos muito próximos do drama existencial e familiar vivido pelo assassino de Glauco e de Raoni, conforme mostrado pela imprensa.

“Quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui com você? (...) Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar. (...)”. E, como conseqüência, a tragédia atinge o ápice com: “ela se jogou da janela do quinto andar” ou no caso relacionado: Ele mata duas pessoas e, na fuga, quase tira a vida de uma terceira.

Em Aloha, Renato Russo assume o protesto juvenil de forma mais ampla, afirmando: “Será que ninguém vê o caos em que vivemos? Os jovens são tão jovens e fica tudo por isso mesmo, A juventude é rica, a juventude é pobre. A juventude sofre e ninguém parece perceber.”

E concluo ampliando o raciocínio do compositor e ainda faz muito mais gente sofrer. Ainda trazendo mais idéias abordadas nos versos da letra da canção “Muros e Grades”, vale a pena procurarmos saídas para aquilo que seus autores descrevem como uma vida superficial, sem sentido e absurda.

Na composição Comida”, dos Titãs — um dos grandes sucessos da banda naqueles anos —, encontramos a afirmação enfática do fazer artístico como uma das possibilidades para superar ou amenizar as angústias ou ansiedades da(s) galera(s): “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

Afinal, como afirmou Vanderley, professor de história, artísta plástico e escritor, no II Fórum Popular de Cultura (2006), “quando a gente se nega a ser criativo e criador, nós negamos a nossa condição humana e a nossa humanidade”.

E para ampliar os horizontes sobre as questões aqui postas em foco pelas composições selecionadas por nós, recomendamos a leitura do excelente artigo Um Sentido para a Vida”, do Frei Betto, um cara que viveu a adolescência e a juventude bebendo na fonte daquilo que melhor foi produzido nas década de 60, 70 e 80, em matéria de arte, espiritualidade, filosofia e política, o qual, hoje, já com cabelos brancos, esbanja uma vitalidade que inspira garotos e garotas de todas as idades.


NOTAS:

(1) – No auge do sucesso eu não era nem tão ligado nos Engenheiros do Hawaii e no Legião Urbana. Na verdade, as minhas bandas de rock preferidas eram a Cor do Som e o 14 Bis, cuja sonoridade não eram nem tão “rock” assim, por causa da influências daquilo que era chamado na época de MPB, que em matéria de música era o que me atraía mais,e, em menor grau, o folk, a música latina e alguns clássicos do rock .

(2) – No universo do debate dos problemas nacionais, muita gente não vê com bons olhos a explicação das questões da violência urbana, como intrinsecamente relacionadas às desigualdades, no tocante a má distribuição de renda, concentração de terras e, a incapacidade da maior parte das nossas elites dirigentes, em utilizar o estado como instrumento da melhoria do padrão de vida da maioria da população. Este pensamento é bastante disseminado por meio de radialistas e apresentadores de televisão, “abutres” que se nutrem das tragédias urbanas para conquistar audiência e, em alguns casos, votos.

“Ora senhores, certo perdestes o senso” porque basta comparar a nossa situação em matéria de criminalidade com os países do norte da Europa, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega entre outros, para percebermos a grande diferença.

Como estes países têm uma das distribuições de renda mais igualitária, serviços públicos de excelente qualidade e um sistema de proteção social primoroso, os indicadores de violência urbana são baixíssimos.

(3) ALZER, Luiz André e CLAUDINO, Mariana. Almanaque Anos 80. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004

(4) ALEXANDRE, Ricardo (org). História do Rock Brasileiro (Vol. 3). São Paulo: Editora Abril, s/d.

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ayruman
 

Excelente contribuição amigo Zé. Sensibilidade aguçada a favor da Arte , Cultura e dos valores Humanos. Minhas reverências!!!
Abraço fraterno Mano. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 23/4/2010 22:56
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Lili_Beth*
 

PARABÉNS, querido Zezito!
Postado primoroso, com referenciais sólidos.
Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2010 20:28
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ayruman
 

Vo( l )tando e apreciando.
Tenha uma boa Semana. jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 26/4/2010 10:46
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Zezito de Oliveira
 

Ayruman,
Grato pelas palavras!
O entrelaçamento dos aspectos artisticos com os valores humanos é por demais necessário.
E muitos artistas, mesmo quando não intencional, fizeram/fazem assim. Às vezes quando se quer forçar muito, não fica legal. Falo aqui de algumas linhas ideológicas, ligadas a partidos e religiões, que buscam forçar a barra.
Abraço,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 26/4/2010 11:14
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Zezito de Oliveira
 

Lili,
Que bom!
Saudade!
Quando nos brindará com novos trabalhos?
Beijos,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 26/4/2010 11:17
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Cintia Thome
 

Estamos entre a cruz a espada há muito tempo. Todos delatam as suas insatisfações mas o proprio governo não apura quem entra no País advindos de outros países, sempre são bem vindos e acumulam aqui as suas fortunas, seus mandos, lideram grupos no meio ambiente e em outras áreas...O Brasil é um coração, mas com ele mesmo não o é tanto.
Hoje entram em SP mais de 800 caros por dia, novos, o km...As metropolis estão estourando nos quisitos de criminalidade, má habitação, desemprego...estamos descontrolados e muito...Precisamos ter mais leis , uma educação mais rígida e clara sobre natalidade, sobre tudo...a violência é total, pois a lei de gerson ainda não foi proibida.O brasileiro não pode aceitar tanta invasão, tanta falta de moral em tudo...é um povo hoje cansado e esgotado, muito diferente do que leva a ação mediática a outros países...

Parabens pela abordagem, pelos links, muito bom mesmo!

ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 26/4/2010 11:20
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Cintia Thome
 

CORRIGINDO...é um povo hoje cansado e esgotado, muito diferente do que leva a ação MIDIÁTICA a outros países...

Cintia Thome · São Paulo, SP 26/4/2010 20:10
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alcanu
 

Brilhante, Zezito, Pesquisa muito bem feita, opiniões condizentes e contundentes, sem querer formar opinião, um puta retrato de décadas de Arte muito bom, como passou rápido, né, mano ?
Quando vai rolar outra ciranda como aquela da Puc, cara ?
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 26/4/2010 21:02
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graça grauna
 

Oh, meu irmão: este seu texto é um dos melhores que li sobre o assunto. Vou até imprirmir pra levar pra sala de aula e discutir comos meus alunos. Essas tragédias todas tocam fundo a alma da gente. Grande abraço. Paz em Ñanderu.

graça grauna · Recife, PE 27/4/2010 08:53
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azuirfilho
 

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE
O Portal do Som ( 2) - Música e Tragédia Urbana.

Momento triste na nossa História, que n~so podemos ignorar senão eles voltam ao Poder e de novo vem o desemprego, a dominação do capital estrangeiro, as desigualdades sociais, a fome e a miséria.

...triunfo do modelo neoliberal, cujo ponto alto se dá com o “Consenso de Washington”, que recomendou a menor interferência possível por parte do estado nos rumos da economia, com os consequentes cortes de investimentos nas áreas sociais, arrocho salarial, precarização das relações de trabalho, redução e “flexibilização” de direitos trabalhistas,...

Temos de sempre lembrar para os jovens saberem e não deixarem a Turma da Ditadura voltar ao Poder.
Parabéns pela grande colaboração.
Merece todo elogio pe.lo tema tão importante.
Abração Amigo para Todos.

azuirfilho · Campinas, SP 27/4/2010 15:20
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Vasqs
 

Acho que ainda

teremos muitas e muitas

ocorrências sociais-culturais

nessa longa , e bota longa, jornada

em busca de um ´grande país.
parabéns
abraço

Vasqs · São Paulo, SP 27/4/2010 20:45
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R. Marcchi
 

Meu caro Zezito,

Há de se lembrar que nas décadas musicais anteriores a 80 e na própria década de 80, a juventude que "curtia" as músicas de cada época tinha um grande hábito: LER. Todo o entretenimento disponível envolvia leitura, jogos de tabuleiro e brincadeiras que envolviam raciocínio lógico e interatividade pessoal (diferente da virtual de hoje). Entenda que não sou contra a tecnologia. Afinal ela paga as minhas contas (é... Sou profissional de TI) e encurtou as distâncias mundias. Mas sou adepto do livro na mão e um pensamento construtivo. As músicas mostravam a cultura e o pensamento politizado. Hoje são poucas as bandas que tratam o seu público com letras decentes, mesmo quando as letras são de amor (como fez muito bem e várias vezes Renato Russo).

Abraços,

R. Marcchi

R. Marcchi · Rio de Janeiro, RJ 28/4/2010 00:40
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Zezito de Oliveira
 

Cintia,
No inicio do seu comentário chamou-me a atenção a expressão “A cruz e a espada” que foi uma das canções de grande sucesso do RPM.
Já outra canção do Gilberto Gil, cuja mote principal é “vamos fugir, pro outro lugar, baby”, me recorda o que ocorreu com a humanidade em outros momentos da história.
Como por exemplo, na chegada dos cristãos inglesas a américa do norte, fugindo da perseguição da igreja anglicana.
Em outro exemplo, temos a chegada dos trabalhadores europeus ao Brasil no século XIX para substituir a mão de obra escrava. Fugiam da fome e do desemprego que assolava a Europa naquele momento.
Nesses dois casos, entre outros, as soluções para os problemas de ordem ideológica e econômica foi a mudança de lugar. Já no momento atual, não há muitas opções para a fuga “real”, em função da quantidade de pessoas que habitam o planeta e pelo fato dos problemas estarem interligados. Embora, muitas formas de fuga ”virtual” estejam disponíveis hoje, através das religiões, dos meios de comunicação, do uso em excesso de substâncias quimicas, da compulsão pelo consumo etc.
Falando em termos de realidade brasileira, a fuga em massa de milhões brasileiros para as grandes cidades se deram em função da estrutura fundiária, baseada no latifúndio, a consequência nós já sabemos.
Se quiser ir mais atrás, lá em 1888, quando a Lei Aurea é promulgada, temos a abolição da escravatura, porém, deixando os negros libertos ao “deus dará”, a maioria “fugiram” para ocupar as áreas mais distantes, inclusive morros e encostas. Não por acaso, os afro-descendentes, são aqueles que mais sentem os efeitos das tragédias ambientais desse novo século.
Dando um salto no tempo, chegamos à década de 1950, quando o governo brasileiro faz a opção pela industria automobilistica, as custas do desmonte e/ou da não ampliação da malha ferroviária. A prosseguir desse maneira, ficará impossivel haver locomoção de qualidade nas médias e grandes cidades, em certos dias e horários.
O que fazer??? Nas décadas de 1960, 1970 e um pouco menos na década de 1980 era bastante disseminado os espaços de reflexão sobre o Brasil e o mundo: Grupos de estudo, seminários, saraus, cineclubes, grupos de teatro estudantis, comunidades eclesiais de base etc.
Mas, tudo isso foi enfraquecido, em tempos de neoliberalismo, a idéia mais forte que prevaleceu e ainda vigora é cada um cuidar da sua vida e não se preocupar com as questões coletivas.
As consequência nós já sabemos quais são.
Por isso, muitos espaços de convivência precisam ser fortalecidos, o overmundo é um deles, os encontros presenciais com os over_amigos e amigas também. A turma do Ministério da Cultura, sob a liderança do querido Gil e atualmente sob o comando do Juca Ferreira está buscando através de uma série de iniciativas, favorecer a produção cultural de iniciativa da sociedade civil, inclusive, de setores que nunca foram contemplados com politicas públicas nesta área, caso das populações indigenas, dos ciganos e das populações remanescentes de quilombos.
Quanto a nós, aqui em Sergipe, entre outras iniciativas, da qual participo direta ou indiretamente, integramos um grupo de pessoas que se reúnem quinzenalmente na sede de um clube de futebol amador e sob a liderança do amigo Ademir, assistimos clipes de MPB e Rock Brasil 1980, documentários com temática cultural e/ou social, às vezes com música ao vivo e com leituras de poesias e/ou textos curtos, acompanhado de cerveja, tira-gosto, refrigerante, às vezes vinhos. A conversa rola solta e as pessoas se divertem, trocam idéias, sem medo de divergir, fortalecem os vinculos de amizade etc. (mais adiante publicaremos um post sobre esta ação).
Algumas questões que me proponho a refletir na série “O Portal do Som” surgiram nestes encontros, como a partir das leituras da produção literária de muitos over_amigos e amigas.
Acredito que este seja o desafio, - criar espaços para as pessoas se encontrarem e proporcionar condições para que temas fundamentais sejam abordados, afim de possibilitar o comprometimento com a melhoria da qualidade de vida e/ou com a transformação das estruturas sociais injustas.
Lembrando, que o processo é lento, mas com algumas mudanças evidentes, a começar por nós mesmos. A não ser quando ainda temos a ilusão de que basta um grupo politico com as melhores das intenções, assumir o poder, para transformar tudo e todos.
Mesmo reconhecendo que não podemos prescindir do cuidado com as nossas escolhas em termos de voto, me parece que é preciso pensar e agir desde os pequenos gestos e atitudes até a participação em grandes mobilizações.
Pode parecer irrelevante, mas ouvir música , comer, beber, ler poesia, assistir um filme , depois conversar sobre o conteúdo, já é um grande passo a ser dado.

Valeu!!!

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 28/4/2010 10:15
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Zezito de Oliveira
 

Para ouvir:

A Cruz e a Espada com o RPM

Vamos fugir com a banda Natiruts
http://www.youtube.com/watch?v=XQVW_dmDLCE

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 28/4/2010 10:30
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Zezito de Oliveira
 

Alcanu – Esse post dialoga com um outro da sua autoria. Sobre a nossa ida a São Paulo, possivelmente em 2011 e com certeza em janeiro de 2012, quando pretendo participar de mais um curso de verão na PUC, cujo tema integra o meu universo de interesse: A questão da diversidade religiosa.
Em São Paulo, nos diversos parques, grupo de pessoas se encontram para dançar em circulo. Vou dar uma olhada e lhe repassar mais informações. Vale a pena verificar na net.

Graça – Fico lisonjeado e se pude me manter informado sobre os resultados das discussões será bem legal!

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 28/4/2010 10:37
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ayruman
 

"Pode parecer irrelevante, mas ouvir música , comer, beber, ler poesia, assistir um filme , depois conversar sobre o conteúdo, já é um grande passo a ser dado".

Zezito meu cumpade. Palavras sábias e imprescindíveis. Não me lembro bem mas alguém poderoso uma vez afirmou mais ou menos assim: "Todo homem com acesso à Cultura , torna-se um homem perigoso".
Olha lá o que andas fazendo meu rapaz!

Minhas reverências. jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 28/4/2010 17:00
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Thiago Paulino
 

Zezito... seu texto é um ótimo e reflexivo "passeio" em diferentes décadas e sentimentos coletivos..

Belo Post!

Abraço.

Thiago Paulino · Aracaju, SE 28/4/2010 21:23
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Antonio Vieira
 

Gosto muito de sentir esta relação que você tem com as palavras. São textos primorosos, e com os quais tenho bastante afinidade. Como bem expressou o Thiago Paulino em seu comentário, é uma viagem através do tempo, vivido por nós. Sinto que é chegado o momento de uma cudadosa assepsia nestes nossos mundos. Dentro e fora de cada um de nós. Senão! hummmm... será que ainda pode piorar?

Antonio Vieira · Aracaju, SE 1/5/2010 21:16
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Clésio Tapety - Cultura da Paz
 

"Então erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia" (Gessinger).
Parabéns pela obra, meu amigo!
Grande abraço!

Clésio Tapety - Cultura da Paz · São Paulo, SP 1/5/2010 23:29
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Lígia Saavedra
 

Me orgulho de dividir este mundo com vc.

Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 2/5/2010 17:54
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Marcos Paulo Carlito
 

Zezito,

O modelo do Estado brasileiro nasceu no seio do mercantilismo salvacionista após o fim do sistema feudal e o início do mercantilismo , apoiado no tripé igreja/burguesia/comerciantes. Sua única finalidade é proteger o interesse comercial da seguinte maneira: Os comerciantes emprestam dinheiro para eleger a nobreza, esta mantém o Estado como uma força bélica/econômica para defender os interesses dos comerciantes que financiam as campanhas. A igreja valida o sistema através da moral absolutista.

Do século 14 onde tudo isso começou, até a contemporaneidade, pouca coisa mudou. Na minha opinião discutir democracia e os problemas sociais é uma perda de tempo enquanto não se discutir profundamente as raízes de nosso modelo de estado.

Valu o postado, como sempre inteligente e pertinente ao despertar brasileiro.

Saudações pantaneiras.

Marcos Paulo Carlito · , MS 4/5/2010 20:05
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joe_brazuca
 

seus artigos são sempre completíssimos e contundentemente culturais e politizados ! excelente, amigo, mais uma vez !

um abraço

joe_brazuca · São Paulo, SP 15/5/2010 11:52
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ayruman
 

Zezito. Eu de novo passando por estas águas.
Se puder faça-me una visita. sua presença é sempre bem
vinda. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 14/8/2010 19:56
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Drevra Hadarah
 

AMADO NA ARTE DA ESCRITA...

VENHA PARA O MEU ÊXTASE

Drevra Hadarah · São Paulo, SP 9/9/2010 11:54
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Doroni Hilgenberg
 

Zezito,
É isso , parece que antes os musicos intelectuais estavam mais antenados com os acontecimentos e isso refletia em suas musicas como forma de protesto. Hoje, já não se vê isso, é uma completa inversão de valores, quando palhaços, jogadores, mulheres f rutas e todo o tipo de politico corrupto nos surpreende com uma cadeira cativa no senado, legislando em causa propria ou a fim de uma mamata. Um absurdo!
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/10/2010 20:58
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