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Minha namorada, angustiada com o que fazer após ter terminado sua faculdade, andou tentando buscar algo novo pra continuar se entusismando com a sensação de estar evoluindo. Acabei lhe respondendo o seguinte, após lhe falar que a ilusão de progressão contínua que a vida estudantil gera nas pessoas, ao estarem sempre progredindo de um ano a outro em relação à evolução dentro da "carreira" de estudante, dos 3 ou 4 anos de idade até os quase 30 anos, não tem como continuar a vida inteira, a não ser a um preço muito alto.
"Acho que depois que termina o script pré-definido da vida estudantil (que dura até a pessoa adquirir uma identidade profissional, um papel social de alguma profissão que a sociedade, ou parte dela, reconheça e recompense), dá pra continuar se expandindo, ou crescendo, ou evoluindo, das seguintes formas:
1 - pros lados (engordando a partir de um crescente prazer com a comilança);
2 - em massa muscular;
3 - em uso de drogas com capacidade de produzir sensações cada vez mais prazerosas;
3 - em número de confusões e problemas (filhos indesejados, confusões matrimoniais, processos nas justiças, amantes com potencial de risco, etc., e com a sensação cotidiana de se estar ficando cada vez melhor para resolver, suportar ou contornar este acúmulo de problemas);
4 - em sensações amorosas cada vez mais intensas (paixões). Embora, quando esta via se torna a principal, frequentemente ela resulte apenas em acréscimo ao item 3;
5 - na burocracia acadêmica ou na escalada de alguma instituição pública que propicie acesso a cargos de maior renda e prestígio;
6 - na competição selvagem/suicida/canibal dentro corporações privadas megalomaníacas;
7 - no aprimoramento infinito de currículo para a competição nos campos 5 ou 6;
8 - em popularidade (na produção de algo que seja desejado pela população de modo direto, como um médico midiático faz, um compositor de música popular, um escritor, etc.);
9 - na competição esportiva amadora;
10 - em acúmulo de dinheiro, de patrimônio e de bens tecnológicos ou outras coisas que dêem a sensação de crescente poder econômico;
11 - em aumento demográfico da espécie humana, com a geração de filhos a cada dois anos durante vários anos, e depois com a deposição nos filhos de expectativa de crescimento, aprimoramento e expansão deles;
12 - no acúmulo de conhecimento intelectual em alguma área racionalista, independentemente da praticidade ou do realismo deste conhecimento. Algumas vezes associado ao item 5;
13 - na coleção infinita de coisas muito específicas (selos, carros antigos, insetos, etc);
14 - na potência do carro ou de outro produto tecnológico que exerça fascínio quanto mais potente ele for;
15 - em estética corporal (em malhação em academia, em cirurgias plásticas ou adereços ou roupas cada vez mais sedutores ou provocativos visualmente, etc.);
16 - com um misto de um ou mais destes aspectos.
Alternativas individuais possíveis a se ver reduzido a um destes fins ridículos:
1 - suportar a angústia de que o ser humano (ocidental e ocidentalizado) é um animal irracional com vontade "instintiva" de se "expandir" ou "evoluir" ou adquirir mais poder indistintamente (ou de aduiquirir sensação de poder infinitamente crescente), mas inutilmente, não raras vezes cega e destrutivamente. E que é um ser que inclusive criou para si toda uma concepção abstrata e muito pouco realista de que vem a ser um animal racional, crença esta que lhe serve como modo de auto-iludir-se sobre o fato dele ser o ápice de uma cadeia evolutiva do mundo natural e de que teria poder e controle sobre si mesmo e sobre seu futuro;
2 - suicidar-se;
3 - aderir conscientemente (até certo ponto) a uma ou mais das possibilidades atuais de adquirir esta sensação de crescimento infinito, tentando controlar, até onde for possível, a adesão aos modos atuais de se ter a sensação de poder; já que nas sociedades atuais, em decorrência de sua tecnologia e da superpopulação humana no planeta, adquirir a sensação de expansão constante ou de crescente poder tornou-se algo frequentemente genocida ou auto-destrutivo. Por exemplo: um carro muito potente dando demonstração de sua velocidade superior pode matar facilmente o próprio condutor, um pedestre ou, indiretamente, destruir o planeta via queima incessante de toda a energia que o planeta tem acumulada - já que o número de pessoas que querem exercer tal poder chega aos milhões. Poderia ser dado exemplo semelhante em todos os itens de 1 a 16 anteriores;
4 - aderir a religiões ou seitas, transferindo para o campo puramente abstrato a sensação de poder no presente ou no futuro (em outras vidas, ao lado de deus, etc.);
5 - aderir irrestritamente, sem reflexão ou sem freios morais, a um ou mais dos modos de 1 a 16 de adquirir a sensação de expansão ou poder crescente, de modo auto-destrutivo ou destrutivo para tudo e todos. Esta última, aliás, é a via mais comum à maioria dos humanos vivos atualmente."
tags: Brasília DF musica
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Minha nossa!!
Deu até preguiça!!! (risos)
Acho que vou continuar nessa vida de "um dia de vada vez..." e não parar para pensar muito nisso...
Abraços
Fê Pavanello · Brasília (DF) · 22/3/2007 11:15
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Vidinha pouca.
Roteiro previsível pra vida-louca-vida-breve
Antes que o diabo nos carregue.
Vidinha ligeira, tipo besteira.
Tão assim sem sal, tudo igual
Ao déjà vu
Ora, ora, bolas, pra que tê-las?
Têm-se cabeça não é só porque prego também tem, diria o saudoso poeta do cotidiano Milton B.C.
Olha o passarinho, alerta um fotógraqfo atento à bragueta aberta do noivo.
E a noiva (já, não mais namorada deste, mas de outro), olhando pro céu azul, sem nuvens: nada vejo, não quer dizer que não exista.
Fé, Fê.
Aguirre, aguerrido,
Não seja a cólera que o outro já foi.
Imagina quem não teve chance de acessar este roteiro e foi pra lavoura ou outros caminhos ainda criança, pegando na enxada logo que caiu da carroça...
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 22/3/2007 13:47
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A descrição é um roteiro, para muitos gastarem o tempo, sem tentar pelo menos descobrir o que realmente lhe dar prazer; ou no mínimo o valor de estar vivo! O conhecer, estudar não é uma ilusão, portanto a vida estudantil não será. É realmente arduo fazer o que não dá prazer, ai a ilusão que se transformará em desilusão. E realmente são poucos, os que trocam o seu tempo, por qualquer pápel, mas fazendo o que gosta. Porem, nunca será tarde, a hora para descobrir!
CStur · Rio de Janeiro (RJ) · 23/3/2007 01:24
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primeiro, uma dica: é isso mesmo que a única tag é música? acho que dá pra usar bem mais (e confesso que não entendi bem essa.. vida = música? bem, pode ser).
agora, bem, ao assunto. entendo o que quer dizer e é bastante interessante essa compilação de possibilidades existentes para a vida de alguém, em momentos pós-faculdade. com humor e tudo. vc procura reproduzir a sensação de afinal construir o próprio caminho totalmente sem moldes pré-fixados a seguir (e isso algumas pessoas escolhem aderir também logo após o ensino médio, sem passar pela faculdade). mas faz tudo isso sob a ótica unidirecional de acúmulo de poder, no que eu discordaria.. a vida humana pode ser patética em muitos aspectos e momentos, especialmente se a colocarmos dessa forma, mas bem, dessa forma. acredito que nem tudo é feito somente em busca de poder / reconhecimento, mas o que está inerente em quaisquer uma dessas coisas (talvez exceto na 'opção' suicida) é a busca por um sentido.
Inês Nin · Rio de Janeiro (RJ) · 23/3/2007 01:49
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A vida depois dos 30 geralmente é uma desilusão! A juventude da classe-média brasileira (ô raça!) está perdendo cada vez mais cedo a inocência (porque está deixando de ser classe-média) e, curiosamente, prologando a adolescência, porque saem de casa mais tarde, por não ter emprego, grana suficiente, por comodismo, enfim... A vida pode muito bem ser uma combinação caótica de alguns ou muitos dos pontos da lista de Tomazio, por culpa sua ou mérito seu...
odracir sotnas · Vitória da Conquista (BA) · 23/3/2007 08:18
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Ainda na escola, na faculdade, as pessoas podem se descobrir como... pessoas! Já pensou que legal? Objetivos na vida a gente traça de acordo com o ser humano que cada um é. Tenho que concordar que muita gente vive assim: na expectativa do próximo passo, num degrau de uma escada imaginária.
Mas por que reduzir à ironias caminhos que bem mais que poder, podem trazer equilíbrio emocional, evolução espiritual, sentido de "ser" nesta vida. Nada é suficientemente tedioso para quem se conhece, se ama, se respeita, e busca compreender o outro e o mundo ao seu redor.
Bom texto"!
P.S: também não entendi a tag
Roberta Tum · Palmas (TO) · 23/3/2007 09:58
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meu caro, pegaria o caminho do meio. uma viola , um bom vinho,
um livro de< pessoa>, e uma galeguinha carinhosa e, iiiihhaaaaaaaaa
Lioviola · Carnaíba (PE) · 23/3/2007 11:10
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Tomazio Aguirre · Brasília (DF) · 23/3/2007 11:38
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Desculpem, a tag "música" foi um erro. Se alguém souber como faço pra corrigir, depois de já ter saído da edição, agradeço. Valeu!
Tomazio Aguirre · Brasília (DF) · 23/3/2007 11:40
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Oh, deuses! E eu que estou quase terminando a faculdade de jornalismo... fico preocupada com essas coisas tmb!
jujuba · Santo André (SP) · 23/3/2007 13:56
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adorei isso...
me encontrei em alguns pontos.
ou seja: estou perdido.
André Gonçalves · Teresina (PI) · 23/3/2007 17:14
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Estou surpresa com esse texto. Achei a visão pessimista. Eu tenho 40 anos e a minha vida até hoje, sempre foi uma aventura maravilhosa. Terminei a faculdade aos 21 anos, nunca pensei em "progressão". Viver não é "progredir". Quando você chega "lá", não existe "lá." A vida não é um objetivo, é um caminho. Viver é caminhar. Tenho vivido sempre procurando desfrutar cada dia, cada pessoa, cada experiência, seja ela boa ou ruim. Viver é um aprendizado constante. Não existe ponto final, nem com a morte. A vida prossegue sempre.
DaniCast · São Paulo (SP) · 23/3/2007 21:53
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Por esse comentário da DaniCast e outros é que continuo afirmando: um dia de cada vez e a vida será uma aventura.
Abraços
Fê Pavanello · Brasília (DF) · 24/3/2007 19:58
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Somando meu comentário ao da dani e da Fê, ao invés de "um dia de cada vez" que tal "um momento de cada vez?"
Alias, isso é muito difícil de acontecer com uma pobre estudante de jornalismo como eu. que, neste exato momento, estou escrevendo este comentpario, mas pensando num possível estágio em que atuarei como fotógrafa, um modo de comprar uma câmera fotográfica digital para eu ficar mais "bem na fita" neste estágio que nem sei se vou conseguir. Sobre a minha conversa com o cara da tatuagem segunda-feira. Sobre a minha visita ao AnimABC amanhã e sobre o tema para a pauta que eu preciso entregar quinta-feira...
Meu deus... um pouco mais e caminho para a opção 3 das "sensações de continuar se expandindo" ou opção 2 de "alternativas individuais"
jujuba · Santo André (SP) · 24/3/2007 23:42
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A descrição é um roteiro, para muitos gastarem o tempo, sem tentar pelo menos descobrir, o que realmente lhe dar prazer; ou no mínimo o valor de estar vivo! Também pode ser reflexo desta deorganização social, em que vivemos.
CStur · Rio de Janeiro (RJ) · 7/4/2007 19:54
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