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O QUE MAIS, EM NOME DA ORDEM, SERÁ FEITO DE NÓS?

jun 2007
1
Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ
9/3/2010 · 18 · 12
 

Existe um bairro no Rio de Janeiro onde os moradores se encontram em praças aos finais de semana: para tocar chorinho aos sábados na General Glicério (faz mais de 10 anos), para ensaiar o bloco Bagunça o meu Coreto, as sextas-feiras e aos domingos tocar chorinho na Praça São Salvador (faz mais de 5 anos).

Sou ex-moradora do bairro e participo desse movimento na Praça São Salvador. Produzi 2 exibições do documentário A VIZINHA FALADEIRA – Descendo o Rio Carioca, em novembro de 2006 e estou lá com a pesquisa nadaedenada.com.

(Naquela ocasião, embora não fosse nosso representante , o atual, era da equipe DO GOVERNO. Atuava nesse mesmo cenário que se encontra agora. Transitava pelos mesmos corredores, sorria para as mesmas pessoas, visitava as mesmas obras. Qual é a diferença?).

As atividades que aconteciam na praça e que ainda acontecem são um pipoqueiro multicoisas atendendo ao parque das crianças, água de coco, uma Kombi oferece frete de dia e outra cachorro quente a noite. Um padre benze cachorros patrocinado por produtos veterinários e o SESI mede a pressão e distribui panfletos de vez em quando. Uma série de profissionais da reciclagem se reúne ali todos os dias no final da tarde para organizar a coleta, espaço ideal para espalhar, separar e reorganizar o material coletado e também acolhedor, onde podem descansar para de manhã cedo levar a um depósito que funciona na Rua Ipiranga, ali pertinho. Muitos deles, invariavelmente, tem a praça como ponto de referência habitacional. Exibi entrevista com um deles na praça.

Onde existe reunião periódica de pessoas diferentes, o comércio acontece, faz parte da natureza humana e não precisa ser cientista para saber isso. Com o tempo, outros vizinhos se sentiram motivados a levar seus talentos para a praça. Hoje todas as atividades agregam artesãos e comerciantes em negociações informais, ou levavam.

Recebi, essa semana, a mensagem do organizador, artista morador do bairro, convocando a todos para uma mobilização diante da PROIBIÇÃO PURA E SIMPLES de TODAS as atividades da praça São Salvador, imposta pela PREFEITURA DA CIDADE.

(Esse NOVO governo está no início de seu segundo ano de mandato, temos ainda 34 meses sob a carga desse choque. Importante lembrar que estamos em ano eleitoral. A arrecadação de dinheiro está nas ruas, como a imprensa não cansa de nos lembrar com cuecas e meias recheadas. Tremo quando penso em tudo isso.)

....

Fui a manifestação, conseguimos reverter a ordem dada.

Pude com isso tudo estar diante de um alguém que falou a todos em nome dessa instituição que nos governa, de nome Sr. R.Pian . Entendi que nosso representante entende por ordem retirar o povo da praça. Sua intenção era a de suspender os eventos tempo o suficiente para esvaziar a praça, para diminuir o movimento que cresceu demais ali.

Pois bem, penso que a população se concentrou em nossa praça PORQUE É A ÚNICA, DAS TANTAS QUE SE ENCONTRAM DISPONÍVEIS NO BAIRRO, QUE OFERECE ATIVIDADE DE QUALIDADE CULTURAL E SOCIAL GRATUITA PARA A VIZINHANÇA. Só na rua das laranjeiras existem mais 3 praças TOTALMENTE OCIOSAS DE CULTURA E ARTE.

Penso, também, que seria bem vinda a intervenção de ordem somando com banheiros fixos, construídos para atender a vizinhança que confraterniza na praça de forma espontânea e amigável. Mais pontos de luz, lixeiras maiores entre outras ações positivas necessárias ao bom desenvolvimento de atividades sociais. Existe uma escola municipal em frente que poderia dar esse apoio, talvez. Poderia abrir com atividades complementares, inclusive. Com a participação da vizinhança. Por que não?

Assim seria se a política do prefeito fosse a de atender a demanda reprimida por cultura e lazer ao ar livre nessa cidade MARAVILHOSA. Ao invés de atender a meia dúzia de moradores que, não contentes com o privilégio de morarem em frente a uma praça tão agradável, tão bem conservada, não se conformam por ter que compartilhá-la com seus vizinhos, duas vezes por semana, algumas horas por dia, entendendo a praça como quintal privativo.

Foi uma experiência antropológica ver a minoria no poder, trabalhando para atender a uma minoria proprietária, que age como se fosse dona do lugar usando sua influência, seu poder de tradição e de capital para que autoridades defendam seus bem da ação do povo... e a autoridade manda seu funcionário de confiança fazer a parte suja da história: proibir, prender, expulsar.

As leis todos sabemos como são feitas. A justiça, todos sabemos que precisa ser reinventada...

Frei Vicente do Salvador, Joaquim Nabuco, Sérgio Buarque de Holanda e tantos outros historiadores puderam também verificar esse fenômeno acontecendo em seus tempos. Nossa imprensa nos mostra isso todos os dias. Não é novidade prá ninguém, eu só pergunto ATÉ QUANDO? O QUE MAIS FALTA ACONTECER?

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Doroni Hilgenberg
 

Carla,
reflexivo postado
é preciso que o povo lute sempre por seus direitos.
A ´Praça é do povo e é um dos lugares mais aprazíveis para manifestações culturais, e não é por causa de meia duzias e incomodados que os dois dias de intenso aprendizado e interações, deixarão de acontecer.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/3/2010 20:46
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Saramar
 

Carla, para início de conversa, acho intolerável esta invasão do governo em praticamente todos os aspectos da vida do indivíduo, como agora parece ser moda.
Por outro lado, este senhor, prefeito do Rio, aparentemente, está tentando manter desertas as praias, as ruas, as praças da cidade, retirando delas, aqueles que, por direito, devem e podem ocupá-las: os cidadãos.
Ademais, onde existe gente, existe o mercado e seu lugar original não foi a praça?
A negação desta realidade, deriva, a meu ver, da própria incompetência administrativa do "burgomestre" no sentido de prover as praças da cidade de condições ideais para o lazer, para a possibilidade de desfrutar o espaço público que, repito, é um direito do cidadão.
A incompetência prefere espaços vazios, desabitados, inúteis, estéreis, pois destes será impossível surgir a união, brotar a consciência e o conhecimento.
Acredito que vocês devem resistir e desejo boa sorte "nesta luta do rochedo com o mar".

beijos

Saramar · Goiânia, GO 8/3/2010 14:02
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ayruman
 


"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada".
(acho que é de Vladimir Maiakóvski)

Alerta sempre!
jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 10/3/2010 10:38
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Doroni Hilgenberg
 

voltando
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 21/3/2010 16:00
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Rodrigo Biguá
 

concordo com a preocupação e com os comentários.

Também acho que já estamos passando da fase onde eles colhem as flores e não dizemos nada; estamos chegando ao ponto onde até os mais frágeis nos roubam a lua, conhecendo o nosso medo.

Rodrigo Biguá · Rio de Janeiro, RJ 22/3/2010 11:35
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Adroaldo Bauer
 

Querem eles instaurar ali também a ordem bandida, do poder que mantém o tráfico de drogas que mantém o poder, que mantém o tráfico de drogas, que mantém o poder...

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/3/2010 23:05
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Zezito de Oliveira
 

Parabéns!!
Beleza de post.
Ação Cultural e Ação Politica, no sentido como você apresenta, para defender o que é direito de todos, nestes tempo de predominio dos interesse particulares , individualistas e privatistas, nas decisões politicas de governos.
Com o incentivo e apoio a iniciativas culturais desse tipo o Rio de Janeiro e todas as grandes cidades diminuirão e muuuuuuuuuuuito os crimes barbáros que atormentam a vida nessas grandes cidades.
Fiquem com um clip dos Engenheiros do Hawai como trilha sonora, dessas pequenas e grandes tragédias. Muros e Gradeshttp://www.youtube.com/watch?v=Ks3dXJU_tuo

Abraço,

Zezito de Oliveira · Aracaju, SE 25/3/2010 10:48
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Carla Pereira da Fonte
 

Importante é sabermos todos que não estamos sozinhos, ainda que oprimidamente amordaçados.
Agradeço a participação de todos vocês.
Um forte abraço.
Carla.

Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ 25/3/2010 20:04
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azuirfilho
 

Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ
O QUE MAIS, EM NOME DA ORDEM, SERÁ FEITO DE NÓS?

Este Modelo Senhorial, desumano, desigual, excludente e sem amor que só prima o lucro, quebra diante da Poesia que anuncia o sonho e o ideal do amor e da Liberdade.
Em cada Humano há uma luz que animna para o bem e mobiliza as pessoas para a perspectiva da Luz e do entendimento.
Na simplicidade e na Humildade se atinge a imensidão e a realização.

...As leis todos sabemos como são feitas. A justiça, todos sabemos que precisa ser reinventada...

Parabéns pelo Trabalho Valoroso.
Abração Amigo para todos e em Especial para o Mestre Zezito, por ter feito a indicação de louvor ao seu trabalho, que com orgulho fazemos copnfirmar.

azuirfilho · Campinas, SP 26/3/2010 22:17
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graça grauna
 

Lamento profundamente a falta de senso humanitário do dirigente da prefeitura da sua cidade. Mas não desista. Seu trabalho é muito importante para manter viva a comunidade de vizinhança. Parabens.

graça grauna · Recife, PE 27/3/2010 01:28
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Clésio Tapety - Cultura da Paz
 

Vamos invadir a praça!

Clésio Tapety - Cultura da Paz · São Paulo, SP 27/3/2010 15:03
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Carla Pereira da Fonte
 

:)

Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro, RJ 27/3/2010 17:32
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