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O rei e o palhaço de Suassuna e Antunes

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Jaque Porto · Rio de Janeiro, RJ
20/8/2007 · 80 · 4
 

Jaqueline Porto

Uma mistura dos arquétipos do rei e do palhaço, ou simplesmente um homem tipicamente brasileiro. Esse é Pedro Dinis Quaderna, paraibano, preso e acusado de subversão pelo Estado Novo e personagem do romance A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna e adaptado para o teatro pelo diretor Antunes Filho. Em cartaz no SESC-Tijuca, no Rio de Janeiro, até dia 26 de agosto.
A história se passa no ano de 1938. Preso na cadeia da Vila de Taperoá, sertão da Paraíba, Quaderna narra, de forma pitoresca, as façanhas ocorridas até sua captura, julgamento e detenção. O arquétipo construído por Suassuna revela um homem de contundente complexidade, que através da própria história contextualiza o período histórico-cultural, social, econômico e político do Brasil na primeira metade do século passado.
A montagem foi formulada a partir das obras: A Pedra do Reino, o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta e História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão: ao Sol da Onça Caetana. No palco, o cenário nulo representa a mente do protagonista. Nas histórias que conta, e com auxílio dos figurinos e adereços, ele materializa a história política da Paraíba e do nordeste coronelista da década de 30. A Coluna Prestes, o cangaço, a revolução, o início da Era Vargas, a cultura popular e o artesanato brasileiro formam o contexto social da peça.
“O palco nu nos permitiu brincar com a questão do espaço e do tempo, assim como Suassuna faz em seus livros, e com os poucos movimentos de luz a perfomance dos atores fica mais valorizada. Além de que esse minimalismo realça todo o esplendor barroco da obra, não sufocando ou poluindo as características do escritor”, explica Antunes.
O desejo de montar A Pedra do Reino surgiu em 1983. Antunes começou a estruturar o projeto sob descrédito de Suassuna, que dizia que o romance-armorial, de quase 800 páginas, não funcionaria no teatro. “Essa minha obra não dá teatro, não”, afirmava o escritor, enquanto o diretor investia ainda mais no sonho de adaptar a obra. Na estréia, em São Paulo, Suassuna conferiu emocionado o resultado final da história de Quaderna.
“Demoramos em torno de três a quatro meses ensaiando, mas antes disso gastamos meses testando atores do Centro de Pesquisa Teatral (CPT) nos papéis. Sem contar a preparação e os ajustes de técnica vocal e corporal”, conta Antunes Filho.
Pelos “causo” de Quaderna um universo lúdico e, ao mesmo tempo, sofrido é evocado. Das artimanhas praticadas pelas estradas sertanejas às histórias grotescas e gloriosas que mesclam as misérias e tristezas do mundo real com a imaginação, alegrias e desafios de um mundo de sonhos.
Antunes participou de cada detalhe da produção. A trilha sonora, orientada por ele, exibe poesias e músicas de Suassuna, interpretadas ao vivo pelo elenco de 21 atores. “A principal referência foi o Quinteto Armorial e as sugestões do autor em relação às cantigas ibérico-sertanejas, além dos cordéis”, conta.
A encenação divide-se em dois atos. O primeiro é da exposição da prisão e o segundo inicia-se com a chegada do Juiz Corregedor Joaquim Navarro Bandeira, vindo da capital federal para julgar o caso de Quaderna. Começa o entrave que contrapõe as palavras, imagens alegóricas, motivações e delírios do preso à pressão do corregedor para obter a confissão.
“Procuro pegar a linha de força da personagem. Sua síntese. No caso de Quaderna, apenas trouxe à tona essa idéia multifacetada do brasileiro, do próprio Suassuna, e talvez de mim mesmo. Porque não é o brasileiro só, é o homem. Aquele que carrega tudo dentro de si: o assassino, o santo, o rei, o palhaço, o picaresco e o amante. Temos tudo isso em nós e esse inconsciente coletivo de cada indivíduo me interessa”, relata Antunes.

A Pedra do Reino
SESC Tijuca – Rua Barão de Mesquita 539 – Tijuca
Telefone: 3238-2100
De quinta a sábado às 20h e domingo às 19h
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada); R$ 5 (comerciários)
Até 26 de agosto

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Claudia Puget
 

Salve Suassuna! Uma Pedra PRECIOSA.
vale conferir,
puget

Claudia Puget · Muqui, ES 18/8/2007 21:22
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Andre Pessego
 

É pena que moro em Sao Paulo. Espero que faça passagem por Sao paulo, feliz inserção, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 19/8/2007 15:48
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Helena Aragão
 

Legal. Precisa (e tem como) comprar com antecedência?

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 20/8/2007 15:27
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Ney Motta
 

oi Jaqueline. Sempre escrevendo muito bem!

Ney Motta · Rio de Janeiro, RJ 2/9/2007 13:20
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