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O Rio de Janeiro continua sendo... o quê?

Viktor Chagas
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Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ
8/5/2006 · 144 · 22
 

Somos apaixonados pelo Rio de Janeiro, mas não temos noção da real dimensão da cidade. Caldeirão de ritmos e manifestações espontâneas, a antiga capital federal sonha em se manter como capital cultural de um país muito maior e mais diverso do que imagina. Ainda é uma fábrica de modismos em muitos aspectos - sobretudo os que podem ser divulgados pela TV, em novelas que quase sempre se passam por aqui.

O carioca, esse ser variado, continua a ser visto pelo resto do país como referência - seja como exemplo de modernidade, seja como um idiota envaidecido. Na verdade, não sei bem qual é a perspectiva que pessoas de outros estados têm do Rio, além dos clichês básicos sobre a beleza da cidade, a violência causada pelo tráfico e a marra dos moradores (taí, adoraria saber aqui no Overmundo). Talvez o resto do Brasil se divida como se divide o Rio em relação ao Flamengo – uma imensa torcida a favor, e um grande grupo de pessoas que torce o nariz, apesar de nutrir algum encantamento que nunca pode ser confessado (aliás, deixo claro que em relação ao Flamengo faço parte da turma do contra – e, claro, não tenho encantamento nenhum pelo urubu!!!:).

Existe uma certa unanimidade nacional: a de que o carioca "se acha". O que ele "se acha" fica tão implícito que torna-se desnecessário colocar o complemento: O MÁXIMO. Esse "se achar" talvez tenha razões históricas. Por muito anos, o Rio de Janeiro foi o Distrito Federal do país. Daqui saíam modismos, vanguardas, influências. Queríamos ser Paris – com isso em mente, o prefeito Pereira Passos "botou a cidade abaixo" entre 1903 e 1906 para abrir grandes avenidas e praças. Com a transferência do DF para Brasília em 1960, perdemos em parte a vida política, mas continuamos a ser a vitrine do Brasil. Por alguns verões, o charme de nossas montanhas, de nosso mar e de nossas meninas não foi abalado pela perda de status.

Com o tempo, entretanto, parece que algo se perdeu. E, de certa forma, é uma ironia que neste ponto estejamos quites com a capital francesa, pois parece que ela também se ressente de não ser mais (e há muito tempo) a capital cultural do mundo...

Perdemos a chance de receber muitos shows internacionais (que acabam indo para outros estados); a Fórmula 1, a excelência universitária em muitas áreas. Ganhamos em burocracia e desorganização.

É por essas e outras que, muito nas internas, há carioca repensando suas vaidades. Alguns assumem (apenas entre si, e discretamente) que sim, há muita coisa funcionando melhor fora do nosso pedaço de terra entre o mar, a lagoa e as montanhas. Talvez tudo isso tenha servido para alguns olharem em volta e repararem nesse país tão rico. O que não deixa de ser engraçado. Mas há uma nítida vontade de recuperar algo. Não significa querer ser melhor que as outras capitais – se elas estão progredindo e fomentando seu espaço cultural, ótimo! Apenas gostaríamos de parar de assistir ao triste espetáculo de uma vitrine cultural que se dissolve em tantos estilhaços.

É claro que isso não é explanado assim, para o mundo. Perto de gente de outros estados, a onda é tirar onda com o que (ainda) temos de fantástico e diferencial: justamente o conjunto formado por mar, lagoa e montanhas. Isso se os seguidos governos incompetentes não conseguirem destruir isso também. É autêntica a exaltação da alegria espontânea, do carnaval renovado (sim, de uns anos para cá tornou-se questão de honra para muitos passar o carnaval por aqui, nos blocos, e comemorar uma luz no fim do Sambódromo). Mas é só reunir um grupo de cariocas e algumas cervejas para ver que orgulho está um tanto ferido. De lambuja, temos que ver os times de futebol do Rio se afundarem na lama.

Ultimamente, imprensa e intelectuais da cidade têm parado para tentar refletir sobre essa agoniante transformação. O que acontece? Entre gargalhadas nervosas do papo furado e as lamentações dos flamenguistas, esse tipo de indagação também ganha cada vez mais ibope nas mesas de bar. A auto-crítica e o olhar para os outros estados também bem que podiam passar a freqüentar mais o chope nosso de cada dia.

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Monica Ramalho
 

de certo modo, este texto resume um pouco o próprio 'overmundo', né? apesar da equipe de edição trabalhar no rio, o site está voltado para todos os estados brasileiros. e viva a diversidade cultural!

beijo pra você, helena :))

Monica Ramalho · Rio de Janeiro, RJ 7/5/2006 13:06
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Vânia Medeiros
 


Helena, eu entendo essa sua "angústia" por que é um pouco o que acontece com baiano tb. Baiano - claro que eu estou fazendo uma generalização bem grosseira - se "acha", principalmente com relação aos outros estados do nordeste. A "baianidade" é a coisa mais linda do mundo, etc. Óbvio que isso não é geral.

mas, enfim, acontece...

de qualquer forma, bacana sua reflexão e seu texto.

Vânia Medeiros · Salvador, BA 8/5/2006 10:15
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eduardo ferreira
 

felicíssimo com meu vascão! urubu aqui em mato grosso só pra carniça. mato grosso sempre teve uma relação muito direta com o rj. tios, primos e eu mesmo na década de 80 estudei no rio. cara, era muito diferente mesmo. não é saudosismo não, mas o rio perdeu muito do seu charme.a última vez que fui (2005) achei muito sombrio, triste mesmo. não sei se foi perda de encantamento ou se por que o tempo estava meio friozinho MAS O RIO NÃO TINHA AQUELE BRILHO QUE AINDA PERMANECIA ACESO EM MINHA MEMÓRIA. quis sair logo de lá...com medo de perder o que restou de bom na memória.

eduardo ferreira · Cuiabá, MT 8/5/2006 16:16
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Ronaldo Pelli
 

Às vezes chego a ter vergonha de falar que sou carioca, quando estou fora do Rio...

Ronaldo Pelli · Rio de Janeiro, RJ 8/5/2006 18:04
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Ótimo texto! Uma das melhores reflexões que eu já li no Overmundo. Pertinente e preciso! Arrebentou!

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 8/5/2006 19:19
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Helena Aragão
 

Valeu... Na verdade, esse texto foi escrito no ano passado para um site que eu e uma amiga francesa íamos fazer para o público daquele país que é apaixonado pelo Rio de Janeiro. Quando escrevi isso, ela, que é a maior fã do Rio, ficou meio chocada, vcs podem imaginar... Acabou que o site não saiu do papel (e talvez tenha sido melhor mesmo esse texto não ter sido reproduzido lá, maior banho de água fria na cabeça dos franceses...)

Mas juro que no fundo minha intenção não foi ser tão pessimista quanto o Eduardo comentou... Foi mais numa idéia de mostrar essa coisa de repensar as vaidades, que no fundo acho bem positiva.

Destaque para a foto do meu amigo Viktor Chagas, que não tinha nada a ver com o texto mas se encaixou de uma maneira assustadora... :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 8/5/2006 19:31
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Tati Magalhães
 

Nossa, quando fui ao RJ pela primeira vez, em 1999, fiquei com a impressão de que era a cidade mais linda do mundo, mas o céu era cinza como o de São Paulo, e isso me entristeceu. Fiquei imaginando o mar de outra cor, fiquei pensando se daqui a alguns anos, minha cidade também perderia o azul do céu, e eu deixaria de ver, claramente, as constelações à noite...
Na verdade, o Rio tem um charme só seu, que traz toda uma simbologia, que ultrapassa as belezas naturais e a auto-suficiência do carioca. Por isso, torna-se ainda mais triste ver que o Rio não tem todas as cores que se pintam. Como qualquer cidade.
Recentemente, aconteceu um caso bem bizarro na internet, envolvendo Maceió e os maceioenses - o texto do Alexandre Matias na Trama, sobre o FMI. Pude perceber, através de manifestações dos meus conterrâneos, desprovidas de sentido e discernimento, que o "amor à Alagoas" é uma fachada. Na verdade, os alagoanos vivem ainda complexados com o passado e fantasiam um paraíso que não existe aqui. Cheguei até a pensar em escrever sobre isso, todo o "causo" aqui, mas não quis dar mais dar pano pra manga. Bom, falei isso porque o seu texto me fez lembrar essa coisa de como vemos, agimos e pensamos o lugar que amamos; até que ponto nossas emoções, a imagem que construímos, não nos impede de ver as coisas como são? Afinal, sob que perspectiva escolhemos olhar para o mundo?

Tati Magalhães · Maceió, AL 8/5/2006 22:44
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Felipe Dias
 

Ótimo texto! Ele é a prova que a auto-crítica (graças a Deus!) já frequenta nossas mesas, reais ou virtuais. A onda é repensar a cidade com seriedade e comprometimento, encarar os problemas de frente, sem demagogia, e cobrar das chamadas autoridades. Como andam fazendo na antiga antiga capital cultural mundial.
Parabéns!

Felipe Dias · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2006 08:59
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Luis_RJ
 

ja acompanho teus textos desde o inicio né? pra mim esse foi um dos melhores que vocês escreveu.. fazia tempo que não via você mesma nos textos, sabe? acho que por isso que gostei tanto... e também, claro, porque achei super bem escrito, falando de um tema super pesado e complexo com uma leveza muito bacana!

parabéns, mana!

beijos!

Luis_RJ · Rio de Janeiro, RJ 9/5/2006 10:25
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Gisele Colombo
 

Eu sou uma paulista que mora aqui em Mato Grosso do Sul e adoro o astral do carioca. Tenho muitos amigo do Rio que adoram vir a Campo Grande (capital de MS) pois gostam da recepetividade do pessoal daqui. Eles dizem que aqui só falta o mar... Então cada um na sua, com suas vantagens e desvantagens. O que importa é o respeito pelo jeito de ser de cada um... Abraços Gisele

Gisele Colombo · Campo Grande, MS 9/5/2006 16:56
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Edson Wander
 

Helena,
Com já havia adiantado a você, achei lindo esse seu "mea culpa" carioca. Bom seria se ele pudesse contaminar a todos os seus compatriotas. E não só os cariocas. Acho que todos os nossos bairrismos escondem mazelas, só que vocês têm o azar (ou sorte?) de tê-los escancarados como emblemas há muito. Fiquei lendo suas linhas e lembrando da mineiridade cantada em verso e prosa e exaltada toscamente no famoso bordão pop de que mineiro é "come-quieto". Esse bordão guarda tantos equívocos, que deu vontade de comentar alguns deles, principalmente os mais escondidos no lustro que todo mineiro acha que ganha com esse aforismo bobo. Um dia me animo.
Bjs e parabéns,
Edson Wander, mineiro-goiano.

Edson Wander · Goiânia, GO 9/5/2006 19:36
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Marcelo Moutinho
 

Muito bom, Helena!

Marcelo Moutinho · Rio de Janeiro, RJ 11/5/2006 13:03
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Leo Lima
 

Que ótimo esse texto hein! To pra ver algum brasileiro orgulhoso e "se achando" nas grandes capitais do país. Tem tiro murchando os peitos estufados em toda parte.

Vaidade e auto-estima são coisas bem diferentes. Precisamos recuperar a segunda, porque a coisa tá braba mesmo. Agora a vaidade, essa não serve de nada, só tem utilidade para aqueles que acham que ela serve para alguma coisa.

Não temos que ser mais nem menos do que ninguém, precisamos ser cariocas e só. Isso basta para contribuirmos com a diversidade desse país tão grande e tão rico, nossa maior riqueza.

bjos e saudades.

Leo Lima · Rio de Janeiro, RJ 19/5/2006 12:34
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achr
 

Sou um apaixonado pelo RJ mesmo não o conhecendo pessoalmente.
Uns dizem que vai mal, outros nem tanto, inclusive dizem que vai muito bem obrigado e continua sendo...
No meu círculo de amizades aqui em Porto Alegre a cada 10 pessoas 8 ou 9 tem esse fascínio pelo lugar.
Violência tem em todas as capitais, Porto Alegre, assim como Curitiba "capitais de qualidade de vida" não tem toda essa tranquilidade propagandeada.
Cada lugar tem sua particularidade, sua cena, seus problemas.
Temos não só que repensar a vaidade do carioca, temos que repensar o Brasil, um país cheio de problemas "está tudo por fazer".
Abraço, e parabéns pelo texto.

achr · Porto Alegre, RS 17/6/2006 17:29
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Luciana Maia
 

Em virtude da violência escancarada nas ruas da cidade, casos que caem na mídia todos os dias etc., já vejo mts pessoas (e me incluo) que sentem vergonha de viver neste caos. Mas sempre haverá este "orgulho". Agora vem o Pan 2007. O governo gastando milhões de reais nas obras para o grande evento, o governo se empenhando em tornar a cidade mais "maravilhosa" e a preocupação na segurança fez com que Sérgio Cabral desejasse a presença da Polícia Federal nas principais rodovias do estado. Pq? É o Pan... E tudo fica lindo, e tudo será festa, muita expectativa que tornará moradores da cidade mais uma vez orgulhosos de viver e participar desta cidade e deste momento histórico. E todos se esquecem d´antes...

Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 19/4/2007 12:21
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Luciana Maia
 

fiquei pensando nisso... será que a célebre Bossa Nova não ajudou a aumentar o ego carioca? São músicas que enaltecem Copacabana (que estava surgindo na época) e as garotas de Ipanema, é o amor cantado à Cidade Maravilhosa...

Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2007 23:31
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Fernando Mafra
 

Helena, só agora vi seu comentário no meu texto carioca e vim conferir o seu.
De fato eles se complementam, uma visão de dentro e uma visão de fora - e acho que diretamente respondo seu pedido de ver as opiniões alheias a respeito do Rio e seus clichês.

Sobre o carioca se achar o máximo, nunca tinha pensado nisso claramente, mas essa impressão realmente passa. Inclusive estava vendo (na minha estadia no Rio) um DVD do Ernesto Varella: Em certo momento ele anda pelo Rio perguntando o que o carioca tem de bom (ou algo assim) com um sotaque paulistano carregadíssimo e um dos cariocas que respondeu estava REALMENTE se achando o máximo; a imagem do povo foi salva por um menino simpático que ensinou algumas manhas locais sem parecer arrogante. Impagável esse DVD, recomendo muito.

Fernando Mafra · São Paulo, SP 12/5/2007 01:16
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Fernando Mafra
 

O comentário da Luciana me lembrou algo da minha visita: Vetei Bossa Nova como trilha sonora de qualquer momento. Mesmo gostando do estilo musical, achei que passear pelo rio ao som de Bebel Gilberto seria demais (fora que me lembrava de alguma novela abominável do Manoel Carlos) - deve ser o mesmo que andar por São Paulo ouvindo Arnaldo Antunes...

Fernando Mafra · São Paulo, SP 12/5/2007 01:18
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Helena Aragão
 

Bom saber que você não notou essa coisa do "carioca que se acha o máximo", sinal de que nunca te incomodou muito. Valeu pelos comentários, e que venham novos olhares sobre o Rio no Overmundo.

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 14/5/2007 12:10
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Fábio Fernandes
 

"Sob que perspectiva escolhemos olhar para o mundo?"
Partindo desta ultralúcida pergunta da Tati, mais acima, vou tentar dizer como um carioca que mora há anos em São Paulo se sente.
Eu tenho uma relação difícil com o Rio. Não tem nada a ver com a violência - mas pode ter a ver com o fato de o carioca "se achar". Quando saí do Rio, tinha pouquíssimos amigos e nenhuma perspectiva de trabalho. Encontrei muita gente "de temperamento sórdido", como dizia Jorge Ben, e sempre senti uma arrogância meio "república livre de Ipanema" nelas - talvez porque elas realmente tivessem vindo daquela região do Rio, enquanto eu vim da Zona Norte, do subúrbio, pertinho de Madureira (de onde só saí aos 25 anos).
Posso estar sendo injusto, mas a perspectiva sob a qual escolhi olhar para o mundo foi a do rapaz da Vila Kosmos, que curtia samba e rock, que dançou muito nos clubes da região o britpop dos 80 mas também não deixava de ir às rodas de samba. Claro, também tem sambista que se acha (e como tem!), mas sempre me senti muito mais querido e aceito nas casas dos meus amigos da Zona Norte. Na Zona Sul sempre me ficou aquela sensação do "você é quem? quem você conhece?", típica da aristocracia ao receber um novo convidado em seus salões. Nunca me achei o máximo, e talvez por isso eu tenha tido tantas decepções. Mas, repito, foi a perspectiva que escolhi, ou que talvez o local onde vivi tenha de algum modo escolhido para mim. É uma visão puramente pessoal, que, infelizmente, ainda interfere no meu emocional toda vez que vou ao Rio. Acabo achando a cidade mais suja e bagunçada do que São Paulo, embora talvez as coisas não sejam bem assim. Mas eu tenho a sensação de que aqui até a burocracia funciona melhor.
Quanto à trilha sonora, a bossa nova nunca me incomodou, mas o Fernando tem toda razão: hoje em dia virou trilha sonora de novela do Manoel Carlos, e isso me faz mais mal do que bem. Mas que eu adoro andar por Sampa ouvindo Arnaldo Antunes, Ira, Premê e Ná Ozzetti, ah, isso eu adoro.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 11/6/2007 10:27
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Helena Aragão
 

Fabio! Primeiro, que bom te ler de novo por essas bandas do Overmundo. E que ótimo esse teu depoimento tão sincero neste meu texto tão antigo (que, pelo visto, ainda dá muito pano pra manga, né, hehe). Entendo suas impressões sobre os garotos de Ipanema. Mas exatamente como você diz, quem disse que o Rio é isso? O Rio é tanta coisa... Tanta gente que vive, trabalha e se diverte na Zona Norte, sem o menor contato com a praia e sua gente dourada... Nem por isso menos felizes e brilhantes, ao seu modo. O que mais lamento é ver a cidade cada vez mais dividida, o que faz cada um ficar no seu "canto"... Abraço!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 18/6/2007 14:36
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Fernanda Salvador
 

Texto muito bom! Você conhece aquela música de Milton Nascimento e Fernando Brant, Notícias do Brasil? Diz assim: "A novidade é que o Brasil não é só litoral.
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul.
Tem gente boa espalhada por esse Brasil,
que vai fazer desse lugar um bom país.
Uma notícia está chegando lá do interior.
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão.
Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil,
não vai fazer desse lugar um bom país.
Abraço!

Fernanda Salvador · Rio de Janeiro, RJ 19/7/2011 21:32
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