O SAMBA É FILHO DA MÃE ÁFRICA...

Eudmar Bastos
SAMBA NO MERCADO
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cernegroacre · Rio Branco, AC
1/2/2008 · 64 · 4
 

O samba é filho da Mãe África, irmão dos escravos, embora esteja mudado um pouco de como nasceu, dependendo do lugar e das tradições de onde ele está sendo executado, nunca aconteceu do samba ter um desligamento dessas matrizes e engraçado que até hoje as histórias de ambos se parecem mesmo nos tempos atuais, não importando o local do Brasil, porém falando de Acre, acho que essa aparência com a história dos escravos é bastante forte, senão vejamos, muitos hipócritas comemoram de forma árdua a Lei Áurea que “libertou os escravos”, lógico ela foi importante, porém não libertou totalmente os escravos e depois do fim da escravidão o que eles fizeram? Será que foi dada a condição dessas pessoas terem uma vida digna, com emprego, moradia? Respondo que não, muitos depois do fim da escravidão voltaram a ser escravos e até hoje ainda existem negros que são escravos, será que isso é justo?
Era uma vez uma família chamada Nações e todos os irmãos dessa família iriam prestar vestibulares e teriam a oportunidade de aprender uma profissão e viver de forma digna, porém o irmão Europa, o irmão América do Norte e o irmão Ásia estudavam o dia todo, com uma parada para o lanche e para a diversão, por outro lado, o irmão África trabalhava para ajudar seus pais e não tinha tempo de estudar, ele queria, mas as obrigações impostas a ele não deixava, será que todos os irmãos estarão preparados da mesma forma para a prova?
E hoje, é justo as cotas para os negros nas faculdades? Não seria uma forma de devolver um direito que nós (mundo) tiramos dos negros aos escravizá-los, ai de repente sempre vem alguém com o preconceito anexo no coração e diz: Então tem que ter cota para os pobres, para os nordestinos e outros povos que foram também de certa forma escravizados, digo-te Sr. Preconceituoso que sim, deveria sim ter cota para todos esses povos e não só para eles, mas também deveria existir a oportunidade de todos ingressarem numa faculdade, a diferença é que nós (negros) estamos procurando nosso direito, só isso!
O que isso tem haver com o samba? E principalmente no Acre? Simples o samba há algum tempo atrás era música de preto, de favelado e não era aceito pela “sociedade”, hoje o samba mudou de patente, é musica da elite e às vezes até sinônimo de status, muito bem, só que para nós que fazemos essa arte, nós que estamos lutando dia-a-dia pelo samba não passamos exatamente isso, nós ainda sofremos depois da libertação do samba, ainda não tempos espaço cultural da forma que merecemos e por muitos ainda somos discriminados, é bonito quando vem um carioca sambista aqui em Rio Branco, chamarem os sambistas para apresentarem sambas nossos, mas depois tudo volta a ser do jeito que sempre foi, queremos um espaço na cultura acreana junto com as músicas nordestinas que influenciam tanto os compositores daqui, com esse texto minha intenção não é atingir ninguém e nem causar alvoroço, apenas é um texto que mostra como é difícil ser sambista aqui no Acre, só estamos procurando nossos direitos.




Brunno Damasceno, sambista e amante da Cultura Afro-Brasileira...Axé...

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Higor Assis
 

Cernegroacre ou Brunno Damasceno.

Gostei da sua reflexão e da exposição do complexo que nos trouxe sobre o samba do Acre. Se em sp é difícil imagino por ai a luta para o pessoal mostrar seu trabalho, porém é uma pena também quando conseguem, acabam por influência descaracterizando o ritmo original.

Higor Assis · São Paulo, SP 31/1/2008 11:08
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Andre Pessego
 

Estou arquivando pra reler. Mas, voce melhor que eu sabe que o proprio ato de transferir a beleza para sí é proprio do negro.
O brilho, pintar o corpo com artificios que o faça brilhar é do negro. O enfeitar-se é proprio do negro. Não se conhece descobertas arqueológicas de exércitos na África. Enquanto noutras partes o arco foi arma. Na África, partindo ou misturando-se com a ìndia, o arco foi o BERIMBAU.
LEGAL um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 2/2/2008 22:25
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Spírito Santo
 

Bruno,
É isto aí. Como sempre e em qualquer lugar do mundo, a cultura daqueles que estão e continuam a estar submetidos (pela escravidão e/ou pela exclusão social, etc.) é objeto ora de subestimação e banalização (quando exercida por amor e vocação irresistível, no caso, pelo próprio negro) ou de oportunismo financeiro (quando produto economicamente rentável no caso pelo mais esperto e bem equipado no momento - no caso, o branco).
Não é uma conversa que tenha a ver com branco e preto exatamente, tem a ver com ética e moral numa sociedade ainda dividida, para o benefício de alguns poucos, entre 'brancos' e 'não brancos'. Coisa de sociedade sem vergonha na cara.
O negócio é seguir em frente.
Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 3/2/2008 08:56
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azuirfilho
 


Falou e disse tudo que esta na realidade do nosso Social.
O Mundo tem muita desigualdade, exclusáo e crimes contra o humano na sua totalidade. O Samba é pra expressar a história e os amores e anséios para lhe transformar.
Um Trabalho muito legal, valiosa contribuição para desembrutecer.
Valeu demais/
Abração Fraterno.

azuirfilho · Campinas, SP 3/2/2008 12:23
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