Um homem é morto em frente a uma obra de arte de inestimável valor histórico. Perto de si, deixa uma pista que só poderá ser desvendada pela pessoa com quem iria se encontrar naquela noite. O homem, que ocupava um cargo de grande importância na preservação histórica e artística, havia encontrado a ponta do novelo que revelaria, se desatado, uma das maiores descobertas da história da humanidade.
Se isto faz com que você se lembre imediatamente de O Código Da Vinci, obra de sucesso mundial do escritor Dan Brown, é porque foi proposital. Porque a história acima também descreve um thriller nacional, a ser lançado pela editora carioca Garamond no dia 10 de maio (uma semana antes, portanto, da estréia do filme baseado na obra de Brown). O nome também remete ao livro arrasa-quarteirões de 2003: O Código Aleijadinho.
A primeira idéia é se pensar que tudo não passa de um pastiche, de um modo jocoso de se ganhar dinheiro com a fama alheia. Mas o autor, Leandro Müller, juntamente com dois livreiros seus amigos, tiveram a idéia de transpor a premissa de Brown para o Brasil. E então, como seria? A escolha de Aleijadinho, um dos maiores nomes da arte de todos os tempos no país, não foi à toa. Desde o nascimento, a vida de Antonio Francisco Lisboa está sob suspeita e envolta em camadas de mistério. E, com obras tão diversas em termos de grandiosidade e riqueza, bem como os supostos segredos acerca de algumas delas, pareceu óbvio que a mistura de ficção, história, arte e conspirações poderia dar um belo jogo.
E, na verdade, O Código Aleijadinho é um livro que nos faz passear pelo universo não só do escultor mineiro, mas, também, do passado histórico da Inconfidência Mineira e de toda uma época literalmente áurea para as Minas Gerais. Com efeito, todo o ambiente envolvendo religiões, mistérios e tramas mundiais obscuras tornam-se críveis. Porém, com um efeito diverso do livro de Brown. Afinal, Robert Langdon (citado ironicamente, inclusive, por Müller em determinado trecho da trama) é quase um superinvestigador e reconhecido mundialmente, enquanto o herói tupiniquim, Leloir, é isolado e praticamente desacreditado pelos que mantém algum contato com ele.
Leloir tem a ajuda de Anna, filha do diretor-geral do Iphan, Walter Pilares, que é misteriosamente encontrado morto dentro de uma igreja na cidade de Mariana. Pilares também é um dos dois únicos amigos de Leloir e, juntos, buscam há anos desvendar os segredos ocultos nas obras do famoso escultor. O outro destes amigos é o obscuro bibliotecário Germano, que, como eles, busca os segredos que, segundo apuraram, pode levar à eternidade.
Por Pilares ser uma pessoa de grande influência no cenário político, no entanto, uma ordem presidencial encarrega a Abin de solucionar rapidamente o caso. E o encarregado pelas investigações, o cético César Rodrigues, que já era agente quando a agência ainda torturava presos políticos, nos tempos em que se chamava SNI. Portanto, osso duro de roer e com experiência em tirar informações de pedras, fosse como fosse. E César tem um suspeito principal: o pobre Leloir.
O paralelismo proposital entre os dois Códigos é, como se nota, uma bela armadilha. Mas a condução do autor, em sua estréia, é precisa, apesar de alguns pequenos deslizes estilísticos, que certamente serão maturados com o tempo. É um livro vivaz e imaginativo, mesmo que estruturalmente calcado à moda de O Código Da Vinci. Não poderia ser de outro modo, por ser uma homenagem explícita, inclusa inclusive nos agradecimentos. Por isto mesmo, este livro se destaca de outras obras que, aparentemente, tentam se aproveitar de modo finório do filão de Brown. Além, claro, de ser um livro nacional. Com potencial comercial, certamente, mas com muita qualidade.
O autor, em bate-papo informal com o Overmundo, informou que a divulgação do livro contará com um elemento diferencial: um trailer de cinema do livro. Até onde se pôde apurar, é a primeira vez que uma ação deste tipo é feita com um livro nacional. Este material estará, em poucos dias, disponível no site da Garamond.
Plágio caça-níqueis.
Michelm · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2006 11:57
Talvez você devesse ler o livro antes de julgar, como eu fiz. O livro não teria a repercussão que está tendo, aliás, se fosse isso.
Delfin · São Paulo, SP 2/5/2006 12:23Dizer que é cópia não é uma questão de opinião ou julgamento, é um fato. Nem no título o autor se deu ao trabalho de ser criativo. E você deu a sinopse: o enredo é chupado do livro original. Arte, religião, morte e mistério... É uma lástima que um autor se preste a isso... Xerox, control c + control v.
Michelm · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2006 13:57
O livro não foi lançado, amigo, como poderia lê-lo?
É verdade que o livro está tendo repercussão: negativa. Basta ver no google ou no technorati.
Outra coisa: o que isso tem de alternativo?
Isso é mainstream. Já saiu no jornal O Globo! Não demorou muito para o Overmundo servir a interesses comerciais. Lástima.
ei, e desde quando o 'overmundo' é obrigado a publicar apenas conteúdo alternativo? relaxa, delfin: esse leitor rabugento nem foi capaz de se identificar... bela matéria! :)
Monica Ramalho · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2006 16:56
Mônica,
Os próprios organizadores sempre salientaram o caráter alternativo do site, que o objetivo seria divulgar iniciativas culturais que não chegam ao conhecimento do público, tirar essas coisas dos guetos e trazer para o centro.
Um livro que vai estar em todas as livrarias, que já foi divulgado por um dos maiores jornais do maior grupo de mídia do país não é alternativo, é mainstream. Fora do que o site diz se propor a fazer. Além disso, não é novidade, a Internet está cheia de referências a esse livro, a maior parte delas jocosas por ser uma coisa de uma desfaçatez sem tamanho.
Por fim, seria bom que você respeitasse quem pensa diferente de você, chamar de bobo, feio ou rabugento é para quem tem 7 anos de idade...
bem, mmm, não gosto de colocar lenha na fogueira, não. na verdade, só comecei a comentar no 'overmundo' hoje, depois de levar algumas semanas apenas na condição de leitora. e acho que o site mantém-se, sim, firme no propósito de divulgar aquilo que não tem vez nos grandes veículos de comunicação. no entanto, a liberdade de expressão está aí e seria um erro limitar os textos a assuntos que não ganham espaço na grande mídia. se quer falar de respeito, respeite também as escolhas jornalísticas de quem faz este trabalho inovador acontecer. e que tal você mesmo se identificar de verdade e tornar-se um colaborador ou invés de simplesmente sentar-se na cômoda almofada da crítica?
Monica Ramalho · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2006 18:56
Como autor da matéria, sinto-me na obrigação de responder ao Michel. Então, vamos: é possível, sim, a um jornalista ler livros antes que eles saiam. Basta que ele tenha acesso ao original. Foi o que aconteceu comigo, uma semana antes de qualquer coisa ter saído na mídia. Caso Michel também não saiba, esta matéria foi inserida no Overmundo na sexta-feira — um dia antes, portanto, da nota no Globo e três dias antes da matéria de capa do Jornal da Tarde, de São Paulo. Um jornal, aliás, que não se pauta exatamente por se curvar a pautas de editoras. Como é o meu caso. Posso garantir que fiz a matéria como faço absolutamente todas as outras, levantando a pauta e avaliando as possibilidades dela ser legal pro Overmundo. Aliás, uma matéria só entra no site se, após uma fila de edição, ela obtém um número mínimo de votos de aprovação. E quem vota são os usuários cadastrados no site. Ou seja, os usuários escolhem e mantém os conteúdos. Mas, por acaso, o demérito parece ser porque o livro é, supostamente, algo do mainstream. Será? O autor é uma celebridade? A editora é um grande grupo editorial? Não sei como você pensa o jornalismo, Michel, mas, no Overmundo, se enfocam notícias interessantes e pela visão diferenciada de assuntos que estão banalizados ou, como se diz, na moda. É um site de mapeamento cultural. Um Ziraldo é tão cultura como um autor novo. É por isso que lançamos nosso visão sobre isto. É o-ver-mundo. Pluralidade. Não fechar os olhos a nada. Abrir os limites. Ilimitar.
Delfin · São Paulo, SP 2/5/2006 18:59
Monica,
"respeite também as escolhas jornalísticas de quem faz este trabalho inovador acontecer".
Ao contrário de você, não xinguei ninguém de nada. Não desrespeitei ninguém, só critiquei o que vi. Direito de expressão, de acordo com a política do site, então não há muito o que falar. Só pode elogiar, só vale o "me too"? Ainda de acordo com as políticas do site eu não sou obrigado a contribuir com texto algum e mesmo assim posso comentar. Não preciso ser jornalista para avaliar uma matéria, não preciso ser músico para ter minha opinião sobre uma canção, etc.
Poltrona cômoda é a da irreflexão, a da adesão idiótica; é muito mais fácil dizer "pô, maneiro". Isso se vê aqui muito bem.
"é possível, sim, a um jornalista ler livros antes que eles saiam. "
Sei muito bem disso, esta minha frase ficou ambígua: "O livro não foi lançado, amigo, como poderia lê-lo? " O sujeito é "eu', não 'você".
"Caso Michel também não saiba, esta matéria foi inserida no Overmundo na sexta-feira — um dia antes, portanto, da nota no Globo"
Eu só fiquei sabendo na segunda-feira e ela já tem um gosto de requentado. Isso que você escreveu só reforça a falha da matéria, bastava um trabalho jornalístico mais apurado para ver que o Globo estava cobrindo para ser desnecessária a cobertura pelo Overmundo. Afinal, essas matérias não são instantâneas, alguém do Globo já estava lendo o livro, ou já tinha uma entrevista marcada, o que o Overmundo foi fazer lá? Essa matéria que é praticamente um press release?
"Não fechar os olhos a nada." Ok, entendi: vocês não tem política editorial nenhuma.
Bom, você disse mesmo que saiu no Globo. Só não explicou que foi uma nota de um parágrafo, não uma matéria. Na seção No Prelo, que sempre dá uma força para a nova literatura e editoras independentes, de qualquer estado brasileiro. E pode muito bem ser que, talvez, não tenham tido acesso ao original. Eu não posso pautar minhas matérias pelo que eu acho que os outros jornais vão publicar, mas, sim, pelo interesse que eu acredite que o público vá ter nelas ou pela relevância das mesmas. É como eu trabalho.
Seria legal então você ler o livro, quando for disponibilizado ao público. Quem sabe você não aprecie a leitura, observando além do fator-Dan-Brown?
Realmente, é o que se há para dizer, de minha parte.
Ok, foi uma matéria, não um parágrafo. Uma pena que na faculdade de jornalismo não ensinem a usar o google.
A matéria é essa do dia 24/04, no dia seguinte repercutiu em vários blogs: http://oglobo.globo.com/online/cultura/plantao/2006/04/24/246932613.asp
Ok, você disse O Globo, não o Globo Online. Há diferença. Mas fui ao seu link. Lendo a matéria, vi que ela foi baseada em release. Só posso dizer que li o livro e escrevi a matéria (é o correto a se fazer). Isso me parece diferente.
E pra mim deu. :) Agora é com os usuários.
"Lendo a matéria, vi que ela foi baseada em release. Só posso dizer que li o livro e escrevi a matéria (é o correto a se fazer)."
Falta ética e pesquisa, mas leviandade sobra.
pra mim também já deu. e quer saber de uma coisa, com todas as letras? você é um rabugento, sim. porque, afinal, perde tampo lendo um site que acha tão primitivo? e se rabugento é xingamento, coitado daquele cãozinho que só fazia rir nos desenhos da corrida maluca rs
Monica Ramalho · Rio de Janeiro, RJ 2/5/2006 22:30
Acho essa discussão extremamente válida. A definição do que é alternativo é um trabalho muito difícil. Tive esse mesmo "problema".
Discordei da divulgação de um evento aqui no Overmundo que é grande no meu estado (http://www.overmundo.com.br/agenda/eventos.php?municipio=1593). Tem publicidade na televisão, rádio, jornal, etc. Achei que era batido e que nao fazia sentido entrar no Overmundo.
Mas, para a minha surpresa, muitas pessoas se interessaram. Principalmente pessoas de outros estados, que nunca tinham ouvido falar do evento e etc.
Enfim, o meu ponto é: se há uma dificuldade em definir o que é "mainstream" (o que é batido para alguns pode não ser para outros), acho que o que deveriamos procurar é um olhar diferente sobre o que pode ser considerado "batido", torná-lo interessante.
Olha...Gostei, viu?
Abraços,
Prada82
A idéia é sensacional. Afinal, o Aleijadinho teria sido maçom (não sei se essa informação procede), e as estátuas dos doze profetas bem poderiam conter alguma espécie de código. Aliás (mas esta informação eu também não tenho como absolutamente certa), dizem que as estátuas dos profetas seriam inspiradas fisicamente nas figuras dos inconfidentes - e, si non è vero, é bene trovato. Dá pano para manga, e muita página para livro.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/5/2006 07:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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