A maestrina nunca estudou música na vida, mas garante que rege orquestra e coral.
Aprendeu “de ouvido”, de tanto acompanhar os 13 irmãos tocando violão, bandolim e piano. Dona Celina Vieira orgulha-se do dom que a acompanha desde a infância e que lhe tornou a líder do grupo Bandolins de Oeiras, formado por senhoras com idades entre 65 e 80 anos.
A história começou há décadas, quando elas ainda eram adolescentes e viviam às voltas com saraus em suas casas ou nas casas de amigas. Em Oeiras, a primeira capital do Piauí, era comum que as moças aprendessem a tocar algum instrumento musical, para que os pais orgulhosos pudessem relatar seus talentos aos amigos. Mas depois de casadas, os cuidados com marido, casa e filhos acabaram consumindo todo o tempo e a música ficou apenas na lembrança.
No começo dos anos 80, por algum desses motivos que ninguém explica, as moças, que àquela altura já eram senhoras, resolveram tocar para homenagear os 250 anos da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Vitórias. Dona Celina vibrou com a idéia e passou a incentivar as amigas a continuarem tocando. E foi assim que o grupo surgiu. De lá para cá, donas Lilásia Freitas, Petronília (Petinha) Amorim, Rosário Lemos, Niêta Maranhão e Maria José Ferreira, a Zezé Cabeceira, não pararam mais de tocar.
Agora são estrelas de primeira grandeza, convidadas para tocar em eventos por todo o país. Já tocaram até no Palácio do Planalto, na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural. Ao lado do presidente Lula e dona Marisa, encantaram a platéia ao som do Hino Nacional.
Dona Celina conta que nas viagens o grupo vai sem regente. “Morro de medo de andar de avião. Já andei, mas fico nervosa demais, prefiro não ir. Elas tocam bem sozinhas”, diz.
Atualmente o grupo tem, além dos bandolins, dois violões e um pandeiro, para a música soar de forma mais completa, segundo Celina. “Tem gente que reclama do pandeiro, mas eu gosto, fica mais bonito, tem mais ritmo”.
Devido à idade avançada, as “meninas de Oeiras” não podem ter uma agenda recheada de eventos, mas mesmo assim procuram atender a todos os convites e viajam acompanhadas por familiares.
Dona Celina diz que para ela não existe um ou outro show mais importante. “Todos são bonitos, todos nos emocionam, temos consciência de que fazemos apresentações bonitas e as pessoas gostam.”
No repertório, a doçura do chorinho e das valsas, de vez em quando um samba. Elas fazem questão de tocar valsas do conterrâneo Possidônio Queiroz, compositor autodidata que emociona pela delicadeza dos arranjos. Os oeirenses mais bairristas afirmam que são de Possidônio as mais belas valsas brasileiras. Como as “meninas dos bandolins”, ele nunca estudou música, mas soube extravasar um talento nato; hoje a neta Vanda, dona de uma voz encantadora, é quem demonstra o poder musical dos genes da família Queiroz.
O reconhecimento agora, na terceira idade, é motivo de orgulho para as seis senhoras. “Imagine que coisa bonita é isso, de você estar velha e de repente começar a ter uma vida diferente. Subir num palco e tocar para dezenas e até centenas de pessoas, mostrar para os mais jovens como era boa a música do tempo em que nós tínhamos a idade deles. Todos gostam, acham bonito”, comenta.
O grupo gravou um CD há cerca de três anos, mas a divulgação foi pequena e não há exemplares disponíveis para venda. “Nós gostaríamos muito de gravar outro disco, deixar registrado o nosso trabalho, a nossa dedicação à música. Seria bom poder contar com outros músicos, fazer arranjos bonitos e gravar. É um sonho nosso, que espero que todas nós possamos ver realizado”.
Monix, eu procurei o CD pra disponibilizar uma música aqui, mas ainda não achei, porque não tem nas lojas...
assim que eu achar, posto no banco de cultura.
beijo
Que história linda! Também fiquei curiosa pra ouvir.
Sil Falqueto · Venda Nova do Imigrante, ES 4/5/2006 19:05
Olá, Natacha.
Imagino que a agenda delas deva ser bem limitada, mas você poderia postá-la no Overmundo, se conseguir descobrir as datas.
Oi Daniel. Combinei com a dona Celina de ela me passar a agenda quando tiverem alguma apresentação. Elas participam muito de festas lá em Oeiras mesmo, mas as viagens estão limitadas por causa da idade avançada delas.
beijo pra vc
Que lindas, Naty! Também quero ouvir quando vc conseguir!
Si · Botucatu, SP 5/5/2006 14:13
Demais a matéria. Quero escutarrr! Daria para fazer uma matéria reunindo exemplos como este em todos os estados brasileiros. parabéns. rodrigo ms
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 5/5/2006 19:05
parabéns, naty
parabéns, naty! adorei a matéria. bejos
Natacha, é uma história ótima, essa que você nos mostra.
Delfin · São Paulo, SP 6/5/2006 08:41
Ser feliz é uma questão de estado de espirito e não de idade e sem dúvida a musica é fundamenta.Não se pode ser feliz sem sonhar e por certo estas senhoras sabem bem o que é um sonho. Parabéns
Charlot
Muito legal, adorei o "serena idade"...
Fernandac · Belo Vale, MG 8/5/2006 10:41Boa matéria! Dona Celina mostra que o seu talento estava à espera de uma oportunidade. Seus compromissos de mãe e esposa não lhe davam espaço. Agora no melhor da vida, pode apresentar o melhor da sua alma. Muita saúde e sucesso.
erosilba · Campo Grande, MS 14/3/2007 11:09adorei a historia mas queria poder escultar elas cantando e tb como entrar em contato,e q sou de teresina e vamos fazer aki uma apresentaçao de oeiras seria interessante se pudessemos entrar em contato com elas por favor se puderem arranjar mandem ao meu e-mail...obrigado
lorenna_cs · Teresina, PI 12/9/2007 20:27
Lorena, vc não deixou o seu email. Escreva pra mim que te passo o telefone da dona Celina
um beijo
meu email:natmara@hotmail.com
Oeiras é uma cidade charmosa ! Tem um ar que falta à Cidade Verde ! Oeiras é Clássica sendo sertaneja ! É Eterna não mais o sendo !
Já tem seu toque mirífico ! E por cima, Oeiras é perto de Picos !
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Parabéns aos filhos da Primeira Capital !
NATACHA,VAI ACONTECER A 6ª EDIÇÃO DO SALIPI(SALIVA) EM VALENÇA,E,GOSTARIA MUITO DE ENTRAR EM CONTATO COM O GRUPO DE BANDOLINS,POR FAVOR PASSE-ME O CONTATO DELAS.MANDE PELO MEU EMAIL. AGUARDO...
OBG.
DADÁ
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