Alexandre Dantas – O Toque da Luz
Luz...
O que a luz pode nos revelar? O que ela é capaz de inspirar a quem a percebe? O que define? Ou realça? Que sentimentos instiga em nosso “eu”? Como reagimos diante deles?
Todo esse questionamento nos leva a uma reflexão prazerosa ao observarmos cada obra de Alexandre Dantas, um jovem artista que se revela como autêntico conhecedor da influência e do magnetismo da luz para definir temas, formas e, principalmente, expor sentimentos vários em suas belas telas.
Entreguemo-nos ao prazer de observar, refletir e “sentir”... a luz!
Ivanir Vallinoto
O mundo cotidiano, descoberto pela luz, é profundamente misterioso. Tem aquele intrigante fastio do que já conhecemos, e carrega constantemente o contra-senso de não conseguirmos mais ver o que é demasiado evidente.
Tudo o que se conhece é tocado pela luz, ou seja, a luz do conhecimento é a condição para que saibamos a existência de algo, o que pode ser entendido como revelação, empirismo, constatação, epifania. As artes visuais sobrevivem, talvez, de uma combinação de todos estes fenômenos perceptivos, apoiadas num jogo invisível: os liames finíssimos que produzem os fótons sobre as partículas que existem entre os olhares e a imagem.
A magia, tomada de forma pura e simples, quiçá pueril, não é suficiente para explicar o que nos acontece ao olhar uma imagem – quando a olhamos atentamente, deixando-nos também ser vistos por ela. Contudo, não vivemos uma época de atenções dedicadas, e a correnteza lenta da contemplação meditativa nos parece, freqüentemente, um dinossauro cujos ossos nunca formarão um esqueleto inteligível. Nesta arqueologia improvável, poderíamos, quem sabe, encontrar numa exposição qualquer respostas imprevistas a questões esquecidas, ou indagações novas para milagres sem crédito algum. Ou pelo menos comentários melhores do que gostar ou não gostar.
É nesse âmbito que Alexandre Dantas, com a coragem ingênua das crianças que vêem o mundo pela primeira vez, com olhos novos, propõe suas imagens numa técnica por muitos considerada morta: a pintura a óleo. Na contramão das imagens digitais em high definition, Dantas, sem passadismo panfletário, ou romantismo intransigente, delineia no incenso mimético do óleo a extasia fotográfica induzida por aquela vontade ancestral de decifrar a natureza das coisas partindo de sua superfície visual. O usa (ousa?) como uma opção consciente e despreocupada, de quem prefere uma viagem de charrete, rocinando preguiçosamente ao fruir a paisagem, ao quase teletransporte de um trem-bala.
Haverá quem pergunte: por quê não usa uma máquina fotográfica, já que pretende retratar a realidade visual com tamanha precisão? Creiam ou não, ainda há mistérios maiores na vontade humana do que a eletrodinâmica quântica e o tempo que se mede em nanosegundos.
*exposição de pinturas à óleo, aberta na Galeria Theodoro Braga - Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, em Belém-Pa, de 6 a 30 de outubro de 2009
Muito bom texto, a luz é revelação seja na escrita, no pensamento, na máquina, na tela...Elevação...O olhar e a luz bastam.
Perfeito. ab
"Do irreal, conduz-me ao real! Das trevas conduz-me à Luz! Da morte conduz-me à Imortalidade! (Upanishad).
Através da LUZ o Universo se manifesta.
Sucessos e um grande Abraço. jbconrado.
Maravilha!!!
Imgagem e texto
abs
André
Fosforescente luz! Excelente texto.
Abraço.
A arte é imutavelmente fator de iluminação. Na alma que cria na mão que escreve na mente que lê...
Excelente!
Abraço
A o tema luz me remete a uma concepção de um andarilho
de Gilbués-Pi, que depois se transformou em livro.
Ele dizia que nada tinha dentro do escuro. Ficava escuro e tudo saia, quando voltava a luz - "no instante mais ligeiro as coisas voltavam todas para onde estava".
Talvez ele estivesse (ainda está) certo. Porque a luz exerce realmente este facínio.
abraço
andré
Muito bom o texto.Deve ser muito bacana ver essa exposição de perto.
Abraço,
que delicia ler tao bom texto!!!
bjsssssss;
Muito bem dessarrolhado nesse articulo o tema LUZ, considero que o intuito do tema é colocar ante nossos olhos a LUZ que nois mortais conhecemos, si esta luz nos proporciona tanto conhecimento, como será nossa alegria quando conhecer a luz da eternidade??
Eu sempre considerei que toda materia produce radancia, consequentemente é luz e toda luz é Espirito, do qual nosso corpo tem uma infima particula. Em sintesis, gostei do articulo porque ele vai de uma ponta a outra em todos os campos do conhecimento humano.
e-mail sarini2000@hotmail.com
cíntia,
a luz no trabalho do alexandre tem a grandeza revisitada dos grandes da píntura clássica, de da vinci a caravaggio, e evoca realmente as reflexões citadas.
beijos,
r
ayruman,
sim, e há manifestação confessa do que podemos tocar com a visão nas telas de alexandre. propriedade das artes visuais essa fundura exposta daquilo que vemos apenas de superfície, porque nos propõe um olhar cuidadoso, pelo maquinário expositivo. que bom que ainda há espaços para o slow look.
abraços,
r
andré,
obrigado pelo que concerne ao texto! quanto à imagem, recomendo visitares o site do alexandre, onde podes ver outras pinturas dele.
abraços,
r
olá juscelino,
agradecemos pelo duplo elogio!
abraços,
r
cherry,
concordo plenamente contigo. e no caso de alexandre, essa iluminação é o motivo embuçado sob os motivos aparentes na tela.
beijo,
r
andre pessego,
meu amigo, é mais do que oportuna esta tua lembrança. porque a luz sobrevive mesmo da percepção humana, e é disso que trata o trabalho do alexandre. imagino que, sem a luz, suas telas seriam de um negrume conceitual, talvez bem ao gosto da arte contemporânea, mas sem sabor algum ao andarilho de gilbués...
abraços!
r
joe,
valeu! sucesso pra ti também!
abraços,
r
luciany,
sim, é fascinante! a impressão de que as imagens são fotográficas é muito forte, e ao mesmo tempo tens essa magia própria da pintura, onde imaginas os caminhos das pinceladas, e a mão do artista.
beijo,
r
claudia,
e uma delícia é ler teu comentário!
beijo,
r
enrique,
as tuas considerações sobre a natureza espiritual da luz são certeiras, e corroboram com o fascínio, já descrito no texto, presente na obra de alexandre. é realmente uma verdade que a matéria tem radiância, e que esta radiância provém de uma substância eminentemente espiritual.
abraços,
r
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